Na Gringa, Sobre a vida

Uma visita a Beatrix Potter e Peter Rabit

May 16, 2016

Num momento em que muito se fala sobre a ausência de mulheres nos ministérios e em como alguns veículos de comunicação tentam forçar o modelo “bela, recatada e do lar” nossa goela abaixo, é importante conhecermos tantas mulheres incríveis quanto pudermos. Beatrix Potter é um delas.

Na verdade, é bem possível que você já tenha ouvido falar dela em algum momento. Seja por causa dos livros infantis que ela escreveu ou do filme sobre sua vida que esteve nos cinemas em 2006, Miss Potter.

By Charles G.Y. King (1854-1937) - National Portrait Gallery

By Charles G.Y. King (1854-1937) – National Portrait Gallery

Beatrix nasceu em 1866 numa família muito rica e não fez nada do que seria esperado de uma moça na Inglaterra Vitoriana. Não se casou cedo, tornou-se financeiramente independente graças a seu trabalho, apresentou um trabalho científico na Linnean Society em Londres, publicou mais de 20 livros infantis e foi morar sozinha na fazenda que comprou com seu próprio dinheiro.

Quer mais?

Ela também abraçou a causa e foi pioneira na conservação do Lake District, uma das regiões mais bonitas da Inglaterra.

Lake Windermere

Beatrix aprendeu a desenhar quando criança e foi bastante estimulada pelo pai, que também gostava muito de desenho e pintura. Seus modelos preferidos eram seus animais de estimação e as paisagens da Escócia e do Lake District, onde a família costumava passar férias. Essas temporadas em meio à natureza foram fundamentais para que seu interesse por animais e plantas se tornasse cada vez maior.

Ela tornou-se uma naturalista, com especial interesse em fungos. Dedicou-se ao estudo deles durante anos, fazendo desenhos detalhadíssimos e descobrindo que a literatura sobre o tema que existia até então estava errada quanto a seu ciclo de vida. Por muito tempo correspondeu-se com o cientista escocês Charles MacIntosh sobre o assunto e chegou a escrever um estudo científico sobre o tema para ser apresentado na Linnean Society em Londres. Acontece que naquela época mulheres não podiam entrar nem no prédio da sociedade, muito menos apresentarem trabalhos científicos nas reuniões. A solução foi pedir a um conhecido que o fizesse. Em 1897 Geroge Massee, um botânico, fez as honras e apresentou o trabalho Germination of the spores of the Agaricineae. O estudo foi aceito, mas os cientistas pediram para que ela se aprofundasse mais no tema, coisa que ela nunca fez.

Um dos muitos desenhos que a autora fez durante seus estudos de micologia.

Um dos muitos desenhos que a autora fez durante seus estudos de micologia.

A razão é simples, aos 32 anos ela finalmente encontrou uma editora que se interessou pela publicação de seu primeiro livro; The Tale of Peter Rabbit. Ou, A história de Pedro Coelho. O livro foi um sucesso absoluto e assim começou seu caminho rumo à sua independência financeira, algo muito inovador no comecinho do século XX.

Durante sua carreira de escritora Beatrix Potter publicou 23 livros infantis – cerca de dois por ano. Ela tinha algumas exigências em relação ao formato dos livros: eles deveriam ser pequenos, para que pudessem ser confortavelmente segurados pelas próprias crianças e não deveriam ser caros, para que o maior número de pessoas possível pudesse comprá-los. Por isso mesmo o plano inicial para a primeira edição de Peter Rabbit era de que as ilustrações não fossem coloridas.

peter rabbit

Beatrix Potter e Norman Warne, seu editor, ficaram noivos em 1905 mas o compromisso nunca foi oficializado por não ser aprovado pelos seus pais. Eles não consideravam o pretendente à altura da filha por serem de classes sociais diferentes. Infelizmente eles não chegaram a se casar pois Warne morreu de leucemia alguns meses depois de fazer o pedido.

Pouco tempo depois, com o lucro da venda de seus livros, ela comprou a fazenda Hill Top no Lake District e se mudou para lá. Sozinha. Em 1905.

Hill top

Não só a fazenda continuou produtiva depois que ela se mudou, como ela deu início à criação de ovelhas Herdwick, uma raça nativa da região. Aos poucos foi adquirindo outras propriedades ao redor pois tinha a intenção de conservar a paisagem do Lake District ao máximo. Ela se preocupava com o impacto que o desenvolvimento da região teria não apenas na paisagem, mas também no modo de vida e aspectos culturais do local. A procura por novas propriedades e os aspectos legais da preservação de suas terras levaram Beatrix Potter a conhecer o advogado com quem se casou, William Heelis. Mais uma vez os pais não aprovaram a união, mas como dona do seu nariz que era, Potter não se importou e casou-se com ele mesmo assim. Ela e William tornaram-se parceiros do National Trust, órgão inglês que cuida da preservação de patrimônios da Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte, e como não tiveram filhos deixaram todo o patrimônio como doação para o National Trust.

Mas quer saber o mais legal?

Você pode visitar a fazenda onde ela morou! Sim, Hill Top é mantida pelo National Trust e é aberta ao público para visitação. Não é demais?

Hill TopInfelizmente  fotografias dentro da casa não são permitidas, mas tudo está mantido do jeitinho como ela deixou. Espalhados pela casa estão alguns de seus livros e é possível reconhecer diversos cômodos e objetos nas suas ilustrações!

A visita é feita com hora marcada pois há um número máximo de pessoas que podem entrar na casa de cada vez. Você determina o horário na hora em que compra o ingresso.

Como ir:

Estando em Windermere, uma das maiores cidades do Lake District e do lado oposto do lago, há duas opções para chegar até Hill Top. A primeira é de ônibus:

Já a segunda é ir de barco cruzando o lago Windermere. Não tive dúvidas, fui andando até Bowness-on-Windermere, a cidade vizinha que fica na beira do lago e peguei o barco até o outro lado. Lá a van do Mountain Goat estava me esperando e rapidinho chegamos a Hill Top.

Mountain Goat

Serviço:

O ingresso individual de adulto custa £ 11,00. Mais informações sobre a casa dela, horários de abertura, preços de ingressos para crianças e famílias é só clicar aqui.

A travessia do lago se chama Cross Lakes Experience  e o bilhete é comprado no píer de Bowness-on-Windermere no escritório do Windermere Lake Cruises, que faz a operação combinada com a van do Mountain Goat. O bilhete individual de adulto custa £ 4,80 e vale para ida e volta. Eles também oferecem bilhetes de família, mais informações do Windermere Lake Cruises aqui. Mais informações sobre o trajeto com o Mountain Goat é só procurar aqui.

Caso você prefira ir de ônibus, o 505 sai do ponto que fica junto à estação de trem de Windermere e o passe do dia todo custa £ 8,00. Mais informações sobre o trajeto e horários aqui.

Para quem tem coragem de dirigir do lado errado da rua, também conhecido com mão inglesa, há um estacionamento com parquímetro ao lado da bilheteria.

Hill Top

*O Naonde? tem um compromisso de transparência total com os leitores e informa que minha visita à casa da Beatrix Potter foi a convite do National Trust e que o transporte foi uma cortesia do Mountain Goat e Windermere Lake Cruises.

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Dirigir nos EUA, algumas dicas práticas

April 25, 2016

Apesar de dirigir há muitos anos, eu nunca tinha guiado fora do Brasil. A razão disso não poderia ser mais simples; eu tenho medo. Ele mesmo, aquele sentimento que te impede de correr riscos desnecessários e que você tem que enfrentar em certas situações. Foi com meu medo no banco do passageiro que eu encarei a aventura de dirigir nos EUA.

A viagem foi toda planejada em torno de dois eventos: o WITS 16 que seria em Irvine e o Springbreak da minha prima, quando a família toda viajaria para o Yosemite. Como base usaria Davis, no norte da Califórnia, onde meu tio está morando. E eu comprei a passagem para Los Angeles.

Depois de olhar este mapa pergunto: ficou clara a minha estupidez?
Porque pra mim não tinha ficado muito.

A última parte da viagem seria a visita ao Yosemite, que está no meio do caminho entre Davis e L.A.. Meus tios voltariam para casa no carro que alugamos e restou a questão do meu transporte. Pegar um trem e dormir uma última noite em L.A.? Sairia muito caro. Pegar o trem e ir direto da estação ao aeroporto? Também sairia caro e teria o perrengue de ir arrastando as malas de um lado para o outro de olho no relógio. Foi então que meus super tios tiveram uma idéia que eles acharam ótima e que me tirou o sono: a Ângela aluga um carro e vai dirigindo até o aeroporto!

 Ficou então decidido que desceríamos a Scenic Route de Monterey até San Luis Obispo, dormiríamos a noite lá e no dia seguinte eu iria dirigindo até o LAX.

No fim das contas dirigir nos EUA foi bem tranquilo, especialmente depois que eu vi que o carro seria um Fiat 500x e meu coraçãozinho se derreteu de amor. Verdade seja dita, fiquei tentada a continuar dirigindo o bonitinho até São Paulo.

Dirigir nos EUA

Dicas práticas para o aluguel:

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– Por causa do meu trajeto precisei alugar o carro em uma cidade e devolver em outra. Isso chega a dobrar ou triplicar o preço final, então é bom conferir os valores em duas ou três agências diferentes. Nem sempre a empresa que oferece o melhor preço por dia de aluguel é a que vai ter a taxa de devolução em outra cidade mais em conta.

– A carteira nacional de habilitação (nossa querida CNH) brasileira é válida nos Estados Unidos. Na Califórnia, pelo menos, ela é suficiente para o aluguel de um carro. Basta apresentá-la no balcão da locadora. Como me alertou a comadre Veridiana, que mora no Texas, a carteira é válida para alugar o carro, mas se o guarda te parar ele pode exigir a carteira internacional e se você não tiver o documento pode ter problemas SÉRIOS inclusive deportação.
Em alguns estados a CNH brasileira junto com o passaporte te dá o direito de dirigir por 30 dias dependendo do tipo de visto – L1 por exemplo, pois entende-se que como você será residente, precise desse período para organizar sua documentação. Ou seja, é bom se informar sobre as regras do estado que você pretende visitar.

– Se estiver acompanhado de alguém que também tem habilitação, registre seu companheiro como segundo motorista.

– Veja se o seguro do seu cartão de crédito ou seguro viagem cobre certas despesas com seguro na hora da contratação do serviço, por exemplo seguro contra terceiros. Se cobrir são uns US$30,00 que se economiza na tranquilidade. Você pode optar por não contratar esse seguro contra terceiros, mas se tiver algum acidente vai ter que amargar o prejuízo em dólares.

– Confira se o carro tem GPS no painel e economize uns US$ 10,00! A grande maioria dos carros novos nos EUA já vêm com GPS de fábrica e são bem bons. Algumas empresas deixam travado e vão te cobrar os US$10,00 pelo código que destrava, o mesmo que cobrariam pelo aparelhinho. A Enterprise é bacana e não faz isso, tendo GPS no carro ele está liberado!

– Se você quiser um carro pequeno, portanto mais barato, é bom reservar com alguns dias de antecedência. Se deixar pra fazer na hora corre o risco de acabar tendo que pegar um carro grande e pagar mais por isso.

– Você deverá devolver o carro com o tanque cheio, certo? A Enterprise tem um esquema de deixar a gasolina pré-paga e você pode devolver o carro com o tanque praticamente vazio. Eles fazem uma estimativa de quanto combustível você vai gastar até o seu destino e quanto isso custaria e a isso somam uma taxa de conveniência. Fica mais caro do que se você mesmo fizesse o serviço? Sim, mas é possível negociar. Eu optei por esse serviço e não me arrependi. Não queria ter que me preocupar em achar um posto de gasolina antes de devolver o carro e ainda por cima me preocupar em perder o voo.

– Pergunte se eles oferecem pagamento automático de pedágio (o Sem Parar da Califórnia se chama Fast Trak). A Enterprise oferecia, mas cobrava uma taxa de US$ 5,00 por cada passagem.

Dicas na estrada:

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– Parar completamente o veículo em toda e qualquer placa “STOP”. Não tem negociação. Se você não parar e o guarda te pegar é multa na hora.

– Não se pode levar bebida alcóolica dentro do veículo. Quando perguntei o porquê à minha tia ela disse que é provavelmente por imaginarem que as pessoas teriam muita dificuldade de resistir a uma latinha de cerveja ocupando o banco do passageiro. Ou que, num momento de abstinência muito grande alguém conseguisse manejar um saca-rolhas com as mãos tremendo dentro de um carro em movimento em uma auto-estrada. Não conheço uma única pessoa que goste tanto assim de vinho, mas nunca se sabe.
Assim como no caso das placas de “STOP”, a multa também é pesada e imediata, paga no ato e sem brecha para argumentação. O único argumento que vale aqui é o do guarda, “you are in America now“. Ou seja, não arrisque e deixe o goró no porta-malas.

–  Chegando em um cruzamento com semáforo, se ele estiver fechado e você estiver na faixa mais a direita e não vier carro você pode virar a direita. Sempre respeitando que a preferência não é sua.

– Ao contrário do Brasil, a ultrapassagem pela direita é permitida. Cuidado.

– Quem vem da pista de aceleração tem preferência, então é necessário diminuir a velocidade e dar passagem.

– Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a existência de semáforos nas estradas. Não nas freeways, onde a velocidade média é maior, mas nas vicinais ou estradas menores. Numa comparação com o Brasil, não haveria semáforo na Rodovia dos Bandeirantes, mas no trecho da Santos Dumont que vai até Campinas sim. Achei esquisitíssimo.

– Poucos pedágios. No dia em que dirigi sozinha não peguei nenhum, mas é necessário pagar US$ 5,00 para entrar e sair de San Francisco.

– Se, assim como eu, você for devolver o carro no aeroporto é bom verificar onde fica o pátio da locadora e usar esse endereço como ponto final na hora de programar o GPS. Muitas vezes está um pouquinho afastado, mas sempre há uma van fazendo o trajeto pátio-aeroporto.

– Em Los Angeles, por causa do trânsito pesadíssimo, a faixa mais à esquerda é exclusiva para quem está com mais de uma pessoa sozinha. A idéia é incentivar que as pessoas peguem carona e não piorem o tráfego ainda mais, colocando mais um carro com apenas uma pessoa dentro nas ruas.

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Dica bônus:

– Tenha a sua playlist a postos, a viagem não teria sido a mesma se eu não tivesse ouvido Wesley Safadão enquanto apreciava a paisagem da Pacific One.

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Um passeio pelo Napa Valley a bordo do Wine Train

April 19, 2016

Quem nunca sonhou em visitar o Napa Valley na Califórnia que atire a primeira rolha! Quem nunca sonhou em embarcar nos vagões do Napa Valley Wine Train é porque nunca soube da sua existência.

Wine Train

 Já começou a se imaginar lá dentro e guardou meia dúzia de moedas no porquinho pra ir o mais rápido possível? Ou vai me jogar a primeira rolha?

E como foi que eu descobri o Wine Train?

Quando soube que o famoso vale ficava bem pertinho de Davis, onde estaria hospedada, comecei a procurar por passeios pela região. O primeiro que encontrei foi um de bicicleta pelas vinícolas e me chamou muito a atenção. Mas ao descobrir que grande parte do trajeto seria feito na beira da auto-estrada e que o almoço não estava incluso me desanimei bem rapidamente. Ainda mais depois de saber que corria o risco de não encontrar mais um sanduichinho que fosse nas prateleiras das Delis à beira da estrada.

Eu buscava algo parecido com o que havia feito no Chile em 2011, quando fiz o tour da La Bicicleta Verde. Os caminhos eram por dentro dos vinhedos e o almoço, que estava incluso no pacote, acontece no fim do passeio com todo mundo confortavelmente sentado à volta da mesa.

Enfim, com alguma tristeza descartei a possibilidade da bicicleta e fui procurar alternativas. Mas então me dei conta de que precisaria de duas coisas fundamentais para um planejamento independente e percebi que não tinha nenhuma delas. Não tinha carro e não tenho o menor conhecimento sobre vinhos. Eu precisava de alguém que me mostrasse aonde ir e que me levasse até lá. E foi aí que o Wine Train entrou na história, recomendado por uma amiga americana.

E como é o passeio?

Wine Train

O trem sai da sua própria estação – vejam que chique! – que está a cinco minutos de distância do centrinho de Napa e ela tem estacionamento próprio e gratuito.

Assim que você chega à estação só precisa se apresentar no balcão, caso já tenha sua reserva, ou perguntar quais os tours disponíveis e se ainda há lugares vagos. Como o nosso passeio também incluía uma visita à vinícola Grgich Hills ganhamos um brochinho pra colocar no casaco e os guias poderem nos identificar na hora de descermos. Esperamos ainda um pouquinho na ante-sala da estação e logo os passageiros são chamados para o embarque pelos alto-falantes. Lá fomos nós.

Wine Train

Se por fora o trem já é a coisa mais linda, é dentro que você fica mesmo boquiaberta. Os vagões que eles usam, e onde nos sentamos!,  são os antigos vagões da primeira classe da Northern Pacific Railway. Foram construídos em 1915 e agora estão restaurados para manterem o estilo e o charme da época. Realmente parece uma viagem no tempo, não fossem os carros passando na auto-estrada ao lado e você se veria transportado ao século passado.

Wine Train

Assim que você escolhe seu assento já recebe uma tacinha de vinho, a única grátis do passeio, uma cestinha de maravilhosos pães bem quentinhos e o menu.

Wine Train

Logo o garçom vem tirar o seu pedido, pois o almoço é servido no caminho de ida para a vinícola. A refeição é completa; com entrada, prato principal e sobremesa. No cardápio há sugestões de vinhos que harmonizam com cada prato e são cobrados a parte, assim como outras bebidas não alcóolicas. Só o bom e velho copo d’água é gratuito e foi ele o meu escolhido para companhia durante a refeição. Como sabia que haveria uma degustação na vinícola, preferi me enganar dizendo que não sou de beber muito a admitir o pão durismo na hora de deixar o vinho de lado.

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A viagem vai seguindo e entre uma vinícola e outra o melhor almoço da viagem aparece na sua frente.  Enquanto isso os garçons vão nos mostrando e explicando as histórias das propriedades pelas quais estamos passando. Meu único receio em relação ao passeio era justamente o fato de o trem ir beirando a auto-estrada, justamente um dos motivos que me fez desistir da bicicleta. Achei que o trajeto de ida e vinda tinha grandes chances de ser chatíssimo e até meio feio. Felizmente eu estava bem enganada.

Napa Valley

Apesar de não ser o cenário mais lindo do mundo é mais bonito do que se possa imaginar e as explicações vão tornando tudo mais interessante. Fica aqui a dica de se sentar nas mesinhas que estão mais próximas ao prédio da estação na hora do embarque (gente, sou ambidestra e não sei distinguir direita e esquerda. mal aê).

Grgich Hills

Grgich Hills

A primeira coisa que eu perguntei à moça da estação foi a pronúncia correta do nome da vinícola. Fica puxado pro falante nativo de português ver uma palavra com apenas uma vogal. Gentilmente ela me disse que é “GuiRguich” e que este é o sobrenome de um dos sócios.

Assim que descemos do trem o guia já nos entrega a taça que será nossa companheira pela próxima hora e receberá cinco vinhos diferentes. Passamos primeiro pelo lugar onde as uvas são recolhidas e processadas. É ali que o guia nos conta a origem do nome da vinícola: Grgich é o nome de um dos sócios e Hills é o do outro. Não são estas as hills que emprestam seu nome à vinícola.

napa valley

Mais um pouco e chegamos ao lugar onde são guardados os tonéis e vamos sabendo um pouco mais sobre a história da vinícola e de seu fundador. Mike Grgich veio da Croácia (na época ainda Iugoslávia) para os Estados Unidos um pouco depois da Segunda Guerra e trabalhou em diversas vinícolas até chegar a ter sua própria. Ele já tinha alguma experiência no assunto pois esta era a atividade da sua família na terra natal e isto lhe ajudou a garantir o título de melhor Chardonnay do mundo na competição de Paris em 1976. Não só o Mike levou o troféu, ele também ajudou a colocar o Napa Valley no mapa da produção de vinho mundial e deixou diversos franceses bufando de inveja.

Grgich HillsMais uma tacinha e outra depois, o trem voltou e embarcamos novamente. Dessa vez com uma companheira a mais, uma garrafa de Fumé Blanc, o meu preferido do dia.

A viagem de volta vem acompanhada da sobremesa e uma xícara de café (ou chá) e às 14:30 desembarcamos na estação do Wine Train muito bem alimentados e felizes.

Serviço:

O tour que nós fizemos foi esse aqui, mas eles também oferecem outros.

Reservas podem ser feitas pelo telefone +1.800.427.4124 ou pela internet.

Chegar à estação do Wine Train é muito fácil. Se você estiver hospedado em Napa pode ir a pé, são apenas 5 minutos de caminhada a partir do centro. Estando em San Francisco é possível ir de balsa ou de carro. No site eles dão mais detalhes sobre como chegar até lá.

*O Naonde? tem o compromisso de transparência total com os leitores e informa que estive a bordo do Wine Train como convidada deles.

Mergulho, Na Gringa

Curso de mergulho em Phi Phi x Koh Tao

April 14, 2016

Que a Tailândia é uma meca de mergulhadores todo mundo já sabe. Portanto a dúvida que resta é de quem ainda não tem o certificado mas que está pronto para tirá-lo: a questão geográfica. Optar pelo curso de mergulho em Phi Phi x Koh Tao? O que é melhor?

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Koh Tao é o segundo lugar no mundo que mais expede licenças de mergulho anualmente, só perde para Cairns na grande barreira de corais da Austrália – por motivos óbvios. Mas isso não quer, necessariamente, dizer que o curso lá seja melhor do que em Koh Phi Phi. Ambas as ilhas têm suas vantagens e desvantagens. Assim como as duas grandes certificadoras que vão disputar seu tempo e seu dinheiro: PADI (Professional Divers Association International) e SSI (Scuba Schools International).

Qual certificadora escolher?

O gerente da escola onde eu trabalhei em Phi Phi costumava responder à pergunta de qual das duas era melhor com a seguinte metáfora: na hora de fazer um lanche há quem prefira McDonald’s e há quem prefira Burger King. No fim das contas a escolha se resume a uma simples questão de gosto. Apesar de algumas pequenas diferenças o produto final é basicamente igual. O mesmo acontece com o mergulho, cujas regras não variam dependendo do lugar onde você está. Ambas carteirinhas te permitirão descer aos mesmos 18m em qualquer lugar do planeta seguindo as mesmas normas de segurança. Caso você já tenha uma certificação básica da SSI poderá fazer o curso avançado pela PADI e vice-versa.

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Dois critérios podem ser usados para desempate.

Preço: Os cursos da SSI costumam ser mais baratos do que os da PADI, cerca de 10% a menos. Portanto, se economia for a sua prioridade opte pela SSI.

Carreira: Se o sonho da sua vida – como foi o meu um dia – for se tornar um membro da indústria do mergulho, talvez a PADI seja sua melhor opção. Profissionais PADI podem trabalhar independentemente, já os instrutores SSI necessariamente têm de estar vinculados a uma escola ligada à SSI.

Qual o custo do curso?

Pelo que pude perceber pela pesquisa, em Koh Tao os preços dos cursos não são tabelados e variam de acordo com as escolas. Já em Phi Phi as operadoras têm um acordo e o preço de cada curso é exatamente o mesmo em toda a ilha. Caso você tenha a intenção de fazer mais de um curso, por exemplo o básico e o avançado de uma só vez, dá pra negociar um preço melhor e a maioria das escolas costuma dar uns 10% de desconto caso você tenha feito um curso com eles e queira embarcar no segundo.

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Koh Tao:

O curso SSI gira em torno de THB 8,600, cerca de R$ 890,00 sem acomodação – Preço pesquisado em 21/03/2016 na escola Roctopus.

O curso PADI gira em torno de THB 9,800, cerca de R$1400,00 sem acomodação – Preço pesquisado em 21/03/2016 na escola Big Blue Diving.

A maioria das operadoras de mergulho de Koh Tao inclui a acomodação no preço do curso. A Crystal Dives oferece um preço bem semelhante ao da Big Blue Diving mas com acomodação inclusa. É uma questão de procurar e encontrar o que melhor se adequa à sua necessidade, pois há quartos coletivos e individuais e níveis de conforto diferentes.

Phi Phi:

O curso SSI custa THB 12,900, cerca de R$ 1335,00 – Preço pesquisado em 21/03/2016 na escola Seafrog.

O curso PADI custa THB 13,800, cerca de R$ 1428,00 – Preço pesquisado em 21/03/2016 na escola The Adventure Club, onde eu trabalhei.

 

Como escolher uma escola?

Bom, cada uma das ilhas têm escolas de tipos e tamanhos diferentes, mas via de regra Phi Phi costuma ter escolas menores por causa do próprio tamanho da ilha. Portanto, se você prefere uma vibe mais tranquila, menos gente no barco e na sua turma… minha recomendação é que pegue logo a balsa para Phi Phi e esqueça Koh Tao.

Você quer ir mergulhar com o pessoal mais legal!

Você quer ir mergulhar com o pessoal mais legal!

Koh Tao tem escolas grandes e conhecidas, como a Crystal Dives, Big Blue Diving e Ban’s. Todas elas oferecem acomodação para os alunos, que pode estar inclusa no preço ou não. A vantagem delas é para quem está viajando sozinho e quer fazer amigos durante o curso de mergulho, já que as turmas costumam ser grandinhas (cerca de 6 a 8 alunos) e compostas por gente do mundo todo. É também bem provável que em alguma destas três haja um instrutor que fale português, se isso vai te fazer se sentir mais confortável e confiante. Eu não recomendaria para quem quer um pouco mais de atenção individual e tenha um pouco (ou muito) medo de cair na água, justamente por causa dos grupos grandes. Essas escolas têm fama de serem “fábricas de certificação”, o que não necessariamente é algo ruim, depende apenas do que você está buscando.

Há também escolas pequenas em Koh Tao, como a Roctopus, que eu indicaria para quem tem menos confiança na hora de cair na água. Nessas escolas você tem muito mais chance de ter atenção exclusiva ou quase do seu instrutor, mas também diminui a chance dele falar português.

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As escolas de Phi Phi são quase todas pequenas, portanto a chance de você conseguir atenção integral do seu instrutor na língua de sua preferência é muito maior. Há cerca de 12 escolas e na última temporada que passei lá havia, pelo menos, 4 mergulhadores brasileiros em 4 escolas diferentes. No pior dos casos sempre vai ter algum falante de espanhol para quebrar o galho quando você falar “mergujo” querendo dizer “buceo”.

A média de alunos numa turma grande em Phi Phi é de 4 pessoas, coisa que eu raramente vi acontecer durante os 9 meses em que trabalhei lá. Na maioria das vezes era comum ver grupos de 2 a 3 alunos que fossem amigos ou tivessem requisitado a mesma língua e houvesse apenas um instrutor que dominasse o idioma, por exemplo sueco ou finlandês. Apesar de grupos menores, o entrosamento entre os passageiros no barco costumava acontecer de forma muito natural, então mesmo quem estava sozinho sempre acabava encontrando companhia.

Qual ilha tem os melhores pontos de mergulho?

Esta é provavelmente a pergunta mais difícil de responder, justamente pelo fato da resposta ser baseada única e exclusivamente em critérios subjetivos. Conheço quem prefira uma e quem prefira outra, por motivos estritamente pessoais. Numa situação ideal você iria a ambas ilhas e tiraria suas próprias conclusões, mas como esta não é a realidade de muita gente tentarei expor os fatos da maneira mais imparcial possível.

Koh Tao

koh tao

De maneira geral os recifes estão um pouco mais danificados do que em Phi Phi por conta o grande número de mergulhadores iniciantes que passam por ali todos os anos. Nada contra os novatos, tudo a favor na verdade, mas como quem está começando ainda não tem muita prática, acaba chutando os corais sem querer. Não há muitos peixes-palhaço em Koh Tao, na verdade não me lembro de ter visto um único que fosse. Assim, se encontrar o Nemo for a grande razão do seu mergulho, Koh Tao não é sua melhor opção.

Há alguns pontos mais distantes de Koh Tao que parecem ser muito bonitos, como Sail Rock, mas têm um grau de dificuldade um pouco maior do que os que estão ao redor da ilha. Na prática isso quer dizer que você não vai ser levado até lá enquanto ainda não tiver seu certificado em mãos – durante o curso, em português claro.

Por ser o segundo lugar do mundo que mais emite certificados anualmente, os pontos costumam ser bem concorridos e atulhados de outros mergulhadores. Sabe aquela sensação bacana de se desligar do mundo, do silêncio e tranquilidade que a maioria das pessoas busca quando decide mergulhar? Então, não é muito fácil de ser encontrada quando há grupos grandes ao seu redor e o instrutor que está tomando conta de um grupo de oito alunos começa a bater no tanque pra chamar a atenção de todo mundo.

Koh Phi Phi

Hin Gareng

Tenho ouvido de vários amigos mergulhadores que os recifes de Phi Phi estão entre os mais bonitos que já viram. Opinião de gente que já mergulhou na Austrália, Maldivas e Indonésia!

Por causa do menor número de mergulhadores que passam por lá anualmente, os recifes estão mais bem conservados e há mais vida marinha. Aliás, há um monte de Nemos para serem encontrados!

Como há menos gente, na hora que todo mundo cai na água cada grupo pega seu rumo e a chance de você alcançar aquela sensação de isolamento é muito maior. Na verdade, a chance de você encontrar alguém é bem pequena.

A maioria dos pontos é bem próxima da ilha, os mais distantes ficam a 30 minutos de distância, e não existem pontos difíceis ou muito desafiadores além do naufrágio. Assim, todo mundo vai aos mesmos lugares, alunos ou mergulhadores já bem experientes.

E agora?

mergulho tailândia

Bom, agora é com você! Espero ter ajudado e que a sua escolha seja a melhor possível, que seus mergulhos sejam maravilhosos e que você aproveite muito!

Braseel, Sobre a vida

10 meios de sair do Brasil se o impeachment acontecer

April 11, 2016

Não conheço uma única pessoa que esteja plenamente satisfeita com o atual governo. Na verdade, não conheço quem quer que seja que esteja plenamente satisfeito com o seu governo, não importando o país de origem. E isso me leva a pensar sobre a situação atual do Brasil; que requer um olhar cuidadoso, que vá muito além de simplesmente encontrar a figura do herói salvador da pátria que tanta gente anda buscando.

Um processo de impeachment, com cheirinho de golpe, foi instalado e deve ter sua votação na segunda-feira. O perigo reside na questão sobre a qual ninguém parou pra pensar: o dia depois do impeachment. Tira-se a presidente e então? Os acordos que estão sendo esboçados a lápis são facilmente apagáveis e meu maior medo é que um certo deputado da bancada evangélica venha a assumir o cargo de autoridade máxima da Nação Brasileira. Nossa visão anda tão curtinha e tolhida que só se ouve gente criticando alguns passos em falso dados pelo atual governo e gritando por sua saída. Mas não se pensa e nem se fala sobre o depois.

Pensando nisso me lembrei daquela classe média do texto de ontem, a que adora ir a Miami fazer compras e dizia que se mudaria para lá caso o governo fosse reeleito em 2014. Então a Kate escreveu um texto sobre 15 maneiras de sair do Estados Unidos caso o Trump for eleito e foi impossível não associar a figura do candidato americano à de um certo deputado preconceituoso e gastão da bancada evangélica. Bom, se os americanos têm medo do Trump, eu tenho é muito medo desse senhor.

Portanto, sem mais delongas, apresento aqui…

10 meios de sair do Brasil se o impeachment acontecer:

1 – Mudar para o Uruguay

Montevidéo

Em 2015 a Presidente Dilma Rousseff assinou um acordo com o então Presidente uruguaio, José Mujica, que “visa promover a livre circulação de pessoas, desburocratizar a concessão de vistos permanentes e permitir o reconhecimento de documentos expedidos nos dois países”.

Lado A: O Uruguai é um país lindo, pequeno, vizinho ao Rio Grande do Sul e portanto com hábitos parecidos aos da região. A barreira da língua não é muito grande, os uruguaios são simpáticos, gentis, a vida cultural de Montevidéo é animada e o litoral do país muito bonito.

Lado B: É um país caro, a oferta de imóveis em Montevidéo não é enorme e os preços dos aluguéis são salgados e falar bem espanhol é um pré-requisito para conseguir trabalho.

Este post da Adriana pode te ajudar a pensar melhor sobre o assunto.

2 – Estudar no exterior

No Nymphenbad, em Dresden, onde estudei em 2002.

No Nymphenbad, em Dresden, onde estudei em 2002.

Muitas faculdades americanas oferecem bolsas de mestrado e doutorado que cobrem o valor do curso e ainda dão ajuda financeira para o estudante. Em geral esse apoio financeiro é dado em troca de trabalho, o pós-graduando atua como monitor em alguma disciplina, corrige provas dos alunos de graduação etc..

Não apenas universidades americanas, muitas universidades européias oferecem programas parecidos. É só uma questão de procurar sua área de interesse, se inscrever e torcer para ser aceito.

Lado A: Você garante um diploma a mais para seu CV, ganha experiência no mundo acadêmico e abre mais portas, tanto no mercado de trabalho quanto no acadêmico.

Lado B: A não ser que seu país de escolha seja Portugal, é necessário ter fluência em algum idioma estrangeiro e prová-la através de certificado.  A tradução de toda sua documentação acadêmica tem que ser feita por tradutor juramentado e isso custa caro, assim como os exames de proficiência em língua estrangeira.

Lado B do lado B: Se você for para os Estados Unidos, corre o risco de ter Donald Trump como próximo presidente.

O 360 Meridianos já escreveu sobre estudar em diferentes lugares do mundo.

3 – Fazer “Au-Pair” na Europa

Morar em Paris é seu sonho?

Morar em Paris é seu sonho?

Uma boa idéia para quem gosta de crianças e quer conhecer melhor a cultura de outro país. A maioria das famílias que recebe estrangeiros em casa costuma ser bem aberta e gentil. É claro que também existem as que querem alguém em casa apenas pelo dinheiro que recebem com o aluguel do quarto, mas felizmente são a minoria.

Lado A: Total imersão na cultura de um outro país. Vai conhecer hábitos novos, a maneira como celebram festas, enfim, vai ter a experiência de fazer parte de outra família.

Lado B: Você pode ir parar numa família com a qual não se dê tão bem ou não se adaptar muito bem aos hábitos locais.

Aqui e aqui há o relato de uma brasileira que trabalhou como au-pair nos EUA e aqui na França.

4 – Pedir transferência para a matriz ou outro escritório

Berlitz em Manchester

Berlitz em Manchester

Uma boa pedida para quem trabalha em empresa multinacional é pedir transferência para a sede da empresa ou para escritório em outro país. Já dei muita aula de alemão para funcionários da Bayer e da Volks que estavam sendo expatriados para a Alemanha. A Nestlé e a 3M também costumam expatriar funcionários.

Lado A: Se você for expatriado vai contar com todo benefício da empresa te assessorando nos mínimos detalhes. Ela providenciará os vistos, ajudará a encontrar moradia, arcará com as despesas de mudança… Você só precisa arrumar a sua mala e embarcar.

Lado B: Dependendo do país para onde você for, pode ser que não faça amizade tão facilmente. Algumas culturas são um pouco mais fechadas e demoram mais a integrar o estrangeiro. Se você tiver ido completamente sozinho pode sentir um pouco de solidão no começo, o que nunca é fácil.

5 – Procurar um emprego no exterior

Simples assim e igualmente complicado. Se encontrar um emprego no Brasil já não é a coisa mais fácil do mundo, encontrar um trabalho em outro país pode ser ainda mais difícil. É claro que isso depende da sua área de atuação, dos seus contatos no país para o qual você quer ir, seu domínio do idioma local, se trabalhadores estrangeiros são bem aceitos etc.. Sem contar que, na maioria dos países, a prioridade da vaga costuma ser para candidatos locais.

Neste caso a empresa ajuda com toda documentação necessária para seu processo de imigração, mas os custos todos são seus.

Naty e Lucas e uma linda vista de Brno ao fundo.

Naty e Lucas e uma linda vista de Brno ao fundo.

Minha amiga Natalya e o marido se mudaram com cachorro e tudo para a República Tcheca em 2014 e ela tem escrito o ótimo blog “Vivendo em Brno“, onde conta algumas das experiências da vida lá. A Berlitz, escola onde trabalhei por alguns anos, tem unidades espalhadas pelo mundo todo e muitas delas buscam professores de português.

Lado A: Você já vai chegar na terra nova com um emprego garantido.

Lado B: Ao contrário da situação acima, quando você não está sendo expatriado todas as despesas são suas. É claro que a empresa ajuda na obtenção do visto, afinal de contas é do interesse dela que você possa permanecer no país, mas a coisa não passa muito daí. Todos os gastos com mudança, transporte, acomodação e quetais recaem sobre seus ombros.

6 – Imigrar para o Canadá ou para a Austrália

Antes de morar na República Tcheca, a Naty e o Lucas moraram no Canadá. Olha aqui eles nas cataratas do Niágara.

Antes de morar na República Tcheca, a Naty e o Lucas moraram no Canadá. Olha aqui eles nas cataratas do Niágara.

Não é um processo fácil, pois a concessão de vistos permanentes depende de uma série de pré-requisitos. Idade, estado civil, número de filhos, escolaridade e área de formação são os principais. Ambos países publicam listas dos profissionais que estão em falta e que serão bem-vindos

Lado A: Tanto Canadá quanto a Austrália são um países compostos por imigrantes, portanto não deve ser muito difícil encontrar a sua turma. Como a obtenção do visto depende da sua área de atuação é bem provável que a busca por emprego não seja árdua.

Lado B: O clima canadense.

Quanto à Austrália, há alguns episódios de xenofobia com quais é bom ficar atento e os animais venenosos. Não são poucos os relatos de gente que encontrou a aranha mais venenosa do mundo dormindo confortavelmente dentro do seu sapato preferido.

Este site contém milhares de informações para quem acha que o Canadá é a melhor opção. Se a terra dos cangurus é que faz seu coração bater mais forte, pode encontrar mais informações aqui.

7 – Imigrar para Israel

E pode aproveitar pra ler seu jornal confortavelmente sentada no Mar Morto.

E pode aproveitar pra ler seu jornal confortavelmente sentada no Mar Morto.

Provavelmente a melhor opção para quem faz parte da comunidade judaica. A lei do retorno diz que qualquer judeu tem direito a retornar a Israel. Ou seja, a morar lá na Terra Prometida.

A lei é válida para judeus de nascimento ou que tenham passado por processo de conversão. Os do segundo caso devem esperar um ano para dar entrada na documentação. Em ambos os casos os documentos necessários são providenciados na sinagoga que você frequenta e depois devem ser apresentados na Agência Judaica.

Lado A: Os custos com passagem são cobertos pelo Estado e, se não me engano, os primeiros meses de acomodação também. Se não forem, pelo menos têm um bom subsídio. Israel é um país lindo e cheio de oportunidades.

Lado B: Falar hebraico é imperativo. É possível se virar na rua falando inglês, mas não passa disso. Não é lá o país mais pacífico do mundo.

8 – Conseguir cidadania européia

passaporte

Se você nasceu no estado de São Paulo tem enormes chances de ter pelo menos um italiano na família. Através deste parente, que pode ser de oriundo de qualquer país membro da União Européia, você pode requerer sua cidadania provando vínculo familiar.

Independentemente da nacionalidade do seu parente, este não é um processo muito rápido, exige bastante documentação e é preciso ficar esperto com os prazos. Parece que a repartição que cuida da documentação italiana tem pouco tempo para dar conta do recado. Caso o prazo expire ou você o perca, é necessário voltar ao fim da fila e dar nova entrada no processo. O que eu ouvi dizer é que a coisa anda mais rapidamente em cidades menores. Sei, por exemplo, de um amigo gaúcho que conseguiu tudo com mais agilidade numa cidade do interior do RS.

Lado A: A cidadania é sua, pra sempre, não está vinculada a companheiro ou empresa. Você pode requerer benefício do Estado (mas só se não falava mal do Bolsa Família quando ainda estava no Brasil, hein?) e não terá problema algum para encontrar trabalho.

Lado B: Se o país da sua nacionalidade sair da União Européia você só poderá morar lá e não em qualquer outro país do bloco. Isso quase aconteceu com a Grécia e o Reino Unido vai votar a permanência deles na EU agora em junho.

9 – Arrumar um marido (ou mulher) estrangeiro

Ângela e Josh

Taí uma oportunidade para quem está solteiro e quer sair do país. Casando-se com um estrangeiro você já mata dois coelhos com uma cajadada só. O simples ato do casamento não te dá direito à cidadania do país de origem do parceiro, mas garante um visto de permanência que dá direito a trabalhar.

O processo de obtenção da cidadania é sempre mais complicado e demorado. A Inglaterra, por exemplo, exige um mínimo de cinco anos de casamento para o início do processo e é necessário pagar £1500,00 para fazer uma prova que te dará o passaporte britânico.

Mas lembre-se que o mais difícil não é o desembaraço com a imigração, mas sim a adaptação aos hábitos e costumes do marido estrangeiro e família. Faz um ano e meio que eu e o Josh estamos juntos e até hoje eu me acho que estão me servindo chá quando vejo a cor do café na xícara. O susto e a constatação do meu engano só vêm depois do primeiro gole.

Lado A: Você vai ter uma família gringa, o que ajuda muito a sua integração no país. Eles vão te dar toques quando você cometer alguma gafe, explicar a razão de certas coisas que podem parecer muito estranhas e te acolher.

Lado B: Você pode não dar essa sorte e não ser bem acolhida (ou acolhido) e aí vai ter que lidar com a adaptação em um novo país sem essa ajuda. Beber café crente que está tomando chá.

Lado B do Lado B: Conhecer alguém (estrangeiro ou não) pela internet é cada vez mais fácil e mais comum.  Vários amigos meus conheceram seus parceiros assim e são super felizes, mas é preciso ficar esperto para não entrar em roubada. Especialmente quando o romance envolve estrangeiros é preciso confiar desconfiando até passar do virtual pro real. O 360 Meridianos já escreveu um excelente post sobre golpes que podem acontecer em relacionamentos começados pela internet.

10 – Procurar um programa de visto que combine trabalho e viagem

Meu amigo Mateus na Nova Zelândia, onde trabalhou colhendo frutas numa fazenda.

Meu amigo Mateus na Nova Zelândia, onde trabalhou colhendo frutas numa fazenda.

Austrália e Nova Zelândia oferecem estes tipos de visto. Há um limite de idade para os candidatos, algo como 30 anos, mas pode ser uma oportunidade bem interessante.

Um ex-colega de trabalho da Tailândia conseguiu um emprego como instrutor de mergulho na Austrália assim. Um dos requisitos do visto era que ele trabalhasse como colhedor de frutas em uma fazenda por um certo tempo depois. Algo como quatro meses. Não sei se este é um requisito de todos os vistos de trabalho para a Austrália ou se foi uma característica específica do visto dele.

Lado A: São dois países com paisagens bonitas, montes de estrangeiros, em geral abertos a imigrantes, mesmo trabalhando em empregos que não requeiram maiores qualificações o salário é o suficiente para uma vida confortável.

Lado B: Como já foi falado antes, há alguns grupos xenófobos na Austrália. Há uma idade limite para se candidatar e o visto dura apenas um ano.

Aqui o link para o visto australiano e aqui o neozelandês. Minha xará Angela do Apure Guria já fez o processo para a Nova Zelândia e conta mais sobre isso aqui.

Meu amigo Tom, que foi para Austrália trabalhar como mergulhador.

Meu amigo Tom, que foi para Austrália trabalhar como mergulhador.

Dica bônus

Ângela Goldstein

Se nenhum d0s 10 meios de sair do Brasil anteriores te entusiasmar, você pode desistir de tudo, fazer um curso de mergulho e ir mergulhar na Tailândia, ou em qualquer outro lugar do mundo.

Dinheiro

A taxa de câmbio e o viajante; como ela interfere na sua vida.

April 5, 2016

*Este texto é mais uma cortesia das economistas de plantão do Naonde?, Yara Mansur e Marília Melo – sim, a Marília do Padrão Marília. Mesmo desconfiadas da pertinência de um texto como este num blog de turismo, elas fizeram a gentileza de atender ao meu pedido e hoje explicam para vocês um pouco sobre taxa de câmbio. Apesar de não ser um tema que a maioria das pessoas espera encontrar em um blog de viagens, este é um assunto que está tão ligado a turismo que é praticamente impossível falar de um sem pensar no outro. E como a gente gosta de reclamar da alta do dólar, precisa entender o que está achando ruim para poder falar com propriedade. Garanto que quem chegar ao fim do texto vai conhecer muitos aspectos da taxa de câmbio sobre os quais nunca havia pensado e que nem sempre o dólar baixo é tão bom quanto pode parecer. Portanto, a partir de hoje você vai poder reclamar o quanto quiser, mas sempre sabendo do que está falando.

E ai, torço para o dólar subir ou para o dólar cair?
O ser ou não ser da taxa de câmbio.

Vamos começar o texto ajustando nossas expectativas, OK?
Não sou especialista em câmbio, só uma economista enferrujada, lembrando das aulas da faculdade, na tentativa de colocar um pouco de luz sobre um assunto que muitas vezes acabamos evitando por acharmos “muito complicado”. Bem, na verdade, não é. E esse o segredo de muitos economistas de plantão, deixar o assunto mais complicado do que ele é na verdade.

Então, vamos um passo de cada vez.

A taxa de câmbio é o preço de uma moeda estrangeira medido em unidades ou frações (centavos) da moeda nacional. No mundo, a moeda estrangeira mais negociada é o dólar americano, fazendo com que seja a cotação mais utilizada por todos.

A conta é simples: se a taxa de câmbio é R$ 3,80, significa que para comprar um dólar americano, você precisará de R$ 3,80.

Uma libra esterlina hoje vale cinco reais.

Uma libra esterlina hoje vale cinco reais.

A cotação é sempre publicada do ponto de vista “do outro”, ou seja, do agente autorizado a fazer a transação. Casas de câmbio e bancos são os agentes autorizados pelo Banco Central para atuar no mercado de câmbio e todos eles ganham seu rico dinheirinho, tendo por base a diferença entre o preço de compra e o de venda da moeda.

Como em todo mercado, temos as transações de compra e venda “no atacado” e “no varejo”. No mercado das moedas é o mesmo. Temos cotações diferentes para quando as transações são do mundo corporativo – entre empresas, bancos, para as transferências decorrentes de exportação e importação e assim por diante. A aquela cotação que nos interessa é a que é aplicada para as transações com as pessoas físicas, nós, os pobres mortais, na hora da compra de passagens, reserva do hotel, compras no exterior e assim por diante. Uma é a do dólar comercial e outra é a do dólar turismo.

Bem, vamos sempre falar em dólar por aqui, mas vale lembrar que o raciocínio vale para qualquer outra moeda, Ok?

Como nem tudo é preto no branco, nos tons de cinza temos ainda a cotação “paralela” da moeda. O dólar paralelo é aquele que você negocia com alguém que não está autorizado pelo Banco Central para fazer este tipo de operação. É uma transação que ocorre totalmente por fora do sistema e se você for pego, por exemplo, com moeda estrangeira e não tiver o recibo da transação, você perderá o dinheiro e ainda terá que se explicar para as autoridades. Bem, isto, claro, se você não for político, filho de político ou amigo de político. Neste caso, em alguns países, estará tudo certo e você seguirá sua vida normalmente.

Bom, voltando para o mundo oficial, outra cotação divulgada diariamente é a PTAX, a média das taxas praticadas pelos agentes autorizados no dia. É uma taxa de referência para quem negocia a moeda.

Agora, como é que a cotação do dólar é estabelecida?
Temos que considerar que a política cambial é um dos diversos instrumentos que os governos podem utilizar para interferir ou influenciar na vida econômica do país. O objetivo de qualquer governo, esperamos nós, os governados, é que tenhamos um país em desenvolvimento, com crescimento econômico, crescimento sustentável, desenvolvimento humano em busca da igualdade social e com impactos ambientais devidamente compensados para não acabar com o pais (ou o planeta) em alguns anos.

Pois bem, a política cambial, não ela sozinha, mas de forma articulada com as outras políticas, a fiscal, monetária, de renda, é utilizada para isto, para produzir este tão desejado desenvolvimento.

O alcance da política cambial é limitado se olharmos para ela isoladamente. Mas se articulada corretamente com os demais instrumentos de política econômica pode fazer a diferença. Como nenhum pais é uma ilha isolada do mundo – com exceção da Coréia do Norte que nem é uma ilha, Cuba é, mas já não conta mais como isolada – tudo que é feito num país acaba influenciando o outro e um dos meios de transmissão é justamente a taxa de câmbio.

Por isto a atenção, o monitoramento e os ajustes no câmbio são constantes num governo bem-intencionado e quando os ajustes são feitos no momento e na direção certos, encontramos um governo competente na política externa.

Como então, o governo atua sobre o câmbio? São três regimes de câmbio diferentes que os governos podem adotar:

Câmbio flutuante
Neste regime o preço da moeda estrangeira é determinado pelas leis de oferta e demanda sem interferência do Banco Central. Ou seja, o Banco Central não compra ou vende moeda para influenciar a taxa de câmbio. É o próprio mercado que encontra o equilíbrio e uma taxa de câmbio justa.

Câmbio fixo
Neste regime é o contrário. O Banco Central está sempre comprando e vendendo moeda para que a taxa de câmbio definida pela política cambial fique inalterada. Parece o mais simples, não? É, mas para manter o câmbio fixo é necessário que o país tenha uma grande reserva de moeda estrangeira para estas operações Caso contrário terá que pedir empréstimos internacionais. E a coisa pode se complicar a partir daí. (A Argentina teve regime de câmbio fixo por muitos anos.)

Regime Misto ou Híbrido
É a mistura do câmbio fixo e câmbio flutuante, neste caso, o governo estabelece um valor mínimo e um valor máximo (banda) e deixava a cotação flutuar dentro desta faixa. Qualquer coisa que afete a entrada ou saída da moeda estrangeira do mercado afetará a taxa de câmbio e aí a gente começa a entender por que a taxa de câmbio é tão sensível e pode ser bem imprevisível.

Dez libras e dez reais. Same same, but different.

Dez libras e dez reais. Same same, but different.

A taxa de câmbio também sofre a influência de diversos aspectos da economia interna, assim como é capaz de influenciá-los, mais um motivo para receber monitoramento e cuidados constantes. Um destes aspectos que influenciam a taxa de câmbio é o regime cambial que determina o do Banco Central. Mesmo no regime de câmbio flutuante ele ainda pode atuar, comprando ou vendendo dólar e isto influenciar a taxa de câmbio, o Banco Central pode fazer isto (e deve) quando há indícios de manipulação do mercado.

A capacidade que o Banco Central tem para influenciar o mercado está diretamente ligada às reservas cambiais que possui. Para ficar vendendo e comprando dólar é preciso ter um saldo elevado de reservas. Cacife para bancar as transações.

Outro aspecto que sofre influência e também influencia a taxa de câmbio é a taxa de juros.

Como assim?

A variação da taxa de juros pode atrair ou afastar investidores estrangeiros que enviariam seu rico dinheirinho para o Brasil com o objetivo de aproveitar as taxas praticadas aqui. Afinal pagamos uma das maiores taxas praticadas no mundo.

Não é raro ver investidores pedindo dinheiro emprestado no exterior, pagando juros baixos, e investindo este mesmo dinheiro no Brasil. Com isto eles pagam os juros do empréstimo e ficam com a diferença. Estes movimentos de entrada e saída de dólares dos investidores podem ser imprevisíveis já que eles estão sempre avaliando a relação entres os juros pagos e o risco que correm investindo no Brasil. Esta percepção de risco pode mudar rapidamente dependendo de acontecimentos políticos do pais, das avaliações de riscos das agências oficiais e assim por diante.

Da mesma forma, quando os outros países aumentam suas taxas de juros, isto pode atrair investidores que estão com recursos investidos no Brasil. O efeito contrário também pode ocorrer. A queda dos juros lá fora pode atrair investidores e seus dólares para o Brasil.

Ou seja, o que vale é a taxa de juros “relativa” entre os países, o nível de risco e a aversão ou não ao risco do investidor, para o dinheiro entrar ou sair do país.

Novamente, tudo muito volátil e imprevisível, não acham?

A taxa de câmbio faz com que os produtos (insumos, máquinas, equipamentos, nossas passagens e gastos com viagem) fiquem mais caros ou mais baratos. Portanto pode ajudar na balança comercial, gerando mais ou menos importações, mais ou menos exportações, mais ou menos viagens, que no fundo é o que nos interessa.

Quando nossa moeda se valoriza (ou seja, quando o dólar cai), nos sentimos imediatamente mais ricos como consumidores finais, mas do lado da macroeconomia o resultado é outro.

Os exportadores têm seus preços de venda afetados, irão receber menos reais do que recebiam antes pelo mesmo dólar pago por suas exportações. Perdem lucratividade e podem se sentir desestimulados a produzir, o que pode vir a reduzir o nível de atividade econômica e consequentemente, isto pode gerar desemprego.

Do lado das importações, elas ficam mais facilitadas. Os preços de produtos similares no exterior começam a ficar mais interessantes para o consumidor brasileiro que então pode trocar produtos nacionais por importados. A classe média adora fazer isto. Novamente, os produtores nacionais podem se sentir desestimulados a produzir se não forem capazes de competir com os preços de fora e o mesmo efeito acima ocorrerá. Menor produção, maior desemprego no mercado interno. Garanto que a maioria de nós nunca havia pensado por esse lado.

Claro que tudo isto depende do grau de competitividade de nossos produtos em relação aos produtos no exterior e por quanto tempo a situação de valorização cambial se sustentará.

Então, com o real valorizado, o que parecia apontar para mais viagens pela frente pode significar a perda do emprego, isto se você tiver um. E mesmo que não tenha um, que seja um empreendedor, o consumidor do seu serviço ou produto poderá estar sendo afetado. Então, deu na mesma.

Quando ocorre o inverso, nossa moeda se desvaloriza (ou seja, quando o dólar sobe), temos o movimento contrário. Ficamos mais pobres em relação ao resto do mundo.

Mesmo mais pobres, temos que lembrar que há importações que continuarão a ser feitas, seja com o dólar alto ou baixo, por exemplo, alguns insumos essenciais (trigo, arroz, petróleo) e assim, quanto mais dependente for a economia destes insumos, mais ela sofrerá com as variações cambiais que acabarão gerando. Neste caso, inflação, pois mesmo com os insumos mais caros (dólar alto) não há como deixar de importá-los e portanto, essa variação será repassada para o preço para o consumidor final.

Não só os insumos, mas também produtos finais ou equipamentos ficam mais caros para o consumidor final ou para o empresário que importaria tais equipamentos, a demanda, neste caso, acaba sendo direcionada para os produtos e equipamentos nacionais similares e a indústria nacional nem sempre tem capacidade de produção para atender ao aumento de demanda. Demanda maior do que oferta, novamente, pressão sobre preços.

Podemos ainda somar o efeito de maior interesse pela exportação do que por abastecer o mercado interno. Ele também vai afetar a oferta de produtos no mercado interne e temos novamente, pressão sobre preços para o consumidor interno.

As exportações sobem, saldo da balança comercial e reservas de moeda estrangeira no pais também sobem. São coisas boas, mas que acontecem com uma velocidade muito inferior ao reflexo sobre a inflação e desemprego.

Ou seja, o que temos que buscar (e comemorar quando atingirmos) é uma taxa de câmbio justa, que não promova desequilíbrios macroeconômicos e nem complique a vida de todo mundo, empresário, empregado, consumidor e viajantes como nós.

Dinheiro, Sobre a vida

Como levar dinheiro para viagem, um guia prático

March 15, 2016

*O Naonde adverte: este texto é padrão Marília.

Quem converte não ser diverte, mas será mesmo?

dinheiro

Uma dúvida comum que assola tanto os viajantes iniciantes quanto os experientes é o momento de escolher como levar o dinheiro para a viagem.

Para esta questão que é uma espécie de “ser ou não ser” do viajante não há resposta única. Uma pena, mas não há.

Por isso, abaixo você tem que considerar o que há de bom e de não tão bom assim em cada um dos meios de pagamentos que um viajante tem à sua disposição.

Lembre-se que o importante é considerar o custo total, incluindo todas as taxas aplicáveis, para cada meio de pagamento.

Vamos lá, os indicados na categoria de melhor forma de levar dinheiro em viagem são ….

Dinheiro em moeda, o velho e bom “cash”

dólar

É a alternativa mais barata, pagamos o IOF de 0,38%, porém é a mais insegura. Coisas ruins acontecem em viagens também e um roubo ou perda serão irrecuperáveis. Certifique-se de ter um cofre para documentos e dinheiro no seu destino e durante a viagem, uma forma de transportar os valores junto ao corpo. Faça uma boa pesquisa e escolha a casa de câmbio pela comodidade, aquela que é mais próxima da sua casa, aquela que lhe entrega o dinheiro em casa e assim por diante. O “cash” exige esses cuidados com transporte e guarda da moeda.

Para países de moeda forte: leve a moeda do país. Compre dólar para viajar aos Estados Unidos, euro para Europa, libra para o Reino Unido e assim por diante. Sempre que possível, evite trocas sucessivas, isto é perda na certa. Quanto mais operações de câmbio forem feitas, mais sujeito a perder dinheiro você estará, por que quando compramos a moeda pagamos aquela cotação mais cara e quando vamos vender, eles nos pagam pela mais barata. Ah! Por isto é que existem duas cotações para cada moeda? Sim, e isto significa que você sempre perderá um pouquinho de dinheiro a cada transação de compra e venda.

Para países de moeda fraca: leve dólar ou euro. Ficou em dúvida de qual levar? Faça uma simulação comprando a moeda do pais aqui no Brasil e compare com as duas operações, comprar dólar ou euro aqui no Brasil e depois a troca pela moeda local. Temos muito simuladores na internet, que ajudam com estas operações. Você verá que sair daqui com a moeda fraca não vale a pena.

Quando precisar trocar seu dinheiro, evite as casas de câmbio de aeroportos e próximas a atrações turísticas, as taxas costumam ser piores. E nunca é demais lembrar para não fazer a operação na rua, as taxas podem ser convidativas, mas os riscos são enormes como levar notas falsas ou ainda ser roubado na esquina seguinte. O melhor mesmo é fazer isto em casas oficiais, ligadas aos bancos ou dentro de shoppings.

A segunda opção é o cartão pré-pago, o “travel money”

moeda de um dólar

Nesse caso, você carrega o valor em moeda estrangeira, paga o mesmo IOF do cartão de crédito, 6,38%, porém, garante a taxa de câmbio do momento em que carrega o valor no cartão. É bem aceito em grandes cidades. Em lugares mais isolados, os estabelecimentos podem aceitar estes cartões. É um meio de pagamento seguro, pois em caso de roubo ou perda, você pode bloqueá-lo e ele será substituído rapidamente, geralmente em até 24 horas. Tem um valor máximo de 10 mil unidades da moeda que você utilizará, 10 mil dólares ou 10 mil euros ou 10 mil dinheiros.

Você também pode realizar saques com este cartão, mas é importante considerar que você tem uma taxa a cada operação de saque, por isto, faça o menor número possível de saques. Outra vantagem é que o cartão pode ser recarregado pelo seu internet banking, assim, se for necessário, você pode fazer a operação remotamente.

Em qual moeda carregar o valor pré-pago? Aqui valem as mesmas considerações sobre qual moeda levar em “cash’.

O melhor desempenho do cartão pré-pago é quando a moeda carregada no cartão é a moeda corrente no país que você vai visitar. Para os países de moeda fraca, não há grandes diferentes em utilizar o pré-pago em dólar ou euro.

Mas se você usar seu cartão pré-pago carregado com dólar num país onde a moeda é o euro, você vai perder o correspondente a conversão cambial. Exatamente como se comprasse dólares e fosse trocar por euros numa casa de câmbio.

Em terceiro lugar, vem o tradicional cartão de crédito

cartão de crédito

O IOF é de 6,38% e você ainda terá que arcar com a diferença cambial que vier a ocorrer entre o momento da compra e o momento do fechamento da fatura do cartão de crédito e depois, entre o momento do pagamento e o momento do fechamento da fatura. Neste sentido, é o meio de pagamento mais imprevisível quanto ao valor que você realmente irá pagar por causa da variação cambial.

Sabendo disso, os cartões de crédito colocam à sua disposição, programas de milhagem, seguros de viagem e de saúde, que dependendo do valor (lembre-se, como falamos no início, o que vale é o custo total da sua operação) podem compensar.

Você também precisará do cartão de crédito para compras de ingressos ou para compras em lojas on-line durante sua viagem ou para alugar um carro e assim por diante, ou seja, tenha o cartão internacional devidamente desbloqueado para o uso no exterior sempre à mão. Até mesmo para atender a alguma situação de emergência.

Por fim, em menção não muito honrosa, temos alguns bancos brasileiros e em alguns destinos específicos, permitem operações de saque na moeda local e você terá que consultar o seu caso específico. Esta opção é a última que você deve considerar pois além do inevitável IOF de 6,38%, você terá uma taxa por transação e ainda terá que arcar com a taxa de câmbio praticado pelo banco no momento do saque.

E como não há resposta certa ou errada para a questão “qual meio de pagamento escolher”, ficam as considerações acima e uma dica básica: divida seu dinheiro em alguns meios de pagamento, nada de apostar tudo numa única alternativa.

 

*Este texto é cortesia e o primeiro de um duo que a economista de plantão do Naonde, a já conhecida Yara, escreveu para nós e revisado pela Marília.

Hospedagem, Na Gringa

Salar de Uyuni padrão patrão

February 24, 2016

*O título desse post deveria ser “Salar de Uyuni padrão Marília”, mas por motivos de aliteração teve de ser trocado.

Chegar a Tupiza não é simples, mas vale à pena.

Chegar a Tupiza não é simples, mas vale à pena.

Já contei aqui como foi a nossa chegada em Tupiza – cheia de percalços pra quem ainda não leu o texto original. Depois de todo perrengue resolvemos que merecíamos um passeio mais tranquilo pelo Salar de Uuyni. Na verdade já estávamos flertando com a opção cinco estrelas desde o planejamento da viagem, mas a alta do dólar falou mais alto e até então tínhamos ficado com a opção mais barata e mais dureza mesmo. Acomodação compartilhada, sem calefação e sem banho durante as quatro noites que passaríamos cruzando o altiplano boliviano. Não era o ideal, mas era o que tinha pro momento. O “padrão patrão” incluía quartos individuais, com calefação e a coisa que considero mais preciosa no mundo inteiro: chuveiro de água quente.

Fica fácil quando o planejamento está só na teoria.

Fica fácil quando o planejamento está só na teoria.

É fácil decidir pelo mais barato e mais bruto quando se está numa situação bem confortável. Durante o planejamento da viagem eu estava na casa da minha sogra na Inglaterra, sentada num sofá macio, ao lado da lareira, crochetando uma manta e podendo tomar um banho de chuveiro a gás no momento que eu bem entendesse. Depois de uma noite sacolejantemente mal dormida num frio que penetra os ossos e a possibilidade de não tomar banho pelos próximos quatro dias, tira-se o escorpião do bolso com a maior facilidade. Assim que pusemos nossos pés na La Torre, sabíamos que a tarjeta de crédito seria utilizada para pagamento do nosso conforto no Salar de Uyuni.

salar de uyuni

Havia a possibilidade de os hotéis não terem vagas tão em cima da hora, mas nós somos muito sortudas e eles tinham. O aumento no preço significou que seríamos também só nós duas no carro, já que a maioria dos turistas opta pelo passeio mais barato, e que poderíamos traçar nosso roteiro com mais liberdade. No fim das contas estava tudo muito favorável.

altiplano boliviano

O plano original era terminar pelo Salar, na cidade de Uyuni, mas a idéia decruzar a fronteira para o Chile e aproveitar para conhecer também o deserto do Atacama se manifestou quando ouviu dizer que éramos as únicas responsáveis pelo roteiro dali em diante. E tem idéia que não dá a menor abertura pra discussão, essa aí não deu. De modo que acatamos.

Hotel Tayka de sal

Hotel Tayka de sal

Ficou acertado então que passaríamos duas noites em hotéis da rede Tayka, uma noite num hotel de sal mais simples e a última noite seria numa acomodação básica, sem banho, que eles chama de alojamento. O meu grande receio em relação ao alojamento era o frio, um deserto naquela altitude não é coisa pra principiante. Explicamos nossa situação pro Roberto, o dono da La Torre, e ele teve a idéia (e a generosidade) de arrumar uma estufa que poderia ser acoplada ao botijão de gás e funcionar como um aquecedorzinho por algumas horas no nosso quarto. Ele não poderia ficar ligado o tempo todo por causa do gás, que é perigoso para a saúde.

altiplano boliviano

Quando tudo isso já estava acertado, Roberto nos disse que só havia um porém. O segundo hotel da rede Tayka fica no meio do deserto, completamente isolado de tudo, e portanto não há alojamento para o motorista e a cozinheira nas proximidades. Isso significaria que teríamos que pagar pela acomodação e refeição deles no mesmo hotel. O que me chamou a atenção não foi a questão de termos que pagar pela pensão do motorista e da cozinheira, mas a maneira como ele tocou no assunto. Foi introduzindo com tanta cautela, quase como se estivesse pedindo desculpas por nos informar do custo adicional. É claro que isso não foi um problema, a decisão de mudar o roteiro foi nossa e quem deve arcar com os custos da mudança somos nós. É algo que nem se discute. Mas fiquei pensando que deve haver gente que pode não querer pagar por isso e esse foi um pensamento que me entristeceu.

Vale a pena pagar mais caro?

Na minha opinião valeu cada centavo.

As noites mais bem dormidas, por causa da calefação, foram fundamentais pra aproveitar melhor os passeios durante o dia. Poder tomar um bom banho quente ao chegar nos hotéis também era maravilhoso, já que o deserto tem uma areia muito fina que gruda no corpo todo, especialmente no cabelo.

Eu costumo partir do princípio de que se o meu dinheiro pode pagar pelo meu conforto, eu gasto sem muito sofrimento. Não deixo de aproveitar um passeio se a grana estiver curta e houver uma possibilidade de fazer a mesma coisa por um preço mais camarada. Isso quer dizer que eu jamais deixaria de conhecer o Salar de Uyuni, um dos lugares mais lindos que já visitei, se só pudesse ir no esquema mais bruto. Mas como eu pude pagar por um conforto sem acabar com as minhas finanças, optei por isso e recomendo que você faça o mesmo se achar que é o caso.

Na Gringa, Sobre a vida

Conkers, uma brincadeira inglesa meio dolorida

February 22, 2016

Uma das coisas bem legais de se passar um tempo numa casa de família em outro país é poder conhecer a cultura local mais de perto, eu tive a sorte de ter essa experiência por duas vezes. A primeira foi na Alemanha, quando fiz intercâmbio em 2002, e a segunda agora na Inglaterra com a família do Josh. Foi na casa deles que eu descobri que pelo menos um dos estereótipos ingleses é verdadeiro: eles tomam chá o dia todo.

Muitas vezes, quando estava trabalhando no jardim, minha sogra ou o Josh me traziam um chazinho.

Muitas vezes, quando estava trabalhando no jardim, minha sogra ou o Josh me traziam um chazinho.

 Mas nem tudo é tão doce quanto uma xícara de chá com açúcar. Assim que o outono chegou fui apresentada a um passatempo tão inglês quanto o críquete, mas infinitamente mais fácil de entender e dolorido. Um jogo bem popular entre as crianças chamado Conkers. A brincadeira consiste em pegar uma castanha, se possível colocá-la perto do fogo da lareira por um tempo para que fique bem dura, fazer um furo atravessando as duas extremidades e passar um barbante por ele.

Numa das pontas do barbante dá-se um nó para que a castanha fique presa.

Numa das pontas do barbante dá-se um nó e logo acima da castanha dá-se mais um, para que ela fique bem presa.

Agora que você já tem  a sua castanha só precisa encontrar alguém que também tenha uma para a brincadeira começar.

Mas qual é o objetivo do jogo?

Além de machucar o amiguinho ou o parente de quem você está com raiva (imagino que irmãos menores sejam os que mais sofram), o seu objetivo é usar a sua castanha para partir a do adversário.

E como se joga isso?

Cada um dos jogadores segura sua castanha pela ponta do barbante e em vezes alternadas sapecam a castanha alheia. Observe:

Conkers

Aqui o Chris segurava a castanha dele para que eu tentasse acertá-la com a minha. Eu estava medindo e vendo qual seria a melhor maneira de fazer minha jogada. Meu sogro me ensinou que fica mais fácil se eu tentar acertar por baixo do que por cima.

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Dá pra ver como a castanha dele está paradinha? Isso quer dizer que eu errei a mira e perdi minha vez. Se tivesse acertado poderia fazer nova tentativa.

Mas ele também errou!

Mas ele também errou!

 

Às vezes acontece dos barbantes se engalfinharem e então quem gritar “Stringsies!!!” o mais rápido possível ganha a vez.

Às vezes a brincadeira fica muito dolorida e então meu sogro apareceu com uma luva grossa pra cada um. Assim, se a castanha acertasse o braço de alguém o estrago seria menor.

E quem ganha o jogo?

Em tese, ganha o jogo quem conseguir quebrar a castanha do adversário primeiro. Como isso pode demorar e dessa demora vêm muitos e muitos roxos e machucados, às vezes a quebra da castanha nem acontece. Nesse caso perde o primeiro que pedir para parar a brincadeira.

Apesar de dolorida, conkers é uma brincadeira bem divertida! E pra quem quiser saber ainda mais sobre o jogo, existe a página do Campeonato Mundial de Conkers.

Mergulho, Na Gringa, Sobre a vida

Cenas de um casamento embaixo d’água

February 11, 2016

Já contei no post da Restrospectiva que em fevereiro do ano passado meus cunhados se casaram. Eles são instrutores de mergulho e trabalhavam na mesma operadora que o Josh e eu, mas  mas como cuidavam do terceiro escritório da operadora moravam em um hotel afastado do centrinho de Phi Phi. Como a cerimônia e a festa aconteceriam na praia do resort, a Karen queria muito mergulhar para fazer uma sessão de fotos no fundo do mar vestida de noiva. Seria uma espécie de casamento debaixo d’água.

casamento praia

Bebida e mergulho não combinam, então é claro que não deu certo e tivemos que adiar o plano.

casamento praia

Sem chance dessa gente nada sóbria ir pro fundo do mar

Aproveitamos um dia em que o barco da operadora estivesse praticamente vazio e fizemos toda a produção a bordo do Reef Ranger.

Uma penteadeira improvisada.

Uma penteadeira improvisada.

casamento embaixo d'água

Logística

A parte mais complicada da sessão de fotos era a logística de levar o equipamento e manter o glamour de uma sessão de fotos de casamento ao mesmo tempo. É quase impossível conciliar os dois. Observe:

Elegante #sqn

Elegante #sqn

 Tudo isso que eu estou usando é necessário para a minha segurança e bem estar debaixo d’água. Mas como respirar e ficar bonita ao mesmo tempo estando no fundo do mar?

Lastro: Resolvemos a situação colocando o lastro da Karen por baixo do vestido e o do Chris no cinto que ele estava usando.

lastro

Ar: Questão de sobrevivência e prioridade número um. Mas e a feiura que é um regulador na boca? Como evitar? Amarramos um tanque com um regulador a uma corda para que ficasse na altura dos noivos. A idéia era respirar um pouco, largar o regulador, bater a foto e respirar novamente. Mas e como isso funciona quando aplicamos a regra número um do mergulho? “Nunca segure a respiração”. Resolvemos o problema mantendo uma profundidade de uns 4 metros, o que não é um despropósito. Quem faz apinéia chega a esta profundidade e se mantém por alguns segundos debaixo d’água sem riscos. Essa profundidade garantiria a segurança dos pulmões de todo mundo.

Jade, a fotógrafa, e eu estávamos com nossos equipamentos completos. Assim poderíamos estar à disposição do Chris e da Karen caso eles precisassem de ar a qualquer momento.

Máscaras: Junto com o regulador, as máscaras de mergulho são capazes de embarangar até a Gisele Bündchen. Como assistente da fotógrafa fiquei responsável por segurar as máscaras dos cunhados durante os cliques.

Nadadeiras: Essenciais para uma boa movimentação debaixo d’água, mas longe de serem os sapatos ideias para roupas de casamento. Foram cortadas das fotos dependendo do ângulo ou simplesmente passadas para mim e depois devolvidas a eles.

Quando tudo isso estava muito bem combinado com nós quatro tiramos uma última foto antes de pularmos no mar.

Uma última foto antes de todo mundo cair na água

Uma última foto antes de todo mundo cair na água

TCHIBUM!

Dá pra ver como ficou o tanque reserva dos noivos? Amarrado a uma corda e sempre próximo deles.

Dá pra ver como ficou o tanque reserva dos noivos? Amarrado a uma corda e sempre próximo deles.

casamento debaixo d'água

O ponto de mergulho onde as fotos foram feitas, Hin Bida, é famoso pelos tubarões leopardo (Leopard Shark) que nadam por ali. Como tínhamos de contar com a boa vontade da natureza sabíamos que havia a chance de não aparecer ninguém, mas estávamos bem esperançosos. E não é que logo ouvimos o Chris tentando chamar nossa atenção e apontando freneticamente em direção a esse bonitão?

leopard shark

Ele veio nadando todo tranquilo, sem a menor idéia do furor e alegria que estava causando. Veio vindo todo despreocupado e passou BEM NA FRENTE dos noivos!

casamento debaixo d'água

Dá pra acreditar na sorte deles? Em como o mar foi generoso ao dar este presente de casamento?

Dá pra acreditar na sorte deles? Em como o mar foi generoso ao dar este presente de casamento?

Depois disso nos concentramos em fotografar os noivos, já que não era possível garantir um clique melhor do que estes.

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Algumas considerações:

Uma sessão de fotos como esta faz a alegria de qualquer casal de mergulhadores! Não deve ser difícil conseguir uma parecida em qualquer região onde a indústria do mergulho seja forte. Nós nunca tínhamos feito algo parecido na operadora onde trabalhei em Phi Phi, mas é apenas uma questão de conversar e acertar os detalhes. O mais importante é que os noivos sejam mergulhadores certificados E experientes. Não recomendo para quem nunca mergulhou ou tem pouca experiência, aliás imagino que nenhuma operadora séria ofereceria este tipo de serviço para clientes não credenciados.

Não saberia dizer o valor deste tipo de serviço, pois nós fizemos as fotos como um presente para os meus cunhados.

*Todas as fotos, exceto as fotos em que apareço e as sinalizadas, foram tiradas por mim.