Na Gringa

5 golpes que você deve evitar

August 11, 2014

Você resolveu que dessa vez não vai viajar de excursão, que não precisa de ninguém ditando seus horários e o que deve ou não ser visto. Chega de guia engraçadinho, de família lavando a roupa suja em alto e bom som no busão, de visitas com horário cronometrado e não poder acordar na hora que você bem entender. Chega de não poder passar quanto tempo você quiser dentro da lojinha do museu, agora é a sua vez de decidir como, quando e o que vai fazer. Muito bem, meu amigo viajante-powr-ranger-vermelho, eu apoio sua decisão incondionalmente, mas tenho uma coisa bem desanimadora pra te contar… Você vai ter que redobrar a atenção ao andar na rua.

Quando você está num grupo com um guia, seja ele local ou não, você não precisa se preocupar com potenciais “armadilhas para turistas”, as frias já estão inclusas no preço e muitas vezes você nem percebe quais são, porque também nem costumam ser tão frias assim. É no máximo uma comida mais ou menos num almoço ou menos tempo do que o desejado em algum lugar bonito, no pior dos casos é o guia chato te sugerindo fazer aquelas fotos clichê, tipo segurando a torre de Pisa. Mas quando você está sozinho a coisa muda de figura, já que você agora é responsável não apenas pelo seu tempo e roteiro, mas também por não cair em nenhum desses golpes.

Pensando em algumas situações que já passei viajando, fiz essa lista com as cinco mais comuns que encontrei por aí e que vai te ajudar a evitar momentos como este:

Está fechado hoje

wat pra kaew

Um clássico dos taxistas e motoristas de tuktuk de Bangkok. Basta eles te verem com um guia na mão e uma cara meio perdida, procurando a rua certa e obviamente não conseguindo ler a placa que está escrita em tailandês, que eles param e perguntam para onde você quer ir. No que eles ouvem o nome do templo, ou qualquer outro ponto turístico que você queira visitar, vão te dizer que está fechado para reforma/por causa do horário/ porque hoje é um determinado dia da semana, mas que eles podem te levar em um outro bem mais interessante/bonito/legal e que, surpresa!, é claro que está aberto.

O jeito mais fácil de não cair nessa é simplesmente ter um guia em mãos ou consultar os horários de abertura da atração em questão na internet, a maioria delas tem sites com essas informações. Passei por isso na primeira vez que estive em Bangkok e queria visitar o palácio real; um motorista de tuktuk me disse que estaria fechado, mas como eu sabia que estaria aberto porque já tinha lido no guia, eu simplesmente ignorei e continuei no meu caminho.

É uma loja do governo

Khan al Khalili

Um clássico egípcio, desses que você ouve pelo menos uma vez por dia e do norte ao sul do país. Imagino que eles pensem que o turista vá se sentir mais seguro se o estabelecimento tiver alguma ligação com o governo, no sentido de ser oficial e portanto confiável. Há duas abordagens clássicas, a primeira é: “Vou te mostrar uns tapetes/papiros/jóias lindos, você vai adorar. Não precisa se preocupar, é uma loja do governo” e costuma vir de motoristas de táxi.  A segunda é quando a pessoa já chega te mostrando alguma coisa na rua e fala: “Se você gostou, eu posso te levar até o lugar onde você pode comprar, é uma loja do governo.”

Lembro de ter lido no guia que o governo egípcio não tem qualquer tipo de vínculo com estabelecimentos comerciais e então já cheguei esperta pra evitar esse tipo de conversa. Não que você não deva visitar a loja ou contratar o serviço caso sejam coisas que te interessem, mas vale saber que não adianta chorar “para o governo” depois. De qualquer maneira, isso aconteceu em 2008 e de lá pra cá o governo egípcio não é sinônimo de confiabilidade, então é bem possível que o discurso tenha mudado.

O estranho bem intencionado

 

Com a amiga Adriana, uns dias antes do incidente da estação, na Ponte Carlos em Praga, janeiro de 2007.

Com a amiga Adriana, uns dias antes do incidente da estação, na Ponte Carlos em Praga, janeiro de 2007.

Praga, República Tcheca: Você está na estação de trem com sua amiga e suas malas, vocês ainda não estão atrasadas mas também não estão com todo o tempo do mundo e vocês ainda não conseguiram achar a plataforma, sua expressão de viajante cool involutariamente se transforma. Você agora é uma viajante perdida e, minha amiga, isso é tudo o que o estranho-bem-intencionado precisa para garantir que vai conseguir arrancar umas boas coroas da sua carteira. Ele geralmente está vestindo algo parecido com um uniforme, o que cruzou meu caminho usava um daqueles coletes laranjas bem vibrantes, e isso faz com que você abaixe um pouco a guarda e confie que ele vai mesmo te ajudar. Ele olha a sua passagem, diz que seu trem vai sair de outra estação, você se dá conta de que ele está certo e pensa “fodeu! e agora?”, mas é claro que ele está ali pra te ajudar e pega a sua mala pesadíssima sem o menor esforço e começa a caminhar para a estação certa, você e sua amiga correm atrás. Uns 15 minutos depois tá tudo resolvido, estação certa, plataforma certa, estamos no horário, não vamos perder o trem, ufa!, ainda bem que esse cara apareceu, os tchecos são mesmo super legais e prestativos, que-bom-deu-tudo-certo! Você abre seu melhor sorriso e agradece mais de uma vez, é nessa hora que a expressão dele muda e você percebe que ele ainda não soltou a sua mala: “No thank you. You pay me tip, I work for you, you pay me tip!”. É claro que você só tem mais umas 50 coroas na carteira, o que é pouco dinheiro, e ele quer mais e fica insistindo. Por fim você e sua amiga juntam todo o dinheiro que ainda têm na carteira, umas 150 coroas no máximo contando com todas as moedas, e reza pra ele aceitar. Ele aceita e vai embora e você aprende a prestar mais atenção na sua passagem de trem e a não sair aceitando ajuda do primeiro bem intencionado que aparece no seu caminho.

A foto turística

Esfinge

Você e a torcida do Flamengo estão andando em volta das pirâmides, olhando aquilo tudo e pensando como foi que eles trouxeram aquelas pedras – daquele tamanho! – do sul para o norte do país e depois empilharam uma em cima da outra, há tanto tempo e com tão menos tecnologia… Você tira uma foto, outra, pede para o seu companheiro tirar uma foto sua, nariguda, ao lado da esfinge sem nariz e nisso aparece um egípcio com um camelo, bota um lenço na cabeça de quem está com você e faz um turbante, coloca o camelo do lado e você, é claro, não resiste ao apelo de fotografar a cena, que está bem engraçada e vai ser legal de mostrar pra todo mundo quando você voltar pra casa. Foto tirada, o egípcio começa a falar “backsheesh, backsheesh“, algo como “gorjeta, gorjeta”, e você não quer armar uma cena e nem criar confusão, então acaba apagando a foto e mostrando pra ele que não há mais evidência. Sem foto, sem “backsheesh” e você pode continuar pensando se não foram mesmo ETs que ergueram aquilo tudo.

Acho que esse é um “golpe” comum em muitos lugares turísticos, já ouvi dizer que acontece muito com as baianas em Salvador, na Bahia. Não é nada que vá te causar um prejuízo enorme, mas é uma situação meio chata.

Conta errada

Obceni Dum

Você se senta num restaurante ou café em Praga, pede o cardápio em inglês, vê as opções e os preços e faz o seu pedido. Tá tudo ótimo,  você está quebrando o jejum do Yom Kippur tomando um café e comendo um bolo delicioso em um lugar maravilhoso, nada pode dar errado. Até que você decide ir embora e pede a conta, que vem errada, muito mais alta do que você previra, mesmo tendo feito o pedido com mais pressa do que o normal porque a fome era muita e te impediu de prestar 100% de atenção nos preços que viu no cardápio. Então você resolve pedir o cardápio para o garçom, afinal não há mal nenhum em querer conferir os preços, e percebe que ele te entregou o cardápio errado, com valores muito mais altos do que os que você viu antes mas compatíveis com o total da conta. Até que por fim você acaba pagando só o que deve e não deixando gorjeta para a garçonete que tentou te tapear e está te xingando em tcheco.

Comentei o acontecido com uma aluna e ela me disse que a mesma coisa costuma acontecer em Budapeste. Meu conselho? Mantenha o cardápio na mesa e só entregue na hora de pagar a conta.

Alguma coisa parecida já aconteceu com você? Ou outro golpe completamente diferente? O que você fez pra sair da cilada, Bino? Me conte aqui nos comentários!

 

“Conta errada”  café em Praga

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