Braseel

A volta

May 4, 2015

Agora de noite estava conversando com a minha mãe sobre como é muito mais fácil pensar do que escrever, em como a gente pensa um monte de coisas mas como é difícil passar tudo isso para a palavra escrita. Muito se perde no caminho entre a cabeça e as mãos. No espaço de um mês então… sassenhora… Mas comecemos pelo princípio, não é mesmo?

Então que dia 20 de março comecei a minha própria epopéia da volta pra casa e posso dizer que não deixei muito a desejar se comparar à de Ulisses. Pois é, foi assim demorada. Na última manhã que passei em Phi Phi aproveitei pra fazer a derradeira autêntica massagem tailandesa com a minha amiga Lina e deixar o corpo relaxado o suficiente para dar conta das muitas horas de trânsito que separavam minhas duas casas. Depois de uma hora bem tranquila tive que encarar a bagagem e engolir o meu orgulho de viajante compacta a seco, tal qual um sapo. Mas eu desafio qualquer pessoa que se considere um empacotador eficiente a colocar um colete de mergulho numa mala e fechá-la numa boa. Pode ser a maior mala do mundo e estar vazia, no momento em que o colete entra todo o espaço se vai, não é possível colocar mais nada. Achei que era melhor ficar na Tailândia mesmo e não voltar pro Brasil. Aí o Josh chegou em casa e me colocou nos eixos outra vez. Consegui fechar a mala, tomei um banho e rumamos para o píer, onde eu pegaria a balsa para Krabi. No meio do caminho encontrei mais alguns amigos, teve muito abraço de despedida e a companhia do querido Bruno, que nos ajudou com as bagagens.

Angela e Bruno

Peguei a balsa das 13:30, que é a que não tem ar-condicionado mas tem criança chorando e passei duas horas no balanço do busão no fungado da sanfona do mar com um molequinho lançando olhares de desejo pras minhas batatinhas. De lá fui pro aeroporto de Krabi, amarguei umas horas de saguão, fila de check-in e espera na sala de embarque. Peguei o avião pra Bangkok, onde encontrei meu velho conhecido: o aeroporto internacional Suvarnabhumi. Mais fila, mais check-in, mais free-shop, mais Burger King, mais portão de embarque e mais oito longas horas até a Etiópia.

Nem acreditei quando o avião pousou em Adis Abeba, isso queria dizer que metade da viagem já tinha passado, viva! Lá seriam só mais quatro horas de tédio, bem que minha amiga Yara me avisou que o aeroporto de lá não tinha mesmo nada pra fazer, mas eu tinha uma possível missão; encontrar meu tio. Um dos irmãos da minha mãe é piloto de avião e está trabalhando para a Ethiopian Airlines, de modo que havia grandes chances de nós nos encontrarmos por lá mas seria só por acaso mesmo. A cada homem de uniforme verde e quepe que passava por ali (o aeroporto internacional deles é um pouco maior que a rodoviária de Campinas, todos os portões de embarque ficam no mesmo corredor) eu prestava atenção para ver se não seria ele. Quando eu já tinha quase desistido, eis que vejo meu tio vindo da minha direção! Fui lá e me plantei na frente dele, foi engraçadíssimo! Ele olhava para mim como se estivesse tendo uma alucinação, como se tivesse encontrado a pessoa mais improvável no lugar mais inusitado. Perguntei se era ele quem me levaria de volta pra casa e ele disse que não e ainda me deu uma triste notícia:

– Que pena que você não vai em abril. A partir do mês que vem o vôo pro Brasil não vai mais ter escala no Togo.

É. Escala. No. Togo.

ethiopian

Entrei no avião, eu e mais um grupo duns 50 ou 60 moçambicanos, todos com um cachecol de cetim com as cores da bandeira, a foice e o machado e “Moçambique” escrito em enormes letras amarelas. Na fila do embarque perguntei a um deles o que eles estavam indo fazer no Brasil, pensei que talvez fossem de alguma delegação esportiva, e fiquei sabendo que iriam visitar o templo de Salomão em São Paulo. Me surpreendeu ver gente sair de tão longe pra passear no Brás. Mas, né? Como dizem por aí “O que é de gosto, regala a vida”…

Mal acreditei quando finalmente cheguei em São Paulo e encontrei minha mãe, que carregava uma sacolinha com coxinha e guaraná. No dia seguinte tivemos uma festinha pra família e amigos aqui em casa, com muito pudim de leite, pão de queijo, coxinha, rosbife e muitas outras coisas gostosas que eu estava louca de vontade de comer!

Mas a melhor parte de todas foi o reencontro com esses dois aqui:

akita, dog, akita inu, naonde

E a dúvida que ficou é: existe algum lugar em Campinas que faça massagem tailandesa sem conotação sexual?

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