Sobre a vida

As seis pessoas mais desagradáveis que já encontrei viajando

December 15, 2015

Uma das melhores pares de viajar é conhecer pessoas novas, ouso dizer que este pensamento seja uma unanimidade entre a comunidade viajante. É muito bacana conhecer novas culturas, descobrir o que levou pessoas tão diferentes a um mesmo lugar, gente de lados opostos do planeta, ou até mesmo gente da sua cidade que você só foi conhecer fora dela.

Foi assim que eu conheci o Josh, minhas amigas Yara e Talita e um simpático tcheco que jantou comigo na Khao San Road assim que me mudei pra Tailândia em 2014. Mas nem tudo são flores, nem todo mundo que viaja tem a mente super aberta e um fato incontestável sobre a humanidade é que há muita gente chata no mundo, mesmo. Então, hoje apresento a vocês uma galeria curada durante meus anos de estrada. Com vocês, as seis pessoas mais desagradáveis que já encontrei viajando!

Tupiza

1. O espanhol mal-humorado do hotel de Tupiza

Durante o café-da-manhã, conversava com um moço que estava sentado à mesma mesa. Ele me contava sobre a viagem que estava fazendo e então disse que tinha passado alguns dias na capital chilena, um lugar do qual eu gosto muito.

– Santiago é uma cidade linda, né?

– Não, não gostei. Não gosto de cidades grandes.

#comolidar? Simplesmente voltei minha atenção ao chá de coca à minha frente.

Tiwanaku

2. A italiana do almoço de Tiwanaku

Depois de visitarmos as ruínas de Tiwanaku, o grupo todo foi almoçar num restaurante próximo. À minha frente estavam sentadas duas italianas e uma delas conversava mais comigo, contava que estavam na Bolívia há pouco tempo e que ficariam no país por cerca de um ano. Então eu disse que tinha tido uma surpresa muito boa com a culinária boliviana, que não sabia muito bem o que esperar quando cheguei mas que tinha achado a comida local muito saborosa e nutritiva. Nesse momento, a italiana que até então estava muda se dignou a falar:

– Você acha isso porque nunca esteve na Itália.

– Olha, na verdade eu já estive na Itália e realmente a comida de vocês é muito boa, mas isso não muda em nada a minha opinião sobre a comida boliviana.

snappers

3. A esnobe de Phi Phi

Numa noite de trabalho na escola de mergulho em Phi Phi, entra uma moça e me pergunta sobre nossos programas de mergulho. Começo o procedimento padrão perguntando se ela já tem a certificação e depois de receber a resposta afirmativa explico como a operadora trabalha. A fofa então me diz:

– Mas eu não quero ficar indo pra pontinho merda aos quais vocês levam mergulhadores iniciantes. É horrível mergulhar com gente inexperiente, que fica levantando sedimento o tempo todo e turva a água.

Perguntei então, a esta entidade superior do mergulho, quantas saídas ela já tinha feito. Cerca de duas por ano há quatro anos. Olha que eu sou formada em Letras, uma negação em matemática, mas até eu consegui fazer essa conta bem rapidinho e chegar ao resultado de 8. OITO. Oito mergulhos tinha a fofa, espaçados em quatro anos.

A dúvida que me restou foi:  essa possível reencarnação de Jacques Cousteau, quando vai a Paris, visita a mesma Torre Eiffel que todos os turistas de excursão também vêem ou ela sabe de uma que é exclusiva para viajantes mais experientes?

#comolidar? Entreguei a brochura da operadora e falei pra voltar no dia seguinte pra saber se tinha vaga.

hawksbill turtle

4. Os dinamarqueses eternamente insatisfeitos

Meus primeiros clientes em Phi Phi foram um casal de dinamarqueses. Como boa divemaster estreante, estava empolgadíssima pra mostrar todas as coisas muito maneiras pra eles e ainda tivemos a sorte de vermos uma linda e enorme tartaruga nadando bem na nossa frente, toda linda, toda exibida. Quando subimos pro barco perguntei se eles tinham gostado do mergulho e disse:

– Nossa! E que linda aquela tartaruga que nós vimos, hein?

– Nas Filipinas nós vimos cerca de 20 tartarugas em cada mergulho.

#comolidar? Respirar fundo e ver se algum colega tá precisando de ajuda.

Hanoi

5. A boa alma do Canadá

Tomava um chazinho num café de Hanói quando uma moça chegou e me perguntou se podia sentar-se à minha mesa pois também estava sozinha. Claro.

Começamos a conversar e ela me disse que estava fazendo hora até que uma loja ali perto abrisse. Curiosamente, era uma loja que eu também queria visitar, pois vendia artesanato lindos produzidos em cooperativas vietnamitas. Ela então me contou que era professora de inglês e atualmente trabalhava em uma escola na Coréia do Sul, contei que eu também era professora de inglês e que dava aula para adultos no Brasil.

Brazil? Wow! I really want to go there! I love helping disadvantaged people! (Brazil? Uau! Eu quero muito ir pra lá! Eu adoro ajudar aos desfavorecidos!)

#comolidar? Não deu pra lidar. Não me contive, simplesmente me levantei da meda e deixei aquela alma bem intencionada falando sozinha.

salar de tara

6. O alemão machista do Atacama

Em um dos passeios pelo Atacama havia um casal de alemães no nosso grupo, o grande problema é que eles não falavam nenhuma outra língua e o guia estava tendo um pouco de dificuldade com eles. Me ofereci pra dar uma ajudinha ao guia, caso ele precisasse, e fiz um pouco a ponte entre eles e o resto do grupo. Tudo estava indo bem até que chegamos para buscar as últimas pessoas do grupo, três meninas que estavam de shorts. Como o lugar aonde iríamos era bastante frio, o guia sugeriu que elas trocassem por uma calça, nisso o alemão fala:

– Mas como assim, fulano? Nós dois somos os dois únicos homens do grupo! Você não pode fazer isso! Agora a gente não pode mais ficar admirando as pernas delas?

#comolidar? Para o bem da saúde mental do resto do grupo, simplesmente não traduzi mais nada.

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