Braseel, Mergulho

A bordo do Antares II

June 2, 2014

Quanto tempo depois é muito tempo depois? Quatro meses? De qualquer maneira, achei que valia voltar pra continuar o registro sobre meu fim-de-semana a bordo do Antares.

Depois do vexame no deck do barco logo cedinho e da amizade imediata, que acontece inevitavelmente depois de tanta intimidade exposta, tomamos um café da manhã levinho e partimos pro primeiro mergulho. O meu primeiro em águas salgadas nacionais, que são friiiiias e estavam completamente turvas, proporcionando uma visibilidade de uns 50 – 70 cm. Parecia que eu estava dentro de um imenso copo de garapa bem gelada, mesmo com a roupa nova quentinha. Como fazia um tempo que eu não mergulhava, estava um pouco (ou muito) fora de prática e foi difícil conciliar tudo ao mesmo tempo: flutuabilidade, não mexer as mãos e nadar só com o movimento dos pés, não subir pra superfície como um balão (sim, eu faço isso, devo ter ossos pneumáticos), não ligar muito pro frio e, mais importante de tudo, não perder o divemaster de vista nem por um segundo, sob o risco de nunca mais conseguir encontrar o barco e ficar no fundo do mar gelado e turvo pro resto da eternidade.

Houve quatro mergulhos no primeiro dia, mas só participei de dois, os dois primeiros; na Ponta dos Micos e na Praia Vermelha, onde está localizado o naufrágio Califórnia. Decidi não encarar nem o da tarde e nem o noturno por ter passado um certo aperto devido à visibilidade super restrita e muito frio por causa da água geladíssima. Há um termo em inglês para definir quem, assim como eu, prefere entrar na água quentinha: somos os warm water wussies – em tradução livre e pejorativa, seríamos os maricas da água quente, os mergulhadores olhados com um certo desdém pelos que preferem água fria. Sim, esse tipo de gente existe, e eu não dou a menor bola pra esse povo. Se tem uma coisa que eu aprendi mergulhando, foi a respeitar meus limites e não tentar ultrapassá-los só para pagar uma de mulher maravilha pros outros. Especialmente porque, qualquer besteira que eu possa fazer em decorrência do motivo mais besta do mundo, pode colocar a vida e a segurança de quem está comigo em risco e eu não estou afim de pagar pra ver. Assim, mandei um “bom mergulho!” pra quem foi, dei um tchauzinho e fui botar a leitura em dia antes do jantar.

Passei a vez também no noturno. Apesar de achar uma experiência legal, só fiz um até hoje e achei que a água turva não era o melhor momento para uma segunda vez. Fui pra cama cedo pois os mergulhos do dia seguinte deveriam começar às seis da madrugada.

O domingo foi muito mais proveitoso! A água já tinha dado uma bela clareada e deu pra ver bem mais coisas, só a temperatura é que não mudou nada e eu subi do primeiro mergulho com uma dor de cabeça que parecia que ia rachar meu crânio ao meio. Isso e o fato de a máscara estar um pouco apertada. Mas ver o naufrágio Pinguino foi muito bacana, pois ainda há muito a ser visto, ao contrário do Califórnia. Como eu sou medrosa e não tenho curso de naufrágio, não me atrevi a entrar mas há a possibilidade para quem tem coragem e certificação. Assim, me contentei em ver a vida marinha do lugar e fazer a volta no naufrágio.

ErmitãoEstrela do mar laranja

O segundo ponto de mergulho, a Ilha dos Meros, tem uma carcaça de avião monomotor, uma estátua do Cristo e um símbolo da maçonaria enorme afundados. A visibilidade lá também não estava grandes coisas, na verdade até pior do que no Pinguino, então foi bom ter esse monte de coisas grandes e facilmente identificáveis para vermos e nos divertir tirando fotos.

Ilha dos MerosIlha dos Meros Cristo

MonomotorIlha dos Meros

Houve ainda um terceiro mergulho, do qual eu não participei pois já tinha perdido calor suficiente nos dois primeiros e não conseguia parar de tremer. Aproveitei pra evitar o rush do chuveiro e arrumar a mala com calma, descansei, almocei e então navegamos de volta a Paraty, onde pegamos o ônibus que nos trouxe até São Paulo.

Serviço:

Contratei o pacote para o fim-de-semana no Antares através da Scuba Point, mas também dá pra contratar pelo site deles.

*Obrigada aos companheiros de mergulho, Ricardo e Fernando, pela gentileza de me cederem as fotos para o blog.

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