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Braseel, Sobre a vida

10 meios de sair do Brasil se o impeachment acontecer

April 11, 2016

Não conheço uma única pessoa que esteja plenamente satisfeita com o atual governo. Na verdade, não conheço quem quer que seja que esteja plenamente satisfeito com o seu governo, não importando o país de origem. E isso me leva a pensar sobre a situação atual do Brasil; que requer um olhar cuidadoso, que vá muito além de simplesmente encontrar a figura do herói salvador da pátria que tanta gente anda buscando.

Um processo de impeachment, com cheirinho de golpe, foi instalado e deve ter sua votação na segunda-feira. O perigo reside na questão sobre a qual ninguém parou pra pensar: o dia depois do impeachment. Tira-se a presidente e então? Os acordos que estão sendo esboçados a lápis são facilmente apagáveis e meu maior medo é que um certo deputado da bancada evangélica venha a assumir o cargo de autoridade máxima da Nação Brasileira. Nossa visão anda tão curtinha e tolhida que só se ouve gente criticando alguns passos em falso dados pelo atual governo e gritando por sua saída. Mas não se pensa e nem se fala sobre o depois.

Pensando nisso me lembrei daquela classe média do texto de ontem, a que adora ir a Miami fazer compras e dizia que se mudaria para lá caso o governo fosse reeleito em 2014. Então a Kate escreveu um texto sobre 15 maneiras de sair do Estados Unidos caso o Trump for eleito e foi impossível não associar a figura do candidato americano à de um certo deputado preconceituoso e gastão da bancada evangélica. Bom, se os americanos têm medo do Trump, eu tenho é muito medo desse senhor.

Portanto, sem mais delongas, apresento aqui…

10 meios de sair do Brasil se o impeachment acontecer:

1 – Mudar para o Uruguay

Montevidéo

Em 2015 a Presidente Dilma Rousseff assinou um acordo com o então Presidente uruguaio, José Mujica, que “visa promover a livre circulação de pessoas, desburocratizar a concessão de vistos permanentes e permitir o reconhecimento de documentos expedidos nos dois países”.

Lado A: O Uruguai é um país lindo, pequeno, vizinho ao Rio Grande do Sul e portanto com hábitos parecidos aos da região. A barreira da língua não é muito grande, os uruguaios são simpáticos, gentis, a vida cultural de Montevidéo é animada e o litoral do país muito bonito.

Lado B: É um país caro, a oferta de imóveis em Montevidéo não é enorme e os preços dos aluguéis são salgados e falar bem espanhol é um pré-requisito para conseguir trabalho.

Este post da Adriana pode te ajudar a pensar melhor sobre o assunto.

2 – Estudar no exterior

No Nymphenbad, em Dresden, onde estudei em 2002.

No Nymphenbad, em Dresden, onde estudei em 2002.

Muitas faculdades americanas oferecem bolsas de mestrado e doutorado que cobrem o valor do curso e ainda dão ajuda financeira para o estudante. Em geral esse apoio financeiro é dado em troca de trabalho, o pós-graduando atua como monitor em alguma disciplina, corrige provas dos alunos de graduação etc..

Não apenas universidades americanas, muitas universidades européias oferecem programas parecidos. É só uma questão de procurar sua área de interesse, se inscrever e torcer para ser aceito.

Lado A: Você garante um diploma a mais para seu CV, ganha experiência no mundo acadêmico e abre mais portas, tanto no mercado de trabalho quanto no acadêmico.

Lado B: A não ser que seu país de escolha seja Portugal, é necessário ter fluência em algum idioma estrangeiro e prová-la através de certificado.  A tradução de toda sua documentação acadêmica tem que ser feita por tradutor juramentado e isso custa caro, assim como os exames de proficiência em língua estrangeira.

Lado B do lado B: Se você for para os Estados Unidos, corre o risco de ter Donald Trump como próximo presidente.

O 360 Meridianos já escreveu sobre estudar em diferentes lugares do mundo.

3 – Fazer “Au-Pair” na Europa

Morar em Paris é seu sonho?

Morar em Paris é seu sonho?

Uma boa idéia para quem gosta de crianças e quer conhecer melhor a cultura de outro país. A maioria das famílias que recebe estrangeiros em casa costuma ser bem aberta e gentil. É claro que também existem as que querem alguém em casa apenas pelo dinheiro que recebem com o aluguel do quarto, mas felizmente são a minoria.

Lado A: Total imersão na cultura de um outro país. Vai conhecer hábitos novos, a maneira como celebram festas, enfim, vai ter a experiência de fazer parte de outra família.

Lado B: Você pode ir parar numa família com a qual não se dê tão bem ou não se adaptar muito bem aos hábitos locais.

Aqui e aqui há o relato de uma brasileira que trabalhou como au-pair nos EUA e aqui na França.

4 – Pedir transferência para a matriz ou outro escritório

Berlitz em Manchester

Berlitz em Manchester

Uma boa pedida para quem trabalha em empresa multinacional é pedir transferência para a sede da empresa ou para escritório em outro país. Já dei muita aula de alemão para funcionários da Bayer e da Volks que estavam sendo expatriados para a Alemanha. A Nestlé e a 3M também costumam expatriar funcionários.

Lado A: Se você for expatriado vai contar com todo benefício da empresa te assessorando nos mínimos detalhes. Ela providenciará os vistos, ajudará a encontrar moradia, arcará com as despesas de mudança… Você só precisa arrumar a sua mala e embarcar.

Lado B: Dependendo do país para onde você for, pode ser que não faça amizade tão facilmente. Algumas culturas são um pouco mais fechadas e demoram mais a integrar o estrangeiro. Se você tiver ido completamente sozinho pode sentir um pouco de solidão no começo, o que nunca é fácil.

5 – Procurar um emprego no exterior

Simples assim e igualmente complicado. Se encontrar um emprego no Brasil já não é a coisa mais fácil do mundo, encontrar um trabalho em outro país pode ser ainda mais difícil. É claro que isso depende da sua área de atuação, dos seus contatos no país para o qual você quer ir, seu domínio do idioma local, se trabalhadores estrangeiros são bem aceitos etc.. Sem contar que, na maioria dos países, a prioridade da vaga costuma ser para candidatos locais.

Neste caso a empresa ajuda com toda documentação necessária para seu processo de imigração, mas os custos todos são seus.

Naty e Lucas e uma linda vista de Brno ao fundo.

Naty e Lucas e uma linda vista de Brno ao fundo.

Minha amiga Natalya e o marido se mudaram com cachorro e tudo para a República Tcheca em 2014 e ela tem escrito o ótimo blog “Vivendo em Brno“, onde conta algumas das experiências da vida lá. A Berlitz, escola onde trabalhei por alguns anos, tem unidades espalhadas pelo mundo todo e muitas delas buscam professores de português.

Lado A: Você já vai chegar na terra nova com um emprego garantido.

Lado B: Ao contrário da situação acima, quando você não está sendo expatriado todas as despesas são suas. É claro que a empresa ajuda na obtenção do visto, afinal de contas é do interesse dela que você possa permanecer no país, mas a coisa não passa muito daí. Todos os gastos com mudança, transporte, acomodação e quetais recaem sobre seus ombros.

6 – Imigrar para o Canadá ou para a Austrália

Antes de morar na República Tcheca, a Naty e o Lucas moraram no Canadá. Olha aqui eles nas cataratas do Niágara.

Antes de morar na República Tcheca, a Naty e o Lucas moraram no Canadá. Olha aqui eles nas cataratas do Niágara.

Não é um processo fácil, pois a concessão de vistos permanentes depende de uma série de pré-requisitos. Idade, estado civil, número de filhos, escolaridade e área de formação são os principais. Ambos países publicam listas dos profissionais que estão em falta e que serão bem-vindos

Lado A: Tanto Canadá quanto a Austrália são um países compostos por imigrantes, portanto não deve ser muito difícil encontrar a sua turma. Como a obtenção do visto depende da sua área de atuação é bem provável que a busca por emprego não seja árdua.

Lado B: O clima canadense.

Quanto à Austrália, há alguns episódios de xenofobia com quais é bom ficar atento e os animais venenosos. Não são poucos os relatos de gente que encontrou a aranha mais venenosa do mundo dormindo confortavelmente dentro do seu sapato preferido.

Este site contém milhares de informações para quem acha que o Canadá é a melhor opção. Se a terra dos cangurus é que faz seu coração bater mais forte, pode encontrar mais informações aqui.

7 – Imigrar para Israel

E pode aproveitar pra ler seu jornal confortavelmente sentada no Mar Morto.

E pode aproveitar pra ler seu jornal confortavelmente sentada no Mar Morto.

Provavelmente a melhor opção para quem faz parte da comunidade judaica. A lei do retorno diz que qualquer judeu tem direito a retornar a Israel. Ou seja, a morar lá na Terra Prometida.

A lei é válida para judeus de nascimento ou que tenham passado por processo de conversão. Os do segundo caso devem esperar um ano para dar entrada na documentação. Em ambos os casos os documentos necessários são providenciados na sinagoga que você frequenta e depois devem ser apresentados na Agência Judaica.

Lado A: Os custos com passagem são cobertos pelo Estado e, se não me engano, os primeiros meses de acomodação também. Se não forem, pelo menos têm um bom subsídio. Israel é um país lindo e cheio de oportunidades.

Lado B: Falar hebraico é imperativo. É possível se virar na rua falando inglês, mas não passa disso. Não é lá o país mais pacífico do mundo.

8 – Conseguir cidadania européia

passaporte

Se você nasceu no estado de São Paulo tem enormes chances de ter pelo menos um italiano na família. Através deste parente, que pode ser de oriundo de qualquer país membro da União Européia, você pode requerer sua cidadania provando vínculo familiar.

Independentemente da nacionalidade do seu parente, este não é um processo muito rápido, exige bastante documentação e é preciso ficar esperto com os prazos. Parece que a repartição que cuida da documentação italiana tem pouco tempo para dar conta do recado. Caso o prazo expire ou você o perca, é necessário voltar ao fim da fila e dar nova entrada no processo. O que eu ouvi dizer é que a coisa anda mais rapidamente em cidades menores. Sei, por exemplo, de um amigo gaúcho que conseguiu tudo com mais agilidade numa cidade do interior do RS.

Lado A: A cidadania é sua, pra sempre, não está vinculada a companheiro ou empresa. Você pode requerer benefício do Estado (mas só se não falava mal do Bolsa Família quando ainda estava no Brasil, hein?) e não terá problema algum para encontrar trabalho.

Lado B: Se o país da sua nacionalidade sair da União Européia você só poderá morar lá e não em qualquer outro país do bloco. Isso quase aconteceu com a Grécia e o Reino Unido vai votar a permanência deles na EU agora em junho.

9 – Arrumar um marido (ou mulher) estrangeiro

Ângela e Josh

Taí uma oportunidade para quem está solteiro e quer sair do país. Casando-se com um estrangeiro você já mata dois coelhos com uma cajadada só. O simples ato do casamento não te dá direito à cidadania do país de origem do parceiro, mas garante um visto de permanência que dá direito a trabalhar.

O processo de obtenção da cidadania é sempre mais complicado e demorado. A Inglaterra, por exemplo, exige um mínimo de cinco anos de casamento para o início do processo e é necessário pagar £1500,00 para fazer uma prova que te dará o passaporte britânico.

Mas lembre-se que o mais difícil não é o desembaraço com a imigração, mas sim a adaptação aos hábitos e costumes do marido estrangeiro e família. Faz um ano e meio que eu e o Josh estamos juntos e até hoje eu me acho que estão me servindo chá quando vejo a cor do café na xícara. O susto e a constatação do meu engano só vêm depois do primeiro gole.

Lado A: Você vai ter uma família gringa, o que ajuda muito a sua integração no país. Eles vão te dar toques quando você cometer alguma gafe, explicar a razão de certas coisas que podem parecer muito estranhas e te acolher.

Lado B: Você pode não dar essa sorte e não ser bem acolhida (ou acolhido) e aí vai ter que lidar com a adaptação em um novo país sem essa ajuda. Beber café crente que está tomando chá.

Lado B do Lado B: Conhecer alguém (estrangeiro ou não) pela internet é cada vez mais fácil e mais comum.  Vários amigos meus conheceram seus parceiros assim e são super felizes, mas é preciso ficar esperto para não entrar em roubada. Especialmente quando o romance envolve estrangeiros é preciso confiar desconfiando até passar do virtual pro real. O 360 Meridianos já escreveu um excelente post sobre golpes que podem acontecer em relacionamentos começados pela internet.

10 – Procurar um programa de visto que combine trabalho e viagem

Meu amigo Mateus na Nova Zelândia, onde trabalhou colhendo frutas numa fazenda.

Meu amigo Mateus na Nova Zelândia, onde trabalhou colhendo frutas numa fazenda.

Austrália e Nova Zelândia oferecem estes tipos de visto. Há um limite de idade para os candidatos, algo como 30 anos, mas pode ser uma oportunidade bem interessante.

Um ex-colega de trabalho da Tailândia conseguiu um emprego como instrutor de mergulho na Austrália assim. Um dos requisitos do visto era que ele trabalhasse como colhedor de frutas em uma fazenda por um certo tempo depois. Algo como quatro meses. Não sei se este é um requisito de todos os vistos de trabalho para a Austrália ou se foi uma característica específica do visto dele.

Lado A: São dois países com paisagens bonitas, montes de estrangeiros, em geral abertos a imigrantes, mesmo trabalhando em empregos que não requeiram maiores qualificações o salário é o suficiente para uma vida confortável.

Lado B: Como já foi falado antes, há alguns grupos xenófobos na Austrália. Há uma idade limite para se candidatar e o visto dura apenas um ano.

Aqui o link para o visto australiano e aqui o neozelandês. Minha xará Angela do Apure Guria já fez o processo para a Nova Zelândia e conta mais sobre isso aqui.

Meu amigo Tom, que foi para Austrália trabalhar como mergulhador.

Meu amigo Tom, que foi para Austrália trabalhar como mergulhador.

Dica bônus

Ângela Goldstein

Se nenhum d0s 10 meios de sair do Brasil anteriores te entusiasmar, você pode desistir de tudo, fazer um curso de mergulho e ir mergulhar na Tailândia, ou em qualquer outro lugar do mundo.

Braseel, Sobre a vida

Retrospectiva 2015

January 1, 2016

Lembram daquela pessoa procrastinadora do começo do ano? Aquela que escreveu a Retrospectiva 2014 já na segunda semana de janeiro? Ela continua a mesma.

Esses dias tenho me pegado pensando sobre o que escrever e percebi que não é de falta de assunto que sofro, muito pelo contrário. Talvez seja de um pouco de falta de foco, motivação ou qualquer outra palavra que o mundo corporativo tenha arranjado pra substituir a boa e velha “vontade”. É, acho que tenho tido pouca vontade. Mas parar para pensar sobre o que eu andei fazendo durante esse ano de 2015 foi um bom exercício, um que me deu um bom gás para voltar a escrever por aqui. Enquanto as coisas não aparecem em maiores detalhes, deixo uma prévia do que vai aparecer mais esmiuçadamente em breve.

Janeiro

Ângela Goldstein

Acho que dezembro de 2014 e janeiro de 2015 foram os meses de mais trabalho que já tive na vida. A alta temporada em Phi Phi não é brincadeira e os frutos disso foram tão bons que eu consegui ganhar dinheiro suficiente para comprar um colete novo quando meu velho arriou, pagar todas as contas, planejar uma viagem rápida para a Malásia e ainda sobrou!

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Foi também o mês em que conheci minha sogra. Meus cunhados, que trabalhavam conosco em Phi Phi, se casaram no começo de fevereiro e grande parte da família veio da Inglaterra para o grande dia. A primeira a chegar foi a sogrona e esse foi um ótimo começo. É claro que eu fiquei muito nervosa na hora, mas ela é tão legal que logo fiquei mais tranquila.

Fevereiro

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Minha primeira viagem internacional do ano; Josh e eu precisávamos renovar nossa permanência na Tailândia e para isso é necessário sair do país. Passamos três dias em Kuala Lumpur, a capital da Malásia.

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Também teve o casamento dos cunhados e a emoção de conhecer a família INTEIRA do namorado (pais, irmãos, cunhados, tios e até a sobrinha que ainda estava na barriga!) de uma vez só. Para meu grande alívio, todo mundo era muito gente fina.

Março

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Foi outro mês de bastante trabalho e o fruto disso, além do aluguel pago em dia, foi a compra da minha TERCEIRA câmera à prova d’água, uma Olympus TG-3. A bichinha foi meu desejo de consumo durante muitos meses e com ela vieram as melhores fotos sub que tirei em Phi Phi.

Ângela Goldstein

Teve uma rápida viagem pra Krabi com uns amigos de Phi Phi e sofri a massagem mais doída da minha vida.

Meu último mês na Tailândia foi sensacional, a parte dura foi me despedir do Josh sem saber quando nos veríamos novamente.

Abril

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Foi o mês mais tranquilo do ano. Retomei algumas aulas particulares no Brasil, fiz traduções, arrumei os armários e me livrei de muita coisa que não usava mais e ficava atravancando espaço. É bom ver energia fluir assim.

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Revi família e amigos, fui pra São Paulo, apertei os cachorros, me fartei de assistir Netflix, retomei a costura  e comemorei Pêssach com amigos em São Paulo. Também aproveitei pra reencontrar alguns dos quilos que perdi na Tailândia ao me fartar de comer tudo aquilo que estava morrendo de saudades.

Maio

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Foi o momento do ano em que me dei conta de que um ciclo da minha vida se fechou e me senti bastante tranquila com isso. Durante todo o mês de maio dei aulas em uma escola de línguas aqui em Campinas e no fim do período tive a certeza de que, por mais difícil que seja dizer “desta água não beberei”, a sala de aulas não é mais o meu lugar. Continuo com algumas aulas particulares, mas levando tudo de uma maneira bem mais tranquila, sem provas pra corrigir, fechamento de média em fim de semestre e quetais.

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Rapidamente revi amigos queridos, de quem fui madrinha de casamento, no batizado do filhinho deles.

Teve mais São Paulo, teve dia das mães e teve mais pão de queijo.

Foi o mês em que comprei minha passagem para Inglaterra e finalmente tive uma data certa para rever o Josh!

Junho

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Rolou um incrível risoto de estrogonofe com os amigos gourmets de São Paulo.

Pude matar minha vontade de festa junina indo a várias e causando uma senhora inveja no namorado. “Mais uma festa junina, Ângela? Eu também quero ir!”

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Revi parte dos amigos do Jalapão durante uma caminhada linda pela Serra do Japi. Eu não canso de me impressionar com o tanto de lugares bonitos e tão próximos continuarem sempre tão desconhecidos.

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Participei, junto com a vizinhamiga Ana do lançamento do guia “Cambuí walking tour”, uma iniciativa dela e de outros comerciantes do bairro para incentivar passeios a pé. Uma bela iniciativa, diga-se de passagem.

Julho

 So Neptune looked at me and said: Let's take a selfie? Well, I just couldn't refuse. #uwphoto #underwater #mergulho #dive #scuba #scubadive #naonde #livetoscuba #scubadiverslife #PADI

Finalmente, depois de três meses em terra firme, voltei a mergulhar. Foi só um mergulho rapidinho, daqueles que dá mais vontade do que a mata, mas valeu conhecer as águas de Paraty um pouco mais a fundo – sim, todos os mergulhadores fazem piadinhas infames.

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Aliás, passear em Paraty é sempre bom e na companhia de uma amiga querida conheci o Saco do Mamanguá, onde fica localizado o único fiorde brasileiro.

Tive minha primeira experiência desagradável num posto de fronteira; o guarda que me atendeu em Heathrow me deu uma bela canseira na fila da imigração. Mas valeu pra ver o namorado!

Agosto

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Meu primeiro mês inteiro na Inglaterra, foi sensacional! Meus sogros são muito legais e me levaram passear em mil lugares, me apresentaram a novos sabores e eu descobri um novo vício televisivo: The Great British Bake-off. É um programa de desafios de padaria de dar muita água na boca!

Shakespeare's Globe

Conheci Londres! Uma cidade da qual já tinha ouvido falar mil vezes e nunca tinha tido a oportunidade de visitar. Adorei e disse pro Josh que queria morar lá, mas ele disse que nem morto. Fomos ao Shakespeare’s Globe e eu me diverti empurrando o carrinho do Harry na estação King’s Cross

Conheci minha pequena sobrinha, a linda Rose.

Setembro

Castelo de Alnwick

Achei que não seria um mês nada extraordinário, já que fiquei o tempo todo em Newcastle, mas foi em setembro que eu aprendi a voar durante uma visita ao Castelo de Alnwick.

Esses quadradinhos, junto com muitos outros, virou uma colcha de crochê.

Esses quadradinhos, junto com muitos outros, virou uma colcha de crochê.

Fiz um monte de crochê com a minha sogra, fiz um monte de coisas gostosas na cozinha para a família toda assistir ao The Great British Bake-Off, fiz um curso de costura e recebi a notícia de que eu fotografei dois novos Leopard Sharks em Phi Phi! Na Tailândia há um programa chamado Spot the Leopard Shark para controlar a população de tubarões leopardo no país, cada vez que você fotografar um pode mandar a imagem para eles arquivarem, se for um novo tubarão (um que ainda não tenha sido fotografado) você pode dar um nome pra ele.

Outubro

Josh, muito bem vestido, para tomar o chá das cinco.

Josh, muito bem vestido, para tomar o chá das cinco.

Meu último mês de Inglaterra foi em ritmo de gincana do Xou da Xuxa. Passei o dia do meu aniversário com o namorado em Manchester e de noite fomos com os cunhados para a casa da irmã da Karen, que mora na vilazinha mais linda do mundo. No dia seguinte tomamos meu primeiro afternoon tea em Bakewell, numa casa de chá chamada The Lavender Tea Room.

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Na semana seguinte passei três dias em Bath, minha primeira viagem como blogueira!, a convite do departamento de turismo da cidade. Fiquei encantada com o lugar e disse pro Josh que a gente poderia morar lá.

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Uns dias depois fomos para a Escócia com os cunhados e ficamos uma semana nas Highlands. Infelizmente não vimos o monstro no dia em que estivemos no Lago Ness, mas pegamos o Hogwarts Express.

Dia 26 foi a hora de dar tchau pro namorado e família e pegar o caminho da roça de volta pra Campinas.

Novembro

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Passamos alguns dias em La Paz, pegamos o busão rumo a Tupiza, conhecemos o salar de Uyuni e cruzamos a fronteira para o Chile. Conhecemos o deserto do Atacama, flutuamos na Laguna Cejar e comemos muita quinoa. A volta, cinco estrelas, teve direito a uma noite em Santiago com jantar no maravilhoso Aqui está Coco e muita risada.

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A chegada no Brasil, depois da maratona de viagens, foi acompanhada de uma tremenda gripe que passei pra todo mundo.

Dezembro

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Foi um mês bem tranquilo, assim como abril. Dei algumas aulas, escrevi um pouco no blog, não cozinhei quase nada, e bati muita perna com a amiga Ana.

Comecei a planejar o ano que vem, o primeiro que será 100% fora da sala de aula, pensar nas viagens futuras (já tem duas marcadas pra janeirão!) e esperar o namorado.

Apesar dos altos e baixos, 2015 teve um saldo muito mais positivo e se esse ano que começa hoje for, pelo menos, parecido já sei que estou no lucro!

Os amigos da RBBV (Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem) também fizeram suas retrospectivas e vocês podem conferi-las aqui:

Aprendiz de Viajante;

Trippolis;

Nat’s Corner;

Trilha Marupiara;

Doiapoque a Nova Iorque;

Comendo chucrute e salsicha;

Passeiorama;

Tá indo pra onde?;

Four trip;

Férias Now;

Carioca travelando;

Marola com carambola;

Compartilhe viagens;

Casal Califórnia;

Sr. & Sra. Lao;

Viagens cinematográficas;

Cris pelo mundo.

Braseel, Equipamento, Sobre a vida

Cânion da Suçuapara, ou por que uma Nikon é a melhor câmera à prova d’água

September 18, 2015

Sábado de manhã daríamos início à viagem pelo Jalapão, indo de Palmas em direção ao interior do estado em um veículo que é o cruzamento de um ônibus com um caminhão. No café-da-manhã já começamos a nos enturmar mais um pouco, mas eu seguia meio próxima do Márcio, pois ele era a única pessoa que eu já conhecia um pouco melhor e isso me deixava mais à vontade (abro este parênteses para dizer que nem todo mundo que viaja é super extrovertido e já sai fazendo amizade com o primeiro que aparece pela frente, eu sou bastante introvertida e adoro uma zona de conforto, além de gostar de observar bastante o ambiente antes de sair me enturmando. E não tem nada de errado com isso. Viajantes introvertidos do mundo, uni-vos! Mas pode ser cada um no seu canto mesmo, não tem necessidade de grudar).

Nosso "caminhônibus"

Nosso “caminhônibus”

Quando nosso guia chegou, juntamos as malas e fomos pra dentro do caminhônibus. A primeira parada do dia foi no cânion da Suçuapara, depois de algumas horas de sacolejo, para conhecermos o lugar e tirarmos algumas fotos. Ao pararmos na beira da estrada e começarmos o caminho a conversa já rolava com mais naturalidade entre o pessoal do grupo e algumas piadinhas, que nos acompanharam pela semana inteira, já estavam sendo feitas. Todo mundo se divertindo, todo mundo rindo, todo mundo fotografando, botei uma patinha pra fora da minha concha e já estava fazendo amizades aqui e ali.

A descida da estrada até o cânion não é a mais fácil, há que se escorar e se segurar nas plantas e em alguns cipós que anos e anos de torce-retorce transformaram em corrimãos, sensacional! O cânion é escuro e no fundo há uma pequena cachoeira que termina em uma rasa piscina natural, a coisa mais linda.

canion suçuaparaAo longo do cânion há várias pedrinhas brancas empilhadas nas reentrâncias das paredes. O Mauro, nosso guia, disse que não sabia de onde vinha a tradição mas que as pedras começaram a ser colocadas ali há não muito tempo para fazer pedidos. Parece que a cachoeira atendia, de modo que coloquei a minha ali também, vai que dava certo…

cânion suçuaparaApesar do cânion ser bem escuro, o calor do Tocantins em março não nos intimidou nem um pouco e todo mundo entrou na cachoeira para se refrescar um pouco. Eu também. E aí todo mundo começou a tirar fotos, de dentro da cachoeira, de fora da cachoeira, do lado da cachoeira, de quem estava na cachoeira, de quem estava fora da cachoeira, todo mundo com água pelas coxas e se divertindo. Maior legal, enfim. Tanto que passei minha câmera pro Márcio, que estava do lado de fora, e pedi pra ele tirar uma foto minha, que estava do lado de dentro. Ficou meio escura, ele falou, joga aqui, eu falei e ele não quis. Mas eu ainda tinha aquela memória de 1998, aquela das duas amigas na beira da piscina, quando uma jogou a câmera pra outra e não teve problema nenhum porque a câmera era à prova d’água e podia molhar. Eu precisava repetir agora que tinha a minha.

– Dá nada não, Márcio, a câmera é à prova d’água, pode molhar.

– Tem certeza?

– Tenho, manda aí que eu faço os ajustes e a próxima foto sai boa.

Ele jogou.

cânion suçuaparaTCHI – BUM!

Tá vendo eu ali levantando as duas mãos pra pegar a câmera? Então, ela bateu numa das mãos, eu não consegui segurar e lá se foi a danada pra baixo d’água…

PER-DI!

Eu logo enfiei a mão ali por perto de onde ela tinha caído e comecei a tatear. Em seguida veio o Márcio ajudar e aí começou a vir o resto do pessoal. Todo mundo agachado, com as mãos na água e os olhares para baixo, tateando, tateando. Havia uma fresta ali de onde caía a água e eu me enfiei pelas pedras para procurar por aqui, vai que a correnteza tinha empurrado a danada pra dentro? Nisso eu sinto uma mão passando pelas minhas costas e ouço um grito assustadíssimo, era o Jorge que achou que a pedra tinha se mexido.

A busca continuou e agora já contávamos com a assistência do Mauro, que arrumou um óculos de natação com alguém para poder procurar melhor. Acontece que todo mundo já tinha andado por ali e a areia do fundo da cachoeira tinha subido e deixado a água ainda mais turva.

– É, Ângela, parece que Iara levou sua câmera… Mas, olha, eu venho aqui toda semana, então eu vou dar uma procurada da próxima vez, já que a água não escoa para lugar nenhum.

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Ainda dei uma última olhada antes de ter que voltar pro caminhônibus e seguirmos pro acampamento. Paciência, pensei, ter uma câmera à prova d’água simplesmente não está no meu destino. E aí incorporei o mantra do Jalapão, o “desapega”, que o Mauro falava a toda hora – servia pra quando o sinal do celular não pegava, pra quando uma unha lascava e também pra quando minha máquina se foi.

Entrando no ônibus a brincadeira era de que Iara, a sereia das águas doces, tinha roubado minha câmera. Até que a Yara, uma das companheiras de excursão, começou a me olhar meio torto, pois ela não sabia do que estávamos falando e não via graça nenhuma na piada. Expliquei minha situação e ela se compadeceu, assim como a Sil, que foi gentilíssima e me emprestou uma câmera reserva pra que eu também pudesse tirar as minhas fotos.

Fiquei chateada, mas não inconsolável. Fiz a Poliana e pensei que pelo menos tinha sido melhor perder no primeiro dia de viagem, quando ainda só tinha uma meia dúzia de fotos do que no último dia, com todas as que tivesse tirado durante uma semana. E, gente, eu preciso dizer que fui a pessoa mais fotografada do grupo inteiro! Todo mundo se compadeceu da pobre menina azarada e me mimou.

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Dá pra ter uma idéia do que eu quero dizer com “a pessoa mais fotografada da viagem”, né?

 Uma semana depois voltei pra casa, contei a tragédia da perda da câmera pra minha mãe e amigos e uma amiga, que estava de viagem marcada para os Estados Unidos em breve, me ofereceu para trazer uma nova. Aceitei com um certo receio, já achando que próxima não duraria tanto tempo assim nas minhas mãos, e minha mãe até disse que me daria a dita cuja de presente de aniversário. Entrávamos na segunda semana de março de 2013 e fui recebendo as fotos que os novos amigos haviam tirado, deu até pra fazer um álbum de Facebook. Pelos próximos dias acalentei uma esperançazinha de reaver minha Nikon, já que o Mauro tinha ficado de procurá-la quando voltasse ao cânion da Suçuapara, mas não recebi notícia nenhuma.

Passa-se um mês, a viagem da amiga que poderia me fazer o frete da câmera nova se aproxima, eu já estava conformada com o fato de que o Mauro não tinha tido sucesso na busca. Numa tarde tranquila em casa o telefone toca:

– Alô?

– Alô. Eu poderia falar com a Ângela por favor?

– Sou eu mesma, quem gostaria?

– É o Rafael Palmas. *aquela busca rápida no arquivo morto “Rafael de Palmas, Rafael de Palmas… não, não conheci nenhum Rafael em Palmas, de modo que não posso ter dado meu telefone, muito menos o fixo, pra um Rafael de Palmas.

– Pois não?

– Então, Ângela, no final-de-semana passado eu estava nadando com um amigo meu no cânion da Suçuapara…

*nova busca rápida no arquivo morto “cânion da Suçuapara foi onde eu perdi a câmera! Meu D’us! Ele achou a câmera!

– Ãh… péra, não me diga que você encontrou a minha máquina fotográfia?

– Foi sim! Eu enrosquei a mão na cordinha dela, puxei pra ver o que era e achei sua câmera!

– Meu D’us, eu estou até tremendo! Mas como foi que você me achou?

– Eu liguei a câmera pra ver se ainda estava funcionando e estava tudo funcionando direitinho. Aí eu vi a foto que você tirou do bombom do hotel de Palmas, li seu nome, vi o nome do hotel, liguei lá e o pessoal da recepção me passou o seu telefone. Eu queria que você me desse o seu endereço pra eu poder te mandar pelo correio.

E ele me mandou! Uma semana depois disso minha Nikon e eu estávamos juntas novamente, prontas para próximas viagens!

NIkon AW100Recuperar a câmera e as fotos me deixaram felicíssima, mas mais do que elas, muito mais do que elas, fiquei feliz, tocada e emocionada pelo gesto do Rafael. Ele teve a boa vontade de procurar o dono da máquina fotográfica, a disposição de ligar no hotel, de me telefonar e me enviar minha Nikon!

Agora, gente, parem pra pensar que a bichinha ficou embaixo d’água por UM MÊS inteiro e quando foi encontrada ainda estava funcionando e com bateria! Eu sempre gostei das câmeras da Nikon, tenho uma D40 que já me acompanhou por muitos lugares, mas nunca imaginei que as subaquáticas deles fossem tão resistentes!

naondeO responsável pelo meu reencontro com minha queridinha! Achei uma gentileza o hotel colocar um chocolatinho e um bilhetinho em cima da cama, fotografei. O Rafael achou a câmera e a foto, teve a gentileza de ligar pro hotel, que teve a gentileza de fornecer meu número.

Deixo aqui, então meu muito obrigada ao Rafael e ao Hotel Pousada dos Girassóis. Gentileza gera gentileza, mesmo!

Braseel

O que fazer em uma tarde em Palmas – TO

September 14, 2015

A primeira providência depois de fechar o passeio com a Korubo foi reservar os voos de ida e volta para Palmas, a capital do Tocantins, onde eu deveria chegar a qualquer momento na sexta-feira, pois a excursão começa no sábado de manhã. Levando em consideração o preço e a disponibilidade que minha mãetorista tinha para me levar ao aeroporto, optei por sair de Campinas de manhã, o que me rendeu uma tarde em Palmas e com isso a questão: O que fazer em uma tarde em Palmas?

Palmas - TO

2013 foi o ano em que eu resolvi que gostaria de conhecer mais do Brasil e não ia deixar de conhecer a capital estadual mais nova do país, fui logo procurando na internet o que poderia ver de interessante por lá. Vendo o mapa da cidade no Google me espantei com o tamanho das quadras e as distâncias, que me pareciam ser enormes, mas gostei de saber que os prédios do governo ficavam todos bem próximos uns dos outros e resolvi que eles seriam a prioridade da minha visita.

Memorial Luiz Carlos Prestes

O avião aterrissou no aeroporto Brigadeiro Lysias Rodrigues lá pelas 14:00 e assim que peguei minha mala vi um moço segurando a plaquinha da Korubo e fui me apresentar. Esse moço é o Manoel, maranhense de Barreirinhas que mora em Palmas, e é uma das pessoas mais gentis que eu já conheci, ele me avisou que estávamos esperando mais um companheiro e logo chegou o Márcio. Fomos os três conversando até a nossa pousada, o Manoel contando sobre Barreirinhas, o passeio pelo Jalapão e sua filhinha, eu e o Márcio dissemos que gostaríamos de conhecer alguma coisa da cidade, mesmo que apenas uma tarde em Palmas não fosse muito tempo. Ele recomendou a Praça dos Girassóis, onde estão os prédios do governo e alguns monumentos, e o mercado municipal; ficamos felizes ao saber que poderíamos ir andando a ambos!

Como estávamos mortos de fome, assim que deixamos as malas no hotel almoçamos e logo fomos ver o que há de interessante na Praça dos Girassóis. Vem comigo que eu te mostro o que fazer em uma tarde em Palmas!

Palácio Araguaia

O clima estava meio pesado em cima do Palácio.

O clima estava meio pesado em cima do Palácio.

É a sede do governo do Tocantins e fica localizado em cima do centro geodésico do Brasil, exatamente no meio do nosso país e foi a partir dele que desenharam as ruas e avenidas da capital. Na época a bestona aqui não sabia, mas é possível visitar o palácio por dentro, ver onde está marcado o centro geodésico, os vitrais que contam a história da fundação do Tocantins, uma maquete da cidade de Palmas… E eu não vi nada disso, porque estava desinformada. Achei uma pena, pois a gente conhece tão pouco sobre o estado mais novo do Brasil, gostaria de ter aproveitado melhor a oportunidade.

Através deste número de telefone é possível agendar a sua visita (63) 3212-4045. Só fique atento aos trajes, não é possível ir além do hall se estiver vestindo shorts, blusas sem mangas ou sandália de dedo (imagino que chinelos).

Memorial Coluna Prestes

Memorial Luiz Carlos Prestes

Projetado por Oscar Niemeyer em homenagem ao movimento tenentista de 1922 e a marcha pela Coluna Prestes. Dentro do memorial há uma exposição sobre a Coluna, alguns de seus membros e objetos que pertenceram a Luiz Carlos Prestes. Há também um auditório dentro do memorial.

A entrada do memorial é pela lateral do prédio.

A entrada do memorial é pela lateral do prédio.

A entrada é gratuita e a visita bem curtinha, mas vale a pena para conhecer um pouco mais sobre a nossa história.

Monumento aos 18 do forte

Monumento aos 18 do forte

Localizado exatamente em frente ao Memorial, está o monumento em homenagem aos 18 militares do Forte de Copacabana que se levantaram contra a República Velha no Forte de Copacabana, numa tentativa de acabar com a política do café-com-leite que prevalecia no país.

Mercado de Palmas

Mercado de Palmas

 A maior aventura da nossa tarde em Palmas foi chegar até o mercado. Na recepção do hotel nos disseram que o passeio era legal e resolvemos que faríamos a visita depois de conhecer a Praça dos Girassóis. Antes de sair perguntamos à recepcionista se o mercado era longe do hotel, segundo ela não era, umas duas ou três quadras de distância.

Duas ou três quadras é uma medida tão relativa… tão relativa…

Veja você, em Campinas ou São Paulo, um quarteirão tem uns 100 metros de cada lado. A Wikipedia tem o seguinte a dizer sobre o assunto:

“O tamanho de um quarteirão ou de uma quadra pode variar muito, mas frequentemente em cidades brasileiras podem ser vistos quarteirões de 10.000 metros quadrados (100 metros em cada lado). Neste último caso a área delimitada corresponde a um hectare.”

Você, meu amigo, minha amiga do Sudeste, você tem a mesma expectativa que eu, certo?

Agora chega mais e vem dar uma olhadinha aqui nesse mapa. Repare que no canto inferior direito há a escala, mantenha isso em mente e observe o mapa atentamente:

mapa de palmasObservou? Atentamente? Se a resposta foi sim, você viu que cada quadra tem, aproximadamente, 500 metros. Ou seja, CINCO vezes mais o tamanho de um quarteirão em São Paulo, por exemplo. Sua língua ficou de fora só de imaginar andar as “duas ou três quadras” até o mercado, não foi? Pois é, as nossas também! A gente já estava achando que tinha se perdido, andado pro lado errado, que já estava quase chegando em Brasília, quando encontramos duas moças bem simpáticas que nos disseram que estávamos no caminho correto e logo chegaríamos. Logo também é relativo, mas chegamos.

 Mercado de Palmas

Eu adoooro um mercado, acho um jeito legal e saboroso de conhecer mais sobre como vivem as pessoas. Aproveitamos e também comemos um pastel acompanhado de uma cervejinha que estava muito bom e eu dei uma passeada pelas barraquinhas de artesanato, que vendem muitos objetos feitos com capim dourado, bem típico da região.

Mercado de Palmas

Pensando no longo caminho de volta que teríamos até o hotel acabamos não ficando muito tempo no mercado, o que não é uma grande lástima, já que ele não é muito grande. Paramos em um supermercado para que o Márcio pudesse comprar uma lanterna, um dos ítens que deveríamos ter conosco no acampamento segundo as instruções da Korubo, e eu comprei uns pacotinhos de maçã desidratada pra ter comigo na barraca – constavam na minha lista de ítens obrigatórios.

De volta ao hotel fui pro quarto, que eu não queria perder o capítulo de Salve Jorge daquela noite – sim, eu gosto das novelas da Glória Perez.

Mais informações no site do Governo do Tocantins, aqui.

Braseel, Sobre a vida

Jalapão

September 10, 2015

Quando a família que me hospedou durante meu intercâmbio na Alemanha veio nos visitar em 2003, minha mãe quis levá-los para o Jalapão; ela tinha acabado de ver uma reportagem em alguma revista de turismo e achou que eles se interessariam pelo passeio. Este parque estadual no Tocantins tinha virado atração turística há bem pouco tempo e ainda era um destino bastante desconhecido. Por algum motivo que não me lembro, esse não foi um dos passeios que fizemos com eles – Foz do Iguaçú sim, é claro. (Eu tenho má vontade com Foz do Iguaçú, #prontofalei)

A Serra do Espírito Santo é o meu fundo de tela até hoje.

A Serra do Espírito Santo é o meu fundo de tela até hoje.

Quase dez anos depois, no fim de 2012, umas fotos do Jalapão pipocaram no meu Facebook e eu fiquei com muita vontade de conhecer o lugar. Comecei a procurar mais informações na internet e vi que a maioria das agências incluíam uma visita ao povoado Mumbuca no roteiro, descartei todas elas pois detesto esse tipo de turismo que inclui safári humano. Já imaginou um grupo de pessoas chegando no seu lugar de trabalho, na sua casa e apresentar tudo isso como exótico e pitoresco pra um grupo de curiosos? Não gostaria que fizessem comigo, então também não faço com os outros. Por fim encontrei a Korubo, que depois descobri ser a empresa mais antiga daquelas bandas e que apenas oferecia passeios pelas atrações naturais das redondezas. Não tive dúvidas e acertei com eles a minha ida para a primeira semana de março, meu vôo sairia de Campinas no dia seguinte à defesa da minha tese de mestrado.

A hospedagem seria em um acampamento, nós ficaríamos em barracas na beira do Rio Novo e essa seria a nossa base para explorarmos o Jalapão em um caminhão convertido em ônibus. Eu sou uma caipira da cidade, com bem pouca experiência de acampamento e que gosta muito do conforto proporcionado por uma cama macia e banheiros de alvenaria. Sabe, a humanidade demorou tanto pra chegar onde está, pra ter água encanada, acho um desaforo ao meus antepassados desdenhar desse tipo de conforto. Fiquei com o pé um pouco atrás com a história de barracas, mas as fotos do site da Korubo me convenceram de que eu teria todos esses mimos, e as imagens não chegam nem perto do que é a realidade. A barraca dá de dez a zero em muito quarto de hotel por aí…

ônibus korubo

Agora, a melhor surpresa de todas, aquela pela qual eu não esperava e que foi a mais grata, foi o grupo. Eu sabia que eu dividiria o quarto com alguém (do mesmo sexo e, se possível, de idade próxima, de acordo com as informações que a agência me deu) e que teria mais gente no passeio, mas não criei a menor expectativa a respeito. Eu já tinha perdido muito do meu preconceito com viagens em grupo desde o Taglit, então achei legal saber que teria mais gente e imaginei que boa parte das pessoas seria legal, mas não fiquei pensando nisso.

A turma toda subindo as dunas.

A turma toda subindo as dunas.

Nós éramos um grupo grande, 18 pessoas no total, e fomos nos conhecendo aos poucos. Eu peguei o voo para Palmas em Campinas e conheci o Márcio quando chegamos no Tocantins. Conversamos no caminho entre o aeroporto e a pousada e eu gostei dele logo de cara, tanto que fomos dar uma volta pela cidade logo depois de fazermos o check-in e deixar as malas no quarto. Quando voltamos do passeio eu estava cansada e fui pro quarto, mas deixei a porta destrancada pois a moça que seria minha companheira ainda não havia chegado.

Eu e o Márcio nas dunas.

Eu e o Márcio nas dunas.

Lá pela meia noite eu ouço umas batidinhas bem tímidas e a porta se abrindo, uma cabeça aparece e uma vozinha tímida fala:

– Oi… É… eu sou a Talita… Me disseram que o meu quarto era esse aqui. Desculpa ter chegado assim tão tarde…

E assim eu conheci minha irmãzinha jalapense, com quem eu tive o prazer de dividir a barraca e bater altos papos antes de dormir.

Mais de dois anos depois, olha só a gente aqui!

Mais de dois anos depois, olha só a gente aqui!

No dia seguinte, durante o café da manhã fui conhecendo o resto do grupo aos poucos e soube que a maioria já estava super enturmada, desde a noite anterior, quando ficaram bebendo na beira da piscina e acabaram com a cerveja do hotel! Tiveram até que tirar algumas latinhas do frigobar de quartos que não estavam ocupados! Na hora que subimos no ônibus que nos levou até Ponte Alta, onde fizemos a parada pro almoço, eu me sentei perto do Márcio e fiquei observando a bagunça meio de longe. Início de viagem é sempre assim, né? Todo mundo um pouco tímido, um pouco acanhado, tentando se mostrar bem educado e simpático. Fui acompanhando as conversas, rindo um pouco e emendando em alguns papos, mas foi só na hora em que chegamos no cânion da Suçuapara que eu conheci todo mundo praticamente de uma vez só.

O instante fatídico da perda da câmera, devidamente registrado pelo Jorge.

O instante fatídico da perda da câmera, devidamente registrado pelo Jorge.

Por causa de uma câmera perdida todo mundo se juntou e muita gente acabou se conhecendo melhor. Inclusive a Yara e eu, que primeiro me olhou com um olhar torto, porque eu não parava de falar que era ela quem tinha roubado a minha câmera. Então apareceu o Augusto, também lamentando a perda da máquina fotográfica dele, que ficou esquecida num banco qualquer do aeroporto de Brasília, e nós viramos a dupla dos sem registro próprio. Daí veio a Sil e me emprestou uma point-and-shoot pequenininha que ela tinha levado como reserva e eu pude tirar umas fotos minhas.

jalapão

Assim, todo mundo foi se conhecendo aos poucos e praticamente no dia seguinte aquele pudor do início da viagem já tinha completamente desaparecido, no fim da semana parecíamos mais uma excursão de adolescentes indo comemorar o fim do colegial em Porto Seguro. Todo mundo riu de mim e da fome que eu tinha o tempo todo, o Jorge já tinha me dado um saco de Bananinha de Paraibúna na esperança de que eu ficasse quieta e parasse de pedir comida. A Adriana o tempo todo dizendo que estava em desintoxicação e que não ia beber e nem fumar durante a viagem e fazendo só o contrário. No fundo do refeitório havia uma área com artesanato de capim-dourado para venda e a gente podia deixar alguns produtos reservados; a Adriana escolheu um conjunto de pulseiras e deixou uma etiqueta com o nome dela ao lado. No dia seguinte havia mais um bilhetinho ao lado do primeiro: “pulseiras em desintoxicação”, arte do Jorge, que colocou a culpa na Mariana. Ela era a integrante mais novinha do nosso grupo, com 11 ou 12 anos, e uma das mais bacanas da turma.

As “irmãs-sisters”, Beth e Cris, também garantiram a nossa diversão e a Cris ainda foi super gentil ao me emprestar a calça e a bota dela pra caminhada que fizemos sobre a Serra do Espírito Santo. Elas eram engraçadíssimas!

Com a calça e a bota da Cris.

Com a calça e a bota da Cris.

Não teria importância se eu não tivesse tido nenhuma foto guardada dos dias que passei no Jalapão, só as lembranças da turma seriam suficientes para eu nunca me esquecer do cenário e dos dias legais tive. Mas o melhor de tudo é que essa turma não se tornou apenas uma lembrança de viagem bacana, cuja foto está no álbum que você mostra aos amigos e comenta: “Nossa, o pessoal que foi comigo pro Jalapão era tão divertido…” se lembrando de uma coisa boa que ficou longe. A gente continua se falando sempre! Mais de dois anos já se passaram e encontros acontecem com freqüência, a conversa rola solta e quase diariamente num grupo de WhatsApp, tem grupo no Facebook e um carinho enorme entre todos nós que é algo simplesmente encantador!

Ir pro Jalapão foi, com certeza, uma das melhores decisões que já tomei na minha vida!

Braseel, Sobre a vida

O que aconteceu em quatro meses de Brasil

September 4, 2015

Eu fiquei quatro meses em casa e consegui escrever e publicar apenas um texto aqui no blog, isso porque eu tinha grandes ambições e planos. Tinha certeza que produziria como nunca uma vez que tivesse acesso a uma mesa mais decente (90% do que apareceu aqui durante a época que morei na Tailândia foi escrito em cima da cama, geralmente o único lugar do quarto onde eu tinha apoio), pudesse pôr as mãos em fotos antigas que eu queria usar para escrever posts sobre viagens anteriores, uma rotina de trabalho não exaustiva e lugares bonitos onde buscar inspiração, além de poder fazer um cafezinho quando bem entendesse. Só que nada disso aconteceu.

O que aconteceu foi isso:

Hachi

Isso:

IMG_3340

E mais um pouco disso:

angela e cachorros

Mas, calma, não foi só isso que aconteceu em quatro meses de Brasil. Teve muito mais coisa, tanta coisa que nem dá pra colocar de forma coerente em um único post. Fiquei pensando em como escrever, por onde começar, me perdi um pouco na ordem cronológica e cheguei à conclusão que um texto inteiro se tornaria um romance. Assim, achei mais fácil resumir tudo isso em imagens, no melhor estilo Morri de Sunga Branca.

Quatro meses de Brasil; o que teve?

 

Teve sêder de pêssach com ozamigo da comunidade e cantoria desafinada da maioria de nós.

Teve sêder de pêssach com ozamigo da comunidade e cantoria desafinada da maioria de nós.

Teve dia das mães com a minha mãe e nós de camiseta igual!

Teve dia das mães com a minha mãe e nós de camiseta igual!

Teve festa junina do Pinheiros!

Teve festa junina do Pinheiros!

Teve passeio pelo Beco do Batman e tentativa ruim de selfie sexy com a Déia.

Teve passeio pelo Beco do Batman e tentativa ruim de selfie sexy com a Déia.

liberdade

Teve passeio pela Liberdade com a melhor amiga.

Teve muita risada e bobeira com as amigas da costura.

Teve muita risada e bobeira com as amigas da costura.

Teve a Yara! E o Jorge!

Teve a Yara! E o Jorge!

Teve caminha com os amigos do Jalapão pela Serra do Japi. (E aparentemente eu com a mesma camiseta em todas as fotos)

Teve caminha com os amigos do Jalapão pela Serra do Japi. (E aparentemente eu com a mesma camiseta em todas as fotos)

Teve mais encontro com os amigos do Jalapão, dessa vez com quase a turma toda reunida.

Teve mais encontro com os amigos do Jalapão, dessa vez com quase a turma toda reunida.

Teve mais passeio com a melhor amiga.

Teve mais passeio com a melhor amiga.

Teve cinnamon rolls pra Carol.

Teve cinnamon rolls pra Carol.

Teve a dupla Hachisaka divando e me ajudando a desejar feliz aniversário à distância pro Josh.

Teve a dupla Hachisaka divando e me ajudando a desejar feliz aniversário à distância pro Josh.

Teve visita ilustre da pequena Safira e da amiga Marina!

Teve visita ilustre da pequena Safira e da amiga Marina!

Teve amigos novos no lançamento do Cambuí Walking Tour

Teve amigos novos no lançamento do Cambuí Walking Tour

Teve a Binitinha!!!

Teve a Binitinha!!!

Teve uma viagem incrível pra Paraty!

Teve uma viagem incrível pra Paraty!

Teve mergulho que rendeu uma selfie com Netuno! So Neptune looked at me and said: Let's take a selfie? Well, I just couldn't refuse. #uwphoto #underwater #mergulho #dive #scuba #scubadive #naonde #livetoscuba #scubadiverslife #PADI

Teve mergulho que rendeu uma selfie com Netuno!

Gente, teve tanta coisa, mas tanta coisa mesmo que teve até…

risotto de strogonoff

Teve até…

 

 

Teve até risotto de strogonoff!!!!

Teve até risotto de strogonoff!!!!

Após esta breve e divertida introdução, digo que muitas destas fotos ganharão seus próprios posts, que serão permeados por algumas lembranças da Ásia, de viagens anteriores e momentos que estou vivendo agora na Inglaterra.

Cês vêm comigo?

Braseel

A volta

May 4, 2015

Agora de noite estava conversando com a minha mãe sobre como é muito mais fácil pensar do que escrever, em como a gente pensa um monte de coisas mas como é difícil passar tudo isso para a palavra escrita. Muito se perde no caminho entre a cabeça e as mãos. No espaço de um mês então… sassenhora… Mas comecemos pelo princípio, não é mesmo?

Então que dia 20 de março comecei a minha própria epopéia da volta pra casa e posso dizer que não deixei muito a desejar se comparar à de Ulisses. Pois é, foi assim demorada. Na última manhã que passei em Phi Phi aproveitei pra fazer a derradeira autêntica massagem tailandesa com a minha amiga Lina e deixar o corpo relaxado o suficiente para dar conta das muitas horas de trânsito que separavam minhas duas casas. Depois de uma hora bem tranquila tive que encarar a bagagem e engolir o meu orgulho de viajante compacta a seco, tal qual um sapo. Mas eu desafio qualquer pessoa que se considere um empacotador eficiente a colocar um colete de mergulho numa mala e fechá-la numa boa. Pode ser a maior mala do mundo e estar vazia, no momento em que o colete entra todo o espaço se vai, não é possível colocar mais nada. Achei que era melhor ficar na Tailândia mesmo e não voltar pro Brasil. Aí o Josh chegou em casa e me colocou nos eixos outra vez. Consegui fechar a mala, tomei um banho e rumamos para o píer, onde eu pegaria a balsa para Krabi. No meio do caminho encontrei mais alguns amigos, teve muito abraço de despedida e a companhia do querido Bruno, que nos ajudou com as bagagens.

Angela e Bruno

Peguei a balsa das 13:30, que é a que não tem ar-condicionado mas tem criança chorando e passei duas horas no balanço do busão no fungado da sanfona do mar com um molequinho lançando olhares de desejo pras minhas batatinhas. De lá fui pro aeroporto de Krabi, amarguei umas horas de saguão, fila de check-in e espera na sala de embarque. Peguei o avião pra Bangkok, onde encontrei meu velho conhecido: o aeroporto internacional Suvarnabhumi. Mais fila, mais check-in, mais free-shop, mais Burger King, mais portão de embarque e mais oito longas horas até a Etiópia.

Nem acreditei quando o avião pousou em Adis Abeba, isso queria dizer que metade da viagem já tinha passado, viva! Lá seriam só mais quatro horas de tédio, bem que minha amiga Yara me avisou que o aeroporto de lá não tinha mesmo nada pra fazer, mas eu tinha uma possível missão; encontrar meu tio. Um dos irmãos da minha mãe é piloto de avião e está trabalhando para a Ethiopian Airlines, de modo que havia grandes chances de nós nos encontrarmos por lá mas seria só por acaso mesmo. A cada homem de uniforme verde e quepe que passava por ali (o aeroporto internacional deles é um pouco maior que a rodoviária de Campinas, todos os portões de embarque ficam no mesmo corredor) eu prestava atenção para ver se não seria ele. Quando eu já tinha quase desistido, eis que vejo meu tio vindo da minha direção! Fui lá e me plantei na frente dele, foi engraçadíssimo! Ele olhava para mim como se estivesse tendo uma alucinação, como se tivesse encontrado a pessoa mais improvável no lugar mais inusitado. Perguntei se era ele quem me levaria de volta pra casa e ele disse que não e ainda me deu uma triste notícia:

– Que pena que você não vai em abril. A partir do mês que vem o vôo pro Brasil não vai mais ter escala no Togo.

É. Escala. No. Togo.

ethiopian

Entrei no avião, eu e mais um grupo duns 50 ou 60 moçambicanos, todos com um cachecol de cetim com as cores da bandeira, a foice e o machado e “Moçambique” escrito em enormes letras amarelas. Na fila do embarque perguntei a um deles o que eles estavam indo fazer no Brasil, pensei que talvez fossem de alguma delegação esportiva, e fiquei sabendo que iriam visitar o templo de Salomão em São Paulo. Me surpreendeu ver gente sair de tão longe pra passear no Brás. Mas, né? Como dizem por aí “O que é de gosto, regala a vida”…

Mal acreditei quando finalmente cheguei em São Paulo e encontrei minha mãe, que carregava uma sacolinha com coxinha e guaraná. No dia seguinte tivemos uma festinha pra família e amigos aqui em casa, com muito pudim de leite, pão de queijo, coxinha, rosbife e muitas outras coisas gostosas que eu estava louca de vontade de comer!

Mas a melhor parte de todas foi o reencontro com esses dois aqui:

akita, dog, akita inu, naonde

E a dúvida que ficou é: existe algum lugar em Campinas que faça massagem tailandesa sem conotação sexual?

Braseel, Posta restante

Posta restante: Canyon do Xingó

August 2, 2014

canyon do xingó

O cartão postal que está esperando para ser recolhido na posta restante deste sábado é cortesia da querida vizinhamiga Ana Matusita, que escreve o blog Ana Sinhana. Ela visitou o canyon do Xingó em julho e voltou com fotos e histórias tão lindas que já coloquei este destino como uma das prioridades da minha lista pra quando estiver de volta ao Brasil. Nas palavras da amiga? É um lugar lindo, emocionante, desses de deixar sem palavras e encorajar até mesmo quem morre de medo da combinação barco e água e cheio de imagens de São Francisco ao longo do percurso.

A Silvia Oliveira, que escreve o Matraqueando, fez um post muito bacana e informativo sobre o passeio. Vale passar lá e conferir.

Braseel

Brasil 7 x 1 Alemanha

July 14, 2014

Semana passada foi uma semana esquisita, não teve nenhum movimento por aqui, teve jogo que perdemos de lavada e um feriado que veio bem a calhar para curtirmos nossa fossa. Pensando, ainda com certa dor, no placar da última terça-feira eu comecei a imaginar em matéria de que – além de simpatia, alegria, gingado, receptividade, afetividade, suíngue e sangue bom – nós damos uma lavada nos alemães… em matéria de belezas naturais, é claro! Não que a Alemanha não tenha o que oferecer, mas não tem nem por onde começar a comparar com o Brasil. Duvida? Vem comigo que eu te mostro.

Ah, e antes que você me pergunte, a lista foi feita de maneira aleatória, não necessariamente do menos para o mais bonito ou interessante.

Jalapão

Jalapão

Localizado no meio do estado do Tocantins fica o Parque Nacional do Jalapão, um destino ainda pouco explorado e por isso mesmo ainda muito conservado. É o meio do nada, desses lugares onde não há sinal de celular ou energia elétrica, mas cuja paisagem é tão bonita e o céu tão estrelado que você demora uns três dias pra se dar conta que o telefone está descarregado.

Bonito

Rio da Prata

Localizada no Mato Grosso do Sul, a Meca do ecoturismo nacional faz jus ao nome, a paisagem é mesmo muito bonita e tem atividades para quase todos os gostos. Digo quase pois a maioria envolve algum grau de contato com a água, o que pode tornar os passeios um tanto assustadores para quem não sabe nadar. Contudo, fotos de lugares lindos são garantidas dentro e fora da água.

Chapada dos Veadeiros

Chapada dos Veadeiros

Foi depois da viagem ao Jalapão, em março de 2013, que me descobri uma apaixonada pelo cerrado brasileiro; há algo de muito encantador na combinação da aridez da vegetação com as águas das cachoeiras. Apesar do parque estar localizado em Goiás, é mais rápida a chegada pela Capital Federal do que pela capital do estado.

Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Como o assunto aqui é beleza natural, deixei o Cristo no banco e escalei o Pão de Açúcar. Em matéria de paisagem, não existe no Brasil, ou em qualquer outro lugar do mundo inteiro, uma cidade mais linda do que o Rio de Janeiro.

Litoral Norte de São Paulo

Serra do Mar

Apesar de ser uma das paisagens mais bonitas que temos no Brasil, o litoral norte do estado de São Paulo nunca figura nas famosas listas de “10 destinos incríveis-que-você-não-pode-perder-de-jeito-nenhum”. Mas, gente, prestenção que isso que aparece na foto é só o começo da viagem, o que a gente vê na estrada ANTES de chegar na praia, durante o caminho inteiro. Alemanha, es tut mir leid, mas o quinto gol paisagístico foi só pra mostrar que a partida já está ganha.

Cataratas do Iguaçú

Foz do Iguaçú

Apesar da grandiosidade e da beleza, preciso admitir que as cataratas de Foz não estariam na minha lista de “paisagens imperdíveis do Brasil”. Talvez porque fiquem na fronteira com a Argentinha, talvez só pelo prazer de poder desdenhar de uma coisa tão bacana que está bem aqui no meu quintal; mas o fato é que não sei se eu teria me abalado de São Paulo ao Paraná para vê-las se a minha família alemã não tivesse feito tanta questão quando vieram me visitar.

Um mar qualquer

cabo frio

E pra fechar com chave de ouro, the nail in the coffin, tão desnecessário quanto o sétimo e último gol, deixo essa foto de um mar que nem é do Nordeste. Mas nós somos um povo legal, então deixamos um convite pra eles voltarem e conferirem tudo isso aí em cima, que eu tenho certeza que ainda faltou eles verem muita coisa.

Dresden

 Dresden Altstadt

Assim como o gol do Oscar no finalzinho do segundo tempo, que serviu pra não deixar o nosso lado do placar zerado, fica aqui uma foto de Dresden, a cidade mais linda da Alemanha. Praticamente destruída no fim da Segunda Guerra Mundial, foi completamente reconstruída e hoje está ainda mais bonita do que aparece nesta foto de julho de 2002, logo depois de ganharmos o pentacampeonato e eu me mudar pra lá.

Brasil 7 x 1 Alemanha! Viram só?

Braseel

Por que você precisa conhecer a “Medicina do Viajante”

June 30, 2014

A minha maior sorte nessa vida é ter bons, muito bons, amigos; apesar de não serem muitos. No meio dessa gente legal, há um infectologista que me conhece muito bem e sabe que eu sou praticamente o oposto de uma hipocondríaca  – em minha defesa tenho a dizer que a última vez que fiquei gripada foi em 2011. Levando em conta essa minha certa displicência no que diz respeito a cuidados preventivos com a saúde que não sejam lavar as mãos, ele praticamente me obrigou a passar por uma consulta com a Medicina do Viajante quando soube que eu estava de mudança para a Tailândia

Medicina do Viajante

O que é a Medicina do Viajante?

É um serviço oferecido pelo SUS , portanto gratuito, no hospital Emílio Ribas em São Paulo.

A equipe médica fornece informação, orientação e avalia risco de adoecimento de acordo com áreas de risco para doenças. A avaliação é feita durante consultas pré-viagem, em trânsito e após o retorno. Recomendam-se vacinas que, em sua maioria, são aplicadas no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais – CRIE do próprio Instituto. Outras medidas de prevenção, tais como quimioprofilaxia para malária e demais informações  são também discutidas.

E como funciona?

É muito simples, basta enviar um e-mail para agendamento@emilioribas.sp.gov.br com   os seguintes dados: nome completo, data de nascimento, filiação, telefone de contato, horário de interesse (manhã ou tarde), sugestão de data. As consultas serão marcadas mediante a disponibilidade de data e horário, tentando respeitar o mais próximo possível da opção desejada. A resposta com a confirmação da data e horário chega em até 48 horas e você só precisa imprimir a filipeta e apresentá-la no guichê de entrada do hospital, fácil assim.

As vacinas indicadas pelo médico podem ser tomadas no próprio instituto, bem como a obtenção do certificado internacional para a vacinação contra a febre amarela e a poliomelite – para isso só é necessário fazer um pré-cadastro no site da Anvisa. O mesmo vale para medicamentos receitados pelo médico, recebi a prescrição de um antibiótico e retirei-o na farmácia do hospital sem qualquer custo.

Medicina do Viajante

Carteirinha de vacinha devidamente atualizada, contra raiva inclusve. #VemNiMimSuarez

E por que eu preciso conhecer esse serviço?

Em primeiro lugar, para cuidar preventivamente da sua saúde e não correr o risco de pegar uma doença e assim estragar sua viagem, ou de ser barrado em algum aeroporto por não estar com a carteirinha de vacinação em dia. Depois, para tirar a má impressão passada por chamadas de jornais sensacionalistas ou quadros de programas de humor, pois nunca encontrei filas longas o suficiente para me fazerem desistir de esperar e sempre fui atendida por profissionais solícitos, gentis e eficientes. Eu fui premiada com uma greve do metrô e uma bela chuva no dia da minha consulta e mesmo o médico dependendo do transporte público para chegar ao hospital, fui atendida na hora marcada, sem má vontade ou cara feia.

Assim, se você está com viagem marcada e o destino da sua passagem é um lugar um pouco mais exótico do que os tradicionais Miami, Nova Iorque, Cancún e países mais conhecidos da Europa, recomendo uma visita à Medicina do Viajante para assegurar que tudo correrá bem. E, Munito, obrigada por cuidar tão bem de mim mesmo à distância!