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A taxa de câmbio e o viajante; como ela interfere na sua vida.

April 5, 2016

*Este texto é mais uma cortesia das economistas de plantão do Naonde?, Yara Mansur e Marília Melo – sim, a Marília do Padrão Marília. Mesmo desconfiadas da pertinência de um texto como este num blog de turismo, elas fizeram a gentileza de atender ao meu pedido e hoje explicam para vocês um pouco sobre taxa de câmbio. Apesar de não ser um tema que a maioria das pessoas espera encontrar em um blog de viagens, este é um assunto que está tão ligado a turismo que é praticamente impossível falar de um sem pensar no outro. E como a gente gosta de reclamar da alta do dólar, precisa entender o que está achando ruim para poder falar com propriedade. Garanto que quem chegar ao fim do texto vai conhecer muitos aspectos da taxa de câmbio sobre os quais nunca havia pensado e que nem sempre o dólar baixo é tão bom quanto pode parecer. Portanto, a partir de hoje você vai poder reclamar o quanto quiser, mas sempre sabendo do que está falando.

E ai, torço para o dólar subir ou para o dólar cair?
O ser ou não ser da taxa de câmbio.

Vamos começar o texto ajustando nossas expectativas, OK?
Não sou especialista em câmbio, só uma economista enferrujada, lembrando das aulas da faculdade, na tentativa de colocar um pouco de luz sobre um assunto que muitas vezes acabamos evitando por acharmos “muito complicado”. Bem, na verdade, não é. E esse o segredo de muitos economistas de plantão, deixar o assunto mais complicado do que ele é na verdade.

Então, vamos um passo de cada vez.

A taxa de câmbio é o preço de uma moeda estrangeira medido em unidades ou frações (centavos) da moeda nacional. No mundo, a moeda estrangeira mais negociada é o dólar americano, fazendo com que seja a cotação mais utilizada por todos.

A conta é simples: se a taxa de câmbio é R$ 3,80, significa que para comprar um dólar americano, você precisará de R$ 3,80.

Uma libra esterlina hoje vale cinco reais.

Uma libra esterlina hoje vale cinco reais.

A cotação é sempre publicada do ponto de vista “do outro”, ou seja, do agente autorizado a fazer a transação. Casas de câmbio e bancos são os agentes autorizados pelo Banco Central para atuar no mercado de câmbio e todos eles ganham seu rico dinheirinho, tendo por base a diferença entre o preço de compra e o de venda da moeda.

Como em todo mercado, temos as transações de compra e venda “no atacado” e “no varejo”. No mercado das moedas é o mesmo. Temos cotações diferentes para quando as transações são do mundo corporativo – entre empresas, bancos, para as transferências decorrentes de exportação e importação e assim por diante. A aquela cotação que nos interessa é a que é aplicada para as transações com as pessoas físicas, nós, os pobres mortais, na hora da compra de passagens, reserva do hotel, compras no exterior e assim por diante. Uma é a do dólar comercial e outra é a do dólar turismo.

Bem, vamos sempre falar em dólar por aqui, mas vale lembrar que o raciocínio vale para qualquer outra moeda, Ok?

Como nem tudo é preto no branco, nos tons de cinza temos ainda a cotação “paralela” da moeda. O dólar paralelo é aquele que você negocia com alguém que não está autorizado pelo Banco Central para fazer este tipo de operação. É uma transação que ocorre totalmente por fora do sistema e se você for pego, por exemplo, com moeda estrangeira e não tiver o recibo da transação, você perderá o dinheiro e ainda terá que se explicar para as autoridades. Bem, isto, claro, se você não for político, filho de político ou amigo de político. Neste caso, em alguns países, estará tudo certo e você seguirá sua vida normalmente.

Bom, voltando para o mundo oficial, outra cotação divulgada diariamente é a PTAX, a média das taxas praticadas pelos agentes autorizados no dia. É uma taxa de referência para quem negocia a moeda.

Agora, como é que a cotação do dólar é estabelecida?
Temos que considerar que a política cambial é um dos diversos instrumentos que os governos podem utilizar para interferir ou influenciar na vida econômica do país. O objetivo de qualquer governo, esperamos nós, os governados, é que tenhamos um país em desenvolvimento, com crescimento econômico, crescimento sustentável, desenvolvimento humano em busca da igualdade social e com impactos ambientais devidamente compensados para não acabar com o pais (ou o planeta) em alguns anos.

Pois bem, a política cambial, não ela sozinha, mas de forma articulada com as outras políticas, a fiscal, monetária, de renda, é utilizada para isto, para produzir este tão desejado desenvolvimento.

O alcance da política cambial é limitado se olharmos para ela isoladamente. Mas se articulada corretamente com os demais instrumentos de política econômica pode fazer a diferença. Como nenhum pais é uma ilha isolada do mundo – com exceção da Coréia do Norte que nem é uma ilha, Cuba é, mas já não conta mais como isolada – tudo que é feito num país acaba influenciando o outro e um dos meios de transmissão é justamente a taxa de câmbio.

Por isto a atenção, o monitoramento e os ajustes no câmbio são constantes num governo bem-intencionado e quando os ajustes são feitos no momento e na direção certos, encontramos um governo competente na política externa.

Como então, o governo atua sobre o câmbio? São três regimes de câmbio diferentes que os governos podem adotar:

Câmbio flutuante
Neste regime o preço da moeda estrangeira é determinado pelas leis de oferta e demanda sem interferência do Banco Central. Ou seja, o Banco Central não compra ou vende moeda para influenciar a taxa de câmbio. É o próprio mercado que encontra o equilíbrio e uma taxa de câmbio justa.

Câmbio fixo
Neste regime é o contrário. O Banco Central está sempre comprando e vendendo moeda para que a taxa de câmbio definida pela política cambial fique inalterada. Parece o mais simples, não? É, mas para manter o câmbio fixo é necessário que o país tenha uma grande reserva de moeda estrangeira para estas operações Caso contrário terá que pedir empréstimos internacionais. E a coisa pode se complicar a partir daí. (A Argentina teve regime de câmbio fixo por muitos anos.)

Regime Misto ou Híbrido
É a mistura do câmbio fixo e câmbio flutuante, neste caso, o governo estabelece um valor mínimo e um valor máximo (banda) e deixava a cotação flutuar dentro desta faixa. Qualquer coisa que afete a entrada ou saída da moeda estrangeira do mercado afetará a taxa de câmbio e aí a gente começa a entender por que a taxa de câmbio é tão sensível e pode ser bem imprevisível.

Dez libras e dez reais. Same same, but different.

Dez libras e dez reais. Same same, but different.

A taxa de câmbio também sofre a influência de diversos aspectos da economia interna, assim como é capaz de influenciá-los, mais um motivo para receber monitoramento e cuidados constantes. Um destes aspectos que influenciam a taxa de câmbio é o regime cambial que determina o do Banco Central. Mesmo no regime de câmbio flutuante ele ainda pode atuar, comprando ou vendendo dólar e isto influenciar a taxa de câmbio, o Banco Central pode fazer isto (e deve) quando há indícios de manipulação do mercado.

A capacidade que o Banco Central tem para influenciar o mercado está diretamente ligada às reservas cambiais que possui. Para ficar vendendo e comprando dólar é preciso ter um saldo elevado de reservas. Cacife para bancar as transações.

Outro aspecto que sofre influência e também influencia a taxa de câmbio é a taxa de juros.

Como assim?

A variação da taxa de juros pode atrair ou afastar investidores estrangeiros que enviariam seu rico dinheirinho para o Brasil com o objetivo de aproveitar as taxas praticadas aqui. Afinal pagamos uma das maiores taxas praticadas no mundo.

Não é raro ver investidores pedindo dinheiro emprestado no exterior, pagando juros baixos, e investindo este mesmo dinheiro no Brasil. Com isto eles pagam os juros do empréstimo e ficam com a diferença. Estes movimentos de entrada e saída de dólares dos investidores podem ser imprevisíveis já que eles estão sempre avaliando a relação entres os juros pagos e o risco que correm investindo no Brasil. Esta percepção de risco pode mudar rapidamente dependendo de acontecimentos políticos do pais, das avaliações de riscos das agências oficiais e assim por diante.

Da mesma forma, quando os outros países aumentam suas taxas de juros, isto pode atrair investidores que estão com recursos investidos no Brasil. O efeito contrário também pode ocorrer. A queda dos juros lá fora pode atrair investidores e seus dólares para o Brasil.

Ou seja, o que vale é a taxa de juros “relativa” entre os países, o nível de risco e a aversão ou não ao risco do investidor, para o dinheiro entrar ou sair do país.

Novamente, tudo muito volátil e imprevisível, não acham?

A taxa de câmbio faz com que os produtos (insumos, máquinas, equipamentos, nossas passagens e gastos com viagem) fiquem mais caros ou mais baratos. Portanto pode ajudar na balança comercial, gerando mais ou menos importações, mais ou menos exportações, mais ou menos viagens, que no fundo é o que nos interessa.

Quando nossa moeda se valoriza (ou seja, quando o dólar cai), nos sentimos imediatamente mais ricos como consumidores finais, mas do lado da macroeconomia o resultado é outro.

Os exportadores têm seus preços de venda afetados, irão receber menos reais do que recebiam antes pelo mesmo dólar pago por suas exportações. Perdem lucratividade e podem se sentir desestimulados a produzir, o que pode vir a reduzir o nível de atividade econômica e consequentemente, isto pode gerar desemprego.

Do lado das importações, elas ficam mais facilitadas. Os preços de produtos similares no exterior começam a ficar mais interessantes para o consumidor brasileiro que então pode trocar produtos nacionais por importados. A classe média adora fazer isto. Novamente, os produtores nacionais podem se sentir desestimulados a produzir se não forem capazes de competir com os preços de fora e o mesmo efeito acima ocorrerá. Menor produção, maior desemprego no mercado interno. Garanto que a maioria de nós nunca havia pensado por esse lado.

Claro que tudo isto depende do grau de competitividade de nossos produtos em relação aos produtos no exterior e por quanto tempo a situação de valorização cambial se sustentará.

Então, com o real valorizado, o que parecia apontar para mais viagens pela frente pode significar a perda do emprego, isto se você tiver um. E mesmo que não tenha um, que seja um empreendedor, o consumidor do seu serviço ou produto poderá estar sendo afetado. Então, deu na mesma.

Quando ocorre o inverso, nossa moeda se desvaloriza (ou seja, quando o dólar sobe), temos o movimento contrário. Ficamos mais pobres em relação ao resto do mundo.

Mesmo mais pobres, temos que lembrar que há importações que continuarão a ser feitas, seja com o dólar alto ou baixo, por exemplo, alguns insumos essenciais (trigo, arroz, petróleo) e assim, quanto mais dependente for a economia destes insumos, mais ela sofrerá com as variações cambiais que acabarão gerando. Neste caso, inflação, pois mesmo com os insumos mais caros (dólar alto) não há como deixar de importá-los e portanto, essa variação será repassada para o preço para o consumidor final.

Não só os insumos, mas também produtos finais ou equipamentos ficam mais caros para o consumidor final ou para o empresário que importaria tais equipamentos, a demanda, neste caso, acaba sendo direcionada para os produtos e equipamentos nacionais similares e a indústria nacional nem sempre tem capacidade de produção para atender ao aumento de demanda. Demanda maior do que oferta, novamente, pressão sobre preços.

Podemos ainda somar o efeito de maior interesse pela exportação do que por abastecer o mercado interno. Ele também vai afetar a oferta de produtos no mercado interne e temos novamente, pressão sobre preços para o consumidor interno.

As exportações sobem, saldo da balança comercial e reservas de moeda estrangeira no pais também sobem. São coisas boas, mas que acontecem com uma velocidade muito inferior ao reflexo sobre a inflação e desemprego.

Ou seja, o que temos que buscar (e comemorar quando atingirmos) é uma taxa de câmbio justa, que não promova desequilíbrios macroeconômicos e nem complique a vida de todo mundo, empresário, empregado, consumidor e viajantes como nós.

Dinheiro, Sobre a vida

Como levar dinheiro para viagem, um guia prático

March 15, 2016

*O Naonde adverte: este texto é padrão Marília.

Quem converte não ser diverte, mas será mesmo?

dinheiro

Uma dúvida comum que assola tanto os viajantes iniciantes quanto os experientes é o momento de escolher como levar o dinheiro para a viagem.

Para esta questão que é uma espécie de “ser ou não ser” do viajante não há resposta única. Uma pena, mas não há.

Por isso, abaixo você tem que considerar o que há de bom e de não tão bom assim em cada um dos meios de pagamentos que um viajante tem à sua disposição.

Lembre-se que o importante é considerar o custo total, incluindo todas as taxas aplicáveis, para cada meio de pagamento.

Vamos lá, os indicados na categoria de melhor forma de levar dinheiro em viagem são ….

Dinheiro em moeda, o velho e bom “cash”

dólar

É a alternativa mais barata, pagamos o IOF de 0,38%, porém é a mais insegura. Coisas ruins acontecem em viagens também e um roubo ou perda serão irrecuperáveis. Certifique-se de ter um cofre para documentos e dinheiro no seu destino e durante a viagem, uma forma de transportar os valores junto ao corpo. Faça uma boa pesquisa e escolha a casa de câmbio pela comodidade, aquela que é mais próxima da sua casa, aquela que lhe entrega o dinheiro em casa e assim por diante. O “cash” exige esses cuidados com transporte e guarda da moeda.

Para países de moeda forte: leve a moeda do país. Compre dólar para viajar aos Estados Unidos, euro para Europa, libra para o Reino Unido e assim por diante. Sempre que possível, evite trocas sucessivas, isto é perda na certa. Quanto mais operações de câmbio forem feitas, mais sujeito a perder dinheiro você estará, por que quando compramos a moeda pagamos aquela cotação mais cara e quando vamos vender, eles nos pagam pela mais barata. Ah! Por isto é que existem duas cotações para cada moeda? Sim, e isto significa que você sempre perderá um pouquinho de dinheiro a cada transação de compra e venda.

Para países de moeda fraca: leve dólar ou euro. Ficou em dúvida de qual levar? Faça uma simulação comprando a moeda do pais aqui no Brasil e compare com as duas operações, comprar dólar ou euro aqui no Brasil e depois a troca pela moeda local. Temos muito simuladores na internet, que ajudam com estas operações. Você verá que sair daqui com a moeda fraca não vale a pena.

Quando precisar trocar seu dinheiro, evite as casas de câmbio de aeroportos e próximas a atrações turísticas, as taxas costumam ser piores. E nunca é demais lembrar para não fazer a operação na rua, as taxas podem ser convidativas, mas os riscos são enormes como levar notas falsas ou ainda ser roubado na esquina seguinte. O melhor mesmo é fazer isto em casas oficiais, ligadas aos bancos ou dentro de shoppings.

A segunda opção é o cartão pré-pago, o “travel money”

moeda de um dólar

Nesse caso, você carrega o valor em moeda estrangeira, paga o mesmo IOF do cartão de crédito, 6,38%, porém, garante a taxa de câmbio do momento em que carrega o valor no cartão. É bem aceito em grandes cidades. Em lugares mais isolados, os estabelecimentos podem aceitar estes cartões. É um meio de pagamento seguro, pois em caso de roubo ou perda, você pode bloqueá-lo e ele será substituído rapidamente, geralmente em até 24 horas. Tem um valor máximo de 10 mil unidades da moeda que você utilizará, 10 mil dólares ou 10 mil euros ou 10 mil dinheiros.

Você também pode realizar saques com este cartão, mas é importante considerar que você tem uma taxa a cada operação de saque, por isto, faça o menor número possível de saques. Outra vantagem é que o cartão pode ser recarregado pelo seu internet banking, assim, se for necessário, você pode fazer a operação remotamente.

Em qual moeda carregar o valor pré-pago? Aqui valem as mesmas considerações sobre qual moeda levar em “cash’.

O melhor desempenho do cartão pré-pago é quando a moeda carregada no cartão é a moeda corrente no país que você vai visitar. Para os países de moeda fraca, não há grandes diferentes em utilizar o pré-pago em dólar ou euro.

Mas se você usar seu cartão pré-pago carregado com dólar num país onde a moeda é o euro, você vai perder o correspondente a conversão cambial. Exatamente como se comprasse dólares e fosse trocar por euros numa casa de câmbio.

Em terceiro lugar, vem o tradicional cartão de crédito

cartão de crédito

O IOF é de 6,38% e você ainda terá que arcar com a diferença cambial que vier a ocorrer entre o momento da compra e o momento do fechamento da fatura do cartão de crédito e depois, entre o momento do pagamento e o momento do fechamento da fatura. Neste sentido, é o meio de pagamento mais imprevisível quanto ao valor que você realmente irá pagar por causa da variação cambial.

Sabendo disso, os cartões de crédito colocam à sua disposição, programas de milhagem, seguros de viagem e de saúde, que dependendo do valor (lembre-se, como falamos no início, o que vale é o custo total da sua operação) podem compensar.

Você também precisará do cartão de crédito para compras de ingressos ou para compras em lojas on-line durante sua viagem ou para alugar um carro e assim por diante, ou seja, tenha o cartão internacional devidamente desbloqueado para o uso no exterior sempre à mão. Até mesmo para atender a alguma situação de emergência.

Por fim, em menção não muito honrosa, temos alguns bancos brasileiros e em alguns destinos específicos, permitem operações de saque na moeda local e você terá que consultar o seu caso específico. Esta opção é a última que você deve considerar pois além do inevitável IOF de 6,38%, você terá uma taxa por transação e ainda terá que arcar com a taxa de câmbio praticado pelo banco no momento do saque.

E como não há resposta certa ou errada para a questão “qual meio de pagamento escolher”, ficam as considerações acima e uma dica básica: divida seu dinheiro em alguns meios de pagamento, nada de apostar tudo numa única alternativa.

 

*Este texto é cortesia e o primeiro de um duo que a economista de plantão do Naonde, a já conhecida Yara, escreveu para nós e revisado pela Marília.