Browsing Category

Mergulho

Mergulho, Na Gringa

Curso de mergulho em Phi Phi x Koh Tao

April 14, 2016

Que a Tailândia é uma meca de mergulhadores todo mundo já sabe. Portanto a dúvida que resta é de quem ainda não tem o certificado mas que está pronto para tirá-lo: a questão geográfica. Optar pelo curso de mergulho em Phi Phi x Koh Tao? O que é melhor?

bida nok

Koh Tao é o segundo lugar no mundo que mais expede licenças de mergulho anualmente, só perde para Cairns na grande barreira de corais da Austrália – por motivos óbvios. Mas isso não quer, necessariamente, dizer que o curso lá seja melhor do que em Koh Phi Phi. Ambas as ilhas têm suas vantagens e desvantagens. Assim como as duas grandes certificadoras que vão disputar seu tempo e seu dinheiro: PADI (Professional Divers Association International) e SSI (Scuba Schools International).

Qual certificadora escolher?

O gerente da escola onde eu trabalhei em Phi Phi costumava responder à pergunta de qual das duas era melhor com a seguinte metáfora: na hora de fazer um lanche há quem prefira McDonald’s e há quem prefira Burger King. No fim das contas a escolha se resume a uma simples questão de gosto. Apesar de algumas pequenas diferenças o produto final é basicamente igual. O mesmo acontece com o mergulho, cujas regras não variam dependendo do lugar onde você está. Ambas carteirinhas te permitirão descer aos mesmos 18m em qualquer lugar do planeta seguindo as mesmas normas de segurança. Caso você já tenha uma certificação básica da SSI poderá fazer o curso avançado pela PADI e vice-versa.

piraputanga

Dois critérios podem ser usados para desempate.

Preço: Os cursos da SSI costumam ser mais baratos do que os da PADI, cerca de 10% a menos. Portanto, se economia for a sua prioridade opte pela SSI.

Carreira: Se o sonho da sua vida – como foi o meu um dia – for se tornar um membro da indústria do mergulho, talvez a PADI seja sua melhor opção. Profissionais PADI podem trabalhar independentemente, já os instrutores SSI necessariamente têm de estar vinculados a uma escola ligada à SSI.

Qual o custo do curso?

Pelo que pude perceber pela pesquisa, em Koh Tao os preços dos cursos não são tabelados e variam de acordo com as escolas. Já em Phi Phi as operadoras têm um acordo e o preço de cada curso é exatamente o mesmo em toda a ilha. Caso você tenha a intenção de fazer mais de um curso, por exemplo o básico e o avançado de uma só vez, dá pra negociar um preço melhor e a maioria das escolas costuma dar uns 10% de desconto caso você tenha feito um curso com eles e queira embarcar no segundo.

porcelain anemone crab

Koh Tao:

O curso SSI gira em torno de THB 8,600, cerca de R$ 890,00 sem acomodação – Preço pesquisado em 21/03/2016 na escola Roctopus.

O curso PADI gira em torno de THB 9,800, cerca de R$1400,00 sem acomodação – Preço pesquisado em 21/03/2016 na escola Big Blue Diving.

A maioria das operadoras de mergulho de Koh Tao inclui a acomodação no preço do curso. A Crystal Dives oferece um preço bem semelhante ao da Big Blue Diving mas com acomodação inclusa. É uma questão de procurar e encontrar o que melhor se adequa à sua necessidade, pois há quartos coletivos e individuais e níveis de conforto diferentes.

Phi Phi:

O curso SSI custa THB 12,900, cerca de R$ 1335,00 – Preço pesquisado em 21/03/2016 na escola Seafrog.

O curso PADI custa THB 13,800, cerca de R$ 1428,00 – Preço pesquisado em 21/03/2016 na escola The Adventure Club, onde eu trabalhei.

 

Como escolher uma escola?

Bom, cada uma das ilhas têm escolas de tipos e tamanhos diferentes, mas via de regra Phi Phi costuma ter escolas menores por causa do próprio tamanho da ilha. Portanto, se você prefere uma vibe mais tranquila, menos gente no barco e na sua turma… minha recomendação é que pegue logo a balsa para Phi Phi e esqueça Koh Tao.

Você quer ir mergulhar com o pessoal mais legal!

Você quer ir mergulhar com o pessoal mais legal!

Koh Tao tem escolas grandes e conhecidas, como a Crystal Dives, Big Blue Diving e Ban’s. Todas elas oferecem acomodação para os alunos, que pode estar inclusa no preço ou não. A vantagem delas é para quem está viajando sozinho e quer fazer amigos durante o curso de mergulho, já que as turmas costumam ser grandinhas (cerca de 6 a 8 alunos) e compostas por gente do mundo todo. É também bem provável que em alguma destas três haja um instrutor que fale português, se isso vai te fazer se sentir mais confortável e confiante. Eu não recomendaria para quem quer um pouco mais de atenção individual e tenha um pouco (ou muito) medo de cair na água, justamente por causa dos grupos grandes. Essas escolas têm fama de serem “fábricas de certificação”, o que não necessariamente é algo ruim, depende apenas do que você está buscando.

Há também escolas pequenas em Koh Tao, como a Roctopus, que eu indicaria para quem tem menos confiança na hora de cair na água. Nessas escolas você tem muito mais chance de ter atenção exclusiva ou quase do seu instrutor, mas também diminui a chance dele falar português.

moréia

As escolas de Phi Phi são quase todas pequenas, portanto a chance de você conseguir atenção integral do seu instrutor na língua de sua preferência é muito maior. Há cerca de 12 escolas e na última temporada que passei lá havia, pelo menos, 4 mergulhadores brasileiros em 4 escolas diferentes. No pior dos casos sempre vai ter algum falante de espanhol para quebrar o galho quando você falar “mergujo” querendo dizer “buceo”.

A média de alunos numa turma grande em Phi Phi é de 4 pessoas, coisa que eu raramente vi acontecer durante os 9 meses em que trabalhei lá. Na maioria das vezes era comum ver grupos de 2 a 3 alunos que fossem amigos ou tivessem requisitado a mesma língua e houvesse apenas um instrutor que dominasse o idioma, por exemplo sueco ou finlandês. Apesar de grupos menores, o entrosamento entre os passageiros no barco costumava acontecer de forma muito natural, então mesmo quem estava sozinho sempre acabava encontrando companhia.

Qual ilha tem os melhores pontos de mergulho?

Esta é provavelmente a pergunta mais difícil de responder, justamente pelo fato da resposta ser baseada única e exclusivamente em critérios subjetivos. Conheço quem prefira uma e quem prefira outra, por motivos estritamente pessoais. Numa situação ideal você iria a ambas ilhas e tiraria suas próprias conclusões, mas como esta não é a realidade de muita gente tentarei expor os fatos da maneira mais imparcial possível.

Koh Tao

koh tao

De maneira geral os recifes estão um pouco mais danificados do que em Phi Phi por conta o grande número de mergulhadores iniciantes que passam por ali todos os anos. Nada contra os novatos, tudo a favor na verdade, mas como quem está começando ainda não tem muita prática, acaba chutando os corais sem querer. Não há muitos peixes-palhaço em Koh Tao, na verdade não me lembro de ter visto um único que fosse. Assim, se encontrar o Nemo for a grande razão do seu mergulho, Koh Tao não é sua melhor opção.

Há alguns pontos mais distantes de Koh Tao que parecem ser muito bonitos, como Sail Rock, mas têm um grau de dificuldade um pouco maior do que os que estão ao redor da ilha. Na prática isso quer dizer que você não vai ser levado até lá enquanto ainda não tiver seu certificado em mãos – durante o curso, em português claro.

Por ser o segundo lugar do mundo que mais emite certificados anualmente, os pontos costumam ser bem concorridos e atulhados de outros mergulhadores. Sabe aquela sensação bacana de se desligar do mundo, do silêncio e tranquilidade que a maioria das pessoas busca quando decide mergulhar? Então, não é muito fácil de ser encontrada quando há grupos grandes ao seu redor e o instrutor que está tomando conta de um grupo de oito alunos começa a bater no tanque pra chamar a atenção de todo mundo.

Koh Phi Phi

Hin Gareng

Tenho ouvido de vários amigos mergulhadores que os recifes de Phi Phi estão entre os mais bonitos que já viram. Opinião de gente que já mergulhou na Austrália, Maldivas e Indonésia!

Por causa do menor número de mergulhadores que passam por lá anualmente, os recifes estão mais bem conservados e há mais vida marinha. Aliás, há um monte de Nemos para serem encontrados!

Como há menos gente, na hora que todo mundo cai na água cada grupo pega seu rumo e a chance de você alcançar aquela sensação de isolamento é muito maior. Na verdade, a chance de você encontrar alguém é bem pequena.

A maioria dos pontos é bem próxima da ilha, os mais distantes ficam a 30 minutos de distância, e não existem pontos difíceis ou muito desafiadores além do naufrágio. Assim, todo mundo vai aos mesmos lugares, alunos ou mergulhadores já bem experientes.

E agora?

mergulho tailândia

Bom, agora é com você! Espero ter ajudado e que a sua escolha seja a melhor possível, que seus mergulhos sejam maravilhosos e que você aproveite muito!

Mergulho, Na Gringa, Sobre a vida

Cenas de um casamento embaixo d’água

February 11, 2016

Já contei no post da Restrospectiva que em fevereiro do ano passado meus cunhados se casaram. Eles são instrutores de mergulho e trabalhavam na mesma operadora que o Josh e eu, mas  mas como cuidavam do terceiro escritório da operadora moravam em um hotel afastado do centrinho de Phi Phi. Como a cerimônia e a festa aconteceriam na praia do resort, a Karen queria muito mergulhar para fazer uma sessão de fotos no fundo do mar vestida de noiva. Seria uma espécie de casamento debaixo d’água.

casamento praia

Bebida e mergulho não combinam, então é claro que não deu certo e tivemos que adiar o plano.

casamento praia

Sem chance dessa gente nada sóbria ir pro fundo do mar

Aproveitamos um dia em que o barco da operadora estivesse praticamente vazio e fizemos toda a produção a bordo do Reef Ranger.

Uma penteadeira improvisada.

Uma penteadeira improvisada.

casamento embaixo d'água

Logística

A parte mais complicada da sessão de fotos era a logística de levar o equipamento e manter o glamour de uma sessão de fotos de casamento ao mesmo tempo. É quase impossível conciliar os dois. Observe:

Elegante #sqn

Elegante #sqn

 Tudo isso que eu estou usando é necessário para a minha segurança e bem estar debaixo d’água. Mas como respirar e ficar bonita ao mesmo tempo estando no fundo do mar?

Lastro: Resolvemos a situação colocando o lastro da Karen por baixo do vestido e o do Chris no cinto que ele estava usando.

lastro

Ar: Questão de sobrevivência e prioridade número um. Mas e a feiura que é um regulador na boca? Como evitar? Amarramos um tanque com um regulador a uma corda para que ficasse na altura dos noivos. A idéia era respirar um pouco, largar o regulador, bater a foto e respirar novamente. Mas e como isso funciona quando aplicamos a regra número um do mergulho? “Nunca segure a respiração”. Resolvemos o problema mantendo uma profundidade de uns 4 metros, o que não é um despropósito. Quem faz apinéia chega a esta profundidade e se mantém por alguns segundos debaixo d’água sem riscos. Essa profundidade garantiria a segurança dos pulmões de todo mundo.

Jade, a fotógrafa, e eu estávamos com nossos equipamentos completos. Assim poderíamos estar à disposição do Chris e da Karen caso eles precisassem de ar a qualquer momento.

Máscaras: Junto com o regulador, as máscaras de mergulho são capazes de embarangar até a Gisele Bündchen. Como assistente da fotógrafa fiquei responsável por segurar as máscaras dos cunhados durante os cliques.

Nadadeiras: Essenciais para uma boa movimentação debaixo d’água, mas longe de serem os sapatos ideias para roupas de casamento. Foram cortadas das fotos dependendo do ângulo ou simplesmente passadas para mim e depois devolvidas a eles.

Quando tudo isso estava muito bem combinado com nós quatro tiramos uma última foto antes de pularmos no mar.

Uma última foto antes de todo mundo cair na água

Uma última foto antes de todo mundo cair na água

TCHIBUM!

Dá pra ver como ficou o tanque reserva dos noivos? Amarrado a uma corda e sempre próximo deles.

Dá pra ver como ficou o tanque reserva dos noivos? Amarrado a uma corda e sempre próximo deles.

casamento debaixo d'água

O ponto de mergulho onde as fotos foram feitas, Hin Bida, é famoso pelos tubarões leopardo (Leopard Shark) que nadam por ali. Como tínhamos de contar com a boa vontade da natureza sabíamos que havia a chance de não aparecer ninguém, mas estávamos bem esperançosos. E não é que logo ouvimos o Chris tentando chamar nossa atenção e apontando freneticamente em direção a esse bonitão?

leopard shark

Ele veio nadando todo tranquilo, sem a menor idéia do furor e alegria que estava causando. Veio vindo todo despreocupado e passou BEM NA FRENTE dos noivos!

casamento debaixo d'água

Dá pra acreditar na sorte deles? Em como o mar foi generoso ao dar este presente de casamento?

Dá pra acreditar na sorte deles? Em como o mar foi generoso ao dar este presente de casamento?

Depois disso nos concentramos em fotografar os noivos, já que não era possível garantir um clique melhor do que estes.

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Algumas considerações:

Uma sessão de fotos como esta faz a alegria de qualquer casal de mergulhadores! Não deve ser difícil conseguir uma parecida em qualquer região onde a indústria do mergulho seja forte. Nós nunca tínhamos feito algo parecido na operadora onde trabalhei em Phi Phi, mas é apenas uma questão de conversar e acertar os detalhes. O mais importante é que os noivos sejam mergulhadores certificados E experientes. Não recomendo para quem nunca mergulhou ou tem pouca experiência, aliás imagino que nenhuma operadora séria ofereceria este tipo de serviço para clientes não credenciados.

Não saberia dizer o valor deste tipo de serviço, pois nós fizemos as fotos como um presente para os meus cunhados.

*Todas as fotos, exceto as fotos em que apareço e as sinalizadas, foram tiradas por mim.

Mergulho, Uncategorized

Os pontos de mergulho de Phi Phi – Parte IV

November 27, 2014

O último post da série sobre os pontos de mergulho de Phi Phi se trata de dois dos meus preferidos: o naufrágio Kled Gaeow e Hin Gareng, ambos em alto mar e um pouco distantes da costa leste de Phi Phi Ley.

kled gaeow

Em março deste ano o antigo navio militar Kled Gaeow foi afundado de propósito, a intenção era criar mais um ponto de mergulho por aqui e criar um novo recife artificial que pudesse atrair mais vida marinha; deu muito certo. Agora em novembro, 8 meses depois, o naufrágio já tem dois moradores muito especiais e que há tempos não apareciam por aqui: dois tubarões bambu (Chiloscyllium griseum).

kled gaeow

Ele está situado a 26 metros de profundidade e para chegar até lá é necessário se guiar por uma corda que está atada à proa do navio, já que no início da descida tudo o que se vê é uma imensidão azul. Lá pelos 15 metros se começa a ver o contorno do barco e os cardumes que estão nadando em volta. É impressionante ver como já existe tanta vida marinha no lugar em tão pouco tempo!

Kled gaeow

O tempo de mergulho acaba sendo um pouco mais limitado em torno do Kled Gaeow do que nos outros pontos de Phi Phi por causa da profundidade a que ele está situado. Seja para este não ser um mergulho descompressivo ou por causa do consumo de ar, muito maior quanto mais fundo se vai, não costumamos ficar mais de meia hora nadando em volta do navio. Mesmo mais curtinho, vale muito a pena!

hin gareng

Hin Gareng, um grande recife em mar aberto, um dos poucos pontos onde vemos tubarões leopardo e um dos lugares mais lindos que já vi debaixo d’água. Não é um dos pontos mais visitados, pois depende do tempo estar bom, mar tranquilo, sem vento e pouca correnteza, para que o mergulho valha a pena.

hin gareng

O recife é composto, na verdade, por dois; um menorzinho no centro e um maior ao redor e o mergulho é feito em torno de ambos. Na maioria das vezes encontramos o tubarão leopardo, em algumas ocasiões até dois!, deitado no topo do recife menor ou nadando por ali. Há também algumas sépias, nemos, peixes-leão escondidos em barris de esponja, alguns cardumes de snappers amarelinhos e muitos outros peixes coloridos… As condições naturais de Hin Gareng ainda estão muito mais preservadas do que na maioria dos outros pontos de mergulho de Phi Phi porque há menos gente passeando por aqui. Sabe como é, né? Por mais cuidadosos que nós tentemos ser, acabamos sempre tendo algum impacto na flora e fauna marinhas…

 hin gareng

Adoro o jeito como as sépias olham, parece sempre que estão prestando a maior atenção em tudo ao seu redor ou até mesmo olhando com um certo arzinho de superioridade.

hin gareng

Bom, agora chegou a hora de subirmos a cinco metros, fazermos nossa paradinha de segurança por três minutos e de eu mandar minha bóia pra superfície, pros outros barcos saberem que estes mergulhadores daqui estão prontos pra subir!

Mergulho, Na Gringa, Uncategorized

Os pontos de mergulho de Phi Phi – Parte III

November 24, 2014

Koh Phi Phi Ley

Nos últimos dois posts, que foram escritos na época em que ainda se amarrava cachorro com lingüiça, falei sobre o lado leste de Phi Phi Ley e as duas ilhas que ficam ao sul. Continuando nosso passeio pelos pontos de mergulho de Phi Phi, hoje vamos pelo lado leste, mais pertinho de Maya Bay, em Malong e Palong. A topografia de ambos é bastante parecida; o fundo é basicamente composto por cascalho, pedrinhas e areia e há muitos rochedos cheios de corais, alguns deles formando passagens através das quais nós podemos nadar, maior divertido!

Hawksbill turtle

Malong é onde costumamos encontrar tartarugas, na maioria das vezes parece que elas só estão ali nos esperando descer e dar um tchauzinho com a nadadeira. Elas nos olham com uma cara de quem sabe que é super legal, com aquela certeza de que nos fazem muito felizes somente por vê-las, o que é a mais pura verdade. Afinal, como pode alguém não ficar contente em ver uma tartaruga? Elas são lindas demais!

Agora em novembro temos visto muitos polvos por lá também, outro dia apareceu um muito exibido que ficava o tempo todo mudando de cor e mexendo os tentáculos, a coisa mais linda do mundo!

Polvo

Eu e um takoyaki em seu habitat natural.

Malongcommon porcupinefish

nudibranchMalong

Baiacus e nudibrânquios, como o da foto do canto esquerdo inferior, também são facilmente encontrados em Malong.

Já Palong fica um pouco mais ao norte da ilha, logo depois de Malong, e é conhecido por ser o ponto onde costumamos encontrar tubarões. Esse ano, curiosamente, eles parecem todos terem saído de Palong e se refugiado em Maya Bay; há um cantinho na baía onde temos visto cerca de 20 tubarões todos os dias!

tubarão

Palongnudibrânquio

Como os dois pontos são muito próximos, o que se encontra em cada um deles não é muito diferente. Eu sempre gosto de procurar pelos nudibrânquios em meio aos corais e pedras. Muitas vezes também encontramos peixe escorpião, moréias, nemos…

moréiascorpion fish

*Mais uma vez, agradeço ao colega e amigo Federico Poppe pela gentileza de me ceder as fotos para o post!

Mergulho, Na Gringa

Os pontos de mergulho de Koh Phi Phi – Parte I

November 3, 2014

Num dos últimos posts falei sobre como é mergulhar em Phi Phi no sentido mais prático da coisa, então pensei que seria interessante dar continuidade ao tema e falar sobre os pontos de mergulho de Koh Phi Phi. Afinal de contas, ninguém vai se dispor a gastar os Bahts necessários para cair na água sem saber o que lhe espera no fundo do mar, certo?

Koh Phi Phi

Koh Phi Phi, o contrário do que muita gente pensa, não é uma ilha só, mas um arquipélago. Koh, em tailândes, quer dizer “ilha” e por aqui temos seis delas; duas maiores e quatro menorzinhas:

– Koh Phi Phi Don é a maior de todas, a única habitada e que oferece infraestrutura para receber os turistas. É nela que eu moro e trabalho.

– Koh Phi Phi Ley é a irmã mais conhecid, pois é naonde está localizada a famosíssima Maya Bay (a praia do filme “A Praia”) e também a maior parte dos pontos de mergulho.

– Bida Nok e Bida Nai são duas ilhotas que ficam logo atrás de Phi Phi Ley e são dois dos pontos de mergulho mais bonitos por aqui.

– Ao norte de Phi Phi Don ficam Moskito e Bamboo, mais conhecidas pelas praias bonitas do que pelo que há para se ver no fundo do mar.

Além destas três ilhas (Phi Phi Ley, Bida Nok e Bida Nai), temos também dois naufrágios, King Cruiser e Kled Gaeow, e um ponto bem no meio do oceano, Hin Gareng. Tudo isso é o Parque Marinho de Koh Phi Phi.

E quais são eles?

Saindo do píer de Phi Phi Don em direção a Phi Phi Ley, o primeiro ponto é conhecido como Viking Cave – apesar de não haver vikings por aqui – o nome foi dado por causa da pintura de um barco que há dentro de uma pequena caverna em Phi Phi Ley. O desenho é o de uma embarcação com as extremidades apontando para cima, como eram os barcos vikings, mas hoje em dia acredita-se que a pintura tenha sido feita por chineses e não nórdicos, o que faz muito mais sentido se pensarmos histórica e geograficamente; pois a Tailândia está bem mais perto da China do que da Escandinávia…

Viking CaveBatfish

LinguadoViking Cave

Aqui ficam localizadas duas coisas muito bacanas que o Adventure Club fez aqui na ilha. A primeira é o berçário de corais, uma estação feita de palets e presa à areia por cordas e parafusos, onde estão inseridos bebês corais que são cultivados até estarem maduros os suficiente para serem transplantados para o recife artificial, que é a segunda coisa bacana. Ele é composto por 100 grandes blocos de concreto que foram colocados lá há 8 anos e já estão bem cheios de vida marinha. É o único lugar por aqui onde encontramos Batfish, o meu peixe preferido, que tem seu nome por causa da semelhança do seu corpo com uma raquete de pingue-pongue. Também há um bom pedaço de areia, onde é comum encontrarmos linguados, arraias e alguns tipos de caranguejo e um recife de corais naturais bem bonito.

Viking Cave

Na foto acima com os colegas do trabalho em frente ao recife artificial e na foto abaixo com o amigo Josh fazendo a manutenção no berçário de corais.

coral nursery

Seguindo em linha reata, o próximo ponto é Phi Ley Wall, um grande paredão, como o próprio nome diz, que fica ao seu lado direito. Não há muito o que ver do lado esquerdo, apenas alguns corais e alguns cardumes, mas a gente nem costuma olhar muito pro outro lado mesmo, pois os corais na parede são lindíssimos. É um dos meus pontos preferidos, tanto no quesito beleza quanto no quesito tranquilidade; não há muita correnteza e a navegação é bastante simples.

Em Phi Ley Wall é comum vermos boxfish, moréias, lionfish e também há um peixe palhaço (o famoso Nemo) que vem mordiscar a nossa mão quando chegamos perto da anêmona dele.

Fan coralboxfish

phi ley wallNemo

Olha só que atrevido ele querendo morder a minha mão!

Nemo

* Meu muito obrigada ao amigo Federico Poppe e ao Andrew Hewett pela gentileza de me cederem as fotos para o post.

Mergulho, Na Gringa

Como é mergulhar em Koh Phi Phi

October 6, 2014

Outro dia topei com um texto no 360 Meridianos que falava sobre mergulho na Tailândia, nele o autor dizia por que não quis fazer seu curso de mergulho aqui em Phi Phi – “instrutores ao melhor estilo ‘garotão da praia’ e um cheirinho de golpe no ar”. Um pouco depois apareceu no Scuba Diver Life um artigo sobre os cinco lugares mais superestimados para mergulhar no mundo e novamente Phi Phi figurava com um dos que “você não está perdendo nada se não for”.  Me senti com a missão de defender minha ilha e encorajar geral a vir conhecer o fundo do mar por essas bandas.

Hin Gareng

Hin Gareng, um dos meus pontos preferidos em Phi Phi

Mas e o cheirinho de golpe no ar?

Como em todo tipo de comércio, em qualquer lugar do mundo, há os estabelecimentos sérios e os picaretas; então cabe a você procurar uma escola que te agrade e te passe segurança. Um bom começo para a sua busca pode ser por um guia de viagem, o Lonely Planet recomenda algumas escolas aqui na ilha, mas também não custa nada dar uma procurada no Tripadvisor e conferir as escolas in loco. Há muitas escolas em Phi Phi e tenho certeza de que pelo menos uma delas será do seu agrado. Os preços para quaisquer serviços oferecidos são os mesmo em toda a ilha, pois há um acordo entre as escolas, então a competição fica por conta da qualidade do atendimento, do equipamento fornecido e do barco.

E quais são esses serviços?

Levando uma DSD!

Levando uma DSD!

O primeiro deles, e a minha indicação para quem nunca mergulhou e não tem certeza se gostaria de fazer o curso ou não, é o Discover Scuba Dive. Como o próprio nome diz, é uma maneira de você descobrir o fundo do mar pelas mãos de um instrutor sem precisar da certificação, só é necessário assistir a um vídeo bem curtinho – uns 25 minutos – que te dá uma visão geral do que acontece durante um mergulho e qual a função de cada equipamento que você utilizará. Depois disso é só ir pro barco, cair na água e ver muitos peixinhos.

A gente costuma levar um ovo para os mergulhos profundos para ver o efeito da pressão a 30m; a clara e a gema não se separam!

A gente costuma levar um ovo para os mergulhos profundos para ver o efeito da pressão a 30m; a clara e a gema não se separam!

Em segundo lugar vêm os dois cursos mais procurados, Open Water Diver e Advanced Open Water Diver, as primeiras certificações como mergulhador. Como Open Water você tem autonomia para mergulhar sem supervisão de instrutor até 18m e como Advanced pode ir até 30m. O primeiro curso dura cerca de 4 dias e envolve um pouco de teoria, alguns exercícios em água confinada e quatro mergulhos em águas abertas. O segundo curso é um pouco mais rápido, são dois ou três dias que consistem em teoria e prática e cinco mergulhos em águas abertas – dois deles, necessariamente, são mergulho profundo e navegação.

Cardume de snappers em Bida Nok.

Cardume de snappers em Bida Nok.

Em terceiro lugar, caso você já seja um mergulhador certificado, estão os mergulhos recreativos (fundives) que são sempre guiados por um instrutor ou divemaster. Neste caso não é necessária nenhuma parte teórica ou prática, é só subir no barco, navegar um pouquinho e cair na água para ver os peixinhos.

E como é um dia de mergulho em Phi Phi?

Reef Ranger, o nosso barco.

Reef Ranger, o nosso barco.

O dia de quem quer mergulhar em Koh Phi Phi começa cedo, a maioria das escolas pede aos mergulhadores que cheguem às 07:30 para que o barco possa sair do píer às 08:00. A navegação até os pontos de mergulho é rápida, o ponto mais longe está a cerca de meia hora de distância, tempo suficiente para nós prepararmos os equipamentos dos clientes e fazermos o briefing do barco e dos pontos antes de cairmos na água. O primeiro mergulho termina por volta de 09:00-09:30 e é seguido por um intervalo de superfície, aquela horinha básica que você passa tomando sol, fazendo um lanchinho e eliminando o excesso de nitrogênio que ficou acumulado no seu corpo. Umas 10:20 é hora de voltar pro mar e ver mais peixinhos, tartarugas e tubarões. Findo o segundo mergulho, retornamos ao píer, famintos, molhados e salgados por volta de 12:00, prontos para uma sonequinha depois do almoço.

Mas e os instrutores estilo “garotão de praia”?

Reef Ranger 3

Eu sou uma pessoa séria e responsável, podem acreditar!

Se tem uma coisa que me incomodou profundamente e achei completamente descabida na descrição dos instrutores do post do 360 Meridianos, essa coisa é o estereótipo de que os instrutores são estilo “garotão de praia” no sentido pejorativo. A gente mora na praia, amigo, o que você estava esperando? Que a gente recebesse os clientes de tailleur e maquiagem? Amigo mergulhador, potencial futuro cliente, se você um dia topar com uma divemaster ou instrutora arrumada como uma aeromoça, corra para a próxima escola. É o melhor que você tem a fazer. Do mesmo jeito que um cardiologista fumante não passa credibilidade, uma mergulhadora de cabelos sedosos e unhas impecáveis também não. Por estarmos no sol diariamente, cabelo fica mais loiro, a pele um pouco mais morena (só a minha que não…), as roupas precisam ser frescas e confortáveis e acabam ficando meio manchadas  por causa da ferrugem das caixas onde transportamos os equipamentos, um furinho ou dois em uma peça é a coisa mais normal do mundo, ninguém usa sapato, tem gente que nem Havaianas usa e sai por aí descalço… O ambiente de trabalho é bem mais relaxado e a postura profissional exigida não é, e nem poderia ser, a de uma aparência impecável, mas preza pela gentileza com o cliente e a preocupação com a segurança e bem estar deles. Isso, eu posso garantir, a grande maioria dos instrutores tem de sobra. A gente mora na praia, então é claro que a gente tem cara de quem mora na praia.

E você? Já mergulhou em Koh Phi Phi ou algum outro lugar da Tailândia? O que achou?

*As fotos do post foram cortesia do amigo e colega Federico Poppe.

Mergulho

Como fazer um plano de ação de emergência.

September 4, 2014

Meu primeiro contato com o fundo do mar foi durante um Discover Scuba Dive, no dia primeiro de janeiro de 2011 e tudo o que eu precisei fazer para aquele mergulho foi assistir a um vídeo de 20 minutos que explicava os conceitos mais básicos da atividade e do equipamento que eu usaria. Fora isso, ficou tudo sob os cuidados do instrutor que me levou, pela mão porque eu estava com um certo medo. Eu não fazia a menor idéia da função que cada um daqueles visores para os quais ele tanto olhava tinha, ou pra que servia aquele relógio enorme que ia no pulso e mais parecia o relógio que os Power Rangers usavam para se comunicar.

power ranger communicator

Aí eu gostei do fundo do mar, quis ficar e me inscrevi pra fazer o Open Water E o Advanced Open Water assim na sequência mesmo, pra ver se eu virava a pequena sereia logo de uma vez. Eu só não sabia que pra virar sereia a gente tinha que se preocupar tanto assim com questões de segurança. Olhando assim parece tão fácil…

Mas tem pressão, densidade e volume da água e do ar, quantidade de ar no tanque e consumo, é coisa que não acaba mais… Já no curso básico, Open Water Diver, aprendemos que não podemos parar de respirar nem por um minuto, mesmo que o regulador esteja fora da sua boca ou o ar do tanque tenha acabado. Isso porque o ar que está no seu pulmão vai se expandindo à medida em que você sobe de volta à superfície e guardá-lo pode fazer com que seu pulmão se rompa e, bom, ninguém quer que isso aconteça, certo? Aquela subidinha rápida da Ariel quando ela diz que quer ser “part of yooooour wooooorld? Então, pode esquecer, tem que fazer uma parada estratégica de 3 minutos a cinco metros de profundidade pra começar a eliminar o nitrogênio que se acumulou no seu corpinho.

Enfim, neste primeiro curso você aprende a cuidar de você, o que você deve fazer ao se encontrar em uma situação de emergência e como pedir ajuda. É claro que durante os exercícios você também aprende a compartilhar o seu ar com a sua dupla, caso haja necessidade, mas a prioridade neste começo é saber o que e como fazer caso você se encontre em perigo. O que faz todo sentido, diga-se de passagem. É só quando você chega no curso de resgate que vai começar a se preocupar em cuidar de quem mais estiver na água.

curso de resgate

Então, no curso de resgate, além de ensaiar à exaustão possíveis cenários de acidente, há a tarefa de desenvolver um plano de ação de emergência. É verdade que situações como essas são raras, mas não custa nada estar preparado, né? Por isso plano deve conter o maior número possível de informações sobre o barco, o ponto de mergulho e os primeiros procedimentos para as emergências mais comuns. Dei uma pesquisada pela internet quando precisei fazer o meu, misturei os modelos que encontrei até chegar no meu. Coloquei disponível aqui no blog para quem quiser baixar.

Plano de ação de emergência

Mergulho

Tudo que você queria saber sobre o curso de resgate, mas tinha vergonha de perguntar.

September 1, 2014

O curso de resgate da PADI nunca foi o que mais me chamou a atenção, apesar de sempre ouvir de outros mergulhadores que este havia sido o curso mais divertido e gratificante que eles tinham feito. A idéia de simular cenários de acidentes, afogamentos, mergulhadores inconscientes e salvamentos heróicos era um pouco demais mais mim, que não sou assim a pessoa mais teatral do mundo fora da sala de aula e tinha certeza que ficaria inibida sabendo que todos os olhos do barco estariam avaliando minha performance. Mas era uma exigência para poder começar o curso de Divemaster e esse era um curso que eu queria muito fazer, então deixei a vergonha de lado e encarei os quatro dias até ter a certificação em mãos.

O início

Como todo curso de mergulho da PADI que já fiz, o começo é pela teoria lida em um manual, assistida em vídeo e acompanhada de perto pelo instrutor, de modo que passei dois bons e felizes dias debruçada sobre meu livro na sala com ar-condicionado da escola, dando uma pausa no calor e umidade do verão tailandês. No fim do segundo dia fiz uma prova de múltipla escolha e fui com o Chris-instrutor e um colega, também Chris e que seria a vítima, ensaiar os primeiros cenários na praia. Como nenhuma escola de Koh Phi Phi tem piscina, os mergulhos “confinados” são todos feitos na praia próxima do píer, em uma área rasa e cercada por uma corda para garantir que não seja invadida por nenhum barco.

curso de regaste

Os primeiros exercícios que fizemos foram os mais básicos, como nadar levando um mergulhador cansado de volta para o barco e ajudar alguém que esteja com cãimbra. Depois partimos para as situações mais improváveis e as que eu mais temia, aquelas em que você tem que começar a gritar instruções para um mergulhador cansado ou em pânico, quando você sabe que a vítima em questão está perfeitamente saudável e tem total controle da situação. E foi aí que o Chris-vítima começou a me dar trabalho ao se fingir de mergulhador em pânico, tentando se apoiar em mim e quase me afogando.

curso de resgate

Os últimos exercícios do dia foram os de carregar ambos Chris, instrutor e vítima, para fora da água em direção à praia e foram os mais divertidos. Não foi nada fácil levá-los nas costas e toda vez que eu estava saindo do mar acabava caindo com eles na areia.

curso de resgatecurso de resgate

O meio

Então chegou o dia seguinte e com ele hora de irmos para o barco  colocarmos nossos cenários em ação, pagar mico na frente de geral e garantir boas histórias e fotos para o blog. Como a idéia do curso é preparar você para reagir em uma situação de emergência real, o instrutor não te avisa ou dá dicas do que ou quando vai acontecer. Pode ser que você esteja descansando no deck, tomando um sol numa boa enquanto elimina todo aquele excesso de nitrogênio, quando alguém começa a gritar:

– Ângela, Ângela! Tem um mergulhador inconsciente na água!

E aí você precisa sair correndo, pegar o pé-de-pato (acho um nome bem mais simpático do que nadadeira, podem me julgar, mergulhadores), a máscara e o snorkel e pular na água para ir em busca do pobre mergulhador inconsciente enquanto vai gritando instruções para quem ficou no barco. Nesse meio tempo tem que se preocupar em estar fazendo tudo certo, como deveria ser feito em uma emergência de verdade e tomar o cuidado de não transformar a vítima de mentira em vítima de verdade.

curso de resgate

Nesse dia tive mais sorte, minha vítima foi a Charlotte, que é pequenininha e magrinha, bem mais fácil de carregar do que o Chris- vítima.

curso de resgatecurso de mergulho

curso de resgate

Além dos cenários na superfície também fizemos dois debaixo d’água: buscar um mergulhador desaparecido usando uma bússola e padrões de busca e trazer o mergulhador de volta para a superfície tomando cuidado para não subir rápido de mais. O do mergulhador desaparecido foi engraçado pois eu já estava meio esperta, só esperando a hora em que a Karen viria me dar o alerta de que a dupla (buddy) dela havia sumido para começar a fazer as perguntas de praxe – última vez e onde havia visto, por quanto tempo haviam mergulhado etc. – e cair na água com o Chris-instrutor para dar início à nossa importantíssima missão de resgatar o Chris-vítima. Então eu estava ali pelo deck, meio de bobeira, meio distraída quando ela chegou pra mim e disse:

My buddy is missing!

Ela é inglesa, de Manchester, tem todo aquele sotaque da batata na boca e eu meio distraída acabei entendendo “My bootie is missing!” e já ia perguntar “Sua botinha? Mas o seu pé-de-pato não é de bota, é fechado, não é? Como que você perdeu sua botinha?”. Mas aí os neurônios fizeram as devidas sinapses, eu me liguei que era buddy e não bootie e saí correndo pra água.

curso de resgate

curso de resgatecurso de resgate

Resultado positivo, Chris-vítima foi resgatado com sucesso por mim e pelo Chris-instrutor! Na segunda fotos temos a Karen me ajudando a colocar o buddy/bootie dela de volta no barco.

O fim

Apesar do meu pé atrás inicial com o curso e de não ter achado lá muita graça nas primeiras práticas, preciso dizer que foi uma experiência bem legal. Vou repetir o clichê que ouvi de um monte de gente e achei que nunca repetiria, não apenas pelo prazer de ser do contra, é um curso que te dá, sim, muita auto-confiança e segurança. É bom saber que você está preparada para reagir, seguir os primeiros procedimentos e o que sabe fazer no caso, improvável, de uma emergência acontecer.

curso de resgate

No fim das contas, a mergulhadora cansada era eu e já estava quase pedindo uma mãozinha pra subir a escada do barco.

*E você? Já fez algum curso de mergulho? Tem vontade de fazer o curso de resgate?

Mergulho, Na Gringa

Garoto, eu vou para a Tailândia, viver a vida sob as ondas

June 25, 2014

Não vou ser artista de cinema, muito menos meu destino é ser star e nem o vento soprará os meus cabelos, pois é debaixo d’água que eu vou estar. Pois é, em exatamente um mês estarei entrando em um avião com destino a Bangkok, a capital do reino da Tailândia, país pelo qual me apaixonei perdidamente em 2011, quando estive lá pela primeira vez. Aproveitei a desculpa de uma viagem de estudos à Índia e passei praticamente dois meses viajando pelo Sudeste Asiático, sendo minha porta de entrada no continente a Tailândia.

Wat Phra Kew

Palácio Real em Bangkok

Os primeiros dias foram passados em Bangkok e eu logo peguei o rumo de Phuket, uma famosa ilha no sul do país que me deu uma certa gastura pois me lembrou do Guarujá. Sei lá, achei aquilo tudo muito horroroso, cheio de um turismo predatório e nada a ver com as fotografias de agências e catálogos de viagem; aquelas que mostram praias paradisíacas com areia branquinha, água muito azul e um único coqueiro. Não via a hora de sair dali e pegar a balsa com destino a Koh Phi Phi, essa sim uma praia que me garantiram ser tudo isso e mais, afinal é o lugar que serviu de cenário ao filme A Praia, do Leonardo DiCaprio. Mas preciso admitir que me deu um certo frio na barriga antes de embarcar na balsa que me levaria até lá, um baita medo de que fosse a mesma coisa que Phuket e que eu tivesse um Revèillon meia-boca; é, eu ia passar a virada do ano lá.

PatongPatong Beach

Ainda bem que todas as minhas expectativas se concretizaram e eu tive um dos fins de ano mais legais até hoje. Koh Phi Phi é minúscula, a ponto de não haver nem motos na ilha, todo o transporte lá é feito a pé ou de bicicleta e no caminho do cais ao meu hotel eu passei por uma escola de mergulho chamada The Adventure Club, que me chamou a atenção. Resolvi voltar lá depois de fazer o check-in, eu sempre quis aprender a mergulhar e também vi que eles ofereciam passeios de snorkel, o que seria uma boa alternativa caso não desse para fazer o curso por qualquer motivo. Um americano gente boa me atendeu, disse que não daria tempo suficiente para eu fazer o curso por causa do tempo que eu ficaria na ilha – é necessário um dia de intervalo entre o último mergulho e entrar em um avião – mas que eu poderia experimentar um Discover Scuba Dive para ter uma noção de como é mergulhar. Aceitei a sugestão e me inscrevi para uma saída no dia seguinte, 01/01/2011. O moço que conversou comigo perguntou se eu estava sozinha e se tinha planos para a passagem de ano, respondi que sim, estava sozinha e que não, não tinha nenhum plano definido. Foi então que ele me disse que o pessoal da escola ia se reunir na praia e me convidou para a festa deles.

Ano novo em Koh Phi PhiAno novo em Koh Phi Phi

No dia seguinte acordei cedíssimo e fui respirar debaixo d’água pela primeira vez na vida, uma das sensações mais incríveis que já tive. Isso sem contar que o primeiro animal marinho que eu vi foi um pequeno tubarão! Voltei do segundo mergulho certa de que faria o curso quando voltasse ao Brazil e dois dias depois peguei a balsa de volta a Phuket quase chorando, tamanha era minha vontade de nunca mais ir embora de Koh Phi Phi. Mal sabia eu que seria possível voltar para lá muito mais cedo do que eu imaginava. Por causa de um problema com o visto indiano (os tais dois meses entre sair e reentrar no país) eu não pude ir ao Nepal e isso me deu uma janela de 15 dias completamente livres, não tive dúvidas e voltei a Phi Phi, dessa vez para fazer o certificado de Open Water Diver e Advanced Open Water Diver. Achei que dessa vez seria mais fácil ir embora de lá, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário, o coração apertou infinitamente mais forte e na balsa eu resolvi que em breve eu voltaria para ficar mais tempo, quanto tempo eu quisesse ou julgasse necessário.

Placa Koh Phi PhiPhi Ley Lagoon

Voltei para o Brasil e para minha rotina de trabalho. Minha meta era terminar minha tese de mestrado, defender e me mandar de volta para a Tailândia, acontece que a vida nunca anda da maneira como a gente gostaria ou simplesmente planeja e as coisas não se encaminharam exatamente desta maneira. Houve alguns imprevistos no meio da rota que chegaram a me desviar temporariamente e a ida precisou ser um pouco adiada. Finalmente no fim do ano passado eu resolvi que a hora havia chegado e que 2014 seria o ano da minha mudança para a Tailândia, não dava e nem eu queria esperar mais. Em janeiro comprei minha passagem e só avisei para alguns poucos amigos, pois eu já imaginava a reação de muitas pessoas:

– Que doida! Vai largar tudo aqui e se mudar pra lá?
– E vai viver de que?
– E depois?

Felizmente acabei ouvindo muito mais coisas do tipo:

– Que da hora!
– Puxa, que legal! Aproveite!

Pois é, não é fácil contar que a sua passagem é só de ida, que você não faz idéia de quanto tempo pretende ficar por lá, que vai deixar de ser professora de inglês em sala de escritório pra fazer do mar sua sala de aula e, principalmente, que você está muito feliz de poder estar fazendo tudo isso nesse momento da sua vida, que não tem problema não querer casar e ter família doriana. O que vai ser do futuro? O que você vai fazer da sua vida depois? Em primeiro lugar, eu nem sei daqui quanto tempo será depois, podem ser 3 meses, podem ser 2 anos; vai ser o tempo que eu julgar necessário ficar lá. Quanto ao que eu pretendo fazer da minha vida? Bem, isso é a menor das minhas preocupações, pois sei que consigo trabalho como professora de inglês praticamente em qualquer lugar e uma mudança de carreira sempre é possível a qualquer momento da vida onde quer que estejamos. E o futuro, bem, o futuro a D’us pertence e ele tem sido mais do que generoso comigo há 28 anos.

Então é isso, garoto, eu vou para a Tailândia, viver a vida sob as ondas… por tempo indeterminado.

Koh Phi Phi

Com meu instrutor de mergulho, janeiro de 2011

Braseel, Mergulho

Arraial do Cabo; mais um destino nacional no logbook

June 16, 2014

Eu sabia que Arraial do Cabo existia, que fica no Rio de Janeiro ali meio perto de Búzios e… e que mais mesmo? Não, nada mais, essa era toda informação que eu tinha sobre a cidade que, em janeiro, descobri ser o terceiro melhor destino para mergulho no Brasil, perdendo só para Noronha e Abrolhos, em primeiro e segundo lugar respectivamente. Quem me garantiu isso foi um amigo muito querido que conheci no ano passado, quando estive no Jalapão, e que mora ali por perto, em Barra de São João. Depois que voltamos do Tocantins ele passou um ano insistindo para que os amigos fossem visitá-lo; disse que a cidade era pequena e linda, charmosa, histórica, que a casa dele é perto da praia, que dá pra ir a pé (mandou até mapa pra provar), que dava pra fazer churrasco, que a gente não ia precisar gastar com hotel, que ele buscava na rodoviária… falou tudo isso, menos o mais importante pra mim, que dava pra mergulhar. Quando ele deu a cartada final eu disse:

– Mas, Augusto? Por que não falou isso de primeira, poxa vida? Eu tinha ido muito antes, nem precisava de toda a propaganda anterior!

Acontece que o meu amigo é tão, mas tão, legal que ele ainda fez o curso só pra poder ir comigo; além de buscar na rodoviária, me hospedar na casa dele, levar fazer tour histórico pela cidade e caminhar até a praia, que é mesmo pertíssimo da casa dele. Uma outra amiga do Jalapão também se animou e quis aproveitar a oportunidade para fazer um batismo de mergulho. Combinamos que iríamos para Arraial no sábado, já que a Yara pegaria um voo de volta no domingo e são necessárias, pelo menos, umas 12h entre mergulhar e voar. Eu fui de ônibus mesmo, pra garantir, economizar e levar todo o meu equipamento – era a primeira vez que usaria meu regulador e computador de mergulho!

Regulador DSCN2686

Só o caminho de Barra de São João para Arraial já vale o passeio, há muitas salinas na beira da estrada e a paisagem é linda linda linda.

SalinasSalina

Lá chegando fomos primeiro à operadora pagar e ver a numeração do equipamento pra Yara – nessas horas eu sempre sinto um misto de inveja e alívio: inveja por não ter que carregar a tralha toda comigo de um lado para o outro como se fosse uma tartaruga e alívio por saber que a baba do regulador e o xixi da roupa são só meus* – então fomos a pé até o cais, onde é preciso pagar uma taxa de R$ 3,00 para entrar, e chegamos ao barco para começar a nos arrumar e ouvir as instruções do divemaster.

Embarcação PL DiversCais de Arraial do Cabo - RJ

Infelizmente não pude contar com a companhia de nenhum dos amigos durante os dois mergulhos, primeiro na Ponta Leste e depois na Enseada Anequim, pois o Augusto ainda não havia terminado o curso e precisava ir com seu instrutor e a Yara, por ser a primeira vez, teve que ir sozinha com o instrutor que a acompanhou. Eu até insisti com um dos instrutores para que ela fosse no meu grupo, mas não teve jeito… Pelo menos dessa vez tive mais sorte com temperatura e visibilidade do que em Ilha Grande, ambos mergulhos foram muito bem aproveitados e deu até pra tirar uma foto do Augusto!

Ponta Leste Arraial do Cabo - RJPonta Leste Arraial do Cabo - RJCavalo MarinhoAugusto

Depois dos dois mergulhos era hora de voltar para casa – e o momento que me dá mais inveja de quem alugou o equipamento – colocar, tudo na mala, voltar até Barra de São João, tirar tudo da mala, enxaguar bem com água doce e botar pra secar. Terminado todo esse ritual fiz um bolo de canela com chocolate pros amigos e fui tirar um belo cochilo pra terminar de eliminar todo o nitrogênio acumulado.

Não deu para conhecer tudo de uma só vez, foram apenas dois pontos, mas voltei de Arraial com uma ótima impressão e muita vontade de conferir o que mais as águas de lá têm para oferecer. A operadora que nos levou foi a PL Divers.

água vivacoral mole

estrela do marDSCN2715

*Existem dois tipos de mergulhador, os que fazem xixi na roupa e os que mentem.