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Na Gringa

Na Gringa, Sobre a vida

Uma visita a Beatrix Potter e Peter Rabit

May 16, 2016

Num momento em que muito se fala sobre a ausência de mulheres nos ministérios e em como alguns veículos de comunicação tentam forçar o modelo “bela, recatada e do lar” nossa goela abaixo, é importante conhecermos tantas mulheres incríveis quanto pudermos. Beatrix Potter é um delas.

Na verdade, é bem possível que você já tenha ouvido falar dela em algum momento. Seja por causa dos livros infantis que ela escreveu ou do filme sobre sua vida que esteve nos cinemas em 2006, Miss Potter.

By Charles G.Y. King (1854-1937) - National Portrait Gallery

By Charles G.Y. King (1854-1937) – National Portrait Gallery

Beatrix nasceu em 1866 numa família muito rica e não fez nada do que seria esperado de uma moça na Inglaterra Vitoriana. Não se casou cedo, tornou-se financeiramente independente graças a seu trabalho, apresentou um trabalho científico na Linnean Society em Londres, publicou mais de 20 livros infantis e foi morar sozinha na fazenda que comprou com seu próprio dinheiro.

Quer mais?

Ela também abraçou a causa e foi pioneira na conservação do Lake District, uma das regiões mais bonitas da Inglaterra.

Lake Windermere

Beatrix aprendeu a desenhar quando criança e foi bastante estimulada pelo pai, que também gostava muito de desenho e pintura. Seus modelos preferidos eram seus animais de estimação e as paisagens da Escócia e do Lake District, onde a família costumava passar férias. Essas temporadas em meio à natureza foram fundamentais para que seu interesse por animais e plantas se tornasse cada vez maior.

Ela tornou-se uma naturalista, com especial interesse em fungos. Dedicou-se ao estudo deles durante anos, fazendo desenhos detalhadíssimos e descobrindo que a literatura sobre o tema que existia até então estava errada quanto a seu ciclo de vida. Por muito tempo correspondeu-se com o cientista escocês Charles MacIntosh sobre o assunto e chegou a escrever um estudo científico sobre o tema para ser apresentado na Linnean Society em Londres. Acontece que naquela época mulheres não podiam entrar nem no prédio da sociedade, muito menos apresentarem trabalhos científicos nas reuniões. A solução foi pedir a um conhecido que o fizesse. Em 1897 Geroge Massee, um botânico, fez as honras e apresentou o trabalho Germination of the spores of the Agaricineae. O estudo foi aceito, mas os cientistas pediram para que ela se aprofundasse mais no tema, coisa que ela nunca fez.

Um dos muitos desenhos que a autora fez durante seus estudos de micologia.

Um dos muitos desenhos que a autora fez durante seus estudos de micologia.

A razão é simples, aos 32 anos ela finalmente encontrou uma editora que se interessou pela publicação de seu primeiro livro; The Tale of Peter Rabbit. Ou, A história de Pedro Coelho. O livro foi um sucesso absoluto e assim começou seu caminho rumo à sua independência financeira, algo muito inovador no comecinho do século XX.

Durante sua carreira de escritora Beatrix Potter publicou 23 livros infantis – cerca de dois por ano. Ela tinha algumas exigências em relação ao formato dos livros: eles deveriam ser pequenos, para que pudessem ser confortavelmente segurados pelas próprias crianças e não deveriam ser caros, para que o maior número de pessoas possível pudesse comprá-los. Por isso mesmo o plano inicial para a primeira edição de Peter Rabbit era de que as ilustrações não fossem coloridas.

peter rabbit

Beatrix Potter e Norman Warne, seu editor, ficaram noivos em 1905 mas o compromisso nunca foi oficializado por não ser aprovado pelos seus pais. Eles não consideravam o pretendente à altura da filha por serem de classes sociais diferentes. Infelizmente eles não chegaram a se casar pois Warne morreu de leucemia alguns meses depois de fazer o pedido.

Pouco tempo depois, com o lucro da venda de seus livros, ela comprou a fazenda Hill Top no Lake District e se mudou para lá. Sozinha. Em 1905.

Hill top

Não só a fazenda continuou produtiva depois que ela se mudou, como ela deu início à criação de ovelhas Herdwick, uma raça nativa da região. Aos poucos foi adquirindo outras propriedades ao redor pois tinha a intenção de conservar a paisagem do Lake District ao máximo. Ela se preocupava com o impacto que o desenvolvimento da região teria não apenas na paisagem, mas também no modo de vida e aspectos culturais do local. A procura por novas propriedades e os aspectos legais da preservação de suas terras levaram Beatrix Potter a conhecer o advogado com quem se casou, William Heelis. Mais uma vez os pais não aprovaram a união, mas como dona do seu nariz que era, Potter não se importou e casou-se com ele mesmo assim. Ela e William tornaram-se parceiros do National Trust, órgão inglês que cuida da preservação de patrimônios da Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte, e como não tiveram filhos deixaram todo o patrimônio como doação para o National Trust.

Mas quer saber o mais legal?

Você pode visitar a fazenda onde ela morou! Sim, Hill Top é mantida pelo National Trust e é aberta ao público para visitação. Não é demais?

Hill TopInfelizmente  fotografias dentro da casa não são permitidas, mas tudo está mantido do jeitinho como ela deixou. Espalhados pela casa estão alguns de seus livros e é possível reconhecer diversos cômodos e objetos nas suas ilustrações!

A visita é feita com hora marcada pois há um número máximo de pessoas que podem entrar na casa de cada vez. Você determina o horário na hora em que compra o ingresso.

Como ir:

Estando em Windermere, uma das maiores cidades do Lake District e do lado oposto do lago, há duas opções para chegar até Hill Top. A primeira é de ônibus:

Já a segunda é ir de barco cruzando o lago Windermere. Não tive dúvidas, fui andando até Bowness-on-Windermere, a cidade vizinha que fica na beira do lago e peguei o barco até o outro lado. Lá a van do Mountain Goat estava me esperando e rapidinho chegamos a Hill Top.

Mountain Goat

Serviço:

O ingresso individual de adulto custa £ 11,00. Mais informações sobre a casa dela, horários de abertura, preços de ingressos para crianças e famílias é só clicar aqui.

A travessia do lago se chama Cross Lakes Experience  e o bilhete é comprado no píer de Bowness-on-Windermere no escritório do Windermere Lake Cruises, que faz a operação combinada com a van do Mountain Goat. O bilhete individual de adulto custa £ 4,80 e vale para ida e volta. Eles também oferecem bilhetes de família, mais informações do Windermere Lake Cruises aqui. Mais informações sobre o trajeto com o Mountain Goat é só procurar aqui.

Caso você prefira ir de ônibus, o 505 sai do ponto que fica junto à estação de trem de Windermere e o passe do dia todo custa £ 8,00. Mais informações sobre o trajeto e horários aqui.

Para quem tem coragem de dirigir do lado errado da rua, também conhecido com mão inglesa, há um estacionamento com parquímetro ao lado da bilheteria.

Hill Top

*O Naonde? tem um compromisso de transparência total com os leitores e informa que minha visita à casa da Beatrix Potter foi a convite do National Trust e que o transporte foi uma cortesia do Mountain Goat e Windermere Lake Cruises.

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Dirigir nos EUA, algumas dicas práticas

April 25, 2016

Apesar de dirigir há muitos anos, eu nunca tinha guiado fora do Brasil. A razão disso não poderia ser mais simples; eu tenho medo. Ele mesmo, aquele sentimento que te impede de correr riscos desnecessários e que você tem que enfrentar em certas situações. Foi com meu medo no banco do passageiro que eu encarei a aventura de dirigir nos EUA.

A viagem foi toda planejada em torno de dois eventos: o WITS 16 que seria em Irvine e o Springbreak da minha prima, quando a família toda viajaria para o Yosemite. Como base usaria Davis, no norte da Califórnia, onde meu tio está morando. E eu comprei a passagem para Los Angeles.

Depois de olhar este mapa pergunto: ficou clara a minha estupidez?
Porque pra mim não tinha ficado muito.

A última parte da viagem seria a visita ao Yosemite, que está no meio do caminho entre Davis e L.A.. Meus tios voltariam para casa no carro que alugamos e restou a questão do meu transporte. Pegar um trem e dormir uma última noite em L.A.? Sairia muito caro. Pegar o trem e ir direto da estação ao aeroporto? Também sairia caro e teria o perrengue de ir arrastando as malas de um lado para o outro de olho no relógio. Foi então que meus super tios tiveram uma idéia que eles acharam ótima e que me tirou o sono: a Ângela aluga um carro e vai dirigindo até o aeroporto!

 Ficou então decidido que desceríamos a Scenic Route de Monterey até San Luis Obispo, dormiríamos a noite lá e no dia seguinte eu iria dirigindo até o LAX.

No fim das contas dirigir nos EUA foi bem tranquilo, especialmente depois que eu vi que o carro seria um Fiat 500x e meu coraçãozinho se derreteu de amor. Verdade seja dita, fiquei tentada a continuar dirigindo o bonitinho até São Paulo.

Dirigir nos EUA

Dicas práticas para o aluguel:

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– Por causa do meu trajeto precisei alugar o carro em uma cidade e devolver em outra. Isso chega a dobrar ou triplicar o preço final, então é bom conferir os valores em duas ou três agências diferentes. Nem sempre a empresa que oferece o melhor preço por dia de aluguel é a que vai ter a taxa de devolução em outra cidade mais em conta.

– A carteira nacional de habilitação (nossa querida CNH) brasileira é válida nos Estados Unidos. Na Califórnia, pelo menos, ela é suficiente para o aluguel de um carro. Basta apresentá-la no balcão da locadora. Como me alertou a comadre Veridiana, que mora no Texas, a carteira é válida para alugar o carro, mas se o guarda te parar ele pode exigir a carteira internacional e se você não tiver o documento pode ter problemas SÉRIOS inclusive deportação.
Em alguns estados a CNH brasileira junto com o passaporte te dá o direito de dirigir por 30 dias dependendo do tipo de visto – L1 por exemplo, pois entende-se que como você será residente, precise desse período para organizar sua documentação. Ou seja, é bom se informar sobre as regras do estado que você pretende visitar.

– Se estiver acompanhado de alguém que também tem habilitação, registre seu companheiro como segundo motorista.

– Veja se o seguro do seu cartão de crédito ou seguro viagem cobre certas despesas com seguro na hora da contratação do serviço, por exemplo seguro contra terceiros. Se cobrir são uns US$30,00 que se economiza na tranquilidade. Você pode optar por não contratar esse seguro contra terceiros, mas se tiver algum acidente vai ter que amargar o prejuízo em dólares.

– Confira se o carro tem GPS no painel e economize uns US$ 10,00! A grande maioria dos carros novos nos EUA já vêm com GPS de fábrica e são bem bons. Algumas empresas deixam travado e vão te cobrar os US$10,00 pelo código que destrava, o mesmo que cobrariam pelo aparelhinho. A Enterprise é bacana e não faz isso, tendo GPS no carro ele está liberado!

– Se você quiser um carro pequeno, portanto mais barato, é bom reservar com alguns dias de antecedência. Se deixar pra fazer na hora corre o risco de acabar tendo que pegar um carro grande e pagar mais por isso.

– Você deverá devolver o carro com o tanque cheio, certo? A Enterprise tem um esquema de deixar a gasolina pré-paga e você pode devolver o carro com o tanque praticamente vazio. Eles fazem uma estimativa de quanto combustível você vai gastar até o seu destino e quanto isso custaria e a isso somam uma taxa de conveniência. Fica mais caro do que se você mesmo fizesse o serviço? Sim, mas é possível negociar. Eu optei por esse serviço e não me arrependi. Não queria ter que me preocupar em achar um posto de gasolina antes de devolver o carro e ainda por cima me preocupar em perder o voo.

– Pergunte se eles oferecem pagamento automático de pedágio (o Sem Parar da Califórnia se chama Fast Trak). A Enterprise oferecia, mas cobrava uma taxa de US$ 5,00 por cada passagem.

Dicas na estrada:

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– Parar completamente o veículo em toda e qualquer placa “STOP”. Não tem negociação. Se você não parar e o guarda te pegar é multa na hora.

– Não se pode levar bebida alcóolica dentro do veículo. Quando perguntei o porquê à minha tia ela disse que é provavelmente por imaginarem que as pessoas teriam muita dificuldade de resistir a uma latinha de cerveja ocupando o banco do passageiro. Ou que, num momento de abstinência muito grande alguém conseguisse manejar um saca-rolhas com as mãos tremendo dentro de um carro em movimento em uma auto-estrada. Não conheço uma única pessoa que goste tanto assim de vinho, mas nunca se sabe.
Assim como no caso das placas de “STOP”, a multa também é pesada e imediata, paga no ato e sem brecha para argumentação. O único argumento que vale aqui é o do guarda, “you are in America now“. Ou seja, não arrisque e deixe o goró no porta-malas.

–  Chegando em um cruzamento com semáforo, se ele estiver fechado e você estiver na faixa mais a direita e não vier carro você pode virar a direita. Sempre respeitando que a preferência não é sua.

– Ao contrário do Brasil, a ultrapassagem pela direita é permitida. Cuidado.

– Quem vem da pista de aceleração tem preferência, então é necessário diminuir a velocidade e dar passagem.

– Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a existência de semáforos nas estradas. Não nas freeways, onde a velocidade média é maior, mas nas vicinais ou estradas menores. Numa comparação com o Brasil, não haveria semáforo na Rodovia dos Bandeirantes, mas no trecho da Santos Dumont que vai até Campinas sim. Achei esquisitíssimo.

– Poucos pedágios. No dia em que dirigi sozinha não peguei nenhum, mas é necessário pagar US$ 5,00 para entrar e sair de San Francisco.

– Se, assim como eu, você for devolver o carro no aeroporto é bom verificar onde fica o pátio da locadora e usar esse endereço como ponto final na hora de programar o GPS. Muitas vezes está um pouquinho afastado, mas sempre há uma van fazendo o trajeto pátio-aeroporto.

– Em Los Angeles, por causa do trânsito pesadíssimo, a faixa mais à esquerda é exclusiva para quem está com mais de uma pessoa sozinha. A idéia é incentivar que as pessoas peguem carona e não piorem o tráfego ainda mais, colocando mais um carro com apenas uma pessoa dentro nas ruas.

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Dica bônus:

– Tenha a sua playlist a postos, a viagem não teria sido a mesma se eu não tivesse ouvido Wesley Safadão enquanto apreciava a paisagem da Pacific One.

dirigir nos eua

Mergulho, Na Gringa

Curso de mergulho em Phi Phi x Koh Tao

April 14, 2016

Que a Tailândia é uma meca de mergulhadores todo mundo já sabe. Portanto a dúvida que resta é de quem ainda não tem o certificado mas que está pronto para tirá-lo: a questão geográfica. Optar pelo curso de mergulho em Phi Phi x Koh Tao? O que é melhor?

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Koh Tao é o segundo lugar no mundo que mais expede licenças de mergulho anualmente, só perde para Cairns na grande barreira de corais da Austrália – por motivos óbvios. Mas isso não quer, necessariamente, dizer que o curso lá seja melhor do que em Koh Phi Phi. Ambas as ilhas têm suas vantagens e desvantagens. Assim como as duas grandes certificadoras que vão disputar seu tempo e seu dinheiro: PADI (Professional Divers Association International) e SSI (Scuba Schools International).

Qual certificadora escolher?

O gerente da escola onde eu trabalhei em Phi Phi costumava responder à pergunta de qual das duas era melhor com a seguinte metáfora: na hora de fazer um lanche há quem prefira McDonald’s e há quem prefira Burger King. No fim das contas a escolha se resume a uma simples questão de gosto. Apesar de algumas pequenas diferenças o produto final é basicamente igual. O mesmo acontece com o mergulho, cujas regras não variam dependendo do lugar onde você está. Ambas carteirinhas te permitirão descer aos mesmos 18m em qualquer lugar do planeta seguindo as mesmas normas de segurança. Caso você já tenha uma certificação básica da SSI poderá fazer o curso avançado pela PADI e vice-versa.

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Dois critérios podem ser usados para desempate.

Preço: Os cursos da SSI costumam ser mais baratos do que os da PADI, cerca de 10% a menos. Portanto, se economia for a sua prioridade opte pela SSI.

Carreira: Se o sonho da sua vida – como foi o meu um dia – for se tornar um membro da indústria do mergulho, talvez a PADI seja sua melhor opção. Profissionais PADI podem trabalhar independentemente, já os instrutores SSI necessariamente têm de estar vinculados a uma escola ligada à SSI.

Qual o custo do curso?

Pelo que pude perceber pela pesquisa, em Koh Tao os preços dos cursos não são tabelados e variam de acordo com as escolas. Já em Phi Phi as operadoras têm um acordo e o preço de cada curso é exatamente o mesmo em toda a ilha. Caso você tenha a intenção de fazer mais de um curso, por exemplo o básico e o avançado de uma só vez, dá pra negociar um preço melhor e a maioria das escolas costuma dar uns 10% de desconto caso você tenha feito um curso com eles e queira embarcar no segundo.

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Koh Tao:

O curso SSI gira em torno de THB 8,600, cerca de R$ 890,00 sem acomodação – Preço pesquisado em 21/03/2016 na escola Roctopus.

O curso PADI gira em torno de THB 9,800, cerca de R$1400,00 sem acomodação – Preço pesquisado em 21/03/2016 na escola Big Blue Diving.

A maioria das operadoras de mergulho de Koh Tao inclui a acomodação no preço do curso. A Crystal Dives oferece um preço bem semelhante ao da Big Blue Diving mas com acomodação inclusa. É uma questão de procurar e encontrar o que melhor se adequa à sua necessidade, pois há quartos coletivos e individuais e níveis de conforto diferentes.

Phi Phi:

O curso SSI custa THB 12,900, cerca de R$ 1335,00 – Preço pesquisado em 21/03/2016 na escola Seafrog.

O curso PADI custa THB 13,800, cerca de R$ 1428,00 – Preço pesquisado em 21/03/2016 na escola The Adventure Club, onde eu trabalhei.

 

Como escolher uma escola?

Bom, cada uma das ilhas têm escolas de tipos e tamanhos diferentes, mas via de regra Phi Phi costuma ter escolas menores por causa do próprio tamanho da ilha. Portanto, se você prefere uma vibe mais tranquila, menos gente no barco e na sua turma… minha recomendação é que pegue logo a balsa para Phi Phi e esqueça Koh Tao.

Você quer ir mergulhar com o pessoal mais legal!

Você quer ir mergulhar com o pessoal mais legal!

Koh Tao tem escolas grandes e conhecidas, como a Crystal Dives, Big Blue Diving e Ban’s. Todas elas oferecem acomodação para os alunos, que pode estar inclusa no preço ou não. A vantagem delas é para quem está viajando sozinho e quer fazer amigos durante o curso de mergulho, já que as turmas costumam ser grandinhas (cerca de 6 a 8 alunos) e compostas por gente do mundo todo. É também bem provável que em alguma destas três haja um instrutor que fale português, se isso vai te fazer se sentir mais confortável e confiante. Eu não recomendaria para quem quer um pouco mais de atenção individual e tenha um pouco (ou muito) medo de cair na água, justamente por causa dos grupos grandes. Essas escolas têm fama de serem “fábricas de certificação”, o que não necessariamente é algo ruim, depende apenas do que você está buscando.

Há também escolas pequenas em Koh Tao, como a Roctopus, que eu indicaria para quem tem menos confiança na hora de cair na água. Nessas escolas você tem muito mais chance de ter atenção exclusiva ou quase do seu instrutor, mas também diminui a chance dele falar português.

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As escolas de Phi Phi são quase todas pequenas, portanto a chance de você conseguir atenção integral do seu instrutor na língua de sua preferência é muito maior. Há cerca de 12 escolas e na última temporada que passei lá havia, pelo menos, 4 mergulhadores brasileiros em 4 escolas diferentes. No pior dos casos sempre vai ter algum falante de espanhol para quebrar o galho quando você falar “mergujo” querendo dizer “buceo”.

A média de alunos numa turma grande em Phi Phi é de 4 pessoas, coisa que eu raramente vi acontecer durante os 9 meses em que trabalhei lá. Na maioria das vezes era comum ver grupos de 2 a 3 alunos que fossem amigos ou tivessem requisitado a mesma língua e houvesse apenas um instrutor que dominasse o idioma, por exemplo sueco ou finlandês. Apesar de grupos menores, o entrosamento entre os passageiros no barco costumava acontecer de forma muito natural, então mesmo quem estava sozinho sempre acabava encontrando companhia.

Qual ilha tem os melhores pontos de mergulho?

Esta é provavelmente a pergunta mais difícil de responder, justamente pelo fato da resposta ser baseada única e exclusivamente em critérios subjetivos. Conheço quem prefira uma e quem prefira outra, por motivos estritamente pessoais. Numa situação ideal você iria a ambas ilhas e tiraria suas próprias conclusões, mas como esta não é a realidade de muita gente tentarei expor os fatos da maneira mais imparcial possível.

Koh Tao

koh tao

De maneira geral os recifes estão um pouco mais danificados do que em Phi Phi por conta o grande número de mergulhadores iniciantes que passam por ali todos os anos. Nada contra os novatos, tudo a favor na verdade, mas como quem está começando ainda não tem muita prática, acaba chutando os corais sem querer. Não há muitos peixes-palhaço em Koh Tao, na verdade não me lembro de ter visto um único que fosse. Assim, se encontrar o Nemo for a grande razão do seu mergulho, Koh Tao não é sua melhor opção.

Há alguns pontos mais distantes de Koh Tao que parecem ser muito bonitos, como Sail Rock, mas têm um grau de dificuldade um pouco maior do que os que estão ao redor da ilha. Na prática isso quer dizer que você não vai ser levado até lá enquanto ainda não tiver seu certificado em mãos – durante o curso, em português claro.

Por ser o segundo lugar do mundo que mais emite certificados anualmente, os pontos costumam ser bem concorridos e atulhados de outros mergulhadores. Sabe aquela sensação bacana de se desligar do mundo, do silêncio e tranquilidade que a maioria das pessoas busca quando decide mergulhar? Então, não é muito fácil de ser encontrada quando há grupos grandes ao seu redor e o instrutor que está tomando conta de um grupo de oito alunos começa a bater no tanque pra chamar a atenção de todo mundo.

Koh Phi Phi

Hin Gareng

Tenho ouvido de vários amigos mergulhadores que os recifes de Phi Phi estão entre os mais bonitos que já viram. Opinião de gente que já mergulhou na Austrália, Maldivas e Indonésia!

Por causa do menor número de mergulhadores que passam por lá anualmente, os recifes estão mais bem conservados e há mais vida marinha. Aliás, há um monte de Nemos para serem encontrados!

Como há menos gente, na hora que todo mundo cai na água cada grupo pega seu rumo e a chance de você alcançar aquela sensação de isolamento é muito maior. Na verdade, a chance de você encontrar alguém é bem pequena.

A maioria dos pontos é bem próxima da ilha, os mais distantes ficam a 30 minutos de distância, e não existem pontos difíceis ou muito desafiadores além do naufrágio. Assim, todo mundo vai aos mesmos lugares, alunos ou mergulhadores já bem experientes.

E agora?

mergulho tailândia

Bom, agora é com você! Espero ter ajudado e que a sua escolha seja a melhor possível, que seus mergulhos sejam maravilhosos e que você aproveite muito!

Hospedagem, Na Gringa

Salar de Uyuni padrão patrão

February 24, 2016

*O título desse post deveria ser “Salar de Uyuni padrão Marília”, mas por motivos de aliteração teve de ser trocado.

Chegar a Tupiza não é simples, mas vale à pena.

Chegar a Tupiza não é simples, mas vale à pena.

Já contei aqui como foi a nossa chegada em Tupiza – cheia de percalços pra quem ainda não leu o texto original. Depois de todo perrengue resolvemos que merecíamos um passeio mais tranquilo pelo Salar de Uuyni. Na verdade já estávamos flertando com a opção cinco estrelas desde o planejamento da viagem, mas a alta do dólar falou mais alto e até então tínhamos ficado com a opção mais barata e mais dureza mesmo. Acomodação compartilhada, sem calefação e sem banho durante as quatro noites que passaríamos cruzando o altiplano boliviano. Não era o ideal, mas era o que tinha pro momento. O “padrão patrão” incluía quartos individuais, com calefação e a coisa que considero mais preciosa no mundo inteiro: chuveiro de água quente.

Fica fácil quando o planejamento está só na teoria.

Fica fácil quando o planejamento está só na teoria.

É fácil decidir pelo mais barato e mais bruto quando se está numa situação bem confortável. Durante o planejamento da viagem eu estava na casa da minha sogra na Inglaterra, sentada num sofá macio, ao lado da lareira, crochetando uma manta e podendo tomar um banho de chuveiro a gás no momento que eu bem entendesse. Depois de uma noite sacolejantemente mal dormida num frio que penetra os ossos e a possibilidade de não tomar banho pelos próximos quatro dias, tira-se o escorpião do bolso com a maior facilidade. Assim que pusemos nossos pés na La Torre, sabíamos que a tarjeta de crédito seria utilizada para pagamento do nosso conforto no Salar de Uyuni.

salar de uyuni

Havia a possibilidade de os hotéis não terem vagas tão em cima da hora, mas nós somos muito sortudas e eles tinham. O aumento no preço significou que seríamos também só nós duas no carro, já que a maioria dos turistas opta pelo passeio mais barato, e que poderíamos traçar nosso roteiro com mais liberdade. No fim das contas estava tudo muito favorável.

altiplano boliviano

O plano original era terminar pelo Salar, na cidade de Uyuni, mas a idéia decruzar a fronteira para o Chile e aproveitar para conhecer também o deserto do Atacama se manifestou quando ouviu dizer que éramos as únicas responsáveis pelo roteiro dali em diante. E tem idéia que não dá a menor abertura pra discussão, essa aí não deu. De modo que acatamos.

Hotel Tayka de sal

Hotel Tayka de sal

Ficou acertado então que passaríamos duas noites em hotéis da rede Tayka, uma noite num hotel de sal mais simples e a última noite seria numa acomodação básica, sem banho, que eles chama de alojamento. O meu grande receio em relação ao alojamento era o frio, um deserto naquela altitude não é coisa pra principiante. Explicamos nossa situação pro Roberto, o dono da La Torre, e ele teve a idéia (e a generosidade) de arrumar uma estufa que poderia ser acoplada ao botijão de gás e funcionar como um aquecedorzinho por algumas horas no nosso quarto. Ele não poderia ficar ligado o tempo todo por causa do gás, que é perigoso para a saúde.

altiplano boliviano

Quando tudo isso já estava acertado, Roberto nos disse que só havia um porém. O segundo hotel da rede Tayka fica no meio do deserto, completamente isolado de tudo, e portanto não há alojamento para o motorista e a cozinheira nas proximidades. Isso significaria que teríamos que pagar pela acomodação e refeição deles no mesmo hotel. O que me chamou a atenção não foi a questão de termos que pagar pela pensão do motorista e da cozinheira, mas a maneira como ele tocou no assunto. Foi introduzindo com tanta cautela, quase como se estivesse pedindo desculpas por nos informar do custo adicional. É claro que isso não foi um problema, a decisão de mudar o roteiro foi nossa e quem deve arcar com os custos da mudança somos nós. É algo que nem se discute. Mas fiquei pensando que deve haver gente que pode não querer pagar por isso e esse foi um pensamento que me entristeceu.

Vale a pena pagar mais caro?

Na minha opinião valeu cada centavo.

As noites mais bem dormidas, por causa da calefação, foram fundamentais pra aproveitar melhor os passeios durante o dia. Poder tomar um bom banho quente ao chegar nos hotéis também era maravilhoso, já que o deserto tem uma areia muito fina que gruda no corpo todo, especialmente no cabelo.

Eu costumo partir do princípio de que se o meu dinheiro pode pagar pelo meu conforto, eu gasto sem muito sofrimento. Não deixo de aproveitar um passeio se a grana estiver curta e houver uma possibilidade de fazer a mesma coisa por um preço mais camarada. Isso quer dizer que eu jamais deixaria de conhecer o Salar de Uyuni, um dos lugares mais lindos que já visitei, se só pudesse ir no esquema mais bruto. Mas como eu pude pagar por um conforto sem acabar com as minhas finanças, optei por isso e recomendo que você faça o mesmo se achar que é o caso.

Na Gringa, Sobre a vida

Conkers, uma brincadeira inglesa meio dolorida

February 22, 2016

Uma das coisas bem legais de se passar um tempo numa casa de família em outro país é poder conhecer a cultura local mais de perto, eu tive a sorte de ter essa experiência por duas vezes. A primeira foi na Alemanha, quando fiz intercâmbio em 2002, e a segunda agora na Inglaterra com a família do Josh. Foi na casa deles que eu descobri que pelo menos um dos estereótipos ingleses é verdadeiro: eles tomam chá o dia todo.

Muitas vezes, quando estava trabalhando no jardim, minha sogra ou o Josh me traziam um chazinho.

Muitas vezes, quando estava trabalhando no jardim, minha sogra ou o Josh me traziam um chazinho.

 Mas nem tudo é tão doce quanto uma xícara de chá com açúcar. Assim que o outono chegou fui apresentada a um passatempo tão inglês quanto o críquete, mas infinitamente mais fácil de entender e dolorido. Um jogo bem popular entre as crianças chamado Conkers. A brincadeira consiste em pegar uma castanha, se possível colocá-la perto do fogo da lareira por um tempo para que fique bem dura, fazer um furo atravessando as duas extremidades e passar um barbante por ele.

Numa das pontas do barbante dá-se um nó para que a castanha fique presa.

Numa das pontas do barbante dá-se um nó e logo acima da castanha dá-se mais um, para que ela fique bem presa.

Agora que você já tem  a sua castanha só precisa encontrar alguém que também tenha uma para a brincadeira começar.

Mas qual é o objetivo do jogo?

Além de machucar o amiguinho ou o parente de quem você está com raiva (imagino que irmãos menores sejam os que mais sofram), o seu objetivo é usar a sua castanha para partir a do adversário.

E como se joga isso?

Cada um dos jogadores segura sua castanha pela ponta do barbante e em vezes alternadas sapecam a castanha alheia. Observe:

Conkers

Aqui o Chris segurava a castanha dele para que eu tentasse acertá-la com a minha. Eu estava medindo e vendo qual seria a melhor maneira de fazer minha jogada. Meu sogro me ensinou que fica mais fácil se eu tentar acertar por baixo do que por cima.

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Dá pra ver como a castanha dele está paradinha? Isso quer dizer que eu errei a mira e perdi minha vez. Se tivesse acertado poderia fazer nova tentativa.

Mas ele também errou!

Mas ele também errou!

 

Às vezes acontece dos barbantes se engalfinharem e então quem gritar “Stringsies!!!” o mais rápido possível ganha a vez.

Às vezes a brincadeira fica muito dolorida e então meu sogro apareceu com uma luva grossa pra cada um. Assim, se a castanha acertasse o braço de alguém o estrago seria menor.

E quem ganha o jogo?

Em tese, ganha o jogo quem conseguir quebrar a castanha do adversário primeiro. Como isso pode demorar e dessa demora vêm muitos e muitos roxos e machucados, às vezes a quebra da castanha nem acontece. Nesse caso perde o primeiro que pedir para parar a brincadeira.

Apesar de dolorida, conkers é uma brincadeira bem divertida! E pra quem quiser saber ainda mais sobre o jogo, existe a página do Campeonato Mundial de Conkers.

Mergulho, Na Gringa, Sobre a vida

Cenas de um casamento embaixo d’água

February 11, 2016

Já contei no post da Restrospectiva que em fevereiro do ano passado meus cunhados se casaram. Eles são instrutores de mergulho e trabalhavam na mesma operadora que o Josh e eu, mas  mas como cuidavam do terceiro escritório da operadora moravam em um hotel afastado do centrinho de Phi Phi. Como a cerimônia e a festa aconteceriam na praia do resort, a Karen queria muito mergulhar para fazer uma sessão de fotos no fundo do mar vestida de noiva. Seria uma espécie de casamento debaixo d’água.

casamento praia

Bebida e mergulho não combinam, então é claro que não deu certo e tivemos que adiar o plano.

casamento praia

Sem chance dessa gente nada sóbria ir pro fundo do mar

Aproveitamos um dia em que o barco da operadora estivesse praticamente vazio e fizemos toda a produção a bordo do Reef Ranger.

Uma penteadeira improvisada.

Uma penteadeira improvisada.

casamento embaixo d'água

Logística

A parte mais complicada da sessão de fotos era a logística de levar o equipamento e manter o glamour de uma sessão de fotos de casamento ao mesmo tempo. É quase impossível conciliar os dois. Observe:

Elegante #sqn

Elegante #sqn

 Tudo isso que eu estou usando é necessário para a minha segurança e bem estar debaixo d’água. Mas como respirar e ficar bonita ao mesmo tempo estando no fundo do mar?

Lastro: Resolvemos a situação colocando o lastro da Karen por baixo do vestido e o do Chris no cinto que ele estava usando.

lastro

Ar: Questão de sobrevivência e prioridade número um. Mas e a feiura que é um regulador na boca? Como evitar? Amarramos um tanque com um regulador a uma corda para que ficasse na altura dos noivos. A idéia era respirar um pouco, largar o regulador, bater a foto e respirar novamente. Mas e como isso funciona quando aplicamos a regra número um do mergulho? “Nunca segure a respiração”. Resolvemos o problema mantendo uma profundidade de uns 4 metros, o que não é um despropósito. Quem faz apinéia chega a esta profundidade e se mantém por alguns segundos debaixo d’água sem riscos. Essa profundidade garantiria a segurança dos pulmões de todo mundo.

Jade, a fotógrafa, e eu estávamos com nossos equipamentos completos. Assim poderíamos estar à disposição do Chris e da Karen caso eles precisassem de ar a qualquer momento.

Máscaras: Junto com o regulador, as máscaras de mergulho são capazes de embarangar até a Gisele Bündchen. Como assistente da fotógrafa fiquei responsável por segurar as máscaras dos cunhados durante os cliques.

Nadadeiras: Essenciais para uma boa movimentação debaixo d’água, mas longe de serem os sapatos ideias para roupas de casamento. Foram cortadas das fotos dependendo do ângulo ou simplesmente passadas para mim e depois devolvidas a eles.

Quando tudo isso estava muito bem combinado com nós quatro tiramos uma última foto antes de pularmos no mar.

Uma última foto antes de todo mundo cair na água

Uma última foto antes de todo mundo cair na água

TCHIBUM!

Dá pra ver como ficou o tanque reserva dos noivos? Amarrado a uma corda e sempre próximo deles.

Dá pra ver como ficou o tanque reserva dos noivos? Amarrado a uma corda e sempre próximo deles.

casamento debaixo d'água

O ponto de mergulho onde as fotos foram feitas, Hin Bida, é famoso pelos tubarões leopardo (Leopard Shark) que nadam por ali. Como tínhamos de contar com a boa vontade da natureza sabíamos que havia a chance de não aparecer ninguém, mas estávamos bem esperançosos. E não é que logo ouvimos o Chris tentando chamar nossa atenção e apontando freneticamente em direção a esse bonitão?

leopard shark

Ele veio nadando todo tranquilo, sem a menor idéia do furor e alegria que estava causando. Veio vindo todo despreocupado e passou BEM NA FRENTE dos noivos!

casamento debaixo d'água

Dá pra acreditar na sorte deles? Em como o mar foi generoso ao dar este presente de casamento?

Dá pra acreditar na sorte deles? Em como o mar foi generoso ao dar este presente de casamento?

Depois disso nos concentramos em fotografar os noivos, já que não era possível garantir um clique melhor do que estes.

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Algumas considerações:

Uma sessão de fotos como esta faz a alegria de qualquer casal de mergulhadores! Não deve ser difícil conseguir uma parecida em qualquer região onde a indústria do mergulho seja forte. Nós nunca tínhamos feito algo parecido na operadora onde trabalhei em Phi Phi, mas é apenas uma questão de conversar e acertar os detalhes. O mais importante é que os noivos sejam mergulhadores certificados E experientes. Não recomendo para quem nunca mergulhou ou tem pouca experiência, aliás imagino que nenhuma operadora séria ofereceria este tipo de serviço para clientes não credenciados.

Não saberia dizer o valor deste tipo de serviço, pois nós fizemos as fotos como um presente para os meus cunhados.

*Todas as fotos, exceto as fotos em que apareço e as sinalizadas, foram tiradas por mim.

Na Gringa, Pogramas

Tour astronômico no Atacama; programa imperdível do deserto

January 11, 2016

Quando eu e a Yara resolvemos incluir o Atacama no nosso roteiro que seria exclusivamente boliviano, o primeiro cenário que me veio à cabeça foi os geisers del Tatio e logo em seguida o Vale da Lua. Estes são, provavelmente, os passeios que estão presentes nos roteiros de 9 entre 10 turistas que se dispõem a conhecer o deserto chileno – digo 9 entre 10 porque sempre há quem não queira conhecer os pontos turísticos mais famosos de algum destino. Eu só não imaginava que estes lugares seriam desbancados por algo que está, literalmente, muito acima deles: o céu do deserto do Atacama, o mais limpo do mundo.

Parece papel-de-parede do Windows, mas é só o céu do Atacama mesmo.

Parece papel-de-parede do Windows, mas é só o céu do Atacama mesmo.

Eu só fui me lembrar deste fato, que estava devidamente armazenado em algum canto obscuro da minha memória, na hora em que cheguei a San Pedro e vi um grande cartaz anunciando “Tour astronômico no Atacama” na frente de uma agência de turismo. Eu e a Yara nos olhamos e falamos quase ao mesmo tempo: “Parece bem legal, hein? Vamos? Dizem que o céu daqui é o mais limpo do mundo, tem até observatório da NASA.” Entramos na agência e pedimos mais informações sobre o passeio; o tour seria conduzido por um professor da Universidade de San Pedro, haveria dois telescópios para a observação, uma pausinha para tomar um pouquinho de vinho e pisco sour acompanhados de queijinhos e as explicações dadas teriam base na visão de mundo dos antigos gregos, mitologia atacamenha e também da astronomia contemporânea. Marcamos o passeio para aquela noite mesmo e às 21:00 pegamos o transporte que iria levar nosso grupo todo para o campo onde nos esperavam o professor e o telescópio.

atacama sky

Nosso grupo tinha gente de todos os cantos do mundo e por causa disso o professor contou com a ajuda de uma tradutora, pois o tour é guiado em espanhol. Ele começou nos explicando a razão do céu do Atacama ser tão limpo: é o deserto mais seco do mundo, não há sequer registro de chuvas em algumas partes dele, portanto há muito poucas nuvens. Em seguida nos disse que há algumas estrelas visíveis apenas no hemisfério norte e outras apenas no hemisfério sul, mas que aquela região era um bom meio termo para ver estrelas de ambos hemisférios. Além disso, contou que as visões são diferentes devido à geografia; o norte olha para fora da galáxia e o sul para dentro, o que faz com que os conceitos de astronomia variassem de um povo para outro antigamente, além de questões culturais, é claro. E também ficamos sabendo que o céu é o mesmo há 5000 anos(!), é o mesmo que os fenícios usavam para navegar e os incas para seus calendários, mas que está prestes a mudar.

atacama

À medida em que ele ia nos contando todas estas coisas, ia posicionando um dos telescópios para determinada estrela ou apontando alguma constelação com um super laser verde. Ficamos sabendo que as estrelas vão mudando de cor à medida que vão envelhecendo: estrelas bebês são brancas, jovens são azuis, maduras são amarelas e velhas são vermelhas – nosso sol, amarelo, é uma estrela madura – e quando morrem viram supernovas e depois nebulosas.

atacama

Fizemos nossa pequena pausa para os bons drink e eu fiz uma tentativa frustrada de fotografar o céu com a minha câmera compacta; sem poder ajustar a abertura e a velocidade, saiu tudo um belo breu. Para esse tipo de foto sair boa é necessária uma câmera DSLR ou uma compacta com mais recursos, além de um tripé ou superfície bastante estável, pois o obturador ficará aberto por bastante tempo. Quando estive em Omã, em 2008, tirei esta foto no deserto de Wahiba:

Foi tirada com 4.0 de abertura (a menor que a lente permitia) e 25 segs de exposição, com ISO 3200 e a lente em 18mm.

Foi tirada com 4.0 de abertura (a menor que a lente permitia) e 25 segs de exposição, com ISO 3200 e a lente em 18mm.

Naquela noite também não pudemos contar com a câmera da Yara, que estava sem bateria, o que gerou uma grande tristeza e frustração em ambas. Fiquei de passar meu e-mail para uma menina bem simpática que também estava no nosso grupo mas acabei não conseguindo, chegamos bem tarde em San Pedro e o grupo se dispersou rapidamente depois de descermos do ônibus. Ficamos a ver navios até que descobrimos uma outra agência que organizava um passeio parecido, a Space, e se dedica exclusivamente a este tipo de turismo. Eles oferecem os tours em espanhol e inglês, em diferentes horários e com durações diferentes. Nós não deixamos a oportunidade de conseguir nossas fotos passar e nos inscrevemos no passeio da Space, mas dessa vez optamos pelo tour mais curto, que não inclui o bate papo com o astrônomo no fim.

atacama

Foi muito legal poder fazer os dois passeios, apesar de ambos terem a mesma proposta a execução é diferente e eu diria que ambos se complementam. O tour do professor é bem mais informal, as explicações têm um tom de conversa, é como se estivéssemos olhando as estrelas com um amigo que entende muito do assunto e tem um telescópio super potente e eu adorei o clima. Já o tour da Space é muito mais organizado, com cara de negócio sério, e você percebe isso ao ver os dez SUPER telescópios que eles têm presos ao chão do pátio onde as explicações são dadas. Nossa guia deu praticamente as mesmas explicações que tivemos no tour do professor, mas com menos detalhes, bem menos detalhes na verdade, e mais rapidamente. Como na Space há um grupo começando logo após o outro, o tempo que temos em cada telescópio é contado. No fim do tour, todos temos direito a uma bebida quente (chocolate ou chá) antes de irmos embora.

atacama

Entre um telescópio e outro, a Yara teve ajuda da Alejandra (nossa guia da Space) para conseguir as fotos pro post. Ela foi super gentil, fez todos os ajustes na câmera, indicou as melhores posições e também mostrou quais seriam os lugares mais estáveis para apoiar a câmera.

Serviço:

Os passeios custam, em média, 20.000,00 pesos chilenos (cerca de R$110,00 em janeiro de 2016) e têm perto de uma hora e meia de duração.

Ambos tours são a céu aberto, de noite, no deserto, a uma altitude elevada e isso significa um SUPER frio. Eu sou friorenta pra caramba e me vesti em muitas camadas: meia calça, calça jeans, camiseta, casaco de lã de alpaca, casaco térmico, poncho de alpaca, luvas e gorro. Não passei frio, mas andei com a graciosidade do monstro de marshmallow dos Caça-Fantasmas.

Podendo, vale a pena fazer os dois. O escritório da Space fica na rua Caracoles, a principal de San Pedro, e a agência através da qual contratamos o tour do professor fica na mesma rua, bem em frente ao escritório da Space. Ela é a primeira loja de uma galeriazinha onde alugam prancha pra sandboard e também funciona uma lavanderia, na fachada há um grande cartaz anunciando o tour astronômico no Atacama.

Na Gringa, Pogramas

Como pegar o Hogwarts Express

January 6, 2016

Engraçado como a Inglaterra nunca figurou na “minha lista de lugares que eu morria de vontade de conhecer” mas a Escócia sim. Por algum motivo eu sempre quis muito visitar a terra do uísque, e já que eu tinha ido parar no Reino Unido, não ia deixar a chance passar. Tanto quis que acabamos planejando uma viagem rápida pelas Highlands com meus cunhados para minha última semana na terra da rainha.

Escócia

Minha cunhada é uma das pessoas mais empolgadas que eu conheço e está sempre pensando em atividades, programando passeios. Assim que decidimos ir pra Escócia ela já sacou o celular do bolso e se pôs a buscar coisas interessantes para fazermos. Meu único grande desejo era ver o lago Ness, também gostaria de subir o Ben Nevis se desse tempo e o resto da galera se animasse, fora isso não tinha grandes desejos pois sabia que com a Karen cuidando do planejamento estávamos em boas mãos. No fim-de-semana antes da viagem eles chegaram a Newcastle e a Karen nos contou sobre as possibilidades, uma delas era pegar uma maria-fumaça em Fort William e ir até o litoral. Achei a idéia bem bacana mas o preço um pouco caro. Assim que disse que ia pensar sobre o assunto ela tirou da manga um argumento imbatível: é a mesma locomotiva usada nos filmes do Harry Potter, passa até no mesmo viaduto que aparece no segundo filme. Falei pra reservar os quatro lugares.

Harry Potter é um argumento que sempre funciona comigo. Ainda mais depois que eu já tinha empurrado o carrinho em King’s Cross, agora era só correr pro abraço e pegar o Hogwarts Express.

platform 9 3/4

Glenfinnan Viaduct, também conhecido como os arcos do Harry Potter

Glenfinnan Viaduct, também conhecido como os arcos do Harry Potter

Por alguma razão não era possível fazer a reserva para quatro pessoas pelo site da maria-fumaça, que no mundo dos trouxas se chama The Jacobite, mas dava para fazer quatro reservas para uma pessoa. Na dúvida ligamos na segunda-feira logo cedo, de dentro do carro e já a caminho da Escócia, e conseguimos marcar o passeio para nós quatro para o último dia da viagem. Curiosa e felizmente também seria o último dia de funcionamento da locomotiva em 2015, a ferrovia fica fechada e os trens não operam durante o inverno. Já imaginou se a gente tivesse deixado pra um dia mais tarde e perdesse o rolê por causa disso?

Hogwarts express

Na quinta-feira cedinho fomos de carro até a estação de Fort William, o trem sai às 10:15 e é claro que a gente queria fazer tudo com calma e tirar umas fotos na frente da locomotiva – gente, é o Hogwarts Express!!! (não há exclamações suficientes, mas meu senso de ridículo não me permite mais de três) Bem na hora em que a nossa vez na fila chegou começou a chover, mas nada que nos impedisse de posar sorridentemente ao lado de um típico escocês de dreds e kilt!

The Jacobite

Nossos lugares eram os últimos do último vagão, o que proporcionou uma vista bem bacana na hora em que o trem passou sobre o viaduto. Durante a viagem fomos apreciando a paisagem, tirando fotos e pensando no que fazer quando chegássemos a Mallaig, a pequena cidade portuária onde faríamos uma parada de cerca de duas horas. Não dava tempo para muito mais do que almoçar, mas como o clima não estava nada convidativo para um passeio do lado de fora (se praia no norte da Inglaterra já não é quente no verão, imaginem a temperatura de uma praia no norte da Escócia durante o outono!) não era má idéia passar a maior parte do tempo dentro de um restaurante quentinho. Nos entregaram um pequeno guia dos restaurantes da cidade e fomos conversando a respeito de onde comeríamos. Karen e eu resolvemos que seria no Tea Garden, que tinha a descrição mais simpática dentre todas as opções e cujo cardápio incluía um pint* de camarões.

O tal do pint é o copo no qual os camarões vêm.

O tal do pint é o copo no qual os camarões vêm.

Além do pint de camarões fomos de fish and chips e quando todo mundo já estava satisfeito demos uma voltinha pelo porto, de onde sai a balsa para a ilha de Skye.

Mallaig

Logo em seguida já era hora de voltarmos para o trem, dessa vez nos sentamos todos separados, o que não foi problema algum pois todo mundo aproveitou para tirar um cochilinho.

Para pegar o Hogwarts Express:

Antes de passar pelo portal da Plataforma 9 3/4 na estação King’s Cross em Londres, reserve seu bilhete no site do Jacobite (que é como os trouxas o chamam), assim você já chega com a passagem em mãos.

Chegue em Fort William cerca de meia hora antes do horário marcado para a partida, assim você pode facilmente encontrar um lugar para estacionar o carro perto da estação. Vale lembrar que é proibido, e de mau tom, usar as vagas do estacionamento do Morrissons, o supermercado que fica ao lado. Elas são gratuitas, mas exclusivas para os clientes.

O vagão que aparece no filme, que tem as cabines separadinhas, é o único de primeira classe do trem e por isso mesmo mais caro do que o resto. Se quiser a experiência completa, vai ter que desembolsar umas libras a mais. Os vagões normais têm aqueles banquinhos para quatro pessoas e com uma mesa no meio, eu fui nesses e achei que valeu mais do que pagar a diferença pra primeira classe, o bacana mesmo é curtir a paisagem.

O vagão da segunda classe.

O vagão da segunda classe.

*Um pint, para quem não está familiarizado com a medida, equivale a cerca de 568ml e é uma medida padrão muito comum no Reino Unido. Nos bares geralmente é o tamanho do copo no qual servem a cerveja, a versão brasileira do pint, como medida padrão, seria a tulipa de chopp,

Na Gringa, Pogramas

Ir à praia na Inglaterra. É possível, eu juro!

January 4, 2016

A gente que nasceu e foi criado no Brasil associa praia a certas coisas.

pastel

Praia no Brasil: pastel, céu azul e areia fofa.

– raspadinha feito com gelo de procedência duvidosa;

– queijinho de coalho;

– caipirinha;

– vendedor de canga, de chapéu, de biquíni, de pulseirinha de miçanga, de brinco de côco e do que mais você imaginar;

– carrinhos de picolé da Kibon e da Yopa (até hoje não superei o fato de que a Yopa virou Nestlé…);

– areia fofinha;

– água quente…

concha

Ir à praia e não entrar no mar é algo que jamais passaria na cabeça de um brasileiro. Pelo menos não na minha cabecinha de paulista, já que talvez do pessoal do Sul não pense assim. A gente só não entra no mar quando vai pra Ubatuba e dá o azar de pegar uma semana inteira de chuva, no inverno, aí dá pra ficar em casa e assistir um filminho no Netflix, jogar um baralho ou fazer um campeonato de mímica. Fora isso, minha gente, praia é sinônimo de castelo de areia, calorão, suor e uns caldos (*caldo é um “campineirismo” meu? É aquele momento quando uma onda forte vem e te derruba, tirando o biquíni do lugar e levando sua dignidade junto com ela, quando volta puxando).

Praia no Brasil: sol, céu azul, mar verde e caipirinha.

Praia no Brasil: sol, céu azul, mar verde e caipirinha.

Sempre achei engraçado ver paisagens de litoral em lugares de clima bem frio, aquele mar bem cinza com ondas bem fortes batendo contra rochedos, ou aquela praia escuuuura sem um vendedor de milho verde num raio de 20Km e um povo todo encapotado. Gente.de.gorro.na.praia. Pra mim, isso era uma coisa tão louca quanto seria uma pista de esqui em Fortaleza, simplesmente não combinava.

Seaham, uma praia bem perto de Newcastle.

Seaham, uma praia bem perto de Newcastle.

Aí o Josh me contou que Newcastle é bem pertinho da praia e que a gente poderia ir ao litoral enquanto eu estivesse aqui. Aí eu fui conversar com meu amigo José Eduardo, que morou uns anos na Inglaterra quando criança, e ele me contou da vez que foi à praia com sua família durante esse tempo. Depois de cerca de um ano morando em Londres, amargurando aquele clima cinza, frio e chuviscante, o pai dele chegou em casa e anunciou que passariam o próximo fim-de-semana na praia! Paulista como eu, o pequeno Zé já começou a sonhar com a areia fofinha, a água quentinha e o céu azul do Guarujá. O que o pobre não imaginava é que ele encontraria justamente o contrário do que havia imaginado. Eu só consigo imaginar a decepção dele na hora em que botou os pés na areia meio dura, viu aquele mar cinza e o céu cinza acompanhado de sua fiel garoa.

Duridge bay

Duridge bay

No primeiro fim-de-semana que passei na Inglaterra meus sogros quiseram aproveitar o verão (verão cuja temperatura máxima gira em torno dos 18ºC, que fique bem claro) e me levar pra praia junto com os cunhados. Iríamos para Bamburgh, onde há um castelo lindíssimo, e almoçaríamos os famosos fish and chips na costa, rolou até a idéia de mergulharmos no Mar do Norte mas o plano foi abortado quando soubemos o preço (cerca de £70 por cabeça). Josh e meus cunhados estavam animados pra entrar no mar, eu não me entusiasmei muito mas botei o biquíni na mala por recomendação da sogra – caso a vontade aparecesse, eu não deixaria de entrar na água por falta de roupa adequada.

duridge bay

Assim que paramos o carro na entrada da praia, que tinha areia branca e fofa por sinal, uma família vinha vindo e nos disse que havia um bebê foca na areia. Uma.foca.na.areia. Gente, vocês têm noção de que focas vivem no Polo Norte? Do frio que uma foca suporta? Uma coisa era certa, se uma foca estava de boa nadando naquele mar, aquela água era fria demais pra mim. Mas saímos todos correndo em direção ao mar e vimos a foquinha correndo pra água, a coisa mais fofa, e logo em seguida ficamos seguindo sua cabecinha que sumia e reaparecia com o movimento das ondas.

Dá pra ver a cabecinha da foca?

Dá pra ver a cabecinha da foca?

Nisso os três corajosos se aventuraram a vestir suas camisetas de neoprene e entrar no mar, eu fiquei de longe, só olhando e fotografando. Pra não dizer que não tive contato algum com as águas do Mar do Norte, criei coragem o suficiente pra molhar os pés. É claro que ninguém aguentou muito tempo e logo os três voltaram para se secar.

durige bay

duridge bay

durige

Ir à praia na Inglaterra é possível e talvez na Cornualha, que recebe influência da Corrente do Golfo, a experiência de entrar no mar seja até bem agradável. Pelo que Josh me falou, há boas ondas por lá e bastante gente passa o verão no litoral da Cornualha para surfar e aproveitar o clima mais quente. A questão é saber a qual praia ir e escolher um dia que o tempo esteja bonito, o que não é tão raro durante os meses do verão. A precaução a se tomar é que, quanto mais ao norte, mais frio estará e um casaquinho será companhia bem vinda. Caso entrar na água esteja fora de cogitação, passar um tempo na areia com um bom livro e fazendo um piquenique me parecem ótimas opções, se você der sorte é capaz até de encontrar um bebê foca!

durige bay

Comer os famosos fish and chips à beira mar também é um programa tipicamente inglês e bem bacana, o restaurante onde almoçamos estava abarrotado. Gastar um dinheirinho em um arcade (um lugar bem parecido com o nosso fliperama) jogando air hockey ou apostando nas caça-níqueis é outro programa bem inglês e típico do litoral.

Os sogros jogando air-hockey.

Os sogros jogando air-hockey.

Na Gringa, Pogramas

Como visitar o Castelo de Alwnick – Parte II

December 12, 2015

Ontem contei a primeira parte da nossa visita ao Castelo de Alnwick e deixei pra hoje a melhor parte; a aula de voo. Vamos lá?

Alnwick Castle

Logo depois que saímos da vila medieval fomos até a entrada do castelo, onde aconteceria o tour pelos porões perdidos e que prometia ser bem aterrorizante. O fato de menores de 13 anos, epiléticos e mulheres grávidas não poderem participar ajudou a criar um clima de medo no pessoal do nosso grupo. Eu, que me assusto com qualquer bobagem com a maior facilidade do mundo, já estava segurando a mão do Josh com uma certa força. Chegou um senhor de terno com a cara mais séria e nos chamou pra descer a escada, assim que todos estavam juntos ele começou a passar as instruções:

“Não é permitido tirar fotos ou filmar, se alguém tiver claustrofobia deve considerar se quer continuar ou não, não é permitido encostar nos moradores do porão.” Eu juro que pensei duas vezes quando ele tocou no assunto da claustrofobia, mas resolvi seguir.

Imagem do Twitter do Castelo de Alwnick

Imagem do Twitter do Castelo de Alwnick

Nosso guia foi nos conduzindo pelas salas, cada uma com seu morador ou moradora que ia nos contando sua história. Entre fantasmas e espíritos ficamos sabendo como cada um dos personagens foi parar no que havia sido a masmorra do castelo de Alnwick. Só fiquei com pena do vampiro quando ele se aproximou de mim dizendo que gostava de calor humano. Se você me der uma Coca-Cola quente pra eu segurar por cinco minutos eu te devolvo a mesma Coca bem geladinha.

Castelo de Alnwick

Saímos de lá e rapidamente fomos para o gramado, onde a aula de voo começaria às 14:30. Eu estava numa ansiedade que nem te conto! O Josh, muito do sem graça, não quis participar mas se prontificou a ficar tirando as fotos enquanto eu aprendia a voar em vassoura. Logo chegou o professor, que parecia ser uma mistura de professor Snape com professora Sprout e era divertidíssimo. Ele alinhou todo mundo, era um monte de gente, e foi colocando as vassouras à frente de cada um. Por fim pegou a dele e começou a aula.

Castelo de Alnwick

A primeira instrução foi de colocar a vassoura no chão, do lado da mão que você usa mais e gritar “up!” bem alto. Se a vassoura não subisse, era só pegá-la do chão e o passo seguinte era subir nela dizendo “mount!”.

Broomstick_training

O professor sempre frisava a importância de dizer as palavras mágicas com muita ênfase, bem claramente e bem alto, caso contrário a mágica não aconteceria.

Castelo de Alnwick

O primeiro exercício já montados foi de sair correndo pelo gramado gritando “fly!”de um lado pro outro.

Castelo de Alnwick

Fora do contexto, pareceria o horário do recreio de um hospício mas foi bem engraçado e divertido. Depois de algumas tentativas alguns de nós foram bem sucedidos.

Castelo de Alnwick

O Josh, que por ser inglês pôde ir pra Hogwarts, até se dignou a dar uma canjinha.

Castelo de Alnwick

Depois da aula fomos rapidamente dar uma olhada na parte de dentro do castelo, que é propriedade da mesma família há 700 anos, que está aberta à visitação. Algumas cenas do seriado Downton Abbey foram gravadas na sala de jantar e na biblioteca e eu estava muito curiosa para ver como um castelo que ainda é habitado é decorado por dentro. Meu lado dona de casa babou ao ver o jogo de jantar exposto, era uma peça mais linda que a outra.

Castelo de Alnwick

Exaustos depois de um dia inteiro andando, e até voando!, de um lado pro outro resolvemos voltar pra casa. O ponto de ônibus é bem pertinho do castelo e ficamos felizes ao consultar a tabela e ver que haveria um saindo dali 15 minutos. O que nós não consultamos e não sabíamos é que, por esta ser uma linha diferente da que tínhamos pegado para ir até Alnwick, o caminho seria completamente diferente e demoraria o DOBRO do tempo. O resultado foi que dormi durante praticamente todo o trajeto da volta até Newcastle.

Visitar o Castelo de Alnwick a partir de Newcastle:

Saindo da estação Haymarket, no centro de Newcastle, pegue o ônibus X15 na plataforma “Q”. A viagem vai durar cerca de 1h30min. O X18 também faz o mesmo trajeto, saindo da mesma estação.

O ingresso pode ser comprado pelo próprio site do Castelo, o que te dá um descontinho de 5% (£14 no site contra £14,75 se comprada na bilheteria do castelo na hora de entrar), mas tem que ser com 24h de antecedência. Tickets para visitas no mesmo dia devem ser comprados diretamente na entrada. Pode pagar com cartão.

Apesar de meio caro (£14 são quase R$90…) o ingresso vale por um ano a partir da data de validação e tudo o que há de atrações lá dentro, e são muitas, está incluso no preço.