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Tour astronômico no Atacama; programa imperdível do deserto

January 11, 2016

Quando eu e a Yara resolvemos incluir o Atacama no nosso roteiro que seria exclusivamente boliviano, o primeiro cenário que me veio à cabeça foi os geisers del Tatio e logo em seguida o Vale da Lua. Estes são, provavelmente, os passeios que estão presentes nos roteiros de 9 entre 10 turistas que se dispõem a conhecer o deserto chileno – digo 9 entre 10 porque sempre há quem não queira conhecer os pontos turísticos mais famosos de algum destino. Eu só não imaginava que estes lugares seriam desbancados por algo que está, literalmente, muito acima deles: o céu do deserto do Atacama, o mais limpo do mundo.

Parece papel-de-parede do Windows, mas é só o céu do Atacama mesmo.

Parece papel-de-parede do Windows, mas é só o céu do Atacama mesmo.

Eu só fui me lembrar deste fato, que estava devidamente armazenado em algum canto obscuro da minha memória, na hora em que cheguei a San Pedro e vi um grande cartaz anunciando “Tour astronômico no Atacama” na frente de uma agência de turismo. Eu e a Yara nos olhamos e falamos quase ao mesmo tempo: “Parece bem legal, hein? Vamos? Dizem que o céu daqui é o mais limpo do mundo, tem até observatório da NASA.” Entramos na agência e pedimos mais informações sobre o passeio; o tour seria conduzido por um professor da Universidade de San Pedro, haveria dois telescópios para a observação, uma pausinha para tomar um pouquinho de vinho e pisco sour acompanhados de queijinhos e as explicações dadas teriam base na visão de mundo dos antigos gregos, mitologia atacamenha e também da astronomia contemporânea. Marcamos o passeio para aquela noite mesmo e às 21:00 pegamos o transporte que iria levar nosso grupo todo para o campo onde nos esperavam o professor e o telescópio.

atacama sky

Nosso grupo tinha gente de todos os cantos do mundo e por causa disso o professor contou com a ajuda de uma tradutora, pois o tour é guiado em espanhol. Ele começou nos explicando a razão do céu do Atacama ser tão limpo: é o deserto mais seco do mundo, não há sequer registro de chuvas em algumas partes dele, portanto há muito poucas nuvens. Em seguida nos disse que há algumas estrelas visíveis apenas no hemisfério norte e outras apenas no hemisfério sul, mas que aquela região era um bom meio termo para ver estrelas de ambos hemisférios. Além disso, contou que as visões são diferentes devido à geografia; o norte olha para fora da galáxia e o sul para dentro, o que faz com que os conceitos de astronomia variassem de um povo para outro antigamente, além de questões culturais, é claro. E também ficamos sabendo que o céu é o mesmo há 5000 anos(!), é o mesmo que os fenícios usavam para navegar e os incas para seus calendários, mas que está prestes a mudar.

atacama

À medida em que ele ia nos contando todas estas coisas, ia posicionando um dos telescópios para determinada estrela ou apontando alguma constelação com um super laser verde. Ficamos sabendo que as estrelas vão mudando de cor à medida que vão envelhecendo: estrelas bebês são brancas, jovens são azuis, maduras são amarelas e velhas são vermelhas – nosso sol, amarelo, é uma estrela madura – e quando morrem viram supernovas e depois nebulosas.

atacama

Fizemos nossa pequena pausa para os bons drink e eu fiz uma tentativa frustrada de fotografar o céu com a minha câmera compacta; sem poder ajustar a abertura e a velocidade, saiu tudo um belo breu. Para esse tipo de foto sair boa é necessária uma câmera DSLR ou uma compacta com mais recursos, além de um tripé ou superfície bastante estável, pois o obturador ficará aberto por bastante tempo. Quando estive em Omã, em 2008, tirei esta foto no deserto de Wahiba:

Foi tirada com 4.0 de abertura (a menor que a lente permitia) e 25 segs de exposição, com ISO 3200 e a lente em 18mm.

Foi tirada com 4.0 de abertura (a menor que a lente permitia) e 25 segs de exposição, com ISO 3200 e a lente em 18mm.

Naquela noite também não pudemos contar com a câmera da Yara, que estava sem bateria, o que gerou uma grande tristeza e frustração em ambas. Fiquei de passar meu e-mail para uma menina bem simpática que também estava no nosso grupo mas acabei não conseguindo, chegamos bem tarde em San Pedro e o grupo se dispersou rapidamente depois de descermos do ônibus. Ficamos a ver navios até que descobrimos uma outra agência que organizava um passeio parecido, a Space, e se dedica exclusivamente a este tipo de turismo. Eles oferecem os tours em espanhol e inglês, em diferentes horários e com durações diferentes. Nós não deixamos a oportunidade de conseguir nossas fotos passar e nos inscrevemos no passeio da Space, mas dessa vez optamos pelo tour mais curto, que não inclui o bate papo com o astrônomo no fim.

atacama

Foi muito legal poder fazer os dois passeios, apesar de ambos terem a mesma proposta a execução é diferente e eu diria que ambos se complementam. O tour do professor é bem mais informal, as explicações têm um tom de conversa, é como se estivéssemos olhando as estrelas com um amigo que entende muito do assunto e tem um telescópio super potente e eu adorei o clima. Já o tour da Space é muito mais organizado, com cara de negócio sério, e você percebe isso ao ver os dez SUPER telescópios que eles têm presos ao chão do pátio onde as explicações são dadas. Nossa guia deu praticamente as mesmas explicações que tivemos no tour do professor, mas com menos detalhes, bem menos detalhes na verdade, e mais rapidamente. Como na Space há um grupo começando logo após o outro, o tempo que temos em cada telescópio é contado. No fim do tour, todos temos direito a uma bebida quente (chocolate ou chá) antes de irmos embora.

atacama

Entre um telescópio e outro, a Yara teve ajuda da Alejandra (nossa guia da Space) para conseguir as fotos pro post. Ela foi super gentil, fez todos os ajustes na câmera, indicou as melhores posições e também mostrou quais seriam os lugares mais estáveis para apoiar a câmera.

Serviço:

Os passeios custam, em média, 20.000,00 pesos chilenos (cerca de R$110,00 em janeiro de 2016) e têm perto de uma hora e meia de duração.

Ambos tours são a céu aberto, de noite, no deserto, a uma altitude elevada e isso significa um SUPER frio. Eu sou friorenta pra caramba e me vesti em muitas camadas: meia calça, calça jeans, camiseta, casaco de lã de alpaca, casaco térmico, poncho de alpaca, luvas e gorro. Não passei frio, mas andei com a graciosidade do monstro de marshmallow dos Caça-Fantasmas.

Podendo, vale a pena fazer os dois. O escritório da Space fica na rua Caracoles, a principal de San Pedro, e a agência através da qual contratamos o tour do professor fica na mesma rua, bem em frente ao escritório da Space. Ela é a primeira loja de uma galeriazinha onde alugam prancha pra sandboard e também funciona uma lavanderia, na fachada há um grande cartaz anunciando o tour astronômico no Atacama.

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Como pegar o Hogwarts Express

January 6, 2016

Engraçado como a Inglaterra nunca figurou na “minha lista de lugares que eu morria de vontade de conhecer” mas a Escócia sim. Por algum motivo eu sempre quis muito visitar a terra do uísque, e já que eu tinha ido parar no Reino Unido, não ia deixar a chance passar. Tanto quis que acabamos planejando uma viagem rápida pelas Highlands com meus cunhados para minha última semana na terra da rainha.

Escócia

Minha cunhada é uma das pessoas mais empolgadas que eu conheço e está sempre pensando em atividades, programando passeios. Assim que decidimos ir pra Escócia ela já sacou o celular do bolso e se pôs a buscar coisas interessantes para fazermos. Meu único grande desejo era ver o lago Ness, também gostaria de subir o Ben Nevis se desse tempo e o resto da galera se animasse, fora isso não tinha grandes desejos pois sabia que com a Karen cuidando do planejamento estávamos em boas mãos. No fim-de-semana antes da viagem eles chegaram a Newcastle e a Karen nos contou sobre as possibilidades, uma delas era pegar uma maria-fumaça em Fort William e ir até o litoral. Achei a idéia bem bacana mas o preço um pouco caro. Assim que disse que ia pensar sobre o assunto ela tirou da manga um argumento imbatível: é a mesma locomotiva usada nos filmes do Harry Potter, passa até no mesmo viaduto que aparece no segundo filme. Falei pra reservar os quatro lugares.

Harry Potter é um argumento que sempre funciona comigo. Ainda mais depois que eu já tinha empurrado o carrinho em King’s Cross, agora era só correr pro abraço e pegar o Hogwarts Express.

platform 9 3/4

Glenfinnan Viaduct, também conhecido como os arcos do Harry Potter

Glenfinnan Viaduct, também conhecido como os arcos do Harry Potter

Por alguma razão não era possível fazer a reserva para quatro pessoas pelo site da maria-fumaça, que no mundo dos trouxas se chama The Jacobite, mas dava para fazer quatro reservas para uma pessoa. Na dúvida ligamos na segunda-feira logo cedo, de dentro do carro e já a caminho da Escócia, e conseguimos marcar o passeio para nós quatro para o último dia da viagem. Curiosa e felizmente também seria o último dia de funcionamento da locomotiva em 2015, a ferrovia fica fechada e os trens não operam durante o inverno. Já imaginou se a gente tivesse deixado pra um dia mais tarde e perdesse o rolê por causa disso?

Hogwarts express

Na quinta-feira cedinho fomos de carro até a estação de Fort William, o trem sai às 10:15 e é claro que a gente queria fazer tudo com calma e tirar umas fotos na frente da locomotiva – gente, é o Hogwarts Express!!! (não há exclamações suficientes, mas meu senso de ridículo não me permite mais de três) Bem na hora em que a nossa vez na fila chegou começou a chover, mas nada que nos impedisse de posar sorridentemente ao lado de um típico escocês de dreds e kilt!

The Jacobite

Nossos lugares eram os últimos do último vagão, o que proporcionou uma vista bem bacana na hora em que o trem passou sobre o viaduto. Durante a viagem fomos apreciando a paisagem, tirando fotos e pensando no que fazer quando chegássemos a Mallaig, a pequena cidade portuária onde faríamos uma parada de cerca de duas horas. Não dava tempo para muito mais do que almoçar, mas como o clima não estava nada convidativo para um passeio do lado de fora (se praia no norte da Inglaterra já não é quente no verão, imaginem a temperatura de uma praia no norte da Escócia durante o outono!) não era má idéia passar a maior parte do tempo dentro de um restaurante quentinho. Nos entregaram um pequeno guia dos restaurantes da cidade e fomos conversando a respeito de onde comeríamos. Karen e eu resolvemos que seria no Tea Garden, que tinha a descrição mais simpática dentre todas as opções e cujo cardápio incluía um pint* de camarões.

O tal do pint é o copo no qual os camarões vêm.

O tal do pint é o copo no qual os camarões vêm.

Além do pint de camarões fomos de fish and chips e quando todo mundo já estava satisfeito demos uma voltinha pelo porto, de onde sai a balsa para a ilha de Skye.

Mallaig

Logo em seguida já era hora de voltarmos para o trem, dessa vez nos sentamos todos separados, o que não foi problema algum pois todo mundo aproveitou para tirar um cochilinho.

Para pegar o Hogwarts Express:

Antes de passar pelo portal da Plataforma 9 3/4 na estação King’s Cross em Londres, reserve seu bilhete no site do Jacobite (que é como os trouxas o chamam), assim você já chega com a passagem em mãos.

Chegue em Fort William cerca de meia hora antes do horário marcado para a partida, assim você pode facilmente encontrar um lugar para estacionar o carro perto da estação. Vale lembrar que é proibido, e de mau tom, usar as vagas do estacionamento do Morrissons, o supermercado que fica ao lado. Elas são gratuitas, mas exclusivas para os clientes.

O vagão que aparece no filme, que tem as cabines separadinhas, é o único de primeira classe do trem e por isso mesmo mais caro do que o resto. Se quiser a experiência completa, vai ter que desembolsar umas libras a mais. Os vagões normais têm aqueles banquinhos para quatro pessoas e com uma mesa no meio, eu fui nesses e achei que valeu mais do que pagar a diferença pra primeira classe, o bacana mesmo é curtir a paisagem.

O vagão da segunda classe.

O vagão da segunda classe.

*Um pint, para quem não está familiarizado com a medida, equivale a cerca de 568ml e é uma medida padrão muito comum no Reino Unido. Nos bares geralmente é o tamanho do copo no qual servem a cerveja, a versão brasileira do pint, como medida padrão, seria a tulipa de chopp,

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Ir à praia na Inglaterra. É possível, eu juro!

January 4, 2016

A gente que nasceu e foi criado no Brasil associa praia a certas coisas.

pastel

Praia no Brasil: pastel, céu azul e areia fofa.

– raspadinha feito com gelo de procedência duvidosa;

– queijinho de coalho;

– caipirinha;

– vendedor de canga, de chapéu, de biquíni, de pulseirinha de miçanga, de brinco de côco e do que mais você imaginar;

– carrinhos de picolé da Kibon e da Yopa (até hoje não superei o fato de que a Yopa virou Nestlé…);

– areia fofinha;

– água quente…

concha

Ir à praia e não entrar no mar é algo que jamais passaria na cabeça de um brasileiro. Pelo menos não na minha cabecinha de paulista, já que talvez do pessoal do Sul não pense assim. A gente só não entra no mar quando vai pra Ubatuba e dá o azar de pegar uma semana inteira de chuva, no inverno, aí dá pra ficar em casa e assistir um filminho no Netflix, jogar um baralho ou fazer um campeonato de mímica. Fora isso, minha gente, praia é sinônimo de castelo de areia, calorão, suor e uns caldos (*caldo é um “campineirismo” meu? É aquele momento quando uma onda forte vem e te derruba, tirando o biquíni do lugar e levando sua dignidade junto com ela, quando volta puxando).

Praia no Brasil: sol, céu azul, mar verde e caipirinha.

Praia no Brasil: sol, céu azul, mar verde e caipirinha.

Sempre achei engraçado ver paisagens de litoral em lugares de clima bem frio, aquele mar bem cinza com ondas bem fortes batendo contra rochedos, ou aquela praia escuuuura sem um vendedor de milho verde num raio de 20Km e um povo todo encapotado. Gente.de.gorro.na.praia. Pra mim, isso era uma coisa tão louca quanto seria uma pista de esqui em Fortaleza, simplesmente não combinava.

Seaham, uma praia bem perto de Newcastle.

Seaham, uma praia bem perto de Newcastle.

Aí o Josh me contou que Newcastle é bem pertinho da praia e que a gente poderia ir ao litoral enquanto eu estivesse aqui. Aí eu fui conversar com meu amigo José Eduardo, que morou uns anos na Inglaterra quando criança, e ele me contou da vez que foi à praia com sua família durante esse tempo. Depois de cerca de um ano morando em Londres, amargurando aquele clima cinza, frio e chuviscante, o pai dele chegou em casa e anunciou que passariam o próximo fim-de-semana na praia! Paulista como eu, o pequeno Zé já começou a sonhar com a areia fofinha, a água quentinha e o céu azul do Guarujá. O que o pobre não imaginava é que ele encontraria justamente o contrário do que havia imaginado. Eu só consigo imaginar a decepção dele na hora em que botou os pés na areia meio dura, viu aquele mar cinza e o céu cinza acompanhado de sua fiel garoa.

Duridge bay

Duridge bay

No primeiro fim-de-semana que passei na Inglaterra meus sogros quiseram aproveitar o verão (verão cuja temperatura máxima gira em torno dos 18ºC, que fique bem claro) e me levar pra praia junto com os cunhados. Iríamos para Bamburgh, onde há um castelo lindíssimo, e almoçaríamos os famosos fish and chips na costa, rolou até a idéia de mergulharmos no Mar do Norte mas o plano foi abortado quando soubemos o preço (cerca de £70 por cabeça). Josh e meus cunhados estavam animados pra entrar no mar, eu não me entusiasmei muito mas botei o biquíni na mala por recomendação da sogra – caso a vontade aparecesse, eu não deixaria de entrar na água por falta de roupa adequada.

duridge bay

Assim que paramos o carro na entrada da praia, que tinha areia branca e fofa por sinal, uma família vinha vindo e nos disse que havia um bebê foca na areia. Uma.foca.na.areia. Gente, vocês têm noção de que focas vivem no Polo Norte? Do frio que uma foca suporta? Uma coisa era certa, se uma foca estava de boa nadando naquele mar, aquela água era fria demais pra mim. Mas saímos todos correndo em direção ao mar e vimos a foquinha correndo pra água, a coisa mais fofa, e logo em seguida ficamos seguindo sua cabecinha que sumia e reaparecia com o movimento das ondas.

Dá pra ver a cabecinha da foca?

Dá pra ver a cabecinha da foca?

Nisso os três corajosos se aventuraram a vestir suas camisetas de neoprene e entrar no mar, eu fiquei de longe, só olhando e fotografando. Pra não dizer que não tive contato algum com as águas do Mar do Norte, criei coragem o suficiente pra molhar os pés. É claro que ninguém aguentou muito tempo e logo os três voltaram para se secar.

durige bay

duridge bay

durige

Ir à praia na Inglaterra é possível e talvez na Cornualha, que recebe influência da Corrente do Golfo, a experiência de entrar no mar seja até bem agradável. Pelo que Josh me falou, há boas ondas por lá e bastante gente passa o verão no litoral da Cornualha para surfar e aproveitar o clima mais quente. A questão é saber a qual praia ir e escolher um dia que o tempo esteja bonito, o que não é tão raro durante os meses do verão. A precaução a se tomar é que, quanto mais ao norte, mais frio estará e um casaquinho será companhia bem vinda. Caso entrar na água esteja fora de cogitação, passar um tempo na areia com um bom livro e fazendo um piquenique me parecem ótimas opções, se você der sorte é capaz até de encontrar um bebê foca!

durige bay

Comer os famosos fish and chips à beira mar também é um programa tipicamente inglês e bem bacana, o restaurante onde almoçamos estava abarrotado. Gastar um dinheirinho em um arcade (um lugar bem parecido com o nosso fliperama) jogando air hockey ou apostando nas caça-níqueis é outro programa bem inglês e típico do litoral.

Os sogros jogando air-hockey.

Os sogros jogando air-hockey.

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Como visitar o Castelo de Alwnick – Parte II

December 12, 2015

Ontem contei a primeira parte da nossa visita ao Castelo de Alnwick e deixei pra hoje a melhor parte; a aula de voo. Vamos lá?

Alnwick Castle

Logo depois que saímos da vila medieval fomos até a entrada do castelo, onde aconteceria o tour pelos porões perdidos e que prometia ser bem aterrorizante. O fato de menores de 13 anos, epiléticos e mulheres grávidas não poderem participar ajudou a criar um clima de medo no pessoal do nosso grupo. Eu, que me assusto com qualquer bobagem com a maior facilidade do mundo, já estava segurando a mão do Josh com uma certa força. Chegou um senhor de terno com a cara mais séria e nos chamou pra descer a escada, assim que todos estavam juntos ele começou a passar as instruções:

“Não é permitido tirar fotos ou filmar, se alguém tiver claustrofobia deve considerar se quer continuar ou não, não é permitido encostar nos moradores do porão.” Eu juro que pensei duas vezes quando ele tocou no assunto da claustrofobia, mas resolvi seguir.

Imagem do Twitter do Castelo de Alwnick

Imagem do Twitter do Castelo de Alwnick

Nosso guia foi nos conduzindo pelas salas, cada uma com seu morador ou moradora que ia nos contando sua história. Entre fantasmas e espíritos ficamos sabendo como cada um dos personagens foi parar no que havia sido a masmorra do castelo de Alnwick. Só fiquei com pena do vampiro quando ele se aproximou de mim dizendo que gostava de calor humano. Se você me der uma Coca-Cola quente pra eu segurar por cinco minutos eu te devolvo a mesma Coca bem geladinha.

Castelo de Alnwick

Saímos de lá e rapidamente fomos para o gramado, onde a aula de voo começaria às 14:30. Eu estava numa ansiedade que nem te conto! O Josh, muito do sem graça, não quis participar mas se prontificou a ficar tirando as fotos enquanto eu aprendia a voar em vassoura. Logo chegou o professor, que parecia ser uma mistura de professor Snape com professora Sprout e era divertidíssimo. Ele alinhou todo mundo, era um monte de gente, e foi colocando as vassouras à frente de cada um. Por fim pegou a dele e começou a aula.

Castelo de Alnwick

A primeira instrução foi de colocar a vassoura no chão, do lado da mão que você usa mais e gritar “up!” bem alto. Se a vassoura não subisse, era só pegá-la do chão e o passo seguinte era subir nela dizendo “mount!”.

Broomstick_training

O professor sempre frisava a importância de dizer as palavras mágicas com muita ênfase, bem claramente e bem alto, caso contrário a mágica não aconteceria.

Castelo de Alnwick

O primeiro exercício já montados foi de sair correndo pelo gramado gritando “fly!”de um lado pro outro.

Castelo de Alnwick

Fora do contexto, pareceria o horário do recreio de um hospício mas foi bem engraçado e divertido. Depois de algumas tentativas alguns de nós foram bem sucedidos.

Castelo de Alnwick

O Josh, que por ser inglês pôde ir pra Hogwarts, até se dignou a dar uma canjinha.

Castelo de Alnwick

Depois da aula fomos rapidamente dar uma olhada na parte de dentro do castelo, que é propriedade da mesma família há 700 anos, que está aberta à visitação. Algumas cenas do seriado Downton Abbey foram gravadas na sala de jantar e na biblioteca e eu estava muito curiosa para ver como um castelo que ainda é habitado é decorado por dentro. Meu lado dona de casa babou ao ver o jogo de jantar exposto, era uma peça mais linda que a outra.

Castelo de Alnwick

Exaustos depois de um dia inteiro andando, e até voando!, de um lado pro outro resolvemos voltar pra casa. O ponto de ônibus é bem pertinho do castelo e ficamos felizes ao consultar a tabela e ver que haveria um saindo dali 15 minutos. O que nós não consultamos e não sabíamos é que, por esta ser uma linha diferente da que tínhamos pegado para ir até Alnwick, o caminho seria completamente diferente e demoraria o DOBRO do tempo. O resultado foi que dormi durante praticamente todo o trajeto da volta até Newcastle.

Visitar o Castelo de Alnwick a partir de Newcastle:

Saindo da estação Haymarket, no centro de Newcastle, pegue o ônibus X15 na plataforma “Q”. A viagem vai durar cerca de 1h30min. O X18 também faz o mesmo trajeto, saindo da mesma estação.

O ingresso pode ser comprado pelo próprio site do Castelo, o que te dá um descontinho de 5% (£14 no site contra £14,75 se comprada na bilheteria do castelo na hora de entrar), mas tem que ser com 24h de antecedência. Tickets para visitas no mesmo dia devem ser comprados diretamente na entrada. Pode pagar com cartão.

Apesar de meio caro (£14 são quase R$90…) o ingresso vale por um ano a partir da data de validação e tudo o que há de atrações lá dentro, e são muitas, está incluso no preço.

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Como visitar o castelo de Alnwick – Parte I

December 11, 2015

Já contei pra vocês que eu virei uma pottermaníaca praticamente de carteirinha, né? Do tipo que encomendou o livro 6 pra ele chegar em casa no dia do lançamento mundial. Pois é, esse tipo de fã. Mas sobre as locações dos filmes eu sabia bem pouco e nem me importava muito com elas, já que a Inglaterra nunca foi um dos lugares que eu mais quis conhecer na vida. Aí eu comecei a namorar o Josh… E bom, aí a Inglaterra entrou nos planos.

Quando decidi que vinha pra cá minha mãe insistiu para que eu visitasse uma cidadezinha chamada Alnwick, ela esteve lá no ano passado e disse que é a coisa mais linda do mundo. Vi que ficava perto de Newcastle e então fiquei sabendo que algumas cenas do Harry Potter e a Pedra Filosofal foram filmadas lá. Foi então que comecei a pensar em como visitar o Castelo de Alnwick.

Da plataforma Q saem os ônibus de Newcastle a Alnwick

Da plataforma Q saem os ônibus de Newcastle a Alnwick

Josh foi escalado para ir comigo e programamos o passeio para um dia em que o tempo estivesse bom , o que não é tão raro assim durante a estação que os ingleses insistem em chamar de verão. Compramos os ingressos pela internet e no dia seguinte pegamos o ônibus em direção a Alwnick na estação Haymarket, no centro de Newcastle, umas 10:30. A viagem entre as duas cidades dura cerca de uma hora e meia, e do ponto de ônibus (Alnwick Station) até o castelo não são nem dez minutos de caminhada. Validamos nossos ingressos na bilheteria e aproveitamos para fazer o passe anual, que está incluso no valor do ingresso por um dia. É só pedir para o caixa fazer o seu registro, tirar uma foto para o cadastro e pronto!, você tem um ano para voltar quantas vezes quiser.

A entrada do castelo

A entrada do castelo

Logo na entrada fui procurar no quadro de avisos o local e o horário da atividade que eu mais queria fazer: a aula de vôo em vassouras! Entre as cenas do Harry Potter e a Pedra Filosofal que foram filmadas no castelo estão as da primeira aula de vôo – quando o Harry e o Malfoy competem para ver quem vai pegar o “lembrol” do Neville e o Harry se torna o novo apanhador da Grifinória – além de algumas cenas externas, deles andando pelos jardins da escola. A próxima aula seria às 14:30, então fomos pegar a senha e ver o que mais havia para fazer enquanto esperávamos.

Alnwick castle

Começamos o tour pela parte medieval do castelo “The dragon’s quest”. É interessante ter uma idéia de como era a vida ali há tantos anos. Para entrarmos bem no clima há um monte de fantasias à disposição e dois funcionários que te ajudam a escolher e a vestir as roupas, nos perguntaram se queríamos duas de cavaleiro, duas de princesa ou uma de cada. Acabamos indo na última opção, Josh se vestiu de cavaleiro e eu de princesa, cada um ganhou uma espada  de espuma e fomos andar pela vila.

Escolhendo nossas ervas

Escolhendo nossas ervas

Nossa primeira parada foi para conversar com o boticário George. Ele nos mostrou um pouco das ervas secas que tinha à sua disposição, nos explicou o uso de cada uma delas e por fim nos perguntou se gostaríamos de fazer sabão medieval. Claro que sim! Cada um escolheu duas delas (eu combinei lavanda com camomila) e teve que moê-las num pilão, quase reduzindo-as a pó. Depois ele nos mostrou uma tigela bem grande, cheia de flocos de aveia e colocou um punhado nas nossas mãos, pedindo para que esfregássemos vigorosamente. Olha, poucas vezes senti minhas mãos tão macias, não fazia a menor idéia de que aveia fosse tão hidratante assim. Uma bela colherada de aveia foi adicionada às ervas moídas e também uma generosa dose de uma pasta branca que seria o equivalente à gordura animal usada na produção de sabão, é ela quem dá liga aos ingredientes e funciona como o agente de limpeza dos sabonetes. Quando todos os ingredientes já estavam bem misturados, George nos pediu para moldarmos duas bolinhas, do tamanho de bolas de golfe, com as mãos e que as deixássemos descansar por uns cinco dias, então elas estariam duras o suficiente para serem usadas como sabonete. *Eu já usei e me decepcionei um pouco, talvez tenham ficado duras demais.

Assim ficam os sabonetes depois de prontos

Assim ficam os sabonetes depois de prontos

A parada seguinte foi a cruzada do dragão propriamente dita, uma espécie de labirinto com desafios e charadas que se dizia muito assustadora. Logo na entrada você pega uma folha para ir anotando as respostas das perguntas e poder conferir na saída, a gente estava achando tudo muito banal, feito para crianças e meio besta, mas bastante divertido mesmo assim. Foi então que chegamos ao final da cruzada, onde está o labirinto de espelhos e de onde só conseguimos sair depois de muita bateção de cabeça e um leve pânico por causa do som de gargalhadas ao fundo.

Foram muitas batidas de cabeça nos espelhos...

Foram muitas batidas de cabeça nos espelhos…

Além das gargalhadas ao fundo, as cores do ambiente também vão mudando.

Além das gargalhadas ao fundo, as cores do ambiente também vão mudando.

Antes de sair da ala medieval é preciso devolver a fantasia, o que eu achei uma pena, pois teria adorado passar o dia vestida de princesa andando pelo castelo de espada em punho, mesmo a espada em questão sendo de espuma. Mas tudo bem, vestidos de Josh e Ângela versão 2015 fomos para os porões esquecidos do castelo, onde tínhamos um tour agendado para as 13:45.

Castelo de Alnwick

 *Fique ligado que amanhã tem a continuação do passeio e mais informações sobre como visitar o Castelo de Alnwick

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Loja na Plataforma 9 3/4; Inglaterra praticamente de graça!

October 19, 2015

Eu venho advogando a causa da Inglaterra a baixo custo há algum tempo, mas o texto de hoje vai um pouco além e te mostra um programa que é praticamente de graça. Só não chega a 100% porque de graça nessa vida, só amor de mãe. Uma visita à loja da plataforma 9 3/4 é divertidíssima e baratíssima, vem comigo!

Eu me lembro de quando o primeiro livro da série Harry Potter chegou ao Brasil, em 2000, e as livrarias começaram a fazer um certo auê em torno do fenômeno de vendas, colocando os pobre volumes dentro de um caldeirão feito de espuma cinza cheio de celofane vermelho dentro fazendo de fogo e uns cabos de vassoura esperados. Uma coisa de um mal gosto que nem sei, espero que esta tenha sido apenas a vitrine da livraria do Shopping Galleria de Campinas. Do alto dos meus 14 anos olhei praquele cenário que mais parecia decoração de buffet infantil e torci o nariz pro “livro de criança”, acrescente-se a isso o fator “todo mundo está lendo!” e temos aí o meu desprezo completo e absoluto.

platform 9 3/4

Um ano depois saiu o filme e fui ao cinema vê-lo com a minha mãe, muitos dos meus amigos estavam comentando e minha curiosidade foi instigada. Achei a história legal, mas não o suficiente pra me fazer ler os livros. Em 2002 assisti ao segundo filme e segui minha vida sem a menor vontade de saber o que aconteceria com a do Harry.

No fim de 2003  o quinto livro saiu no Brasil e todo mundo começou a falar que este sim seria o melhor livro, o que ia explicar a razão de tudo, esclarecer as razões do tal do Voldemort… e então me deu um comichão de querer saber também! Mas resolvi que eu tinha que ler tudo desde o começo, desde o primeiro, e fui lendo um em seguida do outro entre as duas semanas de provas da segunda fase da FUVEST e da UNICAMP. Foi, inclusive, uma ótima maneira de me distrair e aliviar a tensão do vestibular. Na época fiquei “Pottermaníaca” daquelas de ler fanfics e acalentar uma paixonite pelo Snape. E resolvi que um dia visitaria a estação King’s Cross pra tentar chegar na Plataforma 9 3/4, afinal de contas a gente nunca sabe se vai conseguir se não tentar.

Estação King's Cross

Estação King’s Cross

No ano passado minha mãe esteve em Londres e eu dei a ela a missão de ir procurar a plataforma e me trazer uma foto. Ela voltou com a informação de que havia uma loja na plataforma 9 3/4! Então este ano fiquei feliz da vida ao saber que o trem que me levaria de Newcastle a Londres chegaria na King’s Cross, já estava certa de que tirar minha foto empurrando o carrinho seria a primeira coisa que eu faria quando chegasse na capital! Nós chegamos à uma da manhã, mortos de cansaço, com frio e sem a menor vontade de procurar qualquer coisa que não fosse um táxi. A plataforma ficaria pra outro dia…

Num dos dias em que os meninos não quiseram passear comigo eu aproveitei pra ir até lá de tarde e me deparei com a maior fila! Na minha santa inocência, até imaginei que teria de esperar um pouco pra conseguir minha foto, mas realmente não esperava o que eu encontrei: uma fila super organizada, com cordinhas como as de cinema, indicando o sentido, um moço com quatro opções de cachecóis na mão e um fotógrafo profissional para tirar o seu retrato usando o cachecol da sua casa. A foto é então diretamente enviada para um monitor dentro da loja onde, é claro, você pode comprar uma reprodução. A fila me fez desistir, ela e o fato de que dentro de alguns dias eu necessariamente teria que voltar lá. Fui-me embora.

platform 9 3/4

Nosso trem de volta para Newcastle sairia de Londres às 22:00 e o Josh sugeriu que fôssemos mais cedo para eu tirar minha foto. A gente achou que nesse horário já não teria mais ninguém por ali, afinal já era mais do que hora de criança estar na cama. Ledo engano. Às 21:00 havia bem umas 10 pessoas fazendo fila e a loja ainda estava aberta! Só pra vocês terem uma idéia de como isso é surpreendente, às 18:00 o comércio TODO de Newcastle já está fechado. Londres, que é infinitamente mais cosmopolita e turística, fecha as portas às 20:00. Dá pra imaginar a minha cara de espanto quando eu vi a loja na plataforma 9 3/4 funcionando a todo vapor.

Esperei bonitinha pela minha vez de pedir o cachecol da Corvinal (Josh disse que eu teria sido escolhida pra Corvinal se eu tivesse ido pra Hogwarts). A fotógrafa me pediu duas poses, uma com a perninha levantada no estilo “estou feliz da vida porque estou indo para Hogwarts” e outra pulando como se estivesse mesmo atravessando a parede. A mulher que estava na minha frente se empolgou tanto e empurrou o carrinho com tanta força que eu achei que ela talvez fosse mesmo atravessar a barreira. Depois disso eu fui devidamente encaminhada à lojinha, onde comprei duas fotos.

Platform 9 3/4

Voltando de Bath na última quinta-feira tive que fazer conexão na King’s Cross e aproveitei pra dar mais uma olhadinha e garantir mais uma foto na Plataforma 9 3/4, incrível como estava mais vazia do que da outra vez! Mesmo em um horário mais cedo. Conversei um pouquinho com o moço que entrega os cachecóis e ele me disse que durante as férias de verão (entre os meses de julho e agosto) eles chegam a tirar cerca de 1000 (MIL!!!) fotos por dia, das quais 300 a 400 são vendidas. A partir de setembro o movimento cai um pouco, mas sempre tem gente visitando.

A loja é pequena, mas bem bacana e está sendo expandida. Tem todo tipo de produto relacionado à série Harry Potter: casacos dos times de quadribol das diferentes casas, cachecóis, chaveiros mil, canetas, canecas, camisetas, quadros, passagens para o Hogwarts Express, cartões postais, varinhas de praticamente todos os personagens e até mesmo uma réplica do diadema da Rowena Ravenclaw! Não tem nada barato, os casacos custam cerca de £50,00, as canecas £8,00 e o diadema, se não me engano, algo como £150,00! Mas como este é um post muquirana, você pode simplesmente entrar, olhar tudo e sair de lá sem gastar absolutamente nada.

platform 9 3/4

Serviço:

A loja fica na estação King’s Cross, ao lado do carrinho que tem as malas e uma gaiola com uma pobre Edwiges empalhada. O jeito mais fácil de chegar até lá é descendo na estação de metrô St. Pancras’/King’s Cross e dentro da estação é só perguntar para qualquer pessoa onde está o carrinho, ou procurar por uma fila enorme.

Cada foto avulsa custa £9,00, o preço cai pra £15,50 por duas e £20,00 para três. Você não precisa comprar a foto, pode simplesmente pedir para um amigo, ou transeunte, fazer o registro pra você. De qualquer maneira, só de estar esperando na fila já tem a direção artística e o cachecol, o que eu achei muito bacana.

A loja na plataforma 9 3/4 fica aberta até às 22:00 e o fotógrafo fica por lá até umas 21:30.

O site deles é esse aqui.

Na Gringa, Pogramas

Inglaterra a baixo custo: um fim-de-semana bem inglês e bem em conta

October 12, 2015

Eu já venho batendo nessa tecla há alguns posts, mas acho que reforçar uma boa idéia é sempre válido. Então hoje volto a insistir que é possível viajar pela Inglaterra a baixo custo, mantendo sempre em mente que o baixo custo inglês é meio caro para nossas carteiras brasileiras. Mas, venha comigo que no caminho eu te explico e a paisagem compensa!

Penshaw Monument

Pouco antes de eu vir pra Inglaterra o Josh me mandou um artigo publicado por um jornal daqui que selecionava 57 passeios em Newcastle e arredores para fazer com as crianças nas férias. A melhor parte? Todos de graça! Lembram do que eu já falei? A Inglaterra é cara para os ingleses também.

Penshaw Monument

Num sábado sem programação prévia decidimos visitar esse monumento que fica aqui pertinho. O Josh já tinha falado dele algumas vezes e sugerido que nós fôssemos até lá pedalando, mas como não conseguimos encontrar uma bicicleta para mim desistimos da idéia e fomos de carro com meus sogros.

Penhsaw monument

A foto que eu tinha visto mostrava um monumento grande, com colunas gregas e uma certa semelhança com o Parthenon em Atenas (que eu só conheço por fotos, infelizmente). Em determinado momento da história, o norte da Inglaterra fez parte do Império Romano, então achei que essa construção pudesse ser um templo daquela época que foi muito bem conservado. Mas não, chegando lá fiquei sabendo que foi construído pelo Conde de Durham em 1844, ou seja, bem depois da queda do Império Romano. Achei um pouco decepcionante e me lembrei daqueles prédios neoclássicos horrorosos que foram construído em São Paulo no começo dos anos 2000. Aquele tipo de coisa que esfrega bem na sua cara o fato de D’us dar nozes a quem não tem dentes. Mas o Penshaw é bem mais bonito e classudo do que aquelas medonhas “Mansões Suspensas Kauffmann 5 vagas + visitante”.

Enfim, mau gosto e novo-riquismo à parte, pesquisando mais sobre o monumento para escrever no blog, descobri que esse tipo de construção é chamado de Folly em inglês e achei esse fato curiosíssimo. Por quê? Folly quer dizer loucura, desvairio, insensatez, tolice, idiotice, mas também é um termo usado para descrever uma edificação feita apenas com o propósito decorativo, mas cuja aparência sugere outra função. Por exemplo o Penshaw, que parece ser um templo grego mas é só um prédio bonito com colunas em cima de uma colina. Genial usar folly para descrever esse tipo de construção, não? O Oxford English Dictionary diz o seguinte a respeito do termo: a popular name for any costly structure considered to have shown folly in the builder. Em bom português: um nome popular para qualquer estrutura cara, cuja loucura do construtor seja evidente. Aquele predião na Marginal Pinheiros, onde era a Daslu, me parece um bom exemplo brasileiro para o termo.

Penshaw Monument

O monumento é todo construído com blocos de arenito e tem 20 metros de altura, 30m de comprimento e 16m de largura, é enorme e eu achei bem bonito. O nome correto é The Earl of Durham’s Monument, mas acabou ficando conhecido como Penshaw Monument, por causa da colina onde ele está localizado, que se chama Penshaw.

É possível subir até o topo dele por uma escadaria que fica escondida em uma coluna, custa £5,00 por pessoa e geralmente tem uma fila de espera um pouco demorada. No dia em que fomos teríamos que esperar cerca de uma hora pela nossa vez, então desistimos. A escadaria fica aberta entre a sexta-feira santa e o fim de setembro e fica fechada durante o inverno. Se você quiser apenas subir a colina e visitar o monumento não terá que gastar nada, mas doações são sempre bem-vindas.

Penshaw Monument

De lá descemos para o parque que fica logo em frente para fazermos a coisa mais inglesa possível; um piquenique! Nós levamos os sanduíches de casa, mas você pode comprar o seu lanche num supermercado, como eu já ensinei aqui. Enquanto comíamos nosso lanche vimos umas crianças sem noção do perigo correndo atrás dos cisnes. D’us me livre de alguma coisa acontecer com um cisne! Todos eles pertencem à Rainha Elisabeth. Já imaginou que B.O. machucar um deles?

Piquenique no parque

Piquenique no parque

Um dos cisnes não achou muita graça na perseguição e deixou bem claro.

Um dos cisnes não achou muita graça na perseguição e deixou bem claro.

Então pegamos um carro e fomos até Sunderland, uma cidade vizinha que tem o time de futebol arqui-inimigo do Newcastle United.

Museu do vidro

Sunderland

Paramos o carro no estacionamento em frente ao museu e fomos observar o mar, no meio do caminho percebemos que dava pra olhar pra dentro do museu através das placas de vidro que estavam no chão. Então decidimos visitar o museu também!

national glass centre

Dá pra ver láááá embaixo?

Dá pra ver láááá embaixo?

 O National Glass Centre é um centro cultural ligado à Universidade de Sunderland, onde é possível se graduar em vidraçaria e também fazer cursos avulsos. Nós demos sorte e chegamos lá bem na hora em que uma demonstração ia começar!

national glass centreO senhor da foto nos mostrou todo o procedimento envolvido para fazer um peso de papel em formato de bola e eu fiquei morrendo de vontade de me inscrever em uma das oficinas que eles oferecem lá no centro. Agora em outubro vai ter uma para fazer uma abóbora de vidro para o Halloween, pena que é preciso esperar três dias para a peça esfriar o suficiente para poder ser transportada e não daria tempo suficiente para eu levar a minha para o Brasil.

Além das demonstrações, há também o museu do vidro lá no centro. Eu não sabia que Sunderland era um centro de vidraçaria tão famoso assim, mas a tradição começou no século VII, quando artistas foram trazidos para fazerem um vitral para a igreja de São Pedro. A produção atingiu seu ápice no século XVIII por causa do baixo preço do carvão e boa qualidade da areia que podia ser importada, as principais matérias para a fabricação de vidro. Alguns anos depois surgiu uma famosíssima marca de vidro na cidade, a Pyrex.

National glass centre

national glass centre

A loja do museu tem peças lindas e há também um restaurante com vista pro mar. Como estávamos em um dia bem frugal não compramos nada, nem na lojinha e nem no restaurante, apenas fizemos uma doação para o museu.

Somando tudo, imagino que não tenhamos gastado mais do que £10,00 incluindo transporte e tivemos um dia ótimo.

Serviço

National glass centrePara chegar até o National Glass Centre é possível pegar o metrô no centro de Newcastle e descer na estação St. Peter’s, a viagem dura uns 25 minutos.

Para chegar até o Penshaw Monument, pegue a linha verde do metrô em Newcastle e vá em direção à estação Sunderland, lá troque para o Ônibus 2 em direção a Silksworth e desça no ponto Chester Road – Monument. Demora cerca de uma hora.

Di cumê, Na Gringa, Pogramas

Restaurante norte-coreano em Phnom Penh: meu mico de viagem mais divertido

October 1, 2015

“Meu, tirando aquela vez em que eu te levei no restaurante norte-coreano em Phnom Penh, quando foi que eu já te meti em roubada?”

Pyongyang restaurant

Eu meto ela em roubada, mas ela se diverte.

Parece frase de comédia americana ruim, né? Mas não, aconteceu comigo e com a minha amiga Yara no ano passado.

Desde 2013 que eu ando com um desejo enorme de visitar a Coréia do Norte. Eu já tinha me interessado pelo país há alguns anos, quando vi uma charge (lembram-se do Charges.com ?) do Kim Jong Il na época em que os Estados Unidos invadiram o Iraque. Depois tive a curiosidade um pouco mais aguçada ao encontrar uma reportagem numa Marie Claire, acho que em 2008, que me levou a algumas buscas não muito bem sucedidas no Google. Sei que depois disso botei a pequena nação asiática no arquivo morto da minha cabeça e fui cuidar de outras coisas. Até que em fevereiro de 2013 meu amigo Zé Eduardo comentou sobre os posts que ele havia lido em um blog de viagens, era um cara que tinha ido pra Coréia do Norte, pra fazer turismo! Entusiasmei-me! Mais ainda quando descobri que o autor era brasileiro, mais ainda quando li todo o relato, vi as fotos e descobri que eu também poderia ir, se quisesse. E só não marquei a viagem pro dia seguinte porque não tinha dinheiro.

Então eu fui pro Jalapão, conheci a Yara, trocamos muitas figurinhas sobre viagens feitas e que queríamos fazer e contei pra ela que estava morrendo de vontade de conhecer a Coréia do Norte.

– Olha, Ângela, pra lá eu não vou não.

Foi isso que eu ouvi.

Algumas viagens depois, Yara e eu fomos parar em Phnom Penh, a capital do Reino do Camboja, em novembro do ano passado. Assim que o ônibus entrou na cidade vi uma placa enorme com os seguintes dizeres:

PYONGYANG RESTAURANT

pyongyang restaurant

– Yara, nós vamos!

Como pra capital da Coréia do Norte ela não queria ir de jeito nenhum, abriu a exceção e concordou em jantar no restaurante. Demos uma busca no Google para encontrar o endereço e descobrimos que esta é uma cadeia de restaurantes, tipo um Outback norte-coreano, e que há alguns deles espalhados pela Ásia. Mas o mais importante é que as garçonetes cantam e dançam, vestindo roupas típicas e tudo!, para entreter os clientes. (Alguém aqui já comemorou aniversário no Outback? Consegue ver a semelhança?)

No dia seguinte pegamos um tuk-tuk até o restaurante, eu mais feliz do que uma criança que vai à Disney pela primeira vez e a Yara tentando conter minha ansiedade. Chegamos e qual é a primeira coisa que eu vejo? Uma placa dizendo que é proibido fotografar!

Quanta decepção, minha gente! Mas tudo bem, eu estava lá pela experiência. Não era um restaurante em Pyongyang, era no Camboja; praticamente a mesma coisa que a Disney de Paris. Não é a Disney de verdade, mas serve.

Entramos.

D-O-U-R-A-D-O

Tinha até uma raquetinha de matar pernilongo!

Tinha até uma raquetinha de matar pernilongo!

Quando eu era criança, minha mãe lia pra mim a história dos óculos do vovô, que caíram num balde de tinta roxa e então ele passava a ver o mundo todo roxo; a grama ficava roxa, a vovó ficava roxa, o céu ficava roxo, o cachorro ficava roxo, o neto ficava roxo… Deu pra entender, né? Então, achei que os meus óculos haviam caído num balde de tinta dourada. As cadeiras eram douradas, as cortinas eram douradas, as toalhas nas mesas eram douradas… Só pra garantir que não havia nada de errado com os meus óculos, e consertar caso houvesse, tirei-os e dei uma limpadinha básica na barra do vestido. Não adiantou, tudo continuava dourado ao nosso redor; era a decoração do restaurante mesmo.

Dourado, muito dourado! E esse babadinho luxo embaixo da cadeira?

Dourado, muito dourado! E esse babadinho luxo embaixo da cadeira?

Logo uma mocinha bem sorridente veio nos receber e nos encaminhou a uma mesa enorme, devidamente coberta por uma toalha dourada, e nos entregou os cardápios. Ao nos sentarmos, nos demos conta que ainda havia alguns pratos sujos – provavelmente dos clientes que lá sentaram antes de nós – mais pra ponta da mesa e eles lá permaneceram até que nós fôssemos embora. Abrimos o cardápio e a primeira opção eram Traditional Pyongyang style cold noodles. Dei mais uma olhada no resto do menu e voltei à primeira opção, a única que se dizia “tradicional”. Chamei a garçonete e fiz a pergunta cuja resposta eu temia ouvir:

-São apimentados?

Para minha tristeza ela disse que sim, eram apimentados. Gente, se um coreano, algum dia, te disser que um prato é apimentado, tenha certeza que será a mesma sensação de colocar um carvão em brasa na sua boca. Eu não saberia dizer se sou alérgica a pimenta ou não, mas minha intolerância beira o ridículo e inclui até pimenta do reino. Sabe quando alguém te fala que a comida está tão ardida que passou do ponto “picante agradável”? Então, pra mim não existe o tal do “picante agradável”, pra mim qualquer picante é muito desagradável. Com isso em mente, escolhi algo que me pareceu inocente o bastante; um tipo de omelete-panqueca com legumes e frutos do mar. Yara me acompanhou na escolha.

Parece inofensivo, não?

Parece inofensivo, não?

Gente, que coisa horrêvel! A massa da parte “panqueca” do omelete estava crua e o nível de pimenta beirava o insuportável, apesar da garçonete ter me garantido que o prato não era picante. Aprendi a nunca mais confiar em coreanos quando se trata de pimenta. O resultado foi que nenhuma das duas conseguiu comer mais do que três ou quatro bocados  da gororoba.

pyongyang restaurantO que salvou a gente de morrer de fome foram as entradinhas, que não eram deliciosas, mas encaráveis:

restaurante norte-coreano

Mas e essas fotos todas? Não era proibido tirar fotografia? Então, em tese era, mas logo nós começamos a ver todos os outros clientes tirando celulares e câmeras e fotografando tudo, inclusive tirando fotos com as garçonetes. Depois dessa cena nós perdemos a vergonha e mandamos ver no registro da experiência, que só não foi completa porque chegamos tarde demais e perdemos a apresentação das garçonetes… Mas tudo bem, assim eu mantenho a carta na manga pra convencer a Yara a ir comigo pra Pyongyang; afinal de contas, eu não vi a dancinha!

Serviço:

Não me lembro quanto saiu a conta, com certeza não ficou em mais de R$ 30,00.

A unidade de Phnom Penh fica no 400 Preah Monivong Blvd e a dica é chegar antes das 19:30, pra não perder a dancinha.

Na Gringa, Pogramas

Shakespeare’s Globe; uma viagem no tempo através de uma peça.

September 24, 2015

Josh e eu passamos a última semana de agosto em Londres e uma das coisas mais legais que fizemos foi assistir a uma peça no Shakespeare’s Globe, uma réplica do teatro no qual as peças originais eram montadas. A idéia veio quando me lembrei de um post da Mari, que escreve o Pequeno Guia Prático Para Mães Sem Prática (pois é, houve uma época em que li um ou outro blog de mães), em que ela contava sobre a experiência de ter assistido “Romeu e Julieta” no Globe. Achei que seria um bom programa pra fazermos durante nossos dias na capital inglesa e fiquei feliz quando descobri que os preços dos ingressos eram bem acessíveis. Em cartaz estavam “As you like it” e “Richard II”, sendo a primeira uma comédia e a segunda uma tragédia. Como uma conhecedora bastante rasa do bardo – posso até citar o nome de algumas das peças que ele escreveu, mas dizer do que se tratam, só uma ou duas e olhe lá, sendo que uma delas seria a famosíssima “Romeu e Julieta” – optei pela comédia por achar que seria uma história mais fácil de seguir  e cliquei para ver a disponibilidade de assentos e horários, TUDO esgotado. Fuén fuén fuén, teríamos que encarar a tragédia se quiséssemos ir ao Shakespeare’s Globe.

Ele por fora.

Ele por fora.

Por diversos motivos estava com medo de não entender a peça; havia a questão das falas serem em inglês antigo, o sotaque britânico que eu às vezes tenho um pouco de dificuldade para entender somado à minha relativa surdez, o contexto histórico que eu desconhecia completamente e o fato de que tragédias costumam ter um enredo mais complicado do que comédias, o que tornaria tudo mais difícil quando somado aos problemas anteriores. Ou seja, estava com medo de ficar a ver navios tendo pagado por isso em libras esterlinas. Então fui procurar saber mais sobre o assunto, pois sei que houve alguns Reis Ricardos na Inglaterra – aprendi sobre pelo menos um deles nas 1000 vezes que assisti ao Robin Hood da Disney quando era criança – mas sobre esse, que não era o “Coração de Leão”, eu não sabia nada.  Descobri então que o drama não teve boa aceitação porque o rei abdica do trono e a nobreza da época não viu isso com bons olhos. Além da busca sobre o assunto na interwebz, comprei o programa na entrada do Shakespeare’s Globe e li o resuminho antes do início do espetáculo – e recorri a ele várias vezes durante também. Juntando a tudo isso à encenação e ao cenário, deu pra entender praticamente todas as falas, bem como a história inteira.

O único mico do dia foi ter comprado o ingresso para ficar em pé na platéia… Conversando com o amigo que nos hospedaria em Londres (que também se chama Josh e que de agora em diante passará a ser o other Josh, por motivos de não fazermos confusão com boyfriend Josh), quis saber quais seriam os melhores lugares no Globe. Eu nunca entendo bem aqueles mapinhas de assentos que os teatros fornecem, sempre fico confusa e com medo de me sentar na lateral e não conseguir ver nada do palco, ou ir muito pro fundo e ter apenas a visão das cabeças de quem está sentado à minha frente. Então other Josh disse:

– No Globe não faz sentido ficar sentado, os bancos são duros, desconfortáveis e, na época do Shakespeare todo mundo assistia às peças em pé mesmo.

Na hora eu não parei pra pensar que na época do Shakespeare as pessoas também não tinham várias coisas que nós temos hoje em dia (guardar comida na geladeira e água quente encanada são dois bons exemplos de como a humanidade evoluiu de lá pra cá) e só consegui focar em como sairia bem mais barato ficar em pé do que sentada. Uma diferença de £10 nunca passa em branco, não é mesmo? Gente, sigamos o exemplo da geladeira, do microondas, do zíper e da água quente encanada e deixemos certos hábitos de 1500 onde eles deveriam ficar, em 1500 mesmo. Não deixem o pão-durismo passar por cima de certas coisas como eu deixei e me arrependi amargamente. Eu detesto ficar muito tempo em pé, sou do tipo de gente que quer que o mundo acabe em barranco pra morrer encostada e não tenho vergonha de admitir, fui burra quando não levei isso em consideração na hora de botar a mão no bolso.

A visão de onde eu queria estar, a partir de onde eu estava.

A visão de onde eu queria estar, a partir de onde eu estava.

O primeiro ato é mais longo do que o segundo, o que é providencial, pois dá pra dar uma sentadinha ali no chão mesmo durante o intervalo. Aconteceu que em um dado momento do segundo ato eu não aguentava mais de dor nos pés e nas costas e me sentei novamente, então veio uma funcionária do teatro me perguntar se eu estava passando mal, quando eu disse que não ela me falou: “Então eu vou ter que pedir pra você ficar de pé”. Rangendo dentes e amaldiçoando as futuras gerações da mulher me levantei e me pus a pensar que isso não fazia sentido algum, sentada eu não estaria atrapalhando a visão de ninguém. Mas vai saber, né? Vai ver faz parte da atmosfera que eles querem manter. Eu sei que prefiro me sentar da próxima vez.

Serviço:

Você pode comprar os ingressos pelo site do Shakespeare’s Globe e recebê-los em casa ou retirá-los na bilheteria, como eu fiz. Chegando lá é só dar o seu nome e eles te entregam.

A maioria dos espetáculos acontece de tarde, então se for um dia ensolarado não se esqueça de levar um boné e óculos escuros. É possível que o sol fique bem na sua cara, especialmente se você estiver sentado bem no centro.

É bem fácil chegar ao teatro a partir das estações de metrô: Mansion House, Temple, Blackfriars, Southwark e St. Paul’s. A pé, você não vai andar mais do que 15 minutos a partir de qualquer uma delas e há bastantes indicações tanto nas estações quanto nas ruas.

Na Gringa, Pogramas

A melhor vista de Koh Phi Phi

August 26, 2014

Se existe algo capaz de me tirar do sério quando se trata de viajar, é gente que chega com uma enorme lista de temques.

– Você vai pra Nova Iorque? Ai que máximo! Você temque ir numa livraria que eu fui!

– Ah, se você for mesmo pra Paris , você temque jantar no restaurante que meu marido me levou.

– Nossa, ali perto de onde você vai ficar tem uma praia maravilhosa, você temque ir!

Eu não temque que nada, minha filha, nada além de visitar o que eu quiser e no ritmo que me agradar. Eu, hein? A comparação pode parecer um pouco exagerada, mas sinto esses palpites, por mais bem intencionados que sejam e eu acredito que sejam, como mães de primeira viagem – e aqui está nosso ponto em comum, somos todas viajantes – ouvindo conselhos e mais conselhos que elas não pediram e não querem ouvir. E foi assim que eu deixei de ver a melhor vista de Koh Phi Phi em 2011.

viewpoint koh phi phi

O curioso é que eu saí daqui sem ter conhecido o Viewpoint e sem achar que eu estava perdendo alguma coisa, ou conhecendo menos o lugar. Assim como eu deixei de visitar muitos pontos em tantos outros lugares em que estive. Enfim, dessa vez resolvi que não deixaria de visitar, tirar foto, colocar no Instagram (Ainda não me segue? É @angelagolds), mandar pros amigos e fazer inveja dizendo que é aqui que eu moro; só estava esperando uma oportunidade aparecer para galgar todos os degraus, que são muitos.

Pois muito bem, outro dia conversava sobre pontos de mergulho no Brasil enquanto almoçava com uma amiga do trabalho e quando me levantei fui abordada por duas meninas em bom português:

– Você também é brasileira?

– Sou sim.

– E você mora aqui?

– Moro.

– Nossa, que máximo! Péra… você é a Ângela? Eu vi o seu Instagram! Eu estava procurando fotos de Phi Phi e achei seu perfil.

(Pausa para o momento em que me senti uma blogstar!)

Retomando a nossa programação normal… Acabou que eu me sentei à mesa com elas e passamos a tarde juntas, foi uma delícia poder dar um tempo no inglês e voltar a falar português. Conversamos sobre a vida em Koh Phi Phi, os lugares por onde elas tinham passado, os que ainda visitariam e então surgiu a idéia de subirmos até o Viewpoint.

Pee Pee viewpoint

É, eu moro aqui, e a entrada para a escada que leva ao Viewpoint é bem pertinho da minha casa.

Passei em casa para pegar a câmera e deveria ter aproveitado para trocar de sapatos também, pois subir de havaianas foi uma idéia pra lá de infeliz. Estava um calorão, como sempre, e meus pés começaram a suar durante a subida, fazendo com que a sandália ficasse indo de um lado para o outro e junto com ela o meu equilíbrio, o que não é nada desejável em uma escada íngreme e sem corrimão. Fica a dica de ir de tênis, papete ou qualquer outro sapato que fique bem preso aos seus pezinhos.

viewpoint koh phi phi

O calor é intenso, ainda mais nesta época do ano, quando chove muito e a umidade faz com que você tenha a sensação de que está nadando no ar. Assim, a segunda dica que fica é levar protetor solar, boné e água. Há uma lojinha no topo no Viewpoint, mas é tudo bem mais caro, como é de se esperar.

viewpoint koh phi phi

Chegando no topo da escadaria é necessário pagar 20 Baht para ter acesso à melhor vista de Koh Phi Phi e continuar mais uma bela caminhada por uma rampa que parece não ter fim. Mas tem, eu juro, e a vista compensa muito.

Dizem que o melhor é esperar pelo pôr-do-sol, mas nós ainda queríamos fazer uma massagem e os mosquitos não estavam nos dando paz – fica também a dica de levar repelente.

Enfim, relevar os temques que ouvi e não ter subido até o Viewpoint da primeira vez em que estive na ilha acabou sendo uma boa. Pude fazer o passeio na companhia de pessoas legais, falando português, dando risada do monte de gringos tirando suas selfies e ter mais uma boa história pra contar pra vocês aqui no blog. Meu único arrependimento? Não ter tirado uma foto com as meninas!

E você? Gosta de dizer o que os outros temque ver quando viajam? Gosta de ouvir os palpites? Me conta!