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Sobre a vida

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Mas você vai sozinha?

December 31, 2016

Ô, se vou! Agora mais que nunca, inclusive.

Há exatos seis anos eu pisava em Koh Phi Phi pela primeira vez, completamente sozinha. Também pela primeira vez. O plano original não era esse, mas a vida acontece e assim acabei indo viajar sozinha pela primeira vez. Sem ninguém a me esperar do outro lado do desembarque. E sabe que foi uma sensação muito da boa?

Julgar um livro pelo título não pega tão mal quanto julgar pela capa, néam?

Julgar um livro pelo título não pega tão mal quanto julgar pela capa, néam?

E essa sensação do “ir sozinha” me levou a julgar um livro pelo título, ao invés de pela capa. O que não é tão grave assim. Ainda mais um título como este, que agrada a qualquer mulher viajadeira.

Quando recebi o e-mail da editora Globo comunicando o lançamento do livro e perguntando se eu tinha interesse em receber uma cópia, imediatamente respondi que sim. Queria muito saber o que outras viajantes solitárias pensam a respeito do assunto.

Sozinha no Vietnã

Sozinha no Vietnã

Além dos constantes “por que pra lá?”, a pergunta que ouço com mais frequência é “mas sozinha???”. Como se a falta de companhia implicasse no fracasso certo das minhas andanças.

Ok, a primeira vez sozinha nunca é fácil. Mas que primeira vez é fácil nessa vida, minha gente? Todas elas exigem um passo para fora da nossa zona de conforto. O que não significa que serão ruins, só quer dizer que não serão moleza.

E o livro da Gaia fala muito sobre isso, além de aguçar a vontade de fazer a mala e cair na estrada novamente. Os destinos que ela cita no livro são os mais diversos possível. Desde países vizinhos aqui da América Latina, até a distante Índia.

Sozinha no Taj Mahal

Sozinha no Taj Mahal

Aliás, ver a Índia lá aqueceu meu coração pelos mais diversos motivos mas principalmente por vê-la mencionada duas vezes como um bom destino para mulheres viajando sem companhia. Gaia me fez querer voltar à Índia, sozinha inclusive.

Também gostei muito de ver ali mencionados destinos mais tradicionais e palatáveis para quem pensa em embarcar numa aventura solo pela primeira vez. O encantador na narrativa dela é perceber como situações inesperadas acontecem mesmo em lugares considerados “batidos” por viajantes mais experientes. Basta estar aberto. É clichê, mas não sem razão.

E algo que achei ainda mais bacana e que permeia quase todas, senão todas, as histórias do livro é o fato de que estar sozinha não é sinônimo de isolamento. Muito pelo contrário, o fato de não ter companhia facilita o engatar numa conversa com desconhecidos, ser convidada a se juntar à mesa de uma família descendente de chineses em Nova Iorque. Talvez viajar sozinha não seja exatamente viajar sozinha, mas sim viajar sem companhia definida.

O que se pode tirar de lição do livro da Gaia é que basta querer para que sua viagem solo seja ótima. E tomar algumas precauções básicas, é claro, porque a gente não é besta de se expor a riscos à toa.  Não deixe a falta de companhia definida atrapalhar seus planos de conhecer o mundo, ou a cidade vizinha.

Mas você vai sozinha?” – Gaia Passarelli. Ed. Globo, 2016.

Na Gringa, Sobre a vida

Uma visita a Beatrix Potter e Peter Rabit

May 16, 2016

Num momento em que muito se fala sobre a ausência de mulheres nos ministérios e em como alguns veículos de comunicação tentam forçar o modelo “bela, recatada e do lar” nossa goela abaixo, é importante conhecermos tantas mulheres incríveis quanto pudermos. Beatrix Potter é um delas.

Na verdade, é bem possível que você já tenha ouvido falar dela em algum momento. Seja por causa dos livros infantis que ela escreveu ou do filme sobre sua vida que esteve nos cinemas em 2006, Miss Potter.

By Charles G.Y. King (1854-1937) - National Portrait Gallery

By Charles G.Y. King (1854-1937) – National Portrait Gallery

Beatrix nasceu em 1866 numa família muito rica e não fez nada do que seria esperado de uma moça na Inglaterra Vitoriana. Não se casou cedo, tornou-se financeiramente independente graças a seu trabalho, apresentou um trabalho científico na Linnean Society em Londres, publicou mais de 20 livros infantis e foi morar sozinha na fazenda que comprou com seu próprio dinheiro.

Quer mais?

Ela também abraçou a causa e foi pioneira na conservação do Lake District, uma das regiões mais bonitas da Inglaterra.

Lake Windermere

Beatrix aprendeu a desenhar quando criança e foi bastante estimulada pelo pai, que também gostava muito de desenho e pintura. Seus modelos preferidos eram seus animais de estimação e as paisagens da Escócia e do Lake District, onde a família costumava passar férias. Essas temporadas em meio à natureza foram fundamentais para que seu interesse por animais e plantas se tornasse cada vez maior.

Ela tornou-se uma naturalista, com especial interesse em fungos. Dedicou-se ao estudo deles durante anos, fazendo desenhos detalhadíssimos e descobrindo que a literatura sobre o tema que existia até então estava errada quanto a seu ciclo de vida. Por muito tempo correspondeu-se com o cientista escocês Charles MacIntosh sobre o assunto e chegou a escrever um estudo científico sobre o tema para ser apresentado na Linnean Society em Londres. Acontece que naquela época mulheres não podiam entrar nem no prédio da sociedade, muito menos apresentarem trabalhos científicos nas reuniões. A solução foi pedir a um conhecido que o fizesse. Em 1897 Geroge Massee, um botânico, fez as honras e apresentou o trabalho Germination of the spores of the Agaricineae. O estudo foi aceito, mas os cientistas pediram para que ela se aprofundasse mais no tema, coisa que ela nunca fez.

Um dos muitos desenhos que a autora fez durante seus estudos de micologia.

Um dos muitos desenhos que a autora fez durante seus estudos de micologia.

A razão é simples, aos 32 anos ela finalmente encontrou uma editora que se interessou pela publicação de seu primeiro livro; The Tale of Peter Rabbit. Ou, A história de Pedro Coelho. O livro foi um sucesso absoluto e assim começou seu caminho rumo à sua independência financeira, algo muito inovador no comecinho do século XX.

Durante sua carreira de escritora Beatrix Potter publicou 23 livros infantis – cerca de dois por ano. Ela tinha algumas exigências em relação ao formato dos livros: eles deveriam ser pequenos, para que pudessem ser confortavelmente segurados pelas próprias crianças e não deveriam ser caros, para que o maior número de pessoas possível pudesse comprá-los. Por isso mesmo o plano inicial para a primeira edição de Peter Rabbit era de que as ilustrações não fossem coloridas.

peter rabbit

Beatrix Potter e Norman Warne, seu editor, ficaram noivos em 1905 mas o compromisso nunca foi oficializado por não ser aprovado pelos seus pais. Eles não consideravam o pretendente à altura da filha por serem de classes sociais diferentes. Infelizmente eles não chegaram a se casar pois Warne morreu de leucemia alguns meses depois de fazer o pedido.

Pouco tempo depois, com o lucro da venda de seus livros, ela comprou a fazenda Hill Top no Lake District e se mudou para lá. Sozinha. Em 1905.

Hill top

Não só a fazenda continuou produtiva depois que ela se mudou, como ela deu início à criação de ovelhas Herdwick, uma raça nativa da região. Aos poucos foi adquirindo outras propriedades ao redor pois tinha a intenção de conservar a paisagem do Lake District ao máximo. Ela se preocupava com o impacto que o desenvolvimento da região teria não apenas na paisagem, mas também no modo de vida e aspectos culturais do local. A procura por novas propriedades e os aspectos legais da preservação de suas terras levaram Beatrix Potter a conhecer o advogado com quem se casou, William Heelis. Mais uma vez os pais não aprovaram a união, mas como dona do seu nariz que era, Potter não se importou e casou-se com ele mesmo assim. Ela e William tornaram-se parceiros do National Trust, órgão inglês que cuida da preservação de patrimônios da Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte, e como não tiveram filhos deixaram todo o patrimônio como doação para o National Trust.

Mas quer saber o mais legal?

Você pode visitar a fazenda onde ela morou! Sim, Hill Top é mantida pelo National Trust e é aberta ao público para visitação. Não é demais?

Hill TopInfelizmente  fotografias dentro da casa não são permitidas, mas tudo está mantido do jeitinho como ela deixou. Espalhados pela casa estão alguns de seus livros e é possível reconhecer diversos cômodos e objetos nas suas ilustrações!

A visita é feita com hora marcada pois há um número máximo de pessoas que podem entrar na casa de cada vez. Você determina o horário na hora em que compra o ingresso.

Como ir:

Estando em Windermere, uma das maiores cidades do Lake District e do lado oposto do lago, há duas opções para chegar até Hill Top. A primeira é de ônibus:

Já a segunda é ir de barco cruzando o lago Windermere. Não tive dúvidas, fui andando até Bowness-on-Windermere, a cidade vizinha que fica na beira do lago e peguei o barco até o outro lado. Lá a van do Mountain Goat estava me esperando e rapidinho chegamos a Hill Top.

Mountain Goat

Serviço:

O ingresso individual de adulto custa £ 11,00. Mais informações sobre a casa dela, horários de abertura, preços de ingressos para crianças e famílias é só clicar aqui.

A travessia do lago se chama Cross Lakes Experience  e o bilhete é comprado no píer de Bowness-on-Windermere no escritório do Windermere Lake Cruises, que faz a operação combinada com a van do Mountain Goat. O bilhete individual de adulto custa £ 4,80 e vale para ida e volta. Eles também oferecem bilhetes de família, mais informações do Windermere Lake Cruises aqui. Mais informações sobre o trajeto com o Mountain Goat é só procurar aqui.

Caso você prefira ir de ônibus, o 505 sai do ponto que fica junto à estação de trem de Windermere e o passe do dia todo custa £ 8,00. Mais informações sobre o trajeto e horários aqui.

Para quem tem coragem de dirigir do lado errado da rua, também conhecido com mão inglesa, há um estacionamento com parquímetro ao lado da bilheteria.

Hill Top

*O Naonde? tem um compromisso de transparência total com os leitores e informa que minha visita à casa da Beatrix Potter foi a convite do National Trust e que o transporte foi uma cortesia do Mountain Goat e Windermere Lake Cruises.

Braseel, Sobre a vida

10 meios de sair do Brasil se o impeachment acontecer

April 11, 2016

Não conheço uma única pessoa que esteja plenamente satisfeita com o atual governo. Na verdade, não conheço quem quer que seja que esteja plenamente satisfeito com o seu governo, não importando o país de origem. E isso me leva a pensar sobre a situação atual do Brasil; que requer um olhar cuidadoso, que vá muito além de simplesmente encontrar a figura do herói salvador da pátria que tanta gente anda buscando.

Um processo de impeachment, com cheirinho de golpe, foi instalado e deve ter sua votação na segunda-feira. O perigo reside na questão sobre a qual ninguém parou pra pensar: o dia depois do impeachment. Tira-se a presidente e então? Os acordos que estão sendo esboçados a lápis são facilmente apagáveis e meu maior medo é que um certo deputado da bancada evangélica venha a assumir o cargo de autoridade máxima da Nação Brasileira. Nossa visão anda tão curtinha e tolhida que só se ouve gente criticando alguns passos em falso dados pelo atual governo e gritando por sua saída. Mas não se pensa e nem se fala sobre o depois.

Pensando nisso me lembrei daquela classe média do texto de ontem, a que adora ir a Miami fazer compras e dizia que se mudaria para lá caso o governo fosse reeleito em 2014. Então a Kate escreveu um texto sobre 15 maneiras de sair do Estados Unidos caso o Trump for eleito e foi impossível não associar a figura do candidato americano à de um certo deputado preconceituoso e gastão da bancada evangélica. Bom, se os americanos têm medo do Trump, eu tenho é muito medo desse senhor.

Portanto, sem mais delongas, apresento aqui…

10 meios de sair do Brasil se o impeachment acontecer:

1 – Mudar para o Uruguay

Montevidéo

Em 2015 a Presidente Dilma Rousseff assinou um acordo com o então Presidente uruguaio, José Mujica, que “visa promover a livre circulação de pessoas, desburocratizar a concessão de vistos permanentes e permitir o reconhecimento de documentos expedidos nos dois países”.

Lado A: O Uruguai é um país lindo, pequeno, vizinho ao Rio Grande do Sul e portanto com hábitos parecidos aos da região. A barreira da língua não é muito grande, os uruguaios são simpáticos, gentis, a vida cultural de Montevidéo é animada e o litoral do país muito bonito.

Lado B: É um país caro, a oferta de imóveis em Montevidéo não é enorme e os preços dos aluguéis são salgados e falar bem espanhol é um pré-requisito para conseguir trabalho.

Este post da Adriana pode te ajudar a pensar melhor sobre o assunto.

2 – Estudar no exterior

No Nymphenbad, em Dresden, onde estudei em 2002.

No Nymphenbad, em Dresden, onde estudei em 2002.

Muitas faculdades americanas oferecem bolsas de mestrado e doutorado que cobrem o valor do curso e ainda dão ajuda financeira para o estudante. Em geral esse apoio financeiro é dado em troca de trabalho, o pós-graduando atua como monitor em alguma disciplina, corrige provas dos alunos de graduação etc..

Não apenas universidades americanas, muitas universidades européias oferecem programas parecidos. É só uma questão de procurar sua área de interesse, se inscrever e torcer para ser aceito.

Lado A: Você garante um diploma a mais para seu CV, ganha experiência no mundo acadêmico e abre mais portas, tanto no mercado de trabalho quanto no acadêmico.

Lado B: A não ser que seu país de escolha seja Portugal, é necessário ter fluência em algum idioma estrangeiro e prová-la através de certificado.  A tradução de toda sua documentação acadêmica tem que ser feita por tradutor juramentado e isso custa caro, assim como os exames de proficiência em língua estrangeira.

Lado B do lado B: Se você for para os Estados Unidos, corre o risco de ter Donald Trump como próximo presidente.

O 360 Meridianos já escreveu sobre estudar em diferentes lugares do mundo.

3 – Fazer “Au-Pair” na Europa

Morar em Paris é seu sonho?

Morar em Paris é seu sonho?

Uma boa idéia para quem gosta de crianças e quer conhecer melhor a cultura de outro país. A maioria das famílias que recebe estrangeiros em casa costuma ser bem aberta e gentil. É claro que também existem as que querem alguém em casa apenas pelo dinheiro que recebem com o aluguel do quarto, mas felizmente são a minoria.

Lado A: Total imersão na cultura de um outro país. Vai conhecer hábitos novos, a maneira como celebram festas, enfim, vai ter a experiência de fazer parte de outra família.

Lado B: Você pode ir parar numa família com a qual não se dê tão bem ou não se adaptar muito bem aos hábitos locais.

Aqui e aqui há o relato de uma brasileira que trabalhou como au-pair nos EUA e aqui na França.

4 – Pedir transferência para a matriz ou outro escritório

Berlitz em Manchester

Berlitz em Manchester

Uma boa pedida para quem trabalha em empresa multinacional é pedir transferência para a sede da empresa ou para escritório em outro país. Já dei muita aula de alemão para funcionários da Bayer e da Volks que estavam sendo expatriados para a Alemanha. A Nestlé e a 3M também costumam expatriar funcionários.

Lado A: Se você for expatriado vai contar com todo benefício da empresa te assessorando nos mínimos detalhes. Ela providenciará os vistos, ajudará a encontrar moradia, arcará com as despesas de mudança… Você só precisa arrumar a sua mala e embarcar.

Lado B: Dependendo do país para onde você for, pode ser que não faça amizade tão facilmente. Algumas culturas são um pouco mais fechadas e demoram mais a integrar o estrangeiro. Se você tiver ido completamente sozinho pode sentir um pouco de solidão no começo, o que nunca é fácil.

5 – Procurar um emprego no exterior

Simples assim e igualmente complicado. Se encontrar um emprego no Brasil já não é a coisa mais fácil do mundo, encontrar um trabalho em outro país pode ser ainda mais difícil. É claro que isso depende da sua área de atuação, dos seus contatos no país para o qual você quer ir, seu domínio do idioma local, se trabalhadores estrangeiros são bem aceitos etc.. Sem contar que, na maioria dos países, a prioridade da vaga costuma ser para candidatos locais.

Neste caso a empresa ajuda com toda documentação necessária para seu processo de imigração, mas os custos todos são seus.

Naty e Lucas e uma linda vista de Brno ao fundo.

Naty e Lucas e uma linda vista de Brno ao fundo.

Minha amiga Natalya e o marido se mudaram com cachorro e tudo para a República Tcheca em 2014 e ela tem escrito o ótimo blog “Vivendo em Brno“, onde conta algumas das experiências da vida lá. A Berlitz, escola onde trabalhei por alguns anos, tem unidades espalhadas pelo mundo todo e muitas delas buscam professores de português.

Lado A: Você já vai chegar na terra nova com um emprego garantido.

Lado B: Ao contrário da situação acima, quando você não está sendo expatriado todas as despesas são suas. É claro que a empresa ajuda na obtenção do visto, afinal de contas é do interesse dela que você possa permanecer no país, mas a coisa não passa muito daí. Todos os gastos com mudança, transporte, acomodação e quetais recaem sobre seus ombros.

6 – Imigrar para o Canadá ou para a Austrália

Antes de morar na República Tcheca, a Naty e o Lucas moraram no Canadá. Olha aqui eles nas cataratas do Niágara.

Antes de morar na República Tcheca, a Naty e o Lucas moraram no Canadá. Olha aqui eles nas cataratas do Niágara.

Não é um processo fácil, pois a concessão de vistos permanentes depende de uma série de pré-requisitos. Idade, estado civil, número de filhos, escolaridade e área de formação são os principais. Ambos países publicam listas dos profissionais que estão em falta e que serão bem-vindos

Lado A: Tanto Canadá quanto a Austrália são um países compostos por imigrantes, portanto não deve ser muito difícil encontrar a sua turma. Como a obtenção do visto depende da sua área de atuação é bem provável que a busca por emprego não seja árdua.

Lado B: O clima canadense.

Quanto à Austrália, há alguns episódios de xenofobia com quais é bom ficar atento e os animais venenosos. Não são poucos os relatos de gente que encontrou a aranha mais venenosa do mundo dormindo confortavelmente dentro do seu sapato preferido.

Este site contém milhares de informações para quem acha que o Canadá é a melhor opção. Se a terra dos cangurus é que faz seu coração bater mais forte, pode encontrar mais informações aqui.

7 – Imigrar para Israel

E pode aproveitar pra ler seu jornal confortavelmente sentada no Mar Morto.

E pode aproveitar pra ler seu jornal confortavelmente sentada no Mar Morto.

Provavelmente a melhor opção para quem faz parte da comunidade judaica. A lei do retorno diz que qualquer judeu tem direito a retornar a Israel. Ou seja, a morar lá na Terra Prometida.

A lei é válida para judeus de nascimento ou que tenham passado por processo de conversão. Os do segundo caso devem esperar um ano para dar entrada na documentação. Em ambos os casos os documentos necessários são providenciados na sinagoga que você frequenta e depois devem ser apresentados na Agência Judaica.

Lado A: Os custos com passagem são cobertos pelo Estado e, se não me engano, os primeiros meses de acomodação também. Se não forem, pelo menos têm um bom subsídio. Israel é um país lindo e cheio de oportunidades.

Lado B: Falar hebraico é imperativo. É possível se virar na rua falando inglês, mas não passa disso. Não é lá o país mais pacífico do mundo.

8 – Conseguir cidadania européia

passaporte

Se você nasceu no estado de São Paulo tem enormes chances de ter pelo menos um italiano na família. Através deste parente, que pode ser de oriundo de qualquer país membro da União Européia, você pode requerer sua cidadania provando vínculo familiar.

Independentemente da nacionalidade do seu parente, este não é um processo muito rápido, exige bastante documentação e é preciso ficar esperto com os prazos. Parece que a repartição que cuida da documentação italiana tem pouco tempo para dar conta do recado. Caso o prazo expire ou você o perca, é necessário voltar ao fim da fila e dar nova entrada no processo. O que eu ouvi dizer é que a coisa anda mais rapidamente em cidades menores. Sei, por exemplo, de um amigo gaúcho que conseguiu tudo com mais agilidade numa cidade do interior do RS.

Lado A: A cidadania é sua, pra sempre, não está vinculada a companheiro ou empresa. Você pode requerer benefício do Estado (mas só se não falava mal do Bolsa Família quando ainda estava no Brasil, hein?) e não terá problema algum para encontrar trabalho.

Lado B: Se o país da sua nacionalidade sair da União Européia você só poderá morar lá e não em qualquer outro país do bloco. Isso quase aconteceu com a Grécia e o Reino Unido vai votar a permanência deles na EU agora em junho.

9 – Arrumar um marido (ou mulher) estrangeiro

Ângela e Josh

Taí uma oportunidade para quem está solteiro e quer sair do país. Casando-se com um estrangeiro você já mata dois coelhos com uma cajadada só. O simples ato do casamento não te dá direito à cidadania do país de origem do parceiro, mas garante um visto de permanência que dá direito a trabalhar.

O processo de obtenção da cidadania é sempre mais complicado e demorado. A Inglaterra, por exemplo, exige um mínimo de cinco anos de casamento para o início do processo e é necessário pagar £1500,00 para fazer uma prova que te dará o passaporte britânico.

Mas lembre-se que o mais difícil não é o desembaraço com a imigração, mas sim a adaptação aos hábitos e costumes do marido estrangeiro e família. Faz um ano e meio que eu e o Josh estamos juntos e até hoje eu me acho que estão me servindo chá quando vejo a cor do café na xícara. O susto e a constatação do meu engano só vêm depois do primeiro gole.

Lado A: Você vai ter uma família gringa, o que ajuda muito a sua integração no país. Eles vão te dar toques quando você cometer alguma gafe, explicar a razão de certas coisas que podem parecer muito estranhas e te acolher.

Lado B: Você pode não dar essa sorte e não ser bem acolhida (ou acolhido) e aí vai ter que lidar com a adaptação em um novo país sem essa ajuda. Beber café crente que está tomando chá.

Lado B do Lado B: Conhecer alguém (estrangeiro ou não) pela internet é cada vez mais fácil e mais comum.  Vários amigos meus conheceram seus parceiros assim e são super felizes, mas é preciso ficar esperto para não entrar em roubada. Especialmente quando o romance envolve estrangeiros é preciso confiar desconfiando até passar do virtual pro real. O 360 Meridianos já escreveu um excelente post sobre golpes que podem acontecer em relacionamentos começados pela internet.

10 – Procurar um programa de visto que combine trabalho e viagem

Meu amigo Mateus na Nova Zelândia, onde trabalhou colhendo frutas numa fazenda.

Meu amigo Mateus na Nova Zelândia, onde trabalhou colhendo frutas numa fazenda.

Austrália e Nova Zelândia oferecem estes tipos de visto. Há um limite de idade para os candidatos, algo como 30 anos, mas pode ser uma oportunidade bem interessante.

Um ex-colega de trabalho da Tailândia conseguiu um emprego como instrutor de mergulho na Austrália assim. Um dos requisitos do visto era que ele trabalhasse como colhedor de frutas em uma fazenda por um certo tempo depois. Algo como quatro meses. Não sei se este é um requisito de todos os vistos de trabalho para a Austrália ou se foi uma característica específica do visto dele.

Lado A: São dois países com paisagens bonitas, montes de estrangeiros, em geral abertos a imigrantes, mesmo trabalhando em empregos que não requeiram maiores qualificações o salário é o suficiente para uma vida confortável.

Lado B: Como já foi falado antes, há alguns grupos xenófobos na Austrália. Há uma idade limite para se candidatar e o visto dura apenas um ano.

Aqui o link para o visto australiano e aqui o neozelandês. Minha xará Angela do Apure Guria já fez o processo para a Nova Zelândia e conta mais sobre isso aqui.

Meu amigo Tom, que foi para Austrália trabalhar como mergulhador.

Meu amigo Tom, que foi para Austrália trabalhar como mergulhador.

Dica bônus

Ângela Goldstein

Se nenhum d0s 10 meios de sair do Brasil anteriores te entusiasmar, você pode desistir de tudo, fazer um curso de mergulho e ir mergulhar na Tailândia, ou em qualquer outro lugar do mundo.

Dinheiro, Sobre a vida

Como levar dinheiro para viagem, um guia prático

March 15, 2016

*O Naonde adverte: este texto é padrão Marília.

Quem converte não ser diverte, mas será mesmo?

dinheiro

Uma dúvida comum que assola tanto os viajantes iniciantes quanto os experientes é o momento de escolher como levar o dinheiro para a viagem.

Para esta questão que é uma espécie de “ser ou não ser” do viajante não há resposta única. Uma pena, mas não há.

Por isso, abaixo você tem que considerar o que há de bom e de não tão bom assim em cada um dos meios de pagamentos que um viajante tem à sua disposição.

Lembre-se que o importante é considerar o custo total, incluindo todas as taxas aplicáveis, para cada meio de pagamento.

Vamos lá, os indicados na categoria de melhor forma de levar dinheiro em viagem são ….

Dinheiro em moeda, o velho e bom “cash”

dólar

É a alternativa mais barata, pagamos o IOF de 0,38%, porém é a mais insegura. Coisas ruins acontecem em viagens também e um roubo ou perda serão irrecuperáveis. Certifique-se de ter um cofre para documentos e dinheiro no seu destino e durante a viagem, uma forma de transportar os valores junto ao corpo. Faça uma boa pesquisa e escolha a casa de câmbio pela comodidade, aquela que é mais próxima da sua casa, aquela que lhe entrega o dinheiro em casa e assim por diante. O “cash” exige esses cuidados com transporte e guarda da moeda.

Para países de moeda forte: leve a moeda do país. Compre dólar para viajar aos Estados Unidos, euro para Europa, libra para o Reino Unido e assim por diante. Sempre que possível, evite trocas sucessivas, isto é perda na certa. Quanto mais operações de câmbio forem feitas, mais sujeito a perder dinheiro você estará, por que quando compramos a moeda pagamos aquela cotação mais cara e quando vamos vender, eles nos pagam pela mais barata. Ah! Por isto é que existem duas cotações para cada moeda? Sim, e isto significa que você sempre perderá um pouquinho de dinheiro a cada transação de compra e venda.

Para países de moeda fraca: leve dólar ou euro. Ficou em dúvida de qual levar? Faça uma simulação comprando a moeda do pais aqui no Brasil e compare com as duas operações, comprar dólar ou euro aqui no Brasil e depois a troca pela moeda local. Temos muito simuladores na internet, que ajudam com estas operações. Você verá que sair daqui com a moeda fraca não vale a pena.

Quando precisar trocar seu dinheiro, evite as casas de câmbio de aeroportos e próximas a atrações turísticas, as taxas costumam ser piores. E nunca é demais lembrar para não fazer a operação na rua, as taxas podem ser convidativas, mas os riscos são enormes como levar notas falsas ou ainda ser roubado na esquina seguinte. O melhor mesmo é fazer isto em casas oficiais, ligadas aos bancos ou dentro de shoppings.

A segunda opção é o cartão pré-pago, o “travel money”

moeda de um dólar

Nesse caso, você carrega o valor em moeda estrangeira, paga o mesmo IOF do cartão de crédito, 6,38%, porém, garante a taxa de câmbio do momento em que carrega o valor no cartão. É bem aceito em grandes cidades. Em lugares mais isolados, os estabelecimentos podem aceitar estes cartões. É um meio de pagamento seguro, pois em caso de roubo ou perda, você pode bloqueá-lo e ele será substituído rapidamente, geralmente em até 24 horas. Tem um valor máximo de 10 mil unidades da moeda que você utilizará, 10 mil dólares ou 10 mil euros ou 10 mil dinheiros.

Você também pode realizar saques com este cartão, mas é importante considerar que você tem uma taxa a cada operação de saque, por isto, faça o menor número possível de saques. Outra vantagem é que o cartão pode ser recarregado pelo seu internet banking, assim, se for necessário, você pode fazer a operação remotamente.

Em qual moeda carregar o valor pré-pago? Aqui valem as mesmas considerações sobre qual moeda levar em “cash’.

O melhor desempenho do cartão pré-pago é quando a moeda carregada no cartão é a moeda corrente no país que você vai visitar. Para os países de moeda fraca, não há grandes diferentes em utilizar o pré-pago em dólar ou euro.

Mas se você usar seu cartão pré-pago carregado com dólar num país onde a moeda é o euro, você vai perder o correspondente a conversão cambial. Exatamente como se comprasse dólares e fosse trocar por euros numa casa de câmbio.

Em terceiro lugar, vem o tradicional cartão de crédito

cartão de crédito

O IOF é de 6,38% e você ainda terá que arcar com a diferença cambial que vier a ocorrer entre o momento da compra e o momento do fechamento da fatura do cartão de crédito e depois, entre o momento do pagamento e o momento do fechamento da fatura. Neste sentido, é o meio de pagamento mais imprevisível quanto ao valor que você realmente irá pagar por causa da variação cambial.

Sabendo disso, os cartões de crédito colocam à sua disposição, programas de milhagem, seguros de viagem e de saúde, que dependendo do valor (lembre-se, como falamos no início, o que vale é o custo total da sua operação) podem compensar.

Você também precisará do cartão de crédito para compras de ingressos ou para compras em lojas on-line durante sua viagem ou para alugar um carro e assim por diante, ou seja, tenha o cartão internacional devidamente desbloqueado para o uso no exterior sempre à mão. Até mesmo para atender a alguma situação de emergência.

Por fim, em menção não muito honrosa, temos alguns bancos brasileiros e em alguns destinos específicos, permitem operações de saque na moeda local e você terá que consultar o seu caso específico. Esta opção é a última que você deve considerar pois além do inevitável IOF de 6,38%, você terá uma taxa por transação e ainda terá que arcar com a taxa de câmbio praticado pelo banco no momento do saque.

E como não há resposta certa ou errada para a questão “qual meio de pagamento escolher”, ficam as considerações acima e uma dica básica: divida seu dinheiro em alguns meios de pagamento, nada de apostar tudo numa única alternativa.

 

*Este texto é cortesia e o primeiro de um duo que a economista de plantão do Naonde, a já conhecida Yara, escreveu para nós e revisado pela Marília.

Na Gringa, Sobre a vida

Conkers, uma brincadeira inglesa meio dolorida

February 22, 2016

Uma das coisas bem legais de se passar um tempo numa casa de família em outro país é poder conhecer a cultura local mais de perto, eu tive a sorte de ter essa experiência por duas vezes. A primeira foi na Alemanha, quando fiz intercâmbio em 2002, e a segunda agora na Inglaterra com a família do Josh. Foi na casa deles que eu descobri que pelo menos um dos estereótipos ingleses é verdadeiro: eles tomam chá o dia todo.

Muitas vezes, quando estava trabalhando no jardim, minha sogra ou o Josh me traziam um chazinho.

Muitas vezes, quando estava trabalhando no jardim, minha sogra ou o Josh me traziam um chazinho.

 Mas nem tudo é tão doce quanto uma xícara de chá com açúcar. Assim que o outono chegou fui apresentada a um passatempo tão inglês quanto o críquete, mas infinitamente mais fácil de entender e dolorido. Um jogo bem popular entre as crianças chamado Conkers. A brincadeira consiste em pegar uma castanha, se possível colocá-la perto do fogo da lareira por um tempo para que fique bem dura, fazer um furo atravessando as duas extremidades e passar um barbante por ele.

Numa das pontas do barbante dá-se um nó para que a castanha fique presa.

Numa das pontas do barbante dá-se um nó e logo acima da castanha dá-se mais um, para que ela fique bem presa.

Agora que você já tem  a sua castanha só precisa encontrar alguém que também tenha uma para a brincadeira começar.

Mas qual é o objetivo do jogo?

Além de machucar o amiguinho ou o parente de quem você está com raiva (imagino que irmãos menores sejam os que mais sofram), o seu objetivo é usar a sua castanha para partir a do adversário.

E como se joga isso?

Cada um dos jogadores segura sua castanha pela ponta do barbante e em vezes alternadas sapecam a castanha alheia. Observe:

Conkers

Aqui o Chris segurava a castanha dele para que eu tentasse acertá-la com a minha. Eu estava medindo e vendo qual seria a melhor maneira de fazer minha jogada. Meu sogro me ensinou que fica mais fácil se eu tentar acertar por baixo do que por cima.

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Dá pra ver como a castanha dele está paradinha? Isso quer dizer que eu errei a mira e perdi minha vez. Se tivesse acertado poderia fazer nova tentativa.

Mas ele também errou!

Mas ele também errou!

 

Às vezes acontece dos barbantes se engalfinharem e então quem gritar “Stringsies!!!” o mais rápido possível ganha a vez.

Às vezes a brincadeira fica muito dolorida e então meu sogro apareceu com uma luva grossa pra cada um. Assim, se a castanha acertasse o braço de alguém o estrago seria menor.

E quem ganha o jogo?

Em tese, ganha o jogo quem conseguir quebrar a castanha do adversário primeiro. Como isso pode demorar e dessa demora vêm muitos e muitos roxos e machucados, às vezes a quebra da castanha nem acontece. Nesse caso perde o primeiro que pedir para parar a brincadeira.

Apesar de dolorida, conkers é uma brincadeira bem divertida! E pra quem quiser saber ainda mais sobre o jogo, existe a página do Campeonato Mundial de Conkers.

Mergulho, Na Gringa, Sobre a vida

Cenas de um casamento embaixo d’água

February 11, 2016

Já contei no post da Restrospectiva que em fevereiro do ano passado meus cunhados se casaram. Eles são instrutores de mergulho e trabalhavam na mesma operadora que o Josh e eu, mas  mas como cuidavam do terceiro escritório da operadora moravam em um hotel afastado do centrinho de Phi Phi. Como a cerimônia e a festa aconteceriam na praia do resort, a Karen queria muito mergulhar para fazer uma sessão de fotos no fundo do mar vestida de noiva. Seria uma espécie de casamento debaixo d’água.

casamento praia

Bebida e mergulho não combinam, então é claro que não deu certo e tivemos que adiar o plano.

casamento praia

Sem chance dessa gente nada sóbria ir pro fundo do mar

Aproveitamos um dia em que o barco da operadora estivesse praticamente vazio e fizemos toda a produção a bordo do Reef Ranger.

Uma penteadeira improvisada.

Uma penteadeira improvisada.

casamento embaixo d'água

Logística

A parte mais complicada da sessão de fotos era a logística de levar o equipamento e manter o glamour de uma sessão de fotos de casamento ao mesmo tempo. É quase impossível conciliar os dois. Observe:

Elegante #sqn

Elegante #sqn

 Tudo isso que eu estou usando é necessário para a minha segurança e bem estar debaixo d’água. Mas como respirar e ficar bonita ao mesmo tempo estando no fundo do mar?

Lastro: Resolvemos a situação colocando o lastro da Karen por baixo do vestido e o do Chris no cinto que ele estava usando.

lastro

Ar: Questão de sobrevivência e prioridade número um. Mas e a feiura que é um regulador na boca? Como evitar? Amarramos um tanque com um regulador a uma corda para que ficasse na altura dos noivos. A idéia era respirar um pouco, largar o regulador, bater a foto e respirar novamente. Mas e como isso funciona quando aplicamos a regra número um do mergulho? “Nunca segure a respiração”. Resolvemos o problema mantendo uma profundidade de uns 4 metros, o que não é um despropósito. Quem faz apinéia chega a esta profundidade e se mantém por alguns segundos debaixo d’água sem riscos. Essa profundidade garantiria a segurança dos pulmões de todo mundo.

Jade, a fotógrafa, e eu estávamos com nossos equipamentos completos. Assim poderíamos estar à disposição do Chris e da Karen caso eles precisassem de ar a qualquer momento.

Máscaras: Junto com o regulador, as máscaras de mergulho são capazes de embarangar até a Gisele Bündchen. Como assistente da fotógrafa fiquei responsável por segurar as máscaras dos cunhados durante os cliques.

Nadadeiras: Essenciais para uma boa movimentação debaixo d’água, mas longe de serem os sapatos ideias para roupas de casamento. Foram cortadas das fotos dependendo do ângulo ou simplesmente passadas para mim e depois devolvidas a eles.

Quando tudo isso estava muito bem combinado com nós quatro tiramos uma última foto antes de pularmos no mar.

Uma última foto antes de todo mundo cair na água

Uma última foto antes de todo mundo cair na água

TCHIBUM!

Dá pra ver como ficou o tanque reserva dos noivos? Amarrado a uma corda e sempre próximo deles.

Dá pra ver como ficou o tanque reserva dos noivos? Amarrado a uma corda e sempre próximo deles.

casamento debaixo d'água

O ponto de mergulho onde as fotos foram feitas, Hin Bida, é famoso pelos tubarões leopardo (Leopard Shark) que nadam por ali. Como tínhamos de contar com a boa vontade da natureza sabíamos que havia a chance de não aparecer ninguém, mas estávamos bem esperançosos. E não é que logo ouvimos o Chris tentando chamar nossa atenção e apontando freneticamente em direção a esse bonitão?

leopard shark

Ele veio nadando todo tranquilo, sem a menor idéia do furor e alegria que estava causando. Veio vindo todo despreocupado e passou BEM NA FRENTE dos noivos!

casamento debaixo d'água

Dá pra acreditar na sorte deles? Em como o mar foi generoso ao dar este presente de casamento?

Dá pra acreditar na sorte deles? Em como o mar foi generoso ao dar este presente de casamento?

Depois disso nos concentramos em fotografar os noivos, já que não era possível garantir um clique melhor do que estes.

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Algumas considerações:

Uma sessão de fotos como esta faz a alegria de qualquer casal de mergulhadores! Não deve ser difícil conseguir uma parecida em qualquer região onde a indústria do mergulho seja forte. Nós nunca tínhamos feito algo parecido na operadora onde trabalhei em Phi Phi, mas é apenas uma questão de conversar e acertar os detalhes. O mais importante é que os noivos sejam mergulhadores certificados E experientes. Não recomendo para quem nunca mergulhou ou tem pouca experiência, aliás imagino que nenhuma operadora séria ofereceria este tipo de serviço para clientes não credenciados.

Não saberia dizer o valor deste tipo de serviço, pois nós fizemos as fotos como um presente para os meus cunhados.

*Todas as fotos, exceto as fotos em que apareço e as sinalizadas, foram tiradas por mim.

Braseel, Sobre a vida

Retrospectiva 2015

January 1, 2016

Lembram daquela pessoa procrastinadora do começo do ano? Aquela que escreveu a Retrospectiva 2014 já na segunda semana de janeiro? Ela continua a mesma.

Esses dias tenho me pegado pensando sobre o que escrever e percebi que não é de falta de assunto que sofro, muito pelo contrário. Talvez seja de um pouco de falta de foco, motivação ou qualquer outra palavra que o mundo corporativo tenha arranjado pra substituir a boa e velha “vontade”. É, acho que tenho tido pouca vontade. Mas parar para pensar sobre o que eu andei fazendo durante esse ano de 2015 foi um bom exercício, um que me deu um bom gás para voltar a escrever por aqui. Enquanto as coisas não aparecem em maiores detalhes, deixo uma prévia do que vai aparecer mais esmiuçadamente em breve.

Janeiro

Ângela Goldstein

Acho que dezembro de 2014 e janeiro de 2015 foram os meses de mais trabalho que já tive na vida. A alta temporada em Phi Phi não é brincadeira e os frutos disso foram tão bons que eu consegui ganhar dinheiro suficiente para comprar um colete novo quando meu velho arriou, pagar todas as contas, planejar uma viagem rápida para a Malásia e ainda sobrou!

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Foi também o mês em que conheci minha sogra. Meus cunhados, que trabalhavam conosco em Phi Phi, se casaram no começo de fevereiro e grande parte da família veio da Inglaterra para o grande dia. A primeira a chegar foi a sogrona e esse foi um ótimo começo. É claro que eu fiquei muito nervosa na hora, mas ela é tão legal que logo fiquei mais tranquila.

Fevereiro

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Minha primeira viagem internacional do ano; Josh e eu precisávamos renovar nossa permanência na Tailândia e para isso é necessário sair do país. Passamos três dias em Kuala Lumpur, a capital da Malásia.

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Também teve o casamento dos cunhados e a emoção de conhecer a família INTEIRA do namorado (pais, irmãos, cunhados, tios e até a sobrinha que ainda estava na barriga!) de uma vez só. Para meu grande alívio, todo mundo era muito gente fina.

Março

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Foi outro mês de bastante trabalho e o fruto disso, além do aluguel pago em dia, foi a compra da minha TERCEIRA câmera à prova d’água, uma Olympus TG-3. A bichinha foi meu desejo de consumo durante muitos meses e com ela vieram as melhores fotos sub que tirei em Phi Phi.

Ângela Goldstein

Teve uma rápida viagem pra Krabi com uns amigos de Phi Phi e sofri a massagem mais doída da minha vida.

Meu último mês na Tailândia foi sensacional, a parte dura foi me despedir do Josh sem saber quando nos veríamos novamente.

Abril

akita, dog, akita inu, naonde

Foi o mês mais tranquilo do ano. Retomei algumas aulas particulares no Brasil, fiz traduções, arrumei os armários e me livrei de muita coisa que não usava mais e ficava atravancando espaço. É bom ver energia fluir assim.

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Revi família e amigos, fui pra São Paulo, apertei os cachorros, me fartei de assistir Netflix, retomei a costura  e comemorei Pêssach com amigos em São Paulo. Também aproveitei pra reencontrar alguns dos quilos que perdi na Tailândia ao me fartar de comer tudo aquilo que estava morrendo de saudades.

Maio

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Foi o momento do ano em que me dei conta de que um ciclo da minha vida se fechou e me senti bastante tranquila com isso. Durante todo o mês de maio dei aulas em uma escola de línguas aqui em Campinas e no fim do período tive a certeza de que, por mais difícil que seja dizer “desta água não beberei”, a sala de aulas não é mais o meu lugar. Continuo com algumas aulas particulares, mas levando tudo de uma maneira bem mais tranquila, sem provas pra corrigir, fechamento de média em fim de semestre e quetais.

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Rapidamente revi amigos queridos, de quem fui madrinha de casamento, no batizado do filhinho deles.

Teve mais São Paulo, teve dia das mães e teve mais pão de queijo.

Foi o mês em que comprei minha passagem para Inglaterra e finalmente tive uma data certa para rever o Josh!

Junho

risotto de strogonoff

Rolou um incrível risoto de estrogonofe com os amigos gourmets de São Paulo.

Pude matar minha vontade de festa junina indo a várias e causando uma senhora inveja no namorado. “Mais uma festa junina, Ângela? Eu também quero ir!”

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Revi parte dos amigos do Jalapão durante uma caminhada linda pela Serra do Japi. Eu não canso de me impressionar com o tanto de lugares bonitos e tão próximos continuarem sempre tão desconhecidos.

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Participei, junto com a vizinhamiga Ana do lançamento do guia “Cambuí walking tour”, uma iniciativa dela e de outros comerciantes do bairro para incentivar passeios a pé. Uma bela iniciativa, diga-se de passagem.

Julho

 So Neptune looked at me and said: Let's take a selfie? Well, I just couldn't refuse. #uwphoto #underwater #mergulho #dive #scuba #scubadive #naonde #livetoscuba #scubadiverslife #PADI

Finalmente, depois de três meses em terra firme, voltei a mergulhar. Foi só um mergulho rapidinho, daqueles que dá mais vontade do que a mata, mas valeu conhecer as águas de Paraty um pouco mais a fundo – sim, todos os mergulhadores fazem piadinhas infames.

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Aliás, passear em Paraty é sempre bom e na companhia de uma amiga querida conheci o Saco do Mamanguá, onde fica localizado o único fiorde brasileiro.

Tive minha primeira experiência desagradável num posto de fronteira; o guarda que me atendeu em Heathrow me deu uma bela canseira na fila da imigração. Mas valeu pra ver o namorado!

Agosto

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Meu primeiro mês inteiro na Inglaterra, foi sensacional! Meus sogros são muito legais e me levaram passear em mil lugares, me apresentaram a novos sabores e eu descobri um novo vício televisivo: The Great British Bake-off. É um programa de desafios de padaria de dar muita água na boca!

Shakespeare's Globe

Conheci Londres! Uma cidade da qual já tinha ouvido falar mil vezes e nunca tinha tido a oportunidade de visitar. Adorei e disse pro Josh que queria morar lá, mas ele disse que nem morto. Fomos ao Shakespeare’s Globe e eu me diverti empurrando o carrinho do Harry na estação King’s Cross

Conheci minha pequena sobrinha, a linda Rose.

Setembro

Castelo de Alnwick

Achei que não seria um mês nada extraordinário, já que fiquei o tempo todo em Newcastle, mas foi em setembro que eu aprendi a voar durante uma visita ao Castelo de Alnwick.

Esses quadradinhos, junto com muitos outros, virou uma colcha de crochê.

Esses quadradinhos, junto com muitos outros, virou uma colcha de crochê.

Fiz um monte de crochê com a minha sogra, fiz um monte de coisas gostosas na cozinha para a família toda assistir ao The Great British Bake-Off, fiz um curso de costura e recebi a notícia de que eu fotografei dois novos Leopard Sharks em Phi Phi! Na Tailândia há um programa chamado Spot the Leopard Shark para controlar a população de tubarões leopardo no país, cada vez que você fotografar um pode mandar a imagem para eles arquivarem, se for um novo tubarão (um que ainda não tenha sido fotografado) você pode dar um nome pra ele.

Outubro

Josh, muito bem vestido, para tomar o chá das cinco.

Josh, muito bem vestido, para tomar o chá das cinco.

Meu último mês de Inglaterra foi em ritmo de gincana do Xou da Xuxa. Passei o dia do meu aniversário com o namorado em Manchester e de noite fomos com os cunhados para a casa da irmã da Karen, que mora na vilazinha mais linda do mundo. No dia seguinte tomamos meu primeiro afternoon tea em Bakewell, numa casa de chá chamada The Lavender Tea Room.

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Na semana seguinte passei três dias em Bath, minha primeira viagem como blogueira!, a convite do departamento de turismo da cidade. Fiquei encantada com o lugar e disse pro Josh que a gente poderia morar lá.

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Uns dias depois fomos para a Escócia com os cunhados e ficamos uma semana nas Highlands. Infelizmente não vimos o monstro no dia em que estivemos no Lago Ness, mas pegamos o Hogwarts Express.

Dia 26 foi a hora de dar tchau pro namorado e família e pegar o caminho da roça de volta pra Campinas.

Novembro

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Passamos alguns dias em La Paz, pegamos o busão rumo a Tupiza, conhecemos o salar de Uyuni e cruzamos a fronteira para o Chile. Conhecemos o deserto do Atacama, flutuamos na Laguna Cejar e comemos muita quinoa. A volta, cinco estrelas, teve direito a uma noite em Santiago com jantar no maravilhoso Aqui está Coco e muita risada.

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A chegada no Brasil, depois da maratona de viagens, foi acompanhada de uma tremenda gripe que passei pra todo mundo.

Dezembro

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Foi um mês bem tranquilo, assim como abril. Dei algumas aulas, escrevi um pouco no blog, não cozinhei quase nada, e bati muita perna com a amiga Ana.

Comecei a planejar o ano que vem, o primeiro que será 100% fora da sala de aula, pensar nas viagens futuras (já tem duas marcadas pra janeirão!) e esperar o namorado.

Apesar dos altos e baixos, 2015 teve um saldo muito mais positivo e se esse ano que começa hoje for, pelo menos, parecido já sei que estou no lucro!

Os amigos da RBBV (Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem) também fizeram suas retrospectivas e vocês podem conferi-las aqui:

Aprendiz de Viajante;

Trippolis;

Nat’s Corner;

Trilha Marupiara;

Doiapoque a Nova Iorque;

Comendo chucrute e salsicha;

Passeiorama;

Tá indo pra onde?;

Four trip;

Férias Now;

Carioca travelando;

Marola com carambola;

Compartilhe viagens;

Casal Califórnia;

Sr. & Sra. Lao;

Viagens cinematográficas;

Cris pelo mundo.

Sobre a vida

As seis pessoas mais desagradáveis que já encontrei viajando

December 15, 2015

Uma das melhores pares de viajar é conhecer pessoas novas, ouso dizer que este pensamento seja uma unanimidade entre a comunidade viajante. É muito bacana conhecer novas culturas, descobrir o que levou pessoas tão diferentes a um mesmo lugar, gente de lados opostos do planeta, ou até mesmo gente da sua cidade que você só foi conhecer fora dela.

Foi assim que eu conheci o Josh, minhas amigas Yara e Talita e um simpático tcheco que jantou comigo na Khao San Road assim que me mudei pra Tailândia em 2014. Mas nem tudo são flores, nem todo mundo que viaja tem a mente super aberta e um fato incontestável sobre a humanidade é que há muita gente chata no mundo, mesmo. Então, hoje apresento a vocês uma galeria curada durante meus anos de estrada. Com vocês, as seis pessoas mais desagradáveis que já encontrei viajando!

Tupiza

1. O espanhol mal-humorado do hotel de Tupiza

Durante o café-da-manhã, conversava com um moço que estava sentado à mesma mesa. Ele me contava sobre a viagem que estava fazendo e então disse que tinha passado alguns dias na capital chilena, um lugar do qual eu gosto muito.

– Santiago é uma cidade linda, né?

– Não, não gostei. Não gosto de cidades grandes.

#comolidar? Simplesmente voltei minha atenção ao chá de coca à minha frente.

Tiwanaku

2. A italiana do almoço de Tiwanaku

Depois de visitarmos as ruínas de Tiwanaku, o grupo todo foi almoçar num restaurante próximo. À minha frente estavam sentadas duas italianas e uma delas conversava mais comigo, contava que estavam na Bolívia há pouco tempo e que ficariam no país por cerca de um ano. Então eu disse que tinha tido uma surpresa muito boa com a culinária boliviana, que não sabia muito bem o que esperar quando cheguei mas que tinha achado a comida local muito saborosa e nutritiva. Nesse momento, a italiana que até então estava muda se dignou a falar:

– Você acha isso porque nunca esteve na Itália.

– Olha, na verdade eu já estive na Itália e realmente a comida de vocês é muito boa, mas isso não muda em nada a minha opinião sobre a comida boliviana.

snappers

3. A esnobe de Phi Phi

Numa noite de trabalho na escola de mergulho em Phi Phi, entra uma moça e me pergunta sobre nossos programas de mergulho. Começo o procedimento padrão perguntando se ela já tem a certificação e depois de receber a resposta afirmativa explico como a operadora trabalha. A fofa então me diz:

– Mas eu não quero ficar indo pra pontinho merda aos quais vocês levam mergulhadores iniciantes. É horrível mergulhar com gente inexperiente, que fica levantando sedimento o tempo todo e turva a água.

Perguntei então, a esta entidade superior do mergulho, quantas saídas ela já tinha feito. Cerca de duas por ano há quatro anos. Olha que eu sou formada em Letras, uma negação em matemática, mas até eu consegui fazer essa conta bem rapidinho e chegar ao resultado de 8. OITO. Oito mergulhos tinha a fofa, espaçados em quatro anos.

A dúvida que me restou foi:  essa possível reencarnação de Jacques Cousteau, quando vai a Paris, visita a mesma Torre Eiffel que todos os turistas de excursão também vêem ou ela sabe de uma que é exclusiva para viajantes mais experientes?

#comolidar? Entreguei a brochura da operadora e falei pra voltar no dia seguinte pra saber se tinha vaga.

hawksbill turtle

4. Os dinamarqueses eternamente insatisfeitos

Meus primeiros clientes em Phi Phi foram um casal de dinamarqueses. Como boa divemaster estreante, estava empolgadíssima pra mostrar todas as coisas muito maneiras pra eles e ainda tivemos a sorte de vermos uma linda e enorme tartaruga nadando bem na nossa frente, toda linda, toda exibida. Quando subimos pro barco perguntei se eles tinham gostado do mergulho e disse:

– Nossa! E que linda aquela tartaruga que nós vimos, hein?

– Nas Filipinas nós vimos cerca de 20 tartarugas em cada mergulho.

#comolidar? Respirar fundo e ver se algum colega tá precisando de ajuda.

Hanoi

5. A boa alma do Canadá

Tomava um chazinho num café de Hanói quando uma moça chegou e me perguntou se podia sentar-se à minha mesa pois também estava sozinha. Claro.

Começamos a conversar e ela me disse que estava fazendo hora até que uma loja ali perto abrisse. Curiosamente, era uma loja que eu também queria visitar, pois vendia artesanato lindos produzidos em cooperativas vietnamitas. Ela então me contou que era professora de inglês e atualmente trabalhava em uma escola na Coréia do Sul, contei que eu também era professora de inglês e que dava aula para adultos no Brasil.

Brazil? Wow! I really want to go there! I love helping disadvantaged people! (Brazil? Uau! Eu quero muito ir pra lá! Eu adoro ajudar aos desfavorecidos!)

#comolidar? Não deu pra lidar. Não me contive, simplesmente me levantei da meda e deixei aquela alma bem intencionada falando sozinha.

salar de tara

6. O alemão machista do Atacama

Em um dos passeios pelo Atacama havia um casal de alemães no nosso grupo, o grande problema é que eles não falavam nenhuma outra língua e o guia estava tendo um pouco de dificuldade com eles. Me ofereci pra dar uma ajudinha ao guia, caso ele precisasse, e fiz um pouco a ponte entre eles e o resto do grupo. Tudo estava indo bem até que chegamos para buscar as últimas pessoas do grupo, três meninas que estavam de shorts. Como o lugar aonde iríamos era bastante frio, o guia sugeriu que elas trocassem por uma calça, nisso o alemão fala:

– Mas como assim, fulano? Nós dois somos os dois únicos homens do grupo! Você não pode fazer isso! Agora a gente não pode mais ficar admirando as pernas delas?

#comolidar? Para o bem da saúde mental do resto do grupo, simplesmente não traduzi mais nada.

Na Gringa, Sobre a vida

Como chegar em Tupiza – sem perder nada no meio do caminho

December 1, 2015

O passeio mais esperado da viagem que fiz para a Bolívia no começo de novembro era o do salar de Uyuni e para chegarmos lá, precisávamos antes chegar em Tupiza. Minha companheira de aventuras, como quase sempre, não era um Toddynho e sim a amiga Yara. O plano era dar início ao tour de cinco dias no 03/11 e para isso deveríamos pegar o ônibus que nos levaria ao sul do país no dia 02/11, pensamos em passar o dia em trânsito e a noite em Tupiza. Fácil, né não?

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Achei que o trâmite todo de como chegar em Tupiza seria parecido com o brasileiro, chegar na rodoviária, comprar o bilhete e embarcar. Na verdade, como tinha sido possível reservar um outro tour através do hotel, perguntei à recepção se seria possível fazer a reserva das passagens com eles também. Me informaram que eu deveria ir até o terminal e comprá-las lá. Mais uma vez achei que não seria problema algum, tinha um fim de tarde e praticamente um dia inteiro de antecedência para resolver o assunto. Ledo engano.

Primeiro porque a caminhadinha até o terminal já foi osso, muitas ladeiras numa altitude de 4000m (onde quase não há oxigênio) é pra acabar com qualquer um. Parecia que a cada passo que dávamos a rodoviária ficava dois mais distante. Mas chegamos e fomos procurar quais empresas fariam o trajeto, há mais de uma, quanto custaria e quais os horários de saída. No primeiro guichê onde perguntamos, nos informaram que não haveria ônibus para o dia seguinte, apenas naquela mesma noite ou só dois dias depois. Fomos a mais duas companhias e ouvimos sempre a mesma resposta, não haveria ônibus na segunda-feira pois era feriado. Boas paulistas que somos, nos indignamos um pouco com o fato de que um mísero feriadinho ser suficiente para interromper o transporte rodoviário do país (“Esse povo não sabe ganhar dinheiro!”) e depois tivemos um leve ataque de pânico quando pensamos que teríamos que sair do hotel o mais rápido possível e passar um dia a mais em Tupiza; o jeito seria pegar o busão naquela noite mesmo e isso significaria 14 horas de viagem depois de um dia passeando por Tiwanaku sem intervalo para banho entre uma coisa e outra.

Resolvemos voltar ao hotel e entrar em contato com a operadora de Tupiza, perguntaríamos se seria possível adiar a saída para o dia 05/11, se não fosse amargaríamos o busão naquela noite mesmo. Felizmente eles foram super flexíveis e ficou acertado que sairíamos de La Paz na terça-feira. Voltamos à rodoviária e compramos nossas passagens com a Trans del Sur, que sairia às 18h. Voltamos ao hotel e pedimos para ficarmos mais uma noite, mas nada feito, eles estavam lotados e nós teríamos que sair na manhã seguinte – curiosamente a gente não se lembrava de ter escolhido o passeio “com emoção” em momento algum, talvez alguém tenha escolhido por nós. De qualquer maneira, esse foi um dos menores empecilhos da viagem; uma rápida olhada no guia foi o suficiente para encontrarmos nosso novo hotel.

O último dia em La Paz fez jus ao nome da cidade e transcorreu na maior tranquilidade, passeamos bastante e às 17:30 estávamos bonitinhas na rodoviária conforme a orientação da moça que havia nos vendido a passagem. Ela logo nos levou à plataforma de onde sairia nosso ônibus e lá ficamos esperando e brincando de “Qual o busão?”

Uma bela pintura na rodoviária de La Paz

Uma bela pintura na rodoviária de La Paz

Quem já pegou ônibus na Bolívia sabe bem do que estou falando. Ao contrário do Brasil, onde hoje em dia a grande maioria dos ônibus é igualmente boa e confortável, na Bolívia há ônibus de todos os tipos: dos bem bonitos, modernos e que parecem muito confortáveis, até os que aparentam ser bem velhos, desconfortáveis e com muito potencial para causar aquele perrengue básico na sua viagem. Cada vez que víamos um entrando no terminal, torcíamos para ser ou não o nosso. O não geralmente vinha acompanhado daquelas fantásticas pinturas nas laterais dos ônibus: onças, Cristo Redentor, paisagens e até mariachis – tem pra todos os gostos.

Uma hora depois, quando a gente já tinha cansado de brincar de “Qual o busão?”, o nosso finalmente chegou. Abriram o porta-malas e começaram a carregar um monte de sacos de estopa lá pra dentro, então colocaram as malas de todos os passageiros. Procuramos nossos assentos, nos acomodamos, achando que a sorte estava do nosso lado – as poltronas reclinavam bastante e havia até um bom apoio para os pés e as pernas. Dormimos um pouquinho até a primeira parada, cerca de duas horas depois de sairmos de La Paz, e lá descemos para procurar um banheiro. Na hora em que íamos juntas me deu um estalo e falei pra Yara:

– Vai você e eu vou ficar aqui de olho nas malas e no busão.

Eu já tinha ouvido histórias de malas roubadas, tanto de amigos viajantes quanto no próprio Lonely Planet e achei melhor não dar chance ao azar. Uns cinco minutos depois da Yara ter saído o ônibus começou a dar ré e a lentamente sair do terminal. Me agarrei à porta, que ainda estava aberta e pedi ao motorista que esperasse mais cinco minutinhos, pois minha amiga ainda não havia voltado. Com um mau humor e uma má vontade características de quem toma um copo de vinagre todo dia ao acordar, o motorista que tinha atrasado UMA HORA, me diz:

– Isso aqui não é um ônibus de excursão pra eu ficar esperando passageiro! É um ônibus de passageiros, eu tenho horário para cumprir, passageiros para transportar!

É claro que eu não disse a ele exatamente o que eu gostaria de ter tido, simplesmente falei:

– Justamente, o senhor tem passageiros para transportar e por isso mesmo não pode sair sem uma delas!

Mesmo assim ele continuou a dar ré e eu, pendurada na porta, comecei a gritar que ele não podia sair antes da Yara voltar. Nisso ele foi ficando cada vez mais nervoso porque os ônibus que chegaram depois do nosso dependiam dele sair para liberar a vaga e eles poderem estacionar. Fomos dando ré, eu pendurada na porta e ele querendo fechá-la, um brigando com o outro, ele me dizendo que eu deveria ir buscar minha amiga e voltar ao ônibus e eu dizendo que não ia, porque se eu saísse ele iria embora sem mim. Quando eu já estava começando a pensar se seria pior deixar as malas seguirem e ficar com a Yara ou se seria pior deixar a Yara e ir com as malas, ele se compadeceu e falou:

– Olha, eu vou estacionar ali em frente à saída e você vai buscar a sua amiga.

Fiz ele prometer que não iria e saí correndo em busca da Yara, que estava com uma carinha de cachorro perdido, sozinha na plataforma. Berrei de onde eu estava mesmo que era pra ela correr, que o ônibus estava quase saindo sem a gente. Ela correu e entramos arfando de volta no busão, a 4000m de altitude não há ar. Mesmo. Entramos no ônibus e ainda tivemos que agradecer ao motorista por ele não ter nos deixado numa rodoviária no interior da Bolívia no meio da noite. Fomos até nossos lugares e nos deparamos com um casal ocupando nossos assentos, eu devo ter feito uma expressão de desolamento tão tão grande que a mulher nem me esperou falar nada, simplesmente nos perguntou se aqueles eram nossos lugares e rapidamente saiu quando disse que sim. No que nos acomodamos, o casal que estava sentado nos bancos ao lado dos nossos entra correndo no ônibus, outros dois passageiros que teriam sido largados lá se eu não tivesse feito o motorista esperar pela Yara.

Depois disso a viagem transcorreu tranquilamente, com apenas uma parada no banheiro mais sujo da Bolívia e um frio de bater o queixo durante todo o trajeto.

Tupiza

Quando o dia começou a raiar fizemos a última parada antes de chegarmos a Tupiza e mais uma vez o motorista quase esquece um passageiro. Umas duas horas depois o ônibus pára e percebemos uma movimentação dos passageiros, gente subindo e descendo, pegando as malas e quase todos conversando. Então um deles olha pra mim e pergunta se vamos a Villazón. Eu não fazia idéia de onde era Villazón e disse que não, que íamos a Tupiza.

– Mas nós já estamos em Tupiza. Há um bloqueio na estrada e os ônibus não podem passar, vocês vão ter que ir a pé até o centro.

Tupiza

Não teve outro jeito. Pegamos as malas e perguntamos a alguém quanto tempo demoraria até chegarmos ao centro da cidade. Cerca de 30 minutos andando. Começamos nossa longa caminhada até o hotel, que durou um pouco mais de meia hora, e fomos contornando muitos carros, caminhões e motos que travavam as ruas da cidade. No fim deu tudo certo!

Tupiza

Lições aprendidas:

Não é fácil chegar em Tupiza;

O busão raramente sai no horário;

Certifique-se com o motorista da duração das paradas, na dúvida deixe uma amiga plantada na porta do busão e disposta a brigar com o motorista por sua causa;

Leve um casaco bem quente, se possível um poncho, se a viagem for noturna;

Dê preferência às malas que podem ser carregadas nos ombros ou mochilas, nunca se sabe quando será necessário ir andando da estrada ao seu hotel;

Bom humor, sempre.

Sobre a vida

Manifesto em prol da viagem que você quer fazer!

October 5, 2015

Tenho visto muitos manifestos por essa internet afora, um dos mais comuns é sobre porque mulheres deveriam viajar sozinhas (ainda meterei minha colher neste angú), mas dessa vez vim falar sobre um tema que  poucas vezes vi abordado por meus colegas de blogagem viajeira. De modo que aproveito este momento para lançar aqui o seguinte manifesto:

o Manifesto em prol da viagem que você quer fazer!

Vamos dar as mãos e gritar bem alto mais uma vez? \o/\o/\o/\o/ (adoro esses bonequinhos dando as mãos)

Ahu Tahai, Ilha de Páscoa.

Ahu Tahai, Ilha de Páscoa.

Manifesto em prol da viagem que você quer fazer!

Viva! Ufa! Todos mais aliviados? Espero que sim.

Os grandes musos inspiradores da minha campanha são os amigos Marcelo e Dé, que escrevem o excelente Faniquito – não bastassem a escrita cativante e os roteiros interessantes, as crases estão sempre nos lugares certos e eu acho, aqui do alto da minha beletrice, que isso passa imensa credibilidade para um blog de viagens. Eles acabaram de voltar de um desses resorts com tudo incluso, onde passaram uma semana de férias, e aqui relatam como o preconceito deles com esse tipo de viagem foi-se embora com a água do mar da Bahia.

Daí me lembrei do meu amigo Theo, que esse ano fez uma conexão em Adis Ababa e voltou me falando o seguinte:

– Sabe, Ângela, o lugar que eu mais tenho vontade de conhecer no mundo é a África! Acabei de fazer uma conexão na Etiópia e finalmente me dei conta de que eu quero muito viajar pela África! Durante um tempo eu ficava com um pouco de vergonha de admitir que eu não queria conhecer os lugares da Ásia pra onde você e mais um monte de pessoas gostam de viajar, mas agora eu não vejo mais problema em assumir isso. Eu quero mesmo é conhecer a África.

Achei sensacional ouvir isso de uma pessoa tão querida! Não é libertador você poder admitir, pra você mesmo inclusive!, que não quer viajar pra algum lugar só porque todo-mundo-vai?

muscat roundabout

Lembro de todos os narizes torcidos que eu recebi quando contava para qualquer pessoa que o destino que fazia meu coraçãozinho bater mais forte era a Coréia do Norte. Cheguei inclusive a ouvir a seguinte asneira: “Mas por que não a Coréia do Sul? Dizem que a vida lá é muito bonita.”

Gente, bonita como? Quais são os critérios que definem uma vida bonita? Quem decide isso? E se eu justamente quiser visitar um lugar, se é que isso existe, onde a vida não é bonita?

Me deixe em paz!

Quem não tem cão, caça com gato. Enquanto não vou pra Coréia do Norte vou no restaurante em Phnom Penh...

Quem não tem cão, caça com gato. Enquanto não vou pra Coréia do Norte vou no restaurante em Phnom Penh…

Acontece que, do mesmo jeito que vejo narizes torcidos e ouço desdém na voz de muita gente quando conto que adoraria conhecer Pyongyang, a mesma reação é causada em gente com mais quilômetros rodados. Às vezes tenho a impressão de que quanto mais algumas pessoas viajam, menos aberta fica a cabeça delas. Explico, parece que vão arraigando um preconceito contra destinos 100% turísticos, como se visitar estes lugares fizesse de você uma pessoa que só consegue digerir roteiros já pré-mastigados. A situação em que pude constatar a que nível essa babaquice chega foi na recepção de um albergue do Cairo; estávamos eu e meu ex-namorado planejando nosso passeio pelas pirâmides no dia seguinte quando uma moça da Bósnia chegou e entrou na nossa conversa, então eu perguntei se ela não gostaria de ir a Giza conosco. A resposta?

– Imagina! Eu lá quero ver as pirâmides?

O tom da voz dela era o mesmo que um adolescente que gosta de rock usaria para recusar um convite para ir a um show do Wesley Safadão. Parecia que eu estava convidando a moça pra ir comigo ao DETRAN recorrer uma multa. Hoje em dia parece que visitar a Torre Eiffel em Paris virou uma coisa de gente sem-cultura-que-não-se-aprofunda-na-cultura-local. Gente, menos. Existe uma razão porque muita gente quer ver a Torre Eiffel, o Coliseu, o Big Ben, são lugares bonitos. Não é à toa que se tornaram tão famosos mundo afora. E mesmo que não fossem tão bonitos ou imponentes, não tem nada de errado querer conhecer lugares pra onde todo-mundo-vai. Sabe um lugar que eu tenho a maior curiosidade de conhecer? E riam da minha cara o quanto quiserem. Caldas Novas – GO! Me digam, você já viram alguém que foi pra lá e não gostou? Eu nunca. Não conheço uma única pessoa que tenha ido pra Caldas Novas e tenha achado, assim, uó. Todo mundo volta de lá feliz da vida.

Eu e minha amiga Adriana em Paris, janeiro de 2007.

Eu e minha amiga Adriana em Paris, janeiro de 2007.

Mas preciso voltar a defender “aqueles lugares diferentes pra onde a Ângela gosta de viajar”. É claro que alguns destinos vão causar mais espanto do que outros, afinal de contas parece haver uma lista de destinos exóticos pré-aprovada pela humanidade. Os “destinos exóticos pero no mucho“. Um exemplo? O Egito. O Egito já foi berço de civilização antiga, o Egito tem monumentos históricos, o Egito tem cultura, o Egito já apareceu em filme de Hollywood, o Egito pode, enfim. Mas vá você dizer que irá pra Omã na mesma viagem… Aparece aquele pontinho de interrogação bem acima da cabeça de quem ouviu e que logo vai usar aquele tom de curiosidade que costuma empregar quando faz perguntas a uma criança:

– Mas nossa, pra Omã? Mas por quê? O que você vai fazer lá?

Gente, perguntar não é o problema. O problema é o jeito.

pirâmide

Pergunte por que a pessoa quer ir para lá, claro, mas não do alto de um pedestal, pergunte dando a chance do seu interlocutor de te convencer a seguir o mesmo roteiro, a te fazer pensar sobre o destino, a instigar a sua curiosidade a respeito de um lugar do mundo que talvez você nem imaginasse que está no mapa. Existe tanto lugar legal por aí…

Quer ir pra Croácia? Vá!

Quer ir para o Vietnã? Vá!

Quer ir pra Caldas Novas? Vá! E me chame, quem sabe vamos juntos.

Quer ir pra Namíbia? Vá!

Pro Senegal? Também!

Não vale perguntar com desdém, estamos combinados?

Então, minha gente, é isso, deixemos de ser sommelier de viagens alheias. Que cada um vá pra onde quiser, com quem quiser e quando quiser!