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Como é ter um blog de viagem?

September 3, 2015

ponte estaiada

Durante os anos que trabalhei como professora de inglês numa escola de São Paulo ensinei o termo “paralysis by analysis” aos alunos durante as aulas de Business English, era uma expressão que fazia parte do capítulo e que, portanto, deveria ser aprendida por quem fazia o curso. Eu, professora, achava esse conceito meio besta e só passava adiante pra cumprir meu papel – como fiz com muitos outros conceitos, diga-se de passagem. A verdade é que, mais do que achar o conceito besta, eu não o entendia muito; ele não fazia muito sentido para mim naquele momento da minha vida. Aí eu quis começar a  viver de blog e as posições se inverteram; hoje, quem me acha besta é justamente o conceito.

Quem nunca se sentiu por baixo ao ser julgada por um conceito? Ainda mais quando ele faz um juízo ruim de você.

laranjas

Preparando as laranjas que viraram geléia. Bons tempos de Manual.

Eu já tinha uma experiência anterior com blog, por alguns anos mantive o Manual da Dona de Casa bastante ativo – perdi a vontade de escrever nele depois de uma mudança forçada para Campinas, que me levou de volta à casa da minha mãe e à realidade de ter que usar a cozinha dela – mas a mudança de tema e perspectiva de transformar este blog em um ganha pão foram fatores muito maiores do que eu imaginei que seria.

No ano passado, quando fiz a primeira grande tentativa de tocar o Naonde? pra frente, logo antes de me mudar pra Tailândia, me inscrevi em um curso chamado Travel Blog Success, bastante conhecido entre os blogueiros de viagem, principalmente os gringos, e li quase todas as lições no primeiro fim-de-semana que tive acesso a elas. Fiquei bastante animada, com vontade de sair escrevendo, de fazer a marca crescer (Quem diria que o Naonde? é a minha marca, hein? Aprendi no curso!), de fazer e acontecer. Aí eu quis colocar em prática TUDO aquilo que eu tinha lido. E fiquei semi-paralisada (ou paralítica por um segundo, como uma vez eu escrevi em uma redação da escola), digo semi porque no começo até que eu comecei a produzir alguma coisa, mas aos pouco eu fui sempre achando que estava ruim, que não estava seguindo as lições devidamente – professor, quando resolve ser aluno, é um horror – e vinha um certo medo toda vez que eu pensava em todos os fatores e critérios que deveria seguir antes mesmo de pensar no título que daria a um texto que nem muita forma dentro da minha cabeça tinha. Aí eu me peguei paralisada pela análise! Aí eu vi o conceito e todas aquelas moças de chapinha e bolsa Michael Kors no cotovelo que fazem aula de Business English, rindo da minha cara. E não quis lidar com essa realidade, então parei de escrever e fui mergulhar.

Me divertindo no melhor ambiente de trabalho do mundo.

Me divertindo no melhor ambiente de trabalho do mundo.

Durante o tempo que estive na Tailândia o mergulho foi a minha principal fonte de renda. Quem já viveu disso sabe que a rotina de “dive, eat, sleep, repeat” é cansativa e só tem essa conotação de paradisíaca pra quem está como passageiro em um liveaboard. Nós, mortais que temos que preparar o equipamento dos clientes pro dia seguinte, que temos que tirar os tanques de dentro do barco, ficamos com a parte pesada do trabalho e os braços torneados (porque alguma vantagem a gente tem que levar!). Assim, sobrava pouco tempo para eu conseguir sentar, me concentrar e escrever; e quando eu somava todas as regras de ouro para escrever o blog mais acessado de todos os tempos sem as quais eu seria um fracasso… eu virava pro lado, colocava um capítulo de O Clone no YouTube e tirava uma sonequinha. Afinal de contas, eu precisava estar bem descansada para encarar mais um dia de trabalho pesado e não deixei que um trabalho que pudesse me trazer rendimentos futuros me atrapalhasse no ganho imediato. Talvez não tenha sido a decisão mais sábia da minha vida, mas foi a daquele momento, já que eu não sabia bem como é ter um blog de viagem e viver disso mas podia pagar minhas contas mergulhando.

Nesse meio tempo eu até participei de um retiro para escritores em Koh Tao, que foi bem bacana e me deu mais um gás, mas não consegui produzir muita coisa depois. Pensei que quando eu chegasse de volta ao Brasil eu fosse correr atrás de todo o tempo perdido como se não houvesse amanhã. Não fiz. Assisti mais um monte de novelas reprisadas ( eu julgo quem faz chapinha e usa bolsa no cotovelo, mas você também pode me julgar pelo meu hábito de ver Vale a Pena Ver De Novo. Viu só como a vida é justa?), passei muito tempo com meus cachorros, revi todos os amigos muitas vezes, comi toneladas de pão de queijo, costurei como se não houvesse amanhã e escrevi UM único post. E só, minha gente, não li praticamente mais nada a respeito, não tentei produzir muito mais e não me senti nem um pouco culpada por isso. Na verdade, até parei um pouco de ler os blogs de viagem que eu sempre gostei.

Ir pra Hogwarts é uma opção?

Ir pra Hogwarts é uma opção?

Só sei que agora algumas mudanças aconteceram na minha vida e eu me vi animada a voltar a escrever, um ânimo que eu não tinha há um bom tempo, então decidi retomar os textos do Naonde?. Não achei uma fórmula perfeita, ainda vou reler alguns dos textos do TBS, outros pela internet a fora e encontrar o meu jeito de ter um blog de viagem. Aos poucos a gente vai se descobrindo, eu como escritora, você como leitores e este como um espaço para conversarmos sobre viagens. Por enquanto, o que eu posso prometer, é um bagunça organizada que acontecerá às segundas e quintas por aqui.

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