Di cumê, Sobre a vida

Confissão: eu como no McDonald’s quando viajo

September 12, 2015

Mcdonalds

Às vezes, esse cara sou eu. Muitas vezes, eu como no McDonald’s quando viajo.

Alguém aí ainda quer ser meu amigo depois de ler esta revelação bombástica? Tenho certeza de que muita gente torceu o nariz ao ler que eu me identifico com os tios da foto acima, deu até pra ouvir a bufadinha de um ou outro leitor que se indignou mais do que o necessário – se é que indignação é um sentimento que cabe diante de um hábito que é meu e não atrapalha mais ninguém. E me dêem licença que agora vou ser ainda um pouco mais abusada e pedir para que aqueles que nunca comeram no McDonald’s num país estrangeiro levantarem a mão. Não precisa nem ser a do mouse, pode ser a outra mesmo. Aliás, aproveite que você tirou a mão do teclado ou da mesa e pegue uma batatinha frita, coloque na boca e saboreie. Batatinha do McDonald’s é uma delícia, não é mesmo?

Eu não tenho a menor vergonha de admitir que já comi em muita rede de fast-food pelo mundo afora: KFC em Praga, Pizza Hut no Cairo (com direito a vista para as pirâmides e tudo), Starbucks em Saigon, Swensen’s em Phnom Penh, Krispy Kreme em Kuala Lumpur, Dunkin Donuts em Santiago…  viva o imperialismo yankee! E não vou nem tentar emplacar uma história de que eu não achei outro lugar para comer porque era de noite e todos os outros lugares estavam fechados, ou estava no aeroporto e era a única opção viável dentro do que eu poderia gastar. Não que isso nunca tenha acontecido, mas não foram os principais motivos que me levaram a abrir a carteira e gastar meu rico dinheirinho nestes estabelecimentos que servem refeições nada gourmet. E eu não me considero uma viajante pior do que ninguém por causa disso, mas às vezes eu não estou muito disposta a experimentar um prato diferente e quero apenas o conforto de poder comer alguma coisa já conhecida. Nem só de espírito aventureiro vive uma viajante, minha gente.

McDonald's

Cada um sabe onde termina a sua zona de conforto e até que ponto está disposto a forçar os limites dela. Tem gente que tem pânico de precisar se comunicar em outra língua, tem gente que tem medo de avião e tem gente com paladar mais afrescalhado, categoria da qual eu faço parte. Não que eu seja uma chata pra comer ou coma pouco, muito pelo contrário – meus amigos do Jalapão que o digam – mas eu tenho lá os meus limites. Um deles é uma tremenda intolerância à pimenta, tanto é que eu não saberia nem te dizer se eu gosto de pimenta ou não, dado que eu nunca consegui provar um prato apimentado sem ter encher minha boca de pão no segundo seguinte à garfada. Passei uma semana sofrendo muito na Índia, procurando restaurantes que servissem comida de outras nacionalidades e jantando no Domino’s, onde até o molho de tomate da pizza era apimentado demais para mim.

Se eu acho que a culinária é uma fortíssima expressão da cultura de um povo e que interessante e importante experimentar a cozinha local durante uma viagem? Sim, claro, acho e já tive gratas surpresas fazendo isso. Mas eu também não vejo problema algum em procurar sabores familiares quando fora de casa e me incomodo muito com um certo esnobismo que de vez em quando vejo em outros viajantes – que, geralmente, são aqueles que se sentiriam ofendidíssimos se chamados de turistas. Aparentemente turistas comem em grandes redes de fast-food, enquanto que viajantes estão demasiado imersos na cultura local para sequer notar a presença de um Starbucks à sua frente.

Pena mesmo é o Brasil não uma potencial mundial com poder suficiente para a gente colonizar o mundo com Casas do Pão de Queijo e salgados da Ofner, especialmente a coxinha…

You Might Also Like

No Comments

Digaí!