Mergulho

Tudo que você queria saber sobre o curso de resgate, mas tinha vergonha de perguntar.

September 1, 2014

O curso de resgate da PADI nunca foi o que mais me chamou a atenção, apesar de sempre ouvir de outros mergulhadores que este havia sido o curso mais divertido e gratificante que eles tinham feito. A idéia de simular cenários de acidentes, afogamentos, mergulhadores inconscientes e salvamentos heróicos era um pouco demais mais mim, que não sou assim a pessoa mais teatral do mundo fora da sala de aula e tinha certeza que ficaria inibida sabendo que todos os olhos do barco estariam avaliando minha performance. Mas era uma exigência para poder começar o curso de Divemaster e esse era um curso que eu queria muito fazer, então deixei a vergonha de lado e encarei os quatro dias até ter a certificação em mãos.

O início

Como todo curso de mergulho da PADI que já fiz, o começo é pela teoria lida em um manual, assistida em vídeo e acompanhada de perto pelo instrutor, de modo que passei dois bons e felizes dias debruçada sobre meu livro na sala com ar-condicionado da escola, dando uma pausa no calor e umidade do verão tailandês. No fim do segundo dia fiz uma prova de múltipla escolha e fui com o Chris-instrutor e um colega, também Chris e que seria a vítima, ensaiar os primeiros cenários na praia. Como nenhuma escola de Koh Phi Phi tem piscina, os mergulhos “confinados” são todos feitos na praia próxima do píer, em uma área rasa e cercada por uma corda para garantir que não seja invadida por nenhum barco.

curso de regaste

Os primeiros exercícios que fizemos foram os mais básicos, como nadar levando um mergulhador cansado de volta para o barco e ajudar alguém que esteja com cãimbra. Depois partimos para as situações mais improváveis e as que eu mais temia, aquelas em que você tem que começar a gritar instruções para um mergulhador cansado ou em pânico, quando você sabe que a vítima em questão está perfeitamente saudável e tem total controle da situação. E foi aí que o Chris-vítima começou a me dar trabalho ao se fingir de mergulhador em pânico, tentando se apoiar em mim e quase me afogando.

curso de resgate

Os últimos exercícios do dia foram os de carregar ambos Chris, instrutor e vítima, para fora da água em direção à praia e foram os mais divertidos. Não foi nada fácil levá-los nas costas e toda vez que eu estava saindo do mar acabava caindo com eles na areia.

curso de resgatecurso de resgate

O meio

Então chegou o dia seguinte e com ele hora de irmos para o barco  colocarmos nossos cenários em ação, pagar mico na frente de geral e garantir boas histórias e fotos para o blog. Como a idéia do curso é preparar você para reagir em uma situação de emergência real, o instrutor não te avisa ou dá dicas do que ou quando vai acontecer. Pode ser que você esteja descansando no deck, tomando um sol numa boa enquanto elimina todo aquele excesso de nitrogênio, quando alguém começa a gritar:

– Ângela, Ângela! Tem um mergulhador inconsciente na água!

E aí você precisa sair correndo, pegar o pé-de-pato (acho um nome bem mais simpático do que nadadeira, podem me julgar, mergulhadores), a máscara e o snorkel e pular na água para ir em busca do pobre mergulhador inconsciente enquanto vai gritando instruções para quem ficou no barco. Nesse meio tempo tem que se preocupar em estar fazendo tudo certo, como deveria ser feito em uma emergência de verdade e tomar o cuidado de não transformar a vítima de mentira em vítima de verdade.

curso de resgate

Nesse dia tive mais sorte, minha vítima foi a Charlotte, que é pequenininha e magrinha, bem mais fácil de carregar do que o Chris- vítima.

curso de resgatecurso de mergulho

curso de resgate

Além dos cenários na superfície também fizemos dois debaixo d’água: buscar um mergulhador desaparecido usando uma bússola e padrões de busca e trazer o mergulhador de volta para a superfície tomando cuidado para não subir rápido de mais. O do mergulhador desaparecido foi engraçado pois eu já estava meio esperta, só esperando a hora em que a Karen viria me dar o alerta de que a dupla (buddy) dela havia sumido para começar a fazer as perguntas de praxe – última vez e onde havia visto, por quanto tempo haviam mergulhado etc. – e cair na água com o Chris-instrutor para dar início à nossa importantíssima missão de resgatar o Chris-vítima. Então eu estava ali pelo deck, meio de bobeira, meio distraída quando ela chegou pra mim e disse:

My buddy is missing!

Ela é inglesa, de Manchester, tem todo aquele sotaque da batata na boca e eu meio distraída acabei entendendo “My bootie is missing!” e já ia perguntar “Sua botinha? Mas o seu pé-de-pato não é de bota, é fechado, não é? Como que você perdeu sua botinha?”. Mas aí os neurônios fizeram as devidas sinapses, eu me liguei que era buddy e não bootie e saí correndo pra água.

curso de resgate

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Resultado positivo, Chris-vítima foi resgatado com sucesso por mim e pelo Chris-instrutor! Na segunda fotos temos a Karen me ajudando a colocar o buddy/bootie dela de volta no barco.

O fim

Apesar do meu pé atrás inicial com o curso e de não ter achado lá muita graça nas primeiras práticas, preciso dizer que foi uma experiência bem legal. Vou repetir o clichê que ouvi de um monte de gente e achei que nunca repetiria, não apenas pelo prazer de ser do contra, é um curso que te dá, sim, muita auto-confiança e segurança. É bom saber que você está preparada para reagir, seguir os primeiros procedimentos e o que sabe fazer no caso, improvável, de uma emergência acontecer.

curso de resgate

No fim das contas, a mergulhadora cansada era eu e já estava quase pedindo uma mãozinha pra subir a escada do barco.

*E você? Já fez algum curso de mergulho? Tem vontade de fazer o curso de resgate?

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2 Comments

  • Reply Yara September 1, 2014 at 4:37 pm

    Sabe que agora, eu fico bem mais tranquila. Parabéns, mergulhadora!

    • Reply angelagolds September 1, 2014 at 10:23 pm

      Fique tranquila, senhora, sua segurança está garantida!

    Digaí!