Na Gringa, Uncategorized

Dirigir nos EUA, algumas dicas práticas

April 25, 2016

Apesar de dirigir há muitos anos, eu nunca tinha guiado fora do Brasil. A razão disso não poderia ser mais simples; eu tenho medo. Ele mesmo, aquele sentimento que te impede de correr riscos desnecessários e que você tem que enfrentar em certas situações. Foi com meu medo no banco do passageiro que eu encarei a aventura de dirigir nos EUA.

A viagem foi toda planejada em torno de dois eventos: o WITS 16 que seria em Irvine e o Springbreak da minha prima, quando a família toda viajaria para o Yosemite. Como base usaria Davis, no norte da Califórnia, onde meu tio está morando. E eu comprei a passagem para Los Angeles.

Depois de olhar este mapa pergunto: ficou clara a minha estupidez?
Porque pra mim não tinha ficado muito.

A última parte da viagem seria a visita ao Yosemite, que está no meio do caminho entre Davis e L.A.. Meus tios voltariam para casa no carro que alugamos e restou a questão do meu transporte. Pegar um trem e dormir uma última noite em L.A.? Sairia muito caro. Pegar o trem e ir direto da estação ao aeroporto? Também sairia caro e teria o perrengue de ir arrastando as malas de um lado para o outro de olho no relógio. Foi então que meus super tios tiveram uma idéia que eles acharam ótima e que me tirou o sono: a Ângela aluga um carro e vai dirigindo até o aeroporto!

 Ficou então decidido que desceríamos a Scenic Route de Monterey até San Luis Obispo, dormiríamos a noite lá e no dia seguinte eu iria dirigindo até o LAX.

No fim das contas dirigir nos EUA foi bem tranquilo, especialmente depois que eu vi que o carro seria um Fiat 500x e meu coraçãozinho se derreteu de amor. Verdade seja dita, fiquei tentada a continuar dirigindo o bonitinho até São Paulo.

Dirigir nos EUA

Dicas práticas para o aluguel:

dirigir nos eua, pacific one, pacific 1

– Por causa do meu trajeto precisei alugar o carro em uma cidade e devolver em outra. Isso chega a dobrar ou triplicar o preço final, então é bom conferir os valores em duas ou três agências diferentes. Nem sempre a empresa que oferece o melhor preço por dia de aluguel é a que vai ter a taxa de devolução em outra cidade mais em conta.

– A carteira nacional de habilitação (nossa querida CNH) brasileira é válida nos Estados Unidos. Na Califórnia, pelo menos, ela é suficiente para o aluguel de um carro. Basta apresentá-la no balcão da locadora. Como me alertou a comadre Veridiana, que mora no Texas, a carteira é válida para alugar o carro, mas se o guarda te parar ele pode exigir a carteira internacional e se você não tiver o documento pode ter problemas SÉRIOS inclusive deportação.
Em alguns estados a CNH brasileira junto com o passaporte te dá o direito de dirigir por 30 dias dependendo do tipo de visto – L1 por exemplo, pois entende-se que como você será residente, precise desse período para organizar sua documentação. Ou seja, é bom se informar sobre as regras do estado que você pretende visitar.

– Se estiver acompanhado de alguém que também tem habilitação, registre seu companheiro como segundo motorista.

– Veja se o seguro do seu cartão de crédito ou seguro viagem cobre certas despesas com seguro na hora da contratação do serviço, por exemplo seguro contra terceiros. Se cobrir são uns US$30,00 que se economiza na tranquilidade. Você pode optar por não contratar esse seguro contra terceiros, mas se tiver algum acidente vai ter que amargar o prejuízo em dólares.

– Confira se o carro tem GPS no painel e economize uns US$ 10,00! A grande maioria dos carros novos nos EUA já vêm com GPS de fábrica e são bem bons. Algumas empresas deixam travado e vão te cobrar os US$10,00 pelo código que destrava, o mesmo que cobrariam pelo aparelhinho. A Enterprise é bacana e não faz isso, tendo GPS no carro ele está liberado!

– Se você quiser um carro pequeno, portanto mais barato, é bom reservar com alguns dias de antecedência. Se deixar pra fazer na hora corre o risco de acabar tendo que pegar um carro grande e pagar mais por isso.

– Você deverá devolver o carro com o tanque cheio, certo? A Enterprise tem um esquema de deixar a gasolina pré-paga e você pode devolver o carro com o tanque praticamente vazio. Eles fazem uma estimativa de quanto combustível você vai gastar até o seu destino e quanto isso custaria e a isso somam uma taxa de conveniência. Fica mais caro do que se você mesmo fizesse o serviço? Sim, mas é possível negociar. Eu optei por esse serviço e não me arrependi. Não queria ter que me preocupar em achar um posto de gasolina antes de devolver o carro e ainda por cima me preocupar em perder o voo.

– Pergunte se eles oferecem pagamento automático de pedágio (o Sem Parar da Califórnia se chama Fast Trak). A Enterprise oferecia, mas cobrava uma taxa de US$ 5,00 por cada passagem.

Dicas na estrada:

IMG_8804

– Parar completamente o veículo em toda e qualquer placa “STOP”. Não tem negociação. Se você não parar e o guarda te pegar é multa na hora.

– Não se pode levar bebida alcóolica dentro do veículo. Quando perguntei o porquê à minha tia ela disse que é provavelmente por imaginarem que as pessoas teriam muita dificuldade de resistir a uma latinha de cerveja ocupando o banco do passageiro. Ou que, num momento de abstinência muito grande alguém conseguisse manejar um saca-rolhas com as mãos tremendo dentro de um carro em movimento em uma auto-estrada. Não conheço uma única pessoa que goste tanto assim de vinho, mas nunca se sabe.
Assim como no caso das placas de “STOP”, a multa também é pesada e imediata, paga no ato e sem brecha para argumentação. O único argumento que vale aqui é o do guarda, “you are in America now“. Ou seja, não arrisque e deixe o goró no porta-malas.

–  Chegando em um cruzamento com semáforo, se ele estiver fechado e você estiver na faixa mais a direita e não vier carro você pode virar a direita. Sempre respeitando que a preferência não é sua.

– Ao contrário do Brasil, a ultrapassagem pela direita é permitida. Cuidado.

– Quem vem da pista de aceleração tem preferência, então é necessário diminuir a velocidade e dar passagem.

– Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a existência de semáforos nas estradas. Não nas freeways, onde a velocidade média é maior, mas nas vicinais ou estradas menores. Numa comparação com o Brasil, não haveria semáforo na Rodovia dos Bandeirantes, mas no trecho da Santos Dumont que vai até Campinas sim. Achei esquisitíssimo.

– Poucos pedágios. No dia em que dirigi sozinha não peguei nenhum, mas é necessário pagar US$ 5,00 para entrar e sair de San Francisco.

– Se, assim como eu, você for devolver o carro no aeroporto é bom verificar onde fica o pátio da locadora e usar esse endereço como ponto final na hora de programar o GPS. Muitas vezes está um pouquinho afastado, mas sempre há uma van fazendo o trajeto pátio-aeroporto.

– Em Los Angeles, por causa do trânsito pesadíssimo, a faixa mais à esquerda é exclusiva para quem está com mais de uma pessoa sozinha. A idéia é incentivar que as pessoas peguem carona e não piorem o tráfego ainda mais, colocando mais um carro com apenas uma pessoa dentro nas ruas.

dirigir nos eua, pacific one, pacific 1

Dica bônus:

– Tenha a sua playlist a postos, a viagem não teria sido a mesma se eu não tivesse ouvido Wesley Safadão enquanto apreciava a paisagem da Pacific One.

dirigir nos eua

You Might Also Like

1 Comment

  • Reply SERGIO MEDEIROS April 26, 2016 at 12:48 pm

    Angela, mais uma dica: Se, depois de ter pré-reservado o carro mais barato, ao chegar na loja para pegar o carro quem lhe atender oferecer uma taxa bem atraente para fazer um upgrade para um carro maior com uma voz sedutora e um largo sorriso no rosto, provavelmente é porque eles não tenham mais o carro mais barato e teriam que lhe entregar o carro mais caro de todo jeito!

  • Digaí!