Mergulho, Na Gringa

Garoto, eu vou para a Tailândia, viver a vida sob as ondas

June 25, 2014

Não vou ser artista de cinema, muito menos meu destino é ser star e nem o vento soprará os meus cabelos, pois é debaixo d’água que eu vou estar. Pois é, em exatamente um mês estarei entrando em um avião com destino a Bangkok, a capital do reino da Tailândia, país pelo qual me apaixonei perdidamente em 2011, quando estive lá pela primeira vez. Aproveitei a desculpa de uma viagem de estudos à Índia e passei praticamente dois meses viajando pelo Sudeste Asiático, sendo minha porta de entrada no continente a Tailândia.

Wat Phra Kew

Palácio Real em Bangkok

Os primeiros dias foram passados em Bangkok e eu logo peguei o rumo de Phuket, uma famosa ilha no sul do país que me deu uma certa gastura pois me lembrou do Guarujá. Sei lá, achei aquilo tudo muito horroroso, cheio de um turismo predatório e nada a ver com as fotografias de agências e catálogos de viagem; aquelas que mostram praias paradisíacas com areia branquinha, água muito azul e um único coqueiro. Não via a hora de sair dali e pegar a balsa com destino a Koh Phi Phi, essa sim uma praia que me garantiram ser tudo isso e mais, afinal é o lugar que serviu de cenário ao filme A Praia, do Leonardo DiCaprio. Mas preciso admitir que me deu um certo frio na barriga antes de embarcar na balsa que me levaria até lá, um baita medo de que fosse a mesma coisa que Phuket e que eu tivesse um Revèillon meia-boca; é, eu ia passar a virada do ano lá.

PatongPatong Beach

Ainda bem que todas as minhas expectativas se concretizaram e eu tive um dos fins de ano mais legais até hoje. Koh Phi Phi é minúscula, a ponto de não haver nem motos na ilha, todo o transporte lá é feito a pé ou de bicicleta e no caminho do cais ao meu hotel eu passei por uma escola de mergulho chamada The Adventure Club, que me chamou a atenção. Resolvi voltar lá depois de fazer o check-in, eu sempre quis aprender a mergulhar e também vi que eles ofereciam passeios de snorkel, o que seria uma boa alternativa caso não desse para fazer o curso por qualquer motivo. Um americano gente boa me atendeu, disse que não daria tempo suficiente para eu fazer o curso por causa do tempo que eu ficaria na ilha – é necessário um dia de intervalo entre o último mergulho e entrar em um avião – mas que eu poderia experimentar um Discover Scuba Dive para ter uma noção de como é mergulhar. Aceitei a sugestão e me inscrevi para uma saída no dia seguinte, 01/01/2011. O moço que conversou comigo perguntou se eu estava sozinha e se tinha planos para a passagem de ano, respondi que sim, estava sozinha e que não, não tinha nenhum plano definido. Foi então que ele me disse que o pessoal da escola ia se reunir na praia e me convidou para a festa deles.

Ano novo em Koh Phi PhiAno novo em Koh Phi Phi

No dia seguinte acordei cedíssimo e fui respirar debaixo d’água pela primeira vez na vida, uma das sensações mais incríveis que já tive. Isso sem contar que o primeiro animal marinho que eu vi foi um pequeno tubarão! Voltei do segundo mergulho certa de que faria o curso quando voltasse ao Brazil e dois dias depois peguei a balsa de volta a Phuket quase chorando, tamanha era minha vontade de nunca mais ir embora de Koh Phi Phi. Mal sabia eu que seria possível voltar para lá muito mais cedo do que eu imaginava. Por causa de um problema com o visto indiano (os tais dois meses entre sair e reentrar no país) eu não pude ir ao Nepal e isso me deu uma janela de 15 dias completamente livres, não tive dúvidas e voltei a Phi Phi, dessa vez para fazer o certificado de Open Water Diver e Advanced Open Water Diver. Achei que dessa vez seria mais fácil ir embora de lá, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário, o coração apertou infinitamente mais forte e na balsa eu resolvi que em breve eu voltaria para ficar mais tempo, quanto tempo eu quisesse ou julgasse necessário.

Placa Koh Phi PhiPhi Ley Lagoon

Voltei para o Brasil e para minha rotina de trabalho. Minha meta era terminar minha tese de mestrado, defender e me mandar de volta para a Tailândia, acontece que a vida nunca anda da maneira como a gente gostaria ou simplesmente planeja e as coisas não se encaminharam exatamente desta maneira. Houve alguns imprevistos no meio da rota que chegaram a me desviar temporariamente e a ida precisou ser um pouco adiada. Finalmente no fim do ano passado eu resolvi que a hora havia chegado e que 2014 seria o ano da minha mudança para a Tailândia, não dava e nem eu queria esperar mais. Em janeiro comprei minha passagem e só avisei para alguns poucos amigos, pois eu já imaginava a reação de muitas pessoas:

– Que doida! Vai largar tudo aqui e se mudar pra lá?
– E vai viver de que?
– E depois?

Felizmente acabei ouvindo muito mais coisas do tipo:

– Que da hora!
– Puxa, que legal! Aproveite!

Pois é, não é fácil contar que a sua passagem é só de ida, que você não faz idéia de quanto tempo pretende ficar por lá, que vai deixar de ser professora de inglês em sala de escritório pra fazer do mar sua sala de aula e, principalmente, que você está muito feliz de poder estar fazendo tudo isso nesse momento da sua vida, que não tem problema não querer casar e ter família doriana. O que vai ser do futuro? O que você vai fazer da sua vida depois? Em primeiro lugar, eu nem sei daqui quanto tempo será depois, podem ser 3 meses, podem ser 2 anos; vai ser o tempo que eu julgar necessário ficar lá. Quanto ao que eu pretendo fazer da minha vida? Bem, isso é a menor das minhas preocupações, pois sei que consigo trabalho como professora de inglês praticamente em qualquer lugar e uma mudança de carreira sempre é possível a qualquer momento da vida onde quer que estejamos. E o futuro, bem, o futuro a D’us pertence e ele tem sido mais do que generoso comigo há 28 anos.

Então é isso, garoto, eu vou para a Tailândia, viver a vida sob as ondas… por tempo indeterminado.

Koh Phi Phi

Com meu instrutor de mergulho, janeiro de 2011

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4 Comments

  • Reply Deia Hotz June 25, 2014 at 5:22 pm

    Já tô com saudade, moça. Mas feliz demais porque tenho certeza que vai ótimo pra vc. 🙂

  • Reply Yara Mansur June 25, 2014 at 6:52 pm

    Espero que os ventos soprem (e muito) os seus cabelos e sempre a favor.

    “Posso ouvir o vento passar
    Assistir à onda bater
    Mas o estrago que faz
    A vida é curta pra ver

    Eu pensei
    Que quando eu morrer
    Vou acordar para o tempo
    E para o tempo parar

    Um século, um mês
    Três vidas e mais
    Um passo pra trás
    Por que será?
    Vou pensar”

    É “O VENTO”, Los Hermanos.

  • Reply Gabi June 25, 2014 at 10:46 pm

    Nossa, estou babando…. de orgulho por ter sido sua professora, pelo texto lindo… mas principalmente pela decisão que tomou…. o lugar ideal pra se viver é o que nosso coração escolhe… vai menina, curta muito e dê notícias de vez em quando. .. bjs

  • Reply angelagolds June 25, 2014 at 11:24 pm

    Obrigada, meninas! =*

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