Na Gringa

Ho Chi Minh City, mas pode chamar de Saigon

March 3, 2015

Como contei no post anterior, no final de outubro precisei renovar minha permanência na Tailândia e aproveitei a oportunidade para passear um pouco pelo Sudeste Asiático  com uma amiga muito querida. A viagem começou com uma rápida parada em Cingpura quando estava a caminho do Vietnã. A decisão de dar início ao tour por lá foi a junção de fatores como custo do rolê, que é baixo, localização geográfica, pertinho do Camboja e não muito longe da Tailândia, e o valor da passagem, que foi o mais barato que encontrei quando procurei outras cidades grandes da região. Fora isso, eu havia estado em Ho Chi Minh City, também conhecida pelo nome antigo: Saigon, por um dia em 2011 e tinha vontade de voltar e conhecer um pouco mais da cidade. Combinei com a amiga de arrumamos vôos com horários de chegada próximos e nos encontrarmos no aeroporto. Quando eu cheguei ela já esperava por mim, com plaquinha e tudo:

naonde

Não sei nem como dizer o tanto que é bom encontrar uma cara conhecida em um lugar tão desconhecido. Larguei as malas todas e fui correndo dar um abraço apertado na amiga de quem estava com tantas saudades. Depois de falar português sem parar por uns dez minutos – eu sinto uma falta de falar a minha língua diariamente que não consigo nem explicar! – pegamos um táxi e fomos para o hotel que já havíamos reservado pela internet. Rodamos um pouco pela cidade até chegarmos a uma avenida bem movimentada e o carro parou em frente a uma vielinha meio escura e bem estreita, nisso o motorista saiu do carro, abriu o porta-malas e falou:

– Ok, now you go.

Ficamos ali, meio abestalhadas, olhando uma pra cara da outra e pensando “go where, meu filho?”, enquanto a ficha de que a nossa acomodação seria na viela não havia caído. Na base do gesto e inglês truncado entendemos o que não queríamos entender, era mesmo o caso de pegar as malas e ir andando pela vielinha escura em busca do nosso hotel. A nossa sorte é que a rua não era tão escura assim como parecia, o que a tornou menos assustadora, e foi bem fácil encontrar o nosso hotel. Fizemos o check-in e fomos colocar o resto da conversa em dia e comer paçoquinhas antes de cairmos em sono profundo.

No dia seguinte saímos para conhecer mais da cidade a pé. Como nosso hotel estava localizado em uma área central, não precisamos pegar nem táxi e nem transporte público em nenhum dos dias que estivemos por lá, pudemos fazer todos os passeios caminhando e conhecendo a cidade com mais calma.

crianças vietnamitas

Depois de tomarmos café-da-manhã em uma das muitas padarias francesas que há em Saigon, herança da ocupação francesa que muito me agradou já qua fazia muito tempo que eu não comia um pãozinho gostoso, fomos procurar pelo teatro de marionetes na água. Eu já havia ouvido falar super bem do espetáculo e lido sobre ele em outros blogs de viagem também, de modo que estava muito curiosa para saber como seria e, dessa vez, queria garantir os ingressos o mais rápido possível sem ter que contar com a sorte. Por módicos US$ 8,00 garantimos nossas entradas e então fomos conhecer algumas das atrações da cidade e passear por um parque que havia nos arredores do teatro. Era uma manhã de sábado bem ensolarada e quente e o caminho que fizemos à sombra das árvores foi bem bonito e refrescante, além de ter nos dado a chance de ver muitos grupos de crianças vietnamitas, que me pareceram ser escoteiras, correndo, brincando e tomando um sorvetinho pra se refrescar.

crianças vietnamitas

O primeiro lugar que visitamos foi a sede dos correios, que ainda funciona como tal mas que também abriga lojinhas vendendo todo o tipo de lembrancinha que você puder imaginar, e os que não puder também.

correio saigon

A visita é bem rápida, mas vale muito a pena pois o prédio é super bonito, sem contar que é muito interessante perceber a influência francesa na arquitetura.

correio saigon

E a foto do “Tio Ho” que está presente em todos os lugares, principalmente nos prédios do governo.

Bem em frente ao correio há mais uma construção francesíssima, a Catedral de Notre Dame em pleno Vietnã bastante budista e pouco católico. Na verdade fui descobrir quequase 7% da população vietnamita é católica, fazendo do Vietnã a quinta maior população católica da Ásia, atrás das Filipinas, Índia, China e Indonésia. Mais interessante ainda é o fato de que, embora mal sucedidas, as primeiras missões evangelizadoras no país terem sido portuguesas no início do século XVI e seguidas por missões jesuítas francesas no século XVII. Essas sim, foram tão bem sucedidas que o padre francês Alexander de Rhodes, da região da Provença, criou um alfabeto para a língua vietnamita baseado no trabalho dos primeiros missionários portugueses, usando o alfabeto latino e sinais diacríticos, que é usado até hoje e se chama Quốc Ngữ (literalmente “língua nacional”). Achei incrível descobrir essa influência da nossa língua em um lugar tão distante assim.

notre dame saigon

 Ela me lembrou, guardadas as devidas proporções é claro, da irmã de mesmo nome que fica em Paris. Infelizmente a catedral estava fechada e não pudemos entrar, gostaria de ter visto se ambas catedrais também se parecem por dentro. Saindo de lá estávamos com uma fominha, de modo que paramos num Dunkin Donuts que havia entre o correio e a igreja para podermos experimentar se o sabor de um donut yankee seria diferente em terras comunistas. Era o mesmo, mas eu não pude deixar de achar graça em estar comendo algo tão tipicamente americano, no Vietnã ainda comunista e no meio de construções feitas durante a ocupação francesa. Isso, somado ao fato de que a nossa língua teve uma influência tão grande assim na língua vietnamita, só me faz perceber o quanto o mundo é globalizado há muito tempo, a gente é que não se dá conta.

notre dame saigon

Veja só que foto mais globalizada: duas brasileiras, uma calça tailandesa, em frente a uma catedral católica construída com materiais franceses no Vietnã, depois de terem comido um donut.

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