Na Gringa

Hotsprings in Krabi, ou as termas salgadas de Krabi

March 16, 2015

Nossa comunidade de mergulhadores em Phi Phi, apesar de grande, é bastante próxima. Todo mundo conhece todo mundo, sabe da vida de todo mundo e, o melhor de tudo, costuma ser amigo de todo mundo; por isso estranhei quando não vi meu amigo Zohar andando pelas ruas por alguns dias. Então, assim que encontrei com o irmão dele, também meu amigo, perguntei por onde ele andava.

– O Zohar está no hospital em Phuket, está com muita dor nas costas e ninguém consegue descobrir o que está causando o problema. Faz uns três dias que ele está fazendo um monte de exames e nada.

Fiquei preocupada, mandei mensagem, perguntei se precisava de alguma coisa daqui, mandei uns vídeos engraçados no whatsapp pra ele se divertir e mantive contato até ele voltar pra Phi Phi, uma semana depois. Ele e a Sachi, sua esposa, passaram pela loja num dia em que eu estava de bobeira e me contaram toda a saga deles no hospital de Phuket e que agora estavam procurando um massagista fantástico que eles conheciam de outras temporadas na ilha. Me disseram que o homem era simplesmente fabuloso, que da última vez que o Zohar tinha tido o mesmo problema nas costas já estava trabalhando dois dias depois de uma sessão com ele. Isso atiçou minha curiosidade, já que eu vivo em busca da melhor massagem em Phi Phi – tema que ainda vai render um post aqui no blog. Acontece que eles não estavam conseguindo encontrar o tal do massagista milagroso. Paciência.

Uns dias depois o Zohar e o Raz, irmão dele, apareceram na loja e me contaram que finalmente haviam encontrado o massagista; ele estava trabalhando em um parque de águas termais em Krabi e os meninos logo fariam uma viagem até lá para ver se ele poderia dar um jeito nas costas do Zohar. Me animei e disse que queria ir junto, que era só eles me dizerem o dia e eu arrumava a mala! Pra quem não tem muita idéia de geografia tailandesa, Krabi é o município em terra firme ao qual Phi Phi pertence, cerca de duas horas de balsa.

Uns dias depois confirmaram a data da viagem e lá fomos nós! Segunda-feira passada, às 08:30 da manhã estávamos Zohar, Sachi, Raz e eu no píer de Phi Phi para tomar a balsa rumo a Krabi, onde o massagista estaria nos esperando. Assim que chegamos ele nos levou a um restaurante e depois fomos até à casa dele, onde a sessão de tortura massagem aconteceu.

Krabi

O primeiro da fila, é claro, foi o Zohar e eu preciso dizer que vê-lo fazendo caras e bocas enquanto era amassado, puxado e apertado pelo tailandês não foi nada animador. Mas eu não tinha ido até Krabi pra desistir, me enchi de coragem e resolvi que ia encarar custasse o que custasse. E, olha, rapaz, acho que eu nunca senti tanta dor durante uma sessão de massagem em toda minha vida! O homem apertou músculos que eu nem sabia que eu tinha no meu corpo, em especial um que fica logo abaixo do joelho na parte de trás da perna. Ele nos contou que a maioria dos mergulhadores sente muita dor nesta região por causa do movimento que fazemos com o pé-de-pato e eu quase desisti da carreira neste momento. Mas eu saí de lá como se estivesse andando nas nuvens.

Ângela Goldstein

Quando a sessão de massagem já havia terminado, lá pelas 17h, e o sol já havia abaixado fomos para as termas salgadas de Krabi. Eu já havia visitado parques de águas termais duas vezes na vida, em Poços de Caldas e em Caxambu, e me lembrava mais ou menos do esquema de cada um dos lugares. Em Poços fui à piscina do Palace Hotel, que é coberta, toda feita de mármore, em estilo greco-romano e bem bonita, como todo o hotel. Estive lá com uma amiga nas férias de 1997 e me lembro que fomos de maiô, porque no auge dos nossos onze anos nós tínhamos um pouco de vergonha de usar biquíni, sem contar que era mais confortável pra correr de um lado para o outro. Já em Caxambu o esquema era diferente, o balneário era composto por salinhas individuais, cada uma com a sua própria banheira, nada do piscinão coletivo, e cada tipo de banho tinha um tempo diferente de duração de acordo com sua função (relaxamento, tratamento de pele etc..). Fiquei pensando em qual categoria as termas salgadas de Krabi se encaixariam.

Em nenhuma!

saline hotsprings krabi

Elas são a céu aberto! Nada de construções bonitas, acabamento fino e quetais, elas ficam bem no meio de um parque grande e são rodeadas de árvores. Gostei da idéia do contato direto com a natureza. Eu nunca fui a Caldas Novas, mas imagino que as de Krabi sejam parecidas com as de Goiás pelo que já vi em fotografias.

Mas não é só a estrutura que é completamente diferente dos parques brasileiros, o código de vestimenta é ainda mais. O sul da Tailândia é predominantemente muçulmano (em Phi Phi há duas mesquitas e nenhum templo budista), de modo que praticamente todo mundo que estava nas termas naquela tarde – nós quatro éramos os únicos estrangeiros – era muçulmano e estava vestido recatadamente. Algumas das mulheres estavam, inclusive, de véu na piscina. Dei graças a D’us de ter pensado em levar uma camiseta e um shorts ao invés de ir só de biquíni. E aqui vai outra curiosidade sobre a Tailândia: apesar de o país ter uma imagem de turismo sexual muito forte, a grande maioria dos tailandeses é bem recatada e não vê com bons olhos as roupas curtas e justas que os turistas usam. Assim, se você pretende ir a uma praia frequentada mais por locais do que por turistas, é bom ir com uma roupa mais recatada, nada de biquíni muito pequeno e nem pense em fazer um topless.

Nosso massagista-motorista nos mostrou as piscinas e disse para prestarmos atenção no que ele faria para repetirmos em seguida. O primeiro passo é tomar uma ducha de água fria para limpar o corpo, depois é chegar perto da fonte principal, pegar um baldinho cheio de água BEM quente e jogar no corpo, pode ser da cabeça ou do pescoço pra baixo.

saline hotsprings krabi

Depois disso o uso das piscinas está liberado, com a recomendação de começarmos pela que tem a água menos quente. Entramos os quatro e ao nos assustarmos com o tanto que a água estava quente colocamos os braços na água pra ver quantos graus o computador de mergulho de cada um marcava. A média foi de 40 graus! Logo o massagista veio nos avisar que o tempo máximo de permanência é de 3 minutos em cada piscina, depois disso é necessário fazer um intervalo de 5 minutos e aí pode entrar outra vez. Olha, acho que mesmo que ele não tivesse avisado, viu? Eu não consegui ficar mais do que 2 minutos em cada uma delas.

IMG_3017

Lá pelas 18:30, quando já estávamos parecendo uvas passas de tanto que ficamos na água e o sol já tinha ido embora, nós também fomos. Jantamos com o massagista-motorista em um mercado noturno e depois ele nos levou ao hotel, onde ficamos divididos no “quarto rosa pras meninas” e “quarto azul para os meninos”. Foi tão clichê que só faltou fazermos uma guerra de travesseiros e brincarmos de gato-mia, mas como nós já somos mais grandinhos tomamos umas cervejas mesmo. Todo mundo foi pra cama cedo, pois o dia seguinte começaria às 07:00 da manhã, com mais uma sessão de piscinas para mim, Sachi e Raz e mais uma sessão de massagem pro Zohar.

Repetimos todo o procedimento de água no baldinho da cabeça pra baixo, entrar na piscina menos quente, fazer o intervalo, ir pra piscina mais quente, fazer o intervalo e depois procurar uma piscina de água mais ou menos quente para ficarmos só curtindo numa boa. Conversa vai, conversa vem, alguém soltou a pergunta:

– Você mergulharia nessa água?

Em unanimidade dissemos que não, nem pensar. Eu só conseguia pensar no quanto que o meu cabelo ficaria duro com todo o sal e minerais da água, o Raz e o Zohar não encarariam o calor e a Sachi disse que teria curiosidade.

krabi hotsprings

A conversa estava boa e a água melhor ainda, mas logo a gente teve que começar a levantar acampamento para pegarmos a balsa de volta para Phi Phi. Antes de irmos ao píer deu tempo para uma rápida paradinha no Makro, onde eu aproveitei pra comprar um belo pedaço que queijo suíço, e fazermos as compras pra um churrasco que estávamos planejando para a sexta-feira.

Em resumo, a viagem foi um sucesso! Só é uma pena que o efeito mágico da massagem já tenha ido embora uma semana depois e que eu esteja voltando pro Brasil tão cedo. Pra quem ficou curioso pra saber se a massagem era mesmo forte, deixo um vídeo pra vocês decidirem.

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