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Mas e onde você vai morar?

September 8, 2014

Depois de “mas o que você vai fazer lá?” essa foi a segunda pergunta que eu mais ouvi cada vez que contei para alguém que estava vindo para a Tailândia por tempo indeterminado. Eu nunca consegui entender o emprego do “mas” no início de ambas as perguntas, não vejo o porquê do emprego da conjunção adversativa, a não ser que alguém tenha alguma coisa contra as minhas decisões… Digressões a parte, convenhamos que esta é uma pergunta que faz todo sentido. Afinal, ter um teto sobre a cabeça é uma das preocupações mais básicas de qualquer ser humano normal e eu me encaixo nesta categoria. Me encaixo pero no mucho, porque eu sei que a minha acomodação aqui será temporária, de modo que não estava morrendo de preocupação para encontrar a casa dos meus sonhos. Eu só precisava encontrar uma casa para chamar de minha durante o tempo que ficarei aqui, pensei que se resolvesse não voltar nunca mais eu procuraria por aqui mesmo, in loco. Ou alguém compra casa apenas com base nas fotos que viu no site da imobiliária? Não, né?

píer koh phi phi

Eu sabia, pela minha experiência anterior de Tailândia, que encontrar acomodação em Koh Phi Phi não é tarefa árdua e nem exige qualquer preparação antes da sua chegada no píer, a não ser que você esteja vindo para cá no ano novo, quando eu aconselho garantir um quarto sob o risco de ter que dormir na praia – e você NÃO quer ter que dormir na praia aqui, acredite em mim. Desembarcando da balsa que vem de Phuket ou Krabi, é só parar na primeira loja do píer, onde você poderá encontrar uma acomodação que caiba no seu bolso. Tem pra todos os gostos: ar-condicionado e chuveiro quente, ventilador e chuveiro frio, mais baratinha, com TV, sem TV, perto do agito, longe do agito. Escolhido o lugar, é só pagar e esperar alguém pra vir te ajudar com as malas e apontar o caminho.

Para as duas primeiras noites eu escolhi um lugar com um preço que achei OK, pensando bem eu me dei conta que foi até que bem caro se comparar com o que eu pago por mês agora, mas era um quarto com ar-condicionado e chuveiro quente. No primeiro dia em Phi Phi deixei as coisas no quarto e fui até a escola de mergulho me apresentar e perguntar se alguém sabia de algum lugar onde eu poderia encontrar acomodação mais permanente. Saí de lá com alguns nomes e fui andando em busca das indicações e outros possíveis “achados” a fim de encontrar minha moradia em Phi Phi.

As variações sobre o tema acomodação permanente são basicamente as mesmas do píer, o mais comum é conseguir um quarto mais baratinho com ventilador e chuveiro frio, ou desembolsar uns Bahts a mais para ter ar-condicionado e chuveiro quente. Como eu fazia mais questão de gastar menos do que ter mais conforto, fui na primeira opção e não me arrependo. Cerca de 8000 Baht por mês é praticamente o mínimo que você vai conseguir por um quarto que tenha ventilador, chuveiro frio e wi-fi, que é exatamente o que eu tenho. Sem wi-fi o preço baixa um pouco, talvez  para 7000 Baht.

A entrada da minha "humilde residência".

A entrada da minha “humilde residência”.

O quarto

O quarto é simples, minha gente, ou rústico, se você preferir um jeito mais Casa Cláudia de categorizar estilos de moradia. Espartano é como minha mãe chamaria e ficaria, mais uma vez, espantada com a minha capacidade de adaptação a ambientes pouco confortáveis. Exemplifico: o cano da pia é aberto no fim, de modo que a água não vai diretamente para o esgoto, mas escorre pelo chão do banheiro até chegar no ralo e de lá ir para o esgoto. Levei um baita dum susto quando, ao lavar as mãos pela primeira vez, senti a água fria batendo nos meus pés. Fui olhar o cano, para ver se tinha algum problema, e então descobri que ele era assim tabajara mesmo. O que eu fiz? Eu ri. E aprendi a deixar os pés um pouco mais longe do cano toda vez que preciso usar a pia. Pelo menos a minha privada tem descarga, o que nem sempre é um luxo presente em todos os lugares aqui em Phi Phi. Tem muito banheiro com um baldinho cheio d’água pra você dar a descarga você mesmo. Tava todo mundo achando que eu moro no paraíso, né?

O cano e o lindo porcelanato "patchwork" do meu banheiro.

O cano e o lindo porcelanato “patchwork” do meu banheiro.

O gato

O cano da pia não é nada, se comparado à maior inconveniência do lugar naonde eu moro; o gato que mia. Phi Phi tem gatos de ruas por todos os lados, aqui é o paraíso da velha louca dos gatos; aqui ela poderia alimentar, cuidar e fazer carinho no maior número de gatos de rua por habitante que eu já vi em qualquer lugar. Pensando bem, talvez até mesmo a velha louca dos gatos achasse que aqui tem gatos de mais. Enfim, na primeira tarde que eu estava no meu quarto comecei a ouvir um bichano miando, um miado alto, comprido, sentido… Me deu até um pouco de pena, pus a cara pra fora da janela a fim de procurar e talvez até consolar um pouco o bichinho, mas não o encontrei. O mesmo episódio se repetiu na tarde seguinte, e na outra, e na outra, e na outra… Então ele começou a miar de noite, um “miaaaaaa-aaaaa-aaaaaa-uuuuuuu” que já começou a beirar a inconveniência, mas ainda contornável, até que o show passou a ser na madrugada boladona e outro dia fui acordada pelo gato às quatro horas da manhã! Ele estava sentadinho bem em frente ao meu quarto, virando a cabeça de um lado pro outro e miando a plenos pulmões. O que eu fiz? No dia seguinte comprei um balde, que agora fica cheio de água à espera do próximo espetáculo noturno para atingir o gato em cheio. Nunca suportei aquele colega da excursão que berrava “se eu não durmo ninguém dorme!” no busão.

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