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A saga da acomodação em Phi Phi

January 19, 2015

Como minha permanência na Tailândia sempre teve caráter provisório, a questão “onde morar” nunca foi uma que tenha me tirado o sono. Sabia que seria fácil encontrar um lugar para ficar quando chegasse aqui no final de julho, pois a oferta durante a baixa temporada é sempre grande e minha intenção era passar cerca de três meses por aqui, o tempo que duraria meu curso de divemaster. Escrevi sobre minha primeira acomodação em Phi Phi neste post aqui.

A entrada da minha "humilde residência".

No fim do primeiro mês que estava naquele quarto eu já havia começado a me encher um pouco da escuridão, a única janela que havia dava para um corredor e a luz do dia quase não entrava, do chuveiro frio, do calor que fazia no quarto e do qual do ventilador nem sempre dava conta, da cama dura como pedra, mas principalmente estava cheia da barulheira que os hóspedes dos outros quartos faziam quando voltavam de madrugada. Havia cinco outros quartos no mesmo corredor e a maioria deles era ocupada por mochileiros que iam para a balada todas as noites e sempre chegavam completamente bêbados, berrando e batendo todas as portas. É tudo o que você quer e precisa quando tem que acordar todo dia às 06:15 pra ir mergulhar. A gota d’água aconteceu às quatro da manhã, quando um cara passou, colocando a cara em cada uma das janelas e gritando “Fulana! Você está aí?”. Não me aguentei e disse pra ele fica quieto, que eu tinha que acordar pra trabalhar em duas horas e que ele parasse de incomodar as outras pessoas também. E foi aí que veio o maior desaforo: ” Não estou nem aí se você precisa dormir ou não! Eu estou procurando por uma pessoa que está muito doente e você deveria ter mais respeito!”.  Eu simplesmente respondi: “Meu filho, são quatro horas da manhã em Koh Phi Phi. A essa hora, quem está ‘doente’, está é bêbado e se ela não está na sua cama é porque está na de outro. Cai fora!” Depois dessa verdade jogada na cara o corno ficou manso e quieto, mas eu havia chegado no meu limite de ser acordada pela barulheira alheia.

Uns dias depois meu amigo Federico disse que ele e a namorada iam se mudar pra um quarto novo, com uma janela imensa, ar-condicionado e chuveiro quente numa área bem silenciosa. A secretária da escola onde trabalhamos é que tinha dado a dica pra ele, pois a dona dos quartos era uma amiga dela e o preço seria o mesmo durante a alta temporada também. Não pensei duas vezes e pedi pra ela entrar em contato com a responsável, não queria deixar a oportunidade passar de jeito nenhum. Foi e não foi a maior burrada que eu fiz desde que cheguei na Tailândia.

Por que não foi

Simplesmente porque o quarto era mesmo ótimo. Como havia acabado de ser construído, tudo estava novinho e impecável, o ar-condicionado ainda estava limpinho, a cama era super grande e confortável e eles limpavam a cada quatro dias. E, bom, a vista da janela era essa aqui.

room phi phi

Por que foi

Porque a secretária, hoje ex-funcionária da escola, começou a dar sinais de que a coisa não ia muito bem um pouco depois que eu paguei o depósito inicial para garantir o quarto. Disse que o marido da amiga dela estava reconsiderando alugar os quartos por mês, pois poderia fazer muito mais dinheiro com as diárias que os turistas pagariam durante a alta temporada, mas que a amiga é que era a dona e ela preferia ter gente de confiança permanentemente do que gente entrando e saindo a cada dois dias. Eu deveria ter confiado na minha intuição e pedido meu dinheiro de volta antes de me mudar, mas a preguiça de procurar outro lugar, negociar preço e a insatisfação com a casinha anterior me venceram, de modo que acabei me mudando no começo de outubro. No fim do mês eu viajaria um pouco pela Ásia com uma amiga, como eu não queria deixar o quarto vazio e o Josh estava procurando acomodação, combinei com ele que ele ficaria lá até que eu voltasse das férias e então nós passaríamos a dividir o quarto. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir, nos primeiros dias de novembro, que a dona dos bangalôs havia decidido nos colocar pra fora. Nós pagávamos 18 mil Baht por mês com todas as despesas incluídas e ela poderia, facilmente, cobrar 1500 Baht dos turistas pela diária; é claro que a fofa nos ofereceu a possibilidade de continuarmos lá durante a alta temporada pela módica quantia de 30 mil Baht – que é, mais ou menos, o que eu pagava de aluguel em um apartamento de 50m2 na Berrini. Chegamos à conclusão de que a mulher estava mais louca que o Batman e que deveríamos sair de lá o mais rápido possível. O detalhe? O Josh estava em Phi Phi e eu no Cambodia, então o coitado teve que fazer tudo sozinho; desde encontrar um outro quarto até a nossa mudança toda, o que não foi uma tarefa nada fácil no início da alta temporada.

room phi phi

Passei a noite praticamente em claro, com a cabeça a mil, pensando em tantas possibilidades quantas me ocorreram. E se ele não conseguir achar um quarto vago? E se o único quarto vago que ele achar for muito caro? Vou virar uma sem-teto? Vou ter integrar algum movimento tailandês dos sem-teto? Existe um movimento tailandês dos sem-teto? Vou ter que voltar pro Brasil? Vou ter dinheiro pra voltar pro Brasil? Vou ter trabalho quando eu voltar pro Brasil? E tudo o que eu deixei em Phi Phi? Foi parar no meio da rua? Tudo bem que não era muita coisa, mas mesmo assim. E o Josh? Onde vai morar? Vai ter que voltar pra Inglaterra? Vai conseguir encontrar um quarto novo sozinho? Será que eu vou ter que voltar pra Phi Phi antes do planejado pra ajudá-lo a procurar uma casa? Em resumo, eu parecia um peixe fora d’água enquanto me debatia de um lado para o outro na cama e não conseguia dormir.

Dois dias depois chegou a foto acima e a ótima notícia de que ele havia encontrado um quarto para nós dois. Ufa! Acabara-se a insônia e consegui aproveitar o resto da viagem com a minha amiga. A localização era melhor que a do anterior, mais perto do trabalho e num lugar ainda mais silencioso, já que estaríamos nos fundos. Mas o melhor de tudo é que o preço seria o mesmo durante toda a alta temporada e que nós poderíamos ter o quarto durante todo o período, sem medo de sermos despejados novamente.

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2 Comments

  • Reply Debora January 20, 2015 at 2:54 pm

    Olá Ângela tudo bem???

    Procurar um novo lugar pra morar já é terrível quando estamos no local imagino que seja desesperador quando estamos viajando a lazer e nosso roommate tem que fazer tudo sozinho… Mas no final deu tudo certo e isso é muitoooo bom, parabéns!!!

    Beijinhos;
    Débora.
    http://derbymotta.blogspot.com.br/

    • Reply angelagolds February 6, 2015 at 7:43 am

      Ai, Débora! Nem me fale! Eu praticamente não dormi na noite em que descobri que havia sido despejada, foi uma das notícias mais desesperadoras que eu já recebi! Ainda bem que deu tudo certo!
      Beijo!

    Digaí!