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Mergulho, Na Gringa, Sobre a vida

Cenas de um casamento embaixo d’água

February 11, 2016

Já contei no post da Restrospectiva que em fevereiro do ano passado meus cunhados se casaram. Eles são instrutores de mergulho e trabalhavam na mesma operadora que o Josh e eu, mas  mas como cuidavam do terceiro escritório da operadora moravam em um hotel afastado do centrinho de Phi Phi. Como a cerimônia e a festa aconteceriam na praia do resort, a Karen queria muito mergulhar para fazer uma sessão de fotos no fundo do mar vestida de noiva. Seria uma espécie de casamento debaixo d’água.

casamento praia

Bebida e mergulho não combinam, então é claro que não deu certo e tivemos que adiar o plano.

casamento praia

Sem chance dessa gente nada sóbria ir pro fundo do mar

Aproveitamos um dia em que o barco da operadora estivesse praticamente vazio e fizemos toda a produção a bordo do Reef Ranger.

Uma penteadeira improvisada.

Uma penteadeira improvisada.

casamento embaixo d'água

Logística

A parte mais complicada da sessão de fotos era a logística de levar o equipamento e manter o glamour de uma sessão de fotos de casamento ao mesmo tempo. É quase impossível conciliar os dois. Observe:

Elegante #sqn

Elegante #sqn

 Tudo isso que eu estou usando é necessário para a minha segurança e bem estar debaixo d’água. Mas como respirar e ficar bonita ao mesmo tempo estando no fundo do mar?

Lastro: Resolvemos a situação colocando o lastro da Karen por baixo do vestido e o do Chris no cinto que ele estava usando.

lastro

Ar: Questão de sobrevivência e prioridade número um. Mas e a feiura que é um regulador na boca? Como evitar? Amarramos um tanque com um regulador a uma corda para que ficasse na altura dos noivos. A idéia era respirar um pouco, largar o regulador, bater a foto e respirar novamente. Mas e como isso funciona quando aplicamos a regra número um do mergulho? “Nunca segure a respiração”. Resolvemos o problema mantendo uma profundidade de uns 4 metros, o que não é um despropósito. Quem faz apinéia chega a esta profundidade e se mantém por alguns segundos debaixo d’água sem riscos. Essa profundidade garantiria a segurança dos pulmões de todo mundo.

Jade, a fotógrafa, e eu estávamos com nossos equipamentos completos. Assim poderíamos estar à disposição do Chris e da Karen caso eles precisassem de ar a qualquer momento.

Máscaras: Junto com o regulador, as máscaras de mergulho são capazes de embarangar até a Gisele Bündchen. Como assistente da fotógrafa fiquei responsável por segurar as máscaras dos cunhados durante os cliques.

Nadadeiras: Essenciais para uma boa movimentação debaixo d’água, mas longe de serem os sapatos ideias para roupas de casamento. Foram cortadas das fotos dependendo do ângulo ou simplesmente passadas para mim e depois devolvidas a eles.

Quando tudo isso estava muito bem combinado com nós quatro tiramos uma última foto antes de pularmos no mar.

Uma última foto antes de todo mundo cair na água

Uma última foto antes de todo mundo cair na água

TCHIBUM!

Dá pra ver como ficou o tanque reserva dos noivos? Amarrado a uma corda e sempre próximo deles.

Dá pra ver como ficou o tanque reserva dos noivos? Amarrado a uma corda e sempre próximo deles.

casamento debaixo d'água

O ponto de mergulho onde as fotos foram feitas, Hin Bida, é famoso pelos tubarões leopardo (Leopard Shark) que nadam por ali. Como tínhamos de contar com a boa vontade da natureza sabíamos que havia a chance de não aparecer ninguém, mas estávamos bem esperançosos. E não é que logo ouvimos o Chris tentando chamar nossa atenção e apontando freneticamente em direção a esse bonitão?

leopard shark

Ele veio nadando todo tranquilo, sem a menor idéia do furor e alegria que estava causando. Veio vindo todo despreocupado e passou BEM NA FRENTE dos noivos!

casamento debaixo d'água

Dá pra acreditar na sorte deles? Em como o mar foi generoso ao dar este presente de casamento?

Dá pra acreditar na sorte deles? Em como o mar foi generoso ao dar este presente de casamento?

Depois disso nos concentramos em fotografar os noivos, já que não era possível garantir um clique melhor do que estes.

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Algumas considerações:

Uma sessão de fotos como esta faz a alegria de qualquer casal de mergulhadores! Não deve ser difícil conseguir uma parecida em qualquer região onde a indústria do mergulho seja forte. Nós nunca tínhamos feito algo parecido na operadora onde trabalhei em Phi Phi, mas é apenas uma questão de conversar e acertar os detalhes. O mais importante é que os noivos sejam mergulhadores certificados E experientes. Não recomendo para quem nunca mergulhou ou tem pouca experiência, aliás imagino que nenhuma operadora séria ofereceria este tipo de serviço para clientes não credenciados.

Não saberia dizer o valor deste tipo de serviço, pois nós fizemos as fotos como um presente para os meus cunhados.

*Todas as fotos, exceto as fotos em que apareço e as sinalizadas, foram tiradas por mim.

Braseel, Equipamento, Sobre a vida

Cânion da Suçuapara, ou por que uma Nikon é a melhor câmera à prova d’água

September 18, 2015

Sábado de manhã daríamos início à viagem pelo Jalapão, indo de Palmas em direção ao interior do estado em um veículo que é o cruzamento de um ônibus com um caminhão. No café-da-manhã já começamos a nos enturmar mais um pouco, mas eu seguia meio próxima do Márcio, pois ele era a única pessoa que eu já conhecia um pouco melhor e isso me deixava mais à vontade (abro este parênteses para dizer que nem todo mundo que viaja é super extrovertido e já sai fazendo amizade com o primeiro que aparece pela frente, eu sou bastante introvertida e adoro uma zona de conforto, além de gostar de observar bastante o ambiente antes de sair me enturmando. E não tem nada de errado com isso. Viajantes introvertidos do mundo, uni-vos! Mas pode ser cada um no seu canto mesmo, não tem necessidade de grudar).

Nosso "caminhônibus"

Nosso “caminhônibus”

Quando nosso guia chegou, juntamos as malas e fomos pra dentro do caminhônibus. A primeira parada do dia foi no cânion da Suçuapara, depois de algumas horas de sacolejo, para conhecermos o lugar e tirarmos algumas fotos. Ao pararmos na beira da estrada e começarmos o caminho a conversa já rolava com mais naturalidade entre o pessoal do grupo e algumas piadinhas, que nos acompanharam pela semana inteira, já estavam sendo feitas. Todo mundo se divertindo, todo mundo rindo, todo mundo fotografando, botei uma patinha pra fora da minha concha e já estava fazendo amizades aqui e ali.

A descida da estrada até o cânion não é a mais fácil, há que se escorar e se segurar nas plantas e em alguns cipós que anos e anos de torce-retorce transformaram em corrimãos, sensacional! O cânion é escuro e no fundo há uma pequena cachoeira que termina em uma rasa piscina natural, a coisa mais linda.

canion suçuaparaAo longo do cânion há várias pedrinhas brancas empilhadas nas reentrâncias das paredes. O Mauro, nosso guia, disse que não sabia de onde vinha a tradição mas que as pedras começaram a ser colocadas ali há não muito tempo para fazer pedidos. Parece que a cachoeira atendia, de modo que coloquei a minha ali também, vai que dava certo…

cânion suçuaparaApesar do cânion ser bem escuro, o calor do Tocantins em março não nos intimidou nem um pouco e todo mundo entrou na cachoeira para se refrescar um pouco. Eu também. E aí todo mundo começou a tirar fotos, de dentro da cachoeira, de fora da cachoeira, do lado da cachoeira, de quem estava na cachoeira, de quem estava fora da cachoeira, todo mundo com água pelas coxas e se divertindo. Maior legal, enfim. Tanto que passei minha câmera pro Márcio, que estava do lado de fora, e pedi pra ele tirar uma foto minha, que estava do lado de dentro. Ficou meio escura, ele falou, joga aqui, eu falei e ele não quis. Mas eu ainda tinha aquela memória de 1998, aquela das duas amigas na beira da piscina, quando uma jogou a câmera pra outra e não teve problema nenhum porque a câmera era à prova d’água e podia molhar. Eu precisava repetir agora que tinha a minha.

– Dá nada não, Márcio, a câmera é à prova d’água, pode molhar.

– Tem certeza?

– Tenho, manda aí que eu faço os ajustes e a próxima foto sai boa.

Ele jogou.

cânion suçuaparaTCHI – BUM!

Tá vendo eu ali levantando as duas mãos pra pegar a câmera? Então, ela bateu numa das mãos, eu não consegui segurar e lá se foi a danada pra baixo d’água…

PER-DI!

Eu logo enfiei a mão ali por perto de onde ela tinha caído e comecei a tatear. Em seguida veio o Márcio ajudar e aí começou a vir o resto do pessoal. Todo mundo agachado, com as mãos na água e os olhares para baixo, tateando, tateando. Havia uma fresta ali de onde caía a água e eu me enfiei pelas pedras para procurar por aqui, vai que a correnteza tinha empurrado a danada pra dentro? Nisso eu sinto uma mão passando pelas minhas costas e ouço um grito assustadíssimo, era o Jorge que achou que a pedra tinha se mexido.

A busca continuou e agora já contávamos com a assistência do Mauro, que arrumou um óculos de natação com alguém para poder procurar melhor. Acontece que todo mundo já tinha andado por ali e a areia do fundo da cachoeira tinha subido e deixado a água ainda mais turva.

– É, Ângela, parece que Iara levou sua câmera… Mas, olha, eu venho aqui toda semana, então eu vou dar uma procurada da próxima vez, já que a água não escoa para lugar nenhum.

korubo

Ainda dei uma última olhada antes de ter que voltar pro caminhônibus e seguirmos pro acampamento. Paciência, pensei, ter uma câmera à prova d’água simplesmente não está no meu destino. E aí incorporei o mantra do Jalapão, o “desapega”, que o Mauro falava a toda hora – servia pra quando o sinal do celular não pegava, pra quando uma unha lascava e também pra quando minha máquina se foi.

Entrando no ônibus a brincadeira era de que Iara, a sereia das águas doces, tinha roubado minha câmera. Até que a Yara, uma das companheiras de excursão, começou a me olhar meio torto, pois ela não sabia do que estávamos falando e não via graça nenhuma na piada. Expliquei minha situação e ela se compadeceu, assim como a Sil, que foi gentilíssima e me emprestou uma câmera reserva pra que eu também pudesse tirar as minhas fotos.

Fiquei chateada, mas não inconsolável. Fiz a Poliana e pensei que pelo menos tinha sido melhor perder no primeiro dia de viagem, quando ainda só tinha uma meia dúzia de fotos do que no último dia, com todas as que tivesse tirado durante uma semana. E, gente, eu preciso dizer que fui a pessoa mais fotografada do grupo inteiro! Todo mundo se compadeceu da pobre menina azarada e me mimou.

jalapão

Dá pra ter uma idéia do que eu quero dizer com “a pessoa mais fotografada da viagem”, né?

 Uma semana depois voltei pra casa, contei a tragédia da perda da câmera pra minha mãe e amigos e uma amiga, que estava de viagem marcada para os Estados Unidos em breve, me ofereceu para trazer uma nova. Aceitei com um certo receio, já achando que próxima não duraria tanto tempo assim nas minhas mãos, e minha mãe até disse que me daria a dita cuja de presente de aniversário. Entrávamos na segunda semana de março de 2013 e fui recebendo as fotos que os novos amigos haviam tirado, deu até pra fazer um álbum de Facebook. Pelos próximos dias acalentei uma esperançazinha de reaver minha Nikon, já que o Mauro tinha ficado de procurá-la quando voltasse ao cânion da Suçuapara, mas não recebi notícia nenhuma.

Passa-se um mês, a viagem da amiga que poderia me fazer o frete da câmera nova se aproxima, eu já estava conformada com o fato de que o Mauro não tinha tido sucesso na busca. Numa tarde tranquila em casa o telefone toca:

– Alô?

– Alô. Eu poderia falar com a Ângela por favor?

– Sou eu mesma, quem gostaria?

– É o Rafael Palmas. *aquela busca rápida no arquivo morto “Rafael de Palmas, Rafael de Palmas… não, não conheci nenhum Rafael em Palmas, de modo que não posso ter dado meu telefone, muito menos o fixo, pra um Rafael de Palmas.

– Pois não?

– Então, Ângela, no final-de-semana passado eu estava nadando com um amigo meu no cânion da Suçuapara…

*nova busca rápida no arquivo morto “cânion da Suçuapara foi onde eu perdi a câmera! Meu D’us! Ele achou a câmera!

– Ãh… péra, não me diga que você encontrou a minha máquina fotográfia?

– Foi sim! Eu enrosquei a mão na cordinha dela, puxei pra ver o que era e achei sua câmera!

– Meu D’us, eu estou até tremendo! Mas como foi que você me achou?

– Eu liguei a câmera pra ver se ainda estava funcionando e estava tudo funcionando direitinho. Aí eu vi a foto que você tirou do bombom do hotel de Palmas, li seu nome, vi o nome do hotel, liguei lá e o pessoal da recepção me passou o seu telefone. Eu queria que você me desse o seu endereço pra eu poder te mandar pelo correio.

E ele me mandou! Uma semana depois disso minha Nikon e eu estávamos juntas novamente, prontas para próximas viagens!

NIkon AW100Recuperar a câmera e as fotos me deixaram felicíssima, mas mais do que elas, muito mais do que elas, fiquei feliz, tocada e emocionada pelo gesto do Rafael. Ele teve a boa vontade de procurar o dono da máquina fotográfica, a disposição de ligar no hotel, de me telefonar e me enviar minha Nikon!

Agora, gente, parem pra pensar que a bichinha ficou embaixo d’água por UM MÊS inteiro e quando foi encontrada ainda estava funcionando e com bateria! Eu sempre gostei das câmeras da Nikon, tenho uma D40 que já me acompanhou por muitos lugares, mas nunca imaginei que as subaquáticas deles fossem tão resistentes!

naondeO responsável pelo meu reencontro com minha queridinha! Achei uma gentileza o hotel colocar um chocolatinho e um bilhetinho em cima da cama, fotografei. O Rafael achou a câmera e a foto, teve a gentileza de ligar pro hotel, que teve a gentileza de fornecer meu número.

Deixo aqui, então meu muito obrigada ao Rafael e ao Hotel Pousada dos Girassóis. Gentileza gera gentileza, mesmo!

Equipamento, Sobre a vida

Minha longa história de amor com câmeras à prova d’água

September 17, 2015

Eu tenho uma longa história de amor com câmeras à prova d’água, elas sempre estiveram na lista de desejos de consumo. Quando eu tinha unas 10 ou 11 anos câmeras descartáveis da Kodak começaram a ser vendidas no Brasil e um dos modelos era à prova d’água, com um filme de 27 poses. Quis muito, mas nunca tive dinheiro pra comprar a dita cuja e revelar as fotos depois, que era bem mais caro do que um rolo, e fiquei amargando a vontade.

Até que meu avô me deu um generoso cheque de presente de aniversário e eu decidi que usaria o dinheiro para comprar minha primeira câmera boa, com zoom. Em 1998 uma máquina com zoom era o suprassumo do ser legal nas excursões da escola, se ela fosse sua e não emprestada da sua mãe então… nossa, como você era uma pessoa descolada! Então eu conheci esta câmera:

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E pirei! Foi amor à primeira vista. Foi na beira de uma piscina, onde havia duas moças conversando, uma do lado de dentro e a outra do lado de fora, em um dado momento a que estava dentro disse que ia tirar uma foto da amiga e pediu para que ela passasse sua câmera. A que estava fora simplesmente jogou a máquina fotográfica na água, simples assim, arremessou e tchibum! Aí a amiga que estava dentro da piscina simplesmente pegou a câmera e tirou uma foto da outra moça. Encantei-me! Eu usaria o dinheiro do aniversário pra comprar essa Canon aí de cima. Não tinha zoom, mas podia cair na água.

Até que eu fui na loja e perguntei o preço para um vendedor deveras antipático. Ele olhou praquela menina de 12 anos ali na frente dele e falou com uma arrogância da qual não me esqueço até hoje:

– São 600 reais.

Eu quase caí pra trás, o que eu tinha pra gastar era metade disso. Fui a outra loja e comprei uma Pentax com zoom mesmo. Não era o que o meu coração queria, mas ela foi uma ótima companheira, viajou comigo pra muitos lugares e tirei várias fotos, algumas inclusive ainda estão entulhando algumas gavetas em casa.

Em 2008 fui para Omã e levei uma daquelas Kodaks descartáveis para quando fosse fazer snorkel na baía de Muscat. Sabe que a danada era até bem boa? Para um segundo snorkel comprei mais duas e resisti à tentação de comprar uma Olympus que o vendedor do laboratório de revelação quis me empurrar. Apesar de mais barata do que a Canon de anos atrás e eu ter mais dinheiro, continuava sendo um desejo de consumo que não fazia muito sentido na época.

A qualidade é bem ok pra ser uma câmera descartável.

A qualidade é bem ok pra ser uma câmera descartável.

Adoro ver que houve uma época em que sargentinhos me faziam felicíssima!

Adoro ver que houve uma época em que sargentinhos me faziam felicíssima!

Um pouco depois disso, andando pela FNAC, eu descobri um produto chamado Dartbag. É uma bolsa estanque, resistente a 5 metros de profundidade, na qual você coloca a sua câmera comum, veda como um “ziploc” e depois lacra com um plástico duro. Tipo assim:

Ela tem essa cara meio esquisita, mas até que cumpre bem sua função.

Ela tem essa cara meio esquisita, mas até que cumpre bem sua função.

Foi com ela que tirei uma das fotos que usei por mais tempo como foto de perfil em redes sociais.

Foi com ela que tirei uma das fotos que usei por mais tempo como foto de perfil em redes sociais.

Passou-se mais um tempo, uns dois anos, e aí eu estava devidamente empregada, assalariada e de viagem marcada. Dois meses no Sudeste Asiático com direito a uns dias em Koh Phi Phi, onde eu tinha certeza que me encontraria com os peixinhos no fundo do mar. Eu estava empregada e assalariada, lembram-se? Gente, eu comprei uma câmera à prova d’água! E eu fiquei TÃO feliz! Era uma Canon azulzinha e prateada, meio gorduchinha, resistente a 10 metros de profundidade, digital e que me rendeu fotos bem legais.

 

Viva os sargentinhos!

Viva os sargentinhos!

hawksbill turtle

Teve tartaruga!

Infelizmente, poucos mais de um ano depois da minha lua-de-mel com ela, minha Canon foi roubada. Fiquei arrasada, mas como o namorado de uma amiga estava indo para os EUA logo mais, pedi para que ele trouxesse uma Nikon pra mim. Era o modelo novo da marca, sua primeira à prova d’água e com um design bem mais bonito do que a que foi roubada, a bichinha era tão moderna que tinha até GPS! A tristeza pelo roubo até passou.

Ela foi a alegria da minha viagem para Israel!

TaglitE quebrou o galho num mergulho bem raso que fiz em Arraial do Cabo no ano passado.

Cavalo MarinhoMas estas não foram, nem de longe, o que fizeram desta Nikon a câmera mais fantástica que eu já tive na vida. Para saber o resto da história, você vão ter que ler o próximo post.

Na Gringa, Uncategorized

Watersports experience – o passeio mais legal de Koh Phi Phi

March 27, 2015

Uma das minhas amigas mais queridas aqui em Phi Phi, a Julia, trabalha em uma das muitas agências de viagens da ilha, a Visa Tour, e um dos nossos passa-tempos preferidos é sentar ao balcão onde ela trabalha, tomar uma cerveja e contar os causos dos clientes. As histórias são tantas e tão engraçadas que eu acho que renderiam um livro: tem gente que torce o nariz pro tipo de barco e diz que “de longtail eu não quero ir!”, tem gente que reclama que não viu tubarão quando foi fazer snorkel e quer o dinheiro de volta… Entre um causo e outro, também comentamos as atividades que a maioria dos turistas quer fazer durante os dias que passarão na ilha e como algumas delas nos parecem um gasto inútil de dinheiro ou um programa de índio categoria cinco cocares; são eles o passeio para ver o plâncton que brilha e o Booze Cruise.

Tailândia

As opções de passeio de barco ao redor da ilha são muitas e há para todos os tamanhos de bolso e cocar; vão desde longtail com 25 pessoas por 450 Baht pelo dia inteiro com almoço, criança chorando no barco, até alugar uma lancha privada por 10 000 Baht a diária. Nunca achei a maioria destas opções muito interessante, não sei se por morar aqui e já olhar para as atrações com olhos de local ou por não ver mesmo muita graça em ficar sóbria no meio de um monte de gente bêbada em um barco – que é o aconteceria comigo caso eu fosse no Booze Cruise. Foi então que a Julia me contou sobre o Watersports Experience e eu me animei para ir.

Entre as muitas coisas que me agradaram no passeio, o horário de início foi uma das que eu mais gostei. Todo mundo se encontra às 10h da manhã no Banana Bar para tomar café da manhã, de modo que pude me dar ao luxo de dormir até um pouquinho mais tarde, algo muito raro na minha vida de mergulhadora – o barco da escola para a qual eu trabalho sai do píer às 7h.

watersports experience

Assim que todo mundo termina o café em estilo inglês, torradas com ovo frito e feijão, o Kirby anota o que cada um quer comer no almoço, há umas cinco ou seis opções de comida tailandesa, e nos explica a programação do dia. Umas 11:30 todo mundo vai para o píer e a lancha sai em direção à primeira parada, Monkey Beach para ver a praia e os macacos, sempre tomando cuidado ao se aproximar deles, já que eles podem morder se sentirem ameaçados. Eu, apesar de ponte-pretana desde criancinha, não sou a pessoa que mais curte macacos no mundo, tenho medo de levar mordida e não quero tomar mais uma dose de vacina antirrábica, então fiquei de boas no barco batendo um papo com a Julia.

Monkey Beach

A segunda parada é no meu lugar preferido de toda ilha; Phi Leh Lagoon para nadar, tomar uma cervejinha na água e experimentar a atividade que eu mais queria: Stand-up paddle, ou SUP, para os íntimos. Assim que chegamos na lagoa o Chris, nosso guia, mostrou a todo mundo um jeito engraçadíssimo e muito eficiente de se usar um colete salva-vidas para tomar uma cerveja na água de maneira confortável: vesti-lo como se fosse uma fralda, colocando os pés pelos buracos onde se colocam os braços. Eu preferi cair na água só de biquíni mesmo e aproveitar a liberdade de não ter a roupa de mergulho colada em mim. Foi então que eles trouxeram as pranchas e os remos e a brincadeira começou. Precisei de algumas tentativas até conseguir me equilibrar de joelhos em cima da prancha e remar um pouquinho, sempre cuidando para não bater na cabeça de ninguém. Depois que já estava dominando todo o meu equilíbrio, que é muito pouco, sobre os joelhos resolvi que estava ousada o suficiente para tentar ficar em pé. Caí.

watersports experience

Tentei mais algumas vezes, sempre caindo e voltando para cima da prancha. No fim das contas até consegui arriscar umas remadinhas em pé e não fiz tão feio assim. Pena que só tem um outro lugar em Phi Phi que oferece o tal do SUP e a um preço bastante salgado para o meu gosto, de modo que não sei quando terei outra oportunidade. Pelo menos valeu pra matar a curiosidade, achei tão legal quanto imaginei que seria.

watersports experience

 

Saindo de lá nós fomos até Loh Sama Bay para pularmos das pedras no mar, uma das atividades mais procuradas aqui em Phi Phi. Há uma escada feita de corda pela qual se sobe até as pedras. Eu, pateta que sou, não tive força suficiente para conseguir subir e só fiquei olhando todo mundo e sentindo uma pontinha de inveja… Todo mundo que pulou adorou.

watersports experience

Lá pelas 14:30 fizemos nossa parada para o almoço em Maya Bay A lancha para bem próxima a uma pequena praia do lado oposto da Maya Beach, a famosa faixa de areia do filme A Praia. Lá o Chris distribuiu a marmitinha de cada um e ficamos um tempinho só relaxando e curtindo o lugar.

Depois do almoço fomos até Malong procurar pelas tartarugas. Cada um recebe uma máscara e um snorkel, eu fui espertinha e levei os meus, e segue o Chris. Antes de entrar na água ele explicou onde iríamos nadar e como procurar por elas, fiquei muito feliz com a ênfase que ele colocou em “não pode encostar nas tartarugas!”. Infelizmente não tivemos sorte e não conseguimos encontrar nenhuma, então logo fomos para a penúltima parada, Palong, para procurarmos pelos tubarões. Lá tivemos mais sorte e eu vi bem uns quatro ou cinco Blacktips, além de uma lagostinha e outros peixinhos coloridos.

watersports experience

black tip reef shark

O último lugar a ser visitado é Tonsay Bay, onde acontece a parte dos esportes aquáticos que dá nome ao passeio. Eles nos dão três opções e nós podemos escolher uma entre: subir em uma bóia puxada pela lancha, wakeboard ou esqui aquático. Encarando a dura realidade de que eu não tive força suficiente no braço pra subir em uma escadinha feita de cordas, aceitei de bom grado que a bóia seria a minha melhor opção, pois eu jamais seria capaz de aguentar o tranco de segurar na corda do wakeboard por mais de alguns poucos segundos. Mas eu não tenho do que me queixar, foi mega divertido!

watersports experience

Três pessoas mais o Chris podem ir de cada vez, ele se senta no fundo e vai filmando tudo até o momento em que todo mundo cai na água, que é a parte mais legal. O cenário vai ficando também cada vez mais bonito com o pôr-do-sol que vai colorindo a paisagem com tons de laranja e amarelo. Enquanto isso dá pra tomar uma última cervejinha e curtir a paisagem.

watersports experience

watersports experience

Quando a última pessoa cai do esqui é hora de voltarmos para o píer. Lá pelas 20:30h, depois de um bom banho e descansar um pouquinho em casa, o grupo se reúne para jantar no Banana Bar e então ver a filmagem do passeio.  Foi, de longe, uma das atividades mais legais que eu já fiz aqui na ilha e recomendo pra todo mundo que procura por um tour de dia inteiro por Phi Phi. Você pode marcar o passeio com o Chris e o Kirby no Banana Bar mesmo ou nas agências de turismo espalhadas pela ilha, o preço é de 2500 Baht e inclui o transporte, as refeições e bebida à vontade no barco (cerveja, refri, chá gelado e água).

Os meninos fizeram a gentileza de me ceder os vídeos do dia em que fiz o passeio.

Este post NÃO é um publieditorial, recomendei porque gostei mesmo!

 

Na Gringa

Hotsprings in Krabi, ou as termas salgadas de Krabi

March 16, 2015

Nossa comunidade de mergulhadores em Phi Phi, apesar de grande, é bastante próxima. Todo mundo conhece todo mundo, sabe da vida de todo mundo e, o melhor de tudo, costuma ser amigo de todo mundo; por isso estranhei quando não vi meu amigo Zohar andando pelas ruas por alguns dias. Então, assim que encontrei com o irmão dele, também meu amigo, perguntei por onde ele andava.

– O Zohar está no hospital em Phuket, está com muita dor nas costas e ninguém consegue descobrir o que está causando o problema. Faz uns três dias que ele está fazendo um monte de exames e nada.

Fiquei preocupada, mandei mensagem, perguntei se precisava de alguma coisa daqui, mandei uns vídeos engraçados no whatsapp pra ele se divertir e mantive contato até ele voltar pra Phi Phi, uma semana depois. Ele e a Sachi, sua esposa, passaram pela loja num dia em que eu estava de bobeira e me contaram toda a saga deles no hospital de Phuket e que agora estavam procurando um massagista fantástico que eles conheciam de outras temporadas na ilha. Me disseram que o homem era simplesmente fabuloso, que da última vez que o Zohar tinha tido o mesmo problema nas costas já estava trabalhando dois dias depois de uma sessão com ele. Isso atiçou minha curiosidade, já que eu vivo em busca da melhor massagem em Phi Phi – tema que ainda vai render um post aqui no blog. Acontece que eles não estavam conseguindo encontrar o tal do massagista milagroso. Paciência.

Uns dias depois o Zohar e o Raz, irmão dele, apareceram na loja e me contaram que finalmente haviam encontrado o massagista; ele estava trabalhando em um parque de águas termais em Krabi e os meninos logo fariam uma viagem até lá para ver se ele poderia dar um jeito nas costas do Zohar. Me animei e disse que queria ir junto, que era só eles me dizerem o dia e eu arrumava a mala! Pra quem não tem muita idéia de geografia tailandesa, Krabi é o município em terra firme ao qual Phi Phi pertence, cerca de duas horas de balsa.

Uns dias depois confirmaram a data da viagem e lá fomos nós! Segunda-feira passada, às 08:30 da manhã estávamos Zohar, Sachi, Raz e eu no píer de Phi Phi para tomar a balsa rumo a Krabi, onde o massagista estaria nos esperando. Assim que chegamos ele nos levou a um restaurante e depois fomos até à casa dele, onde a sessão de tortura massagem aconteceu.

Krabi

O primeiro da fila, é claro, foi o Zohar e eu preciso dizer que vê-lo fazendo caras e bocas enquanto era amassado, puxado e apertado pelo tailandês não foi nada animador. Mas eu não tinha ido até Krabi pra desistir, me enchi de coragem e resolvi que ia encarar custasse o que custasse. E, olha, rapaz, acho que eu nunca senti tanta dor durante uma sessão de massagem em toda minha vida! O homem apertou músculos que eu nem sabia que eu tinha no meu corpo, em especial um que fica logo abaixo do joelho na parte de trás da perna. Ele nos contou que a maioria dos mergulhadores sente muita dor nesta região por causa do movimento que fazemos com o pé-de-pato e eu quase desisti da carreira neste momento. Mas eu saí de lá como se estivesse andando nas nuvens.

Ângela Goldstein

Quando a sessão de massagem já havia terminado, lá pelas 17h, e o sol já havia abaixado fomos para as termas salgadas de Krabi. Eu já havia visitado parques de águas termais duas vezes na vida, em Poços de Caldas e em Caxambu, e me lembrava mais ou menos do esquema de cada um dos lugares. Em Poços fui à piscina do Palace Hotel, que é coberta, toda feita de mármore, em estilo greco-romano e bem bonita, como todo o hotel. Estive lá com uma amiga nas férias de 1997 e me lembro que fomos de maiô, porque no auge dos nossos onze anos nós tínhamos um pouco de vergonha de usar biquíni, sem contar que era mais confortável pra correr de um lado para o outro. Já em Caxambu o esquema era diferente, o balneário era composto por salinhas individuais, cada uma com a sua própria banheira, nada do piscinão coletivo, e cada tipo de banho tinha um tempo diferente de duração de acordo com sua função (relaxamento, tratamento de pele etc..). Fiquei pensando em qual categoria as termas salgadas de Krabi se encaixariam.

Em nenhuma!

saline hotsprings krabi

Elas são a céu aberto! Nada de construções bonitas, acabamento fino e quetais, elas ficam bem no meio de um parque grande e são rodeadas de árvores. Gostei da idéia do contato direto com a natureza. Eu nunca fui a Caldas Novas, mas imagino que as de Krabi sejam parecidas com as de Goiás pelo que já vi em fotografias.

Mas não é só a estrutura que é completamente diferente dos parques brasileiros, o código de vestimenta é ainda mais. O sul da Tailândia é predominantemente muçulmano (em Phi Phi há duas mesquitas e nenhum templo budista), de modo que praticamente todo mundo que estava nas termas naquela tarde – nós quatro éramos os únicos estrangeiros – era muçulmano e estava vestido recatadamente. Algumas das mulheres estavam, inclusive, de véu na piscina. Dei graças a D’us de ter pensado em levar uma camiseta e um shorts ao invés de ir só de biquíni. E aqui vai outra curiosidade sobre a Tailândia: apesar de o país ter uma imagem de turismo sexual muito forte, a grande maioria dos tailandeses é bem recatada e não vê com bons olhos as roupas curtas e justas que os turistas usam. Assim, se você pretende ir a uma praia frequentada mais por locais do que por turistas, é bom ir com uma roupa mais recatada, nada de biquíni muito pequeno e nem pense em fazer um topless.

Nosso massagista-motorista nos mostrou as piscinas e disse para prestarmos atenção no que ele faria para repetirmos em seguida. O primeiro passo é tomar uma ducha de água fria para limpar o corpo, depois é chegar perto da fonte principal, pegar um baldinho cheio de água BEM quente e jogar no corpo, pode ser da cabeça ou do pescoço pra baixo.

saline hotsprings krabi

Depois disso o uso das piscinas está liberado, com a recomendação de começarmos pela que tem a água menos quente. Entramos os quatro e ao nos assustarmos com o tanto que a água estava quente colocamos os braços na água pra ver quantos graus o computador de mergulho de cada um marcava. A média foi de 40 graus! Logo o massagista veio nos avisar que o tempo máximo de permanência é de 3 minutos em cada piscina, depois disso é necessário fazer um intervalo de 5 minutos e aí pode entrar outra vez. Olha, acho que mesmo que ele não tivesse avisado, viu? Eu não consegui ficar mais do que 2 minutos em cada uma delas.

IMG_3017

Lá pelas 18:30, quando já estávamos parecendo uvas passas de tanto que ficamos na água e o sol já tinha ido embora, nós também fomos. Jantamos com o massagista-motorista em um mercado noturno e depois ele nos levou ao hotel, onde ficamos divididos no “quarto rosa pras meninas” e “quarto azul para os meninos”. Foi tão clichê que só faltou fazermos uma guerra de travesseiros e brincarmos de gato-mia, mas como nós já somos mais grandinhos tomamos umas cervejas mesmo. Todo mundo foi pra cama cedo, pois o dia seguinte começaria às 07:00 da manhã, com mais uma sessão de piscinas para mim, Sachi e Raz e mais uma sessão de massagem pro Zohar.

Repetimos todo o procedimento de água no baldinho da cabeça pra baixo, entrar na piscina menos quente, fazer o intervalo, ir pra piscina mais quente, fazer o intervalo e depois procurar uma piscina de água mais ou menos quente para ficarmos só curtindo numa boa. Conversa vai, conversa vem, alguém soltou a pergunta:

– Você mergulharia nessa água?

Em unanimidade dissemos que não, nem pensar. Eu só conseguia pensar no quanto que o meu cabelo ficaria duro com todo o sal e minerais da água, o Raz e o Zohar não encarariam o calor e a Sachi disse que teria curiosidade.

krabi hotsprings

A conversa estava boa e a água melhor ainda, mas logo a gente teve que começar a levantar acampamento para pegarmos a balsa de volta para Phi Phi. Antes de irmos ao píer deu tempo para uma rápida paradinha no Makro, onde eu aproveitei pra comprar um belo pedaço que queijo suíço, e fazermos as compras pra um churrasco que estávamos planejando para a sexta-feira.

Em resumo, a viagem foi um sucesso! Só é uma pena que o efeito mágico da massagem já tenha ido embora uma semana depois e que eu esteja voltando pro Brasil tão cedo. Pra quem ficou curioso pra saber se a massagem era mesmo forte, deixo um vídeo pra vocês decidirem.

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Os pontos de mergulho de Phi Phi – Parte IV

November 27, 2014

O último post da série sobre os pontos de mergulho de Phi Phi se trata de dois dos meus preferidos: o naufrágio Kled Gaeow e Hin Gareng, ambos em alto mar e um pouco distantes da costa leste de Phi Phi Ley.

kled gaeow

Em março deste ano o antigo navio militar Kled Gaeow foi afundado de propósito, a intenção era criar mais um ponto de mergulho por aqui e criar um novo recife artificial que pudesse atrair mais vida marinha; deu muito certo. Agora em novembro, 8 meses depois, o naufrágio já tem dois moradores muito especiais e que há tempos não apareciam por aqui: dois tubarões bambu (Chiloscyllium griseum).

kled gaeow

Ele está situado a 26 metros de profundidade e para chegar até lá é necessário se guiar por uma corda que está atada à proa do navio, já que no início da descida tudo o que se vê é uma imensidão azul. Lá pelos 15 metros se começa a ver o contorno do barco e os cardumes que estão nadando em volta. É impressionante ver como já existe tanta vida marinha no lugar em tão pouco tempo!

Kled gaeow

O tempo de mergulho acaba sendo um pouco mais limitado em torno do Kled Gaeow do que nos outros pontos de Phi Phi por causa da profundidade a que ele está situado. Seja para este não ser um mergulho descompressivo ou por causa do consumo de ar, muito maior quanto mais fundo se vai, não costumamos ficar mais de meia hora nadando em volta do navio. Mesmo mais curtinho, vale muito a pena!

hin gareng

Hin Gareng, um grande recife em mar aberto, um dos poucos pontos onde vemos tubarões leopardo e um dos lugares mais lindos que já vi debaixo d’água. Não é um dos pontos mais visitados, pois depende do tempo estar bom, mar tranquilo, sem vento e pouca correnteza, para que o mergulho valha a pena.

hin gareng

O recife é composto, na verdade, por dois; um menorzinho no centro e um maior ao redor e o mergulho é feito em torno de ambos. Na maioria das vezes encontramos o tubarão leopardo, em algumas ocasiões até dois!, deitado no topo do recife menor ou nadando por ali. Há também algumas sépias, nemos, peixes-leão escondidos em barris de esponja, alguns cardumes de snappers amarelinhos e muitos outros peixes coloridos… As condições naturais de Hin Gareng ainda estão muito mais preservadas do que na maioria dos outros pontos de mergulho de Phi Phi porque há menos gente passeando por aqui. Sabe como é, né? Por mais cuidadosos que nós tentemos ser, acabamos sempre tendo algum impacto na flora e fauna marinhas…

 hin gareng

Adoro o jeito como as sépias olham, parece sempre que estão prestando a maior atenção em tudo ao seu redor ou até mesmo olhando com um certo arzinho de superioridade.

hin gareng

Bom, agora chegou a hora de subirmos a cinco metros, fazermos nossa paradinha de segurança por três minutos e de eu mandar minha bóia pra superfície, pros outros barcos saberem que estes mergulhadores daqui estão prontos pra subir!

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Os pontos de mergulho de Phi Phi – Parte III

November 24, 2014

Koh Phi Phi Ley

Nos últimos dois posts, que foram escritos na época em que ainda se amarrava cachorro com lingüiça, falei sobre o lado leste de Phi Phi Ley e as duas ilhas que ficam ao sul. Continuando nosso passeio pelos pontos de mergulho de Phi Phi, hoje vamos pelo lado leste, mais pertinho de Maya Bay, em Malong e Palong. A topografia de ambos é bastante parecida; o fundo é basicamente composto por cascalho, pedrinhas e areia e há muitos rochedos cheios de corais, alguns deles formando passagens através das quais nós podemos nadar, maior divertido!

Hawksbill turtle

Malong é onde costumamos encontrar tartarugas, na maioria das vezes parece que elas só estão ali nos esperando descer e dar um tchauzinho com a nadadeira. Elas nos olham com uma cara de quem sabe que é super legal, com aquela certeza de que nos fazem muito felizes somente por vê-las, o que é a mais pura verdade. Afinal, como pode alguém não ficar contente em ver uma tartaruga? Elas são lindas demais!

Agora em novembro temos visto muitos polvos por lá também, outro dia apareceu um muito exibido que ficava o tempo todo mudando de cor e mexendo os tentáculos, a coisa mais linda do mundo!

Polvo

Eu e um takoyaki em seu habitat natural.

Malongcommon porcupinefish

nudibranchMalong

Baiacus e nudibrânquios, como o da foto do canto esquerdo inferior, também são facilmente encontrados em Malong.

Já Palong fica um pouco mais ao norte da ilha, logo depois de Malong, e é conhecido por ser o ponto onde costumamos encontrar tubarões. Esse ano, curiosamente, eles parecem todos terem saído de Palong e se refugiado em Maya Bay; há um cantinho na baía onde temos visto cerca de 20 tubarões todos os dias!

tubarão

Palongnudibrânquio

Como os dois pontos são muito próximos, o que se encontra em cada um deles não é muito diferente. Eu sempre gosto de procurar pelos nudibrânquios em meio aos corais e pedras. Muitas vezes também encontramos peixe escorpião, moréias, nemos…

moréiascorpion fish

*Mais uma vez, agradeço ao colega e amigo Federico Poppe pela gentileza de me ceder as fotos para o post!

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Como é mergulhar em Koh Phi Phi

October 6, 2014

Outro dia topei com um texto no 360 Meridianos que falava sobre mergulho na Tailândia, nele o autor dizia por que não quis fazer seu curso de mergulho aqui em Phi Phi – “instrutores ao melhor estilo ‘garotão da praia’ e um cheirinho de golpe no ar”. Um pouco depois apareceu no Scuba Diver Life um artigo sobre os cinco lugares mais superestimados para mergulhar no mundo e novamente Phi Phi figurava com um dos que “você não está perdendo nada se não for”.  Me senti com a missão de defender minha ilha e encorajar geral a vir conhecer o fundo do mar por essas bandas.

Hin Gareng

Hin Gareng, um dos meus pontos preferidos em Phi Phi

Mas e o cheirinho de golpe no ar?

Como em todo tipo de comércio, em qualquer lugar do mundo, há os estabelecimentos sérios e os picaretas; então cabe a você procurar uma escola que te agrade e te passe segurança. Um bom começo para a sua busca pode ser por um guia de viagem, o Lonely Planet recomenda algumas escolas aqui na ilha, mas também não custa nada dar uma procurada no Tripadvisor e conferir as escolas in loco. Há muitas escolas em Phi Phi e tenho certeza de que pelo menos uma delas será do seu agrado. Os preços para quaisquer serviços oferecidos são os mesmo em toda a ilha, pois há um acordo entre as escolas, então a competição fica por conta da qualidade do atendimento, do equipamento fornecido e do barco.

E quais são esses serviços?

Levando uma DSD!

Levando uma DSD!

O primeiro deles, e a minha indicação para quem nunca mergulhou e não tem certeza se gostaria de fazer o curso ou não, é o Discover Scuba Dive. Como o próprio nome diz, é uma maneira de você descobrir o fundo do mar pelas mãos de um instrutor sem precisar da certificação, só é necessário assistir a um vídeo bem curtinho – uns 25 minutos – que te dá uma visão geral do que acontece durante um mergulho e qual a função de cada equipamento que você utilizará. Depois disso é só ir pro barco, cair na água e ver muitos peixinhos.

A gente costuma levar um ovo para os mergulhos profundos para ver o efeito da pressão a 30m; a clara e a gema não se separam!

A gente costuma levar um ovo para os mergulhos profundos para ver o efeito da pressão a 30m; a clara e a gema não se separam!

Em segundo lugar vêm os dois cursos mais procurados, Open Water Diver e Advanced Open Water Diver, as primeiras certificações como mergulhador. Como Open Water você tem autonomia para mergulhar sem supervisão de instrutor até 18m e como Advanced pode ir até 30m. O primeiro curso dura cerca de 4 dias e envolve um pouco de teoria, alguns exercícios em água confinada e quatro mergulhos em águas abertas. O segundo curso é um pouco mais rápido, são dois ou três dias que consistem em teoria e prática e cinco mergulhos em águas abertas – dois deles, necessariamente, são mergulho profundo e navegação.

Cardume de snappers em Bida Nok.

Cardume de snappers em Bida Nok.

Em terceiro lugar, caso você já seja um mergulhador certificado, estão os mergulhos recreativos (fundives) que são sempre guiados por um instrutor ou divemaster. Neste caso não é necessária nenhuma parte teórica ou prática, é só subir no barco, navegar um pouquinho e cair na água para ver os peixinhos.

E como é um dia de mergulho em Phi Phi?

Reef Ranger, o nosso barco.

Reef Ranger, o nosso barco.

O dia de quem quer mergulhar em Koh Phi Phi começa cedo, a maioria das escolas pede aos mergulhadores que cheguem às 07:30 para que o barco possa sair do píer às 08:00. A navegação até os pontos de mergulho é rápida, o ponto mais longe está a cerca de meia hora de distância, tempo suficiente para nós prepararmos os equipamentos dos clientes e fazermos o briefing do barco e dos pontos antes de cairmos na água. O primeiro mergulho termina por volta de 09:00-09:30 e é seguido por um intervalo de superfície, aquela horinha básica que você passa tomando sol, fazendo um lanchinho e eliminando o excesso de nitrogênio que ficou acumulado no seu corpo. Umas 10:20 é hora de voltar pro mar e ver mais peixinhos, tartarugas e tubarões. Findo o segundo mergulho, retornamos ao píer, famintos, molhados e salgados por volta de 12:00, prontos para uma sonequinha depois do almoço.

Mas e os instrutores estilo “garotão de praia”?

Reef Ranger 3

Eu sou uma pessoa séria e responsável, podem acreditar!

Se tem uma coisa que me incomodou profundamente e achei completamente descabida na descrição dos instrutores do post do 360 Meridianos, essa coisa é o estereótipo de que os instrutores são estilo “garotão de praia” no sentido pejorativo. A gente mora na praia, amigo, o que você estava esperando? Que a gente recebesse os clientes de tailleur e maquiagem? Amigo mergulhador, potencial futuro cliente, se você um dia topar com uma divemaster ou instrutora arrumada como uma aeromoça, corra para a próxima escola. É o melhor que você tem a fazer. Do mesmo jeito que um cardiologista fumante não passa credibilidade, uma mergulhadora de cabelos sedosos e unhas impecáveis também não. Por estarmos no sol diariamente, cabelo fica mais loiro, a pele um pouco mais morena (só a minha que não…), as roupas precisam ser frescas e confortáveis e acabam ficando meio manchadas  por causa da ferrugem das caixas onde transportamos os equipamentos, um furinho ou dois em uma peça é a coisa mais normal do mundo, ninguém usa sapato, tem gente que nem Havaianas usa e sai por aí descalço… O ambiente de trabalho é bem mais relaxado e a postura profissional exigida não é, e nem poderia ser, a de uma aparência impecável, mas preza pela gentileza com o cliente e a preocupação com a segurança e bem estar deles. Isso, eu posso garantir, a grande maioria dos instrutores tem de sobra. A gente mora na praia, então é claro que a gente tem cara de quem mora na praia.

E você? Já mergulhou em Koh Phi Phi ou algum outro lugar da Tailândia? O que achou?

*As fotos do post foram cortesia do amigo e colega Federico Poppe.

Mergulho

Como fazer um plano de ação de emergência.

September 4, 2014

Meu primeiro contato com o fundo do mar foi durante um Discover Scuba Dive, no dia primeiro de janeiro de 2011 e tudo o que eu precisei fazer para aquele mergulho foi assistir a um vídeo de 20 minutos que explicava os conceitos mais básicos da atividade e do equipamento que eu usaria. Fora isso, ficou tudo sob os cuidados do instrutor que me levou, pela mão porque eu estava com um certo medo. Eu não fazia a menor idéia da função que cada um daqueles visores para os quais ele tanto olhava tinha, ou pra que servia aquele relógio enorme que ia no pulso e mais parecia o relógio que os Power Rangers usavam para se comunicar.

power ranger communicator

Aí eu gostei do fundo do mar, quis ficar e me inscrevi pra fazer o Open Water E o Advanced Open Water assim na sequência mesmo, pra ver se eu virava a pequena sereia logo de uma vez. Eu só não sabia que pra virar sereia a gente tinha que se preocupar tanto assim com questões de segurança. Olhando assim parece tão fácil…

Mas tem pressão, densidade e volume da água e do ar, quantidade de ar no tanque e consumo, é coisa que não acaba mais… Já no curso básico, Open Water Diver, aprendemos que não podemos parar de respirar nem por um minuto, mesmo que o regulador esteja fora da sua boca ou o ar do tanque tenha acabado. Isso porque o ar que está no seu pulmão vai se expandindo à medida em que você sobe de volta à superfície e guardá-lo pode fazer com que seu pulmão se rompa e, bom, ninguém quer que isso aconteça, certo? Aquela subidinha rápida da Ariel quando ela diz que quer ser “part of yooooour wooooorld? Então, pode esquecer, tem que fazer uma parada estratégica de 3 minutos a cinco metros de profundidade pra começar a eliminar o nitrogênio que se acumulou no seu corpinho.

Enfim, neste primeiro curso você aprende a cuidar de você, o que você deve fazer ao se encontrar em uma situação de emergência e como pedir ajuda. É claro que durante os exercícios você também aprende a compartilhar o seu ar com a sua dupla, caso haja necessidade, mas a prioridade neste começo é saber o que e como fazer caso você se encontre em perigo. O que faz todo sentido, diga-se de passagem. É só quando você chega no curso de resgate que vai começar a se preocupar em cuidar de quem mais estiver na água.

curso de resgate

Então, no curso de resgate, além de ensaiar à exaustão possíveis cenários de acidente, há a tarefa de desenvolver um plano de ação de emergência. É verdade que situações como essas são raras, mas não custa nada estar preparado, né? Por isso plano deve conter o maior número possível de informações sobre o barco, o ponto de mergulho e os primeiros procedimentos para as emergências mais comuns. Dei uma pesquisada pela internet quando precisei fazer o meu, misturei os modelos que encontrei até chegar no meu. Coloquei disponível aqui no blog para quem quiser baixar.

Plano de ação de emergência

Mergulho

Tudo que você queria saber sobre o curso de resgate, mas tinha vergonha de perguntar.

September 1, 2014

O curso de resgate da PADI nunca foi o que mais me chamou a atenção, apesar de sempre ouvir de outros mergulhadores que este havia sido o curso mais divertido e gratificante que eles tinham feito. A idéia de simular cenários de acidentes, afogamentos, mergulhadores inconscientes e salvamentos heróicos era um pouco demais mais mim, que não sou assim a pessoa mais teatral do mundo fora da sala de aula e tinha certeza que ficaria inibida sabendo que todos os olhos do barco estariam avaliando minha performance. Mas era uma exigência para poder começar o curso de Divemaster e esse era um curso que eu queria muito fazer, então deixei a vergonha de lado e encarei os quatro dias até ter a certificação em mãos.

O início

Como todo curso de mergulho da PADI que já fiz, o começo é pela teoria lida em um manual, assistida em vídeo e acompanhada de perto pelo instrutor, de modo que passei dois bons e felizes dias debruçada sobre meu livro na sala com ar-condicionado da escola, dando uma pausa no calor e umidade do verão tailandês. No fim do segundo dia fiz uma prova de múltipla escolha e fui com o Chris-instrutor e um colega, também Chris e que seria a vítima, ensaiar os primeiros cenários na praia. Como nenhuma escola de Koh Phi Phi tem piscina, os mergulhos “confinados” são todos feitos na praia próxima do píer, em uma área rasa e cercada por uma corda para garantir que não seja invadida por nenhum barco.

curso de regaste

Os primeiros exercícios que fizemos foram os mais básicos, como nadar levando um mergulhador cansado de volta para o barco e ajudar alguém que esteja com cãimbra. Depois partimos para as situações mais improváveis e as que eu mais temia, aquelas em que você tem que começar a gritar instruções para um mergulhador cansado ou em pânico, quando você sabe que a vítima em questão está perfeitamente saudável e tem total controle da situação. E foi aí que o Chris-vítima começou a me dar trabalho ao se fingir de mergulhador em pânico, tentando se apoiar em mim e quase me afogando.

curso de resgate

Os últimos exercícios do dia foram os de carregar ambos Chris, instrutor e vítima, para fora da água em direção à praia e foram os mais divertidos. Não foi nada fácil levá-los nas costas e toda vez que eu estava saindo do mar acabava caindo com eles na areia.

curso de resgatecurso de resgate

O meio

Então chegou o dia seguinte e com ele hora de irmos para o barco  colocarmos nossos cenários em ação, pagar mico na frente de geral e garantir boas histórias e fotos para o blog. Como a idéia do curso é preparar você para reagir em uma situação de emergência real, o instrutor não te avisa ou dá dicas do que ou quando vai acontecer. Pode ser que você esteja descansando no deck, tomando um sol numa boa enquanto elimina todo aquele excesso de nitrogênio, quando alguém começa a gritar:

– Ângela, Ângela! Tem um mergulhador inconsciente na água!

E aí você precisa sair correndo, pegar o pé-de-pato (acho um nome bem mais simpático do que nadadeira, podem me julgar, mergulhadores), a máscara e o snorkel e pular na água para ir em busca do pobre mergulhador inconsciente enquanto vai gritando instruções para quem ficou no barco. Nesse meio tempo tem que se preocupar em estar fazendo tudo certo, como deveria ser feito em uma emergência de verdade e tomar o cuidado de não transformar a vítima de mentira em vítima de verdade.

curso de resgate

Nesse dia tive mais sorte, minha vítima foi a Charlotte, que é pequenininha e magrinha, bem mais fácil de carregar do que o Chris- vítima.

curso de resgatecurso de mergulho

curso de resgate

Além dos cenários na superfície também fizemos dois debaixo d’água: buscar um mergulhador desaparecido usando uma bússola e padrões de busca e trazer o mergulhador de volta para a superfície tomando cuidado para não subir rápido de mais. O do mergulhador desaparecido foi engraçado pois eu já estava meio esperta, só esperando a hora em que a Karen viria me dar o alerta de que a dupla (buddy) dela havia sumido para começar a fazer as perguntas de praxe – última vez e onde havia visto, por quanto tempo haviam mergulhado etc. – e cair na água com o Chris-instrutor para dar início à nossa importantíssima missão de resgatar o Chris-vítima. Então eu estava ali pelo deck, meio de bobeira, meio distraída quando ela chegou pra mim e disse:

My buddy is missing!

Ela é inglesa, de Manchester, tem todo aquele sotaque da batata na boca e eu meio distraída acabei entendendo “My bootie is missing!” e já ia perguntar “Sua botinha? Mas o seu pé-de-pato não é de bota, é fechado, não é? Como que você perdeu sua botinha?”. Mas aí os neurônios fizeram as devidas sinapses, eu me liguei que era buddy e não bootie e saí correndo pra água.

curso de resgate

curso de resgatecurso de resgate

Resultado positivo, Chris-vítima foi resgatado com sucesso por mim e pelo Chris-instrutor! Na segunda fotos temos a Karen me ajudando a colocar o buddy/bootie dela de volta no barco.

O fim

Apesar do meu pé atrás inicial com o curso e de não ter achado lá muita graça nas primeiras práticas, preciso dizer que foi uma experiência bem legal. Vou repetir o clichê que ouvi de um monte de gente e achei que nunca repetiria, não apenas pelo prazer de ser do contra, é um curso que te dá, sim, muita auto-confiança e segurança. É bom saber que você está preparada para reagir, seguir os primeiros procedimentos e o que sabe fazer no caso, improvável, de uma emergência acontecer.

curso de resgate

No fim das contas, a mergulhadora cansada era eu e já estava quase pedindo uma mãozinha pra subir a escada do barco.

*E você? Já fez algum curso de mergulho? Tem vontade de fazer o curso de resgate?