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Mas você vai sozinha?

December 31, 2016

Ô, se vou! Agora mais que nunca, inclusive.

Há exatos seis anos eu pisava em Koh Phi Phi pela primeira vez, completamente sozinha. Também pela primeira vez. O plano original não era esse, mas a vida acontece e assim acabei indo viajar sozinha pela primeira vez. Sem ninguém a me esperar do outro lado do desembarque. E sabe que foi uma sensação muito da boa?

Julgar um livro pelo título não pega tão mal quanto julgar pela capa, néam?

Julgar um livro pelo título não pega tão mal quanto julgar pela capa, néam?

E essa sensação do “ir sozinha” me levou a julgar um livro pelo título, ao invés de pela capa. O que não é tão grave assim. Ainda mais um título como este, que agrada a qualquer mulher viajadeira.

Quando recebi o e-mail da editora Globo comunicando o lançamento do livro e perguntando se eu tinha interesse em receber uma cópia, imediatamente respondi que sim. Queria muito saber o que outras viajantes solitárias pensam a respeito do assunto.

Sozinha no Vietnã

Sozinha no Vietnã

Além dos constantes “por que pra lá?”, a pergunta que ouço com mais frequência é “mas sozinha???”. Como se a falta de companhia implicasse no fracasso certo das minhas andanças.

Ok, a primeira vez sozinha nunca é fácil. Mas que primeira vez é fácil nessa vida, minha gente? Todas elas exigem um passo para fora da nossa zona de conforto. O que não significa que serão ruins, só quer dizer que não serão moleza.

E o livro da Gaia fala muito sobre isso, além de aguçar a vontade de fazer a mala e cair na estrada novamente. Os destinos que ela cita no livro são os mais diversos possível. Desde países vizinhos aqui da América Latina, até a distante Índia.

Sozinha no Taj Mahal

Sozinha no Taj Mahal

Aliás, ver a Índia lá aqueceu meu coração pelos mais diversos motivos mas principalmente por vê-la mencionada duas vezes como um bom destino para mulheres viajando sem companhia. Gaia me fez querer voltar à Índia, sozinha inclusive.

Também gostei muito de ver ali mencionados destinos mais tradicionais e palatáveis para quem pensa em embarcar numa aventura solo pela primeira vez. O encantador na narrativa dela é perceber como situações inesperadas acontecem mesmo em lugares considerados “batidos” por viajantes mais experientes. Basta estar aberto. É clichê, mas não sem razão.

E algo que achei ainda mais bacana e que permeia quase todas, senão todas, as histórias do livro é o fato de que estar sozinha não é sinônimo de isolamento. Muito pelo contrário, o fato de não ter companhia facilita o engatar numa conversa com desconhecidos, ser convidada a se juntar à mesa de uma família descendente de chineses em Nova Iorque. Talvez viajar sozinha não seja exatamente viajar sozinha, mas sim viajar sem companhia definida.

O que se pode tirar de lição do livro da Gaia é que basta querer para que sua viagem solo seja ótima. E tomar algumas precauções básicas, é claro, porque a gente não é besta de se expor a riscos à toa.  Não deixe a falta de companhia definida atrapalhar seus planos de conhecer o mundo, ou a cidade vizinha.

Mas você vai sozinha?” – Gaia Passarelli. Ed. Globo, 2016.

Na Gringa

Um dia de trabalho em Phi Phi

March 11, 2015

Faltando apenas 9 dias para eu pegar o avião de volta para o Brasil, achei que valeria a pena fazer uma pausa nos posts sobre o Vietnã e contar mais um pouquinho sobre minha vida aqui na Tailândia. Achei que seria interessante mostrar como é um dia de trabalho em Phi Phi, principalmente para quem pensa que eu passo o dia inteiro na praia tomando água de coco. Na verdade a minha rotina é bem diferente disso e às vezes eu passo semanas sem ir à praia, mesmo morando em uma ilha! Não faz o menor sentido, né? Mas acontece.

O ritmo de trabalho aqui é bem puxado, especialmente durante a alta temporada, portanto; pegue uma colher, coloque na boca, ponha um ovo em cima e vem andando comigo, sem deixar cair!

Às seis e meia da manhã, invariavelmente, o despertador toca e nós nos levantamos. Começo a escovar o cabelo para fazer uma trança, coloco o biquíni, uma roupa qualquer por cima e por fim arrumo minha mochila. Ho,je, além da máscara, vai também o snorkel, já que o primeiro passeio do dia é um tour de snorkel por Phi Phi Leh. Quando o Josh termina de se arrumar saímos juntos para o trabalho, hoje ele mergulha de manhã e eu de tarde.

Tonsay Bay

Chegando na loja preciso separar o equipamento para os cinco passageiros que vão comigo no barco; as máscaras, as roupas de neoprene e os pés-de-pato (os mergulhadores mais puristas vão me criticar, dizendo que o nome correto é nadadeira. Não me importo, acho pé-de-pato uma denominação muito mais adequada.). Então eu preparo a cesta com as frutas e as garrafas de água para fazermos o lanche, hoje temos bananas, e que o capitão logo vai passar na loja para buscar e levar até o longtail. Estando tudo pronto, eu só preciso esperar que os clientes cheguem.

propeller

Minha turma de hoje é um grupo de cinco amigos franceses que estão fazendo um semestre de intercâmbio em Macau e vieram passar uns dias de férias na Tailândia. Cada um pega seu pé-de-pato e vamos todos até a praia procurar pelo capitão e o barco, já que não são sempre os mesmos. Como a maré está muito baixa temos que esperar até que possamos sair, já que o longtail está empacado na areia. Os meninos começam a se impacientar e resolvem ir até à padaria mais próxima para comprarem o café-da-manhã. Uns dez minutinhos depois eles voltam com um baita saco de papel pardo e dizem:

– Nós compramos croissants, donuts e uns pãezinhos doces. Cada um pode escolher dois, inclusive você, Ângela. (Não preciso nem dizer que eles ganharam meu coração neste exato momento)

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Finalmente a maré sobre e nós podemos sair. Nossa primeira parada é Malong, onde geralmente vemos tartarugas. Logo em seguida, aproveitando que ainda não chegaram os milhares de turistas, vamos para a famosa Maya Beach. A praia, quando ainda está vazia, é mesmo um cenário de tirar o fôlego; não me espanta nem um pouco que tenham escolhido como cenário de um filme.

Quando o lugar começa a encher nós vamos fazer um pouco de snorkel pela baía. Mas antes é preciso tirar a tradicional foto russa em Maya Bay; é uma brincadeira que eu sempre faço com os clientes quando vamos à Maya Beach. Por algum motivo que desconheço, 70% dos turistas que visitam a praia são russos e eles simplesmente A-D-O-R-A-M posar para fotos. Parece está que estão fotografando um editorial de revista, e a mais clássica pose é essa aqui:

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Eu também entrei na brincadeira e tirei a foto russa:

DSCN4401

Depois de Maya visitamos Loh Sama Bay para mais um pouco de snorkel e peixinhos coloridos.

crown of thorns

Giant clam

sargentinho

Como o barco atrasou para sair, nós também vamos chegar um pouco mais tarde do que o horário normal, o que vai me dar muito pouco tempo para comer alguma coisinha antes de ir para o barco de mergulho. Não falei que os dias aqui tinham ritmo de gincana? O ovo ainda está em cima da colher ou já caiu?

Chegando na loja me despeço dos franceses e combinamos de nos encontrarmos na manhã do dia seguinte para que eu possa dar as fotos do passeio para eles. Assim que eles se vão eu corro para pegar meu cinto de lastro, ver se o equipamento do cliente da tarde já está separado e comer um sorvetinho para repor as energias. Vai ser uma tarde tranquila, pois meu único cliente vai fazer um scuba review – um programa que quem não mergulha há mais de ano precisa fazer para reaprender a montar o equipamento e relembrar alguns exercícios básicos na água.

scuba review

Depois que o equipamento está devidamente montado no tanque, é hora de passar as instruções, demonstrar os exercícios que vamos fazer na água e explicar como vai ser o mergulho. Logo em seguida nos equipamos e caímos na água para começarmos a revisão. Primeiro eu demonstro o exercício, ele observa e depois repete.

scuba review

Tudo ok, começamos o mergulho propriamente dito, pois há muitos peixinhos bonitos esperando para serem vistos!

snappers

nemo

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Também dá pra fazer uma graça quando encontro a amiga fotógrafa

Ângela Goldstein

Assim que atingimos 50 bar é hora de fazermos a parada de segurança e voltar para o barco.

Ângela Goldstein

Entre o primeiro e o segundo mergulho temos por volta de uma hora de intervalo de superfície, tempo necessário para eliminar o excesso de nitrogênio que fica acumulado nos tecidos do nosso corpo. A teoria por trás desse tempinho de descanso é essa, mas a gente sempre acaba usando isso como uma desculpa para comer, tomar sol e colocar a conversa em dia. Na maioria das vezes a vista é essa:

Maya Bay

Na mal, não? Mas não dá pra aproveitar por muito mais do que uma hora. Não demora muito e já é hora de nos equiparmos outra vez para cairmos na água de novo.

Mais nemos…

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Alguns flatworms…

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E também alguns Moorish idols.

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Lá pelas 18h tomamos o rumo do píer de Phi Phi Don, eu já completamente exausta. Assim que chegamos termino de preencher o logbook com meu cliente e vou para casa, para meu merecido descanso. Mais tarde tenho de voltar à loja para ver o que vou fazer amanhã e arrumar as caixas com os equipamentos caso tenha mergulhadores. Jantar rapidinho entre pegar a agenda do dia seguinte, voltar para casa e cair no sono, porque amanhã começa tudo outra vez.

Sobre a vida

Ângela Goldstein, blogueira e mendiga

January 15, 2015

Oooi, meu nome é Ângela e eu sou uma pessoa que tem uma relação esquisita, de amor e ódio, com roupas.

*Esse é o momento em que todo mundo responde “Ooooi, Ângela” mentalmente e me aceita do jeitinho que eu sou, sem me julgar, como aconteceria em um grupo de apoio.

Uma vez feita a confissão inicial, posso prosseguir com uma explicação um pouco mais aprofundada do tema. Apesar de ter tido mochila da Kipling e aquele moletom do urso da Ralph Lauren, como toda adolescente dos anos 90 que se preze, eu nunca fui da turma das patricinhas, aquelas meninas que estão sempre usando as roupas da moda e todo dia levam horas se arrumando para ir à escola. Eu usava as roupas que meus pais podiam comprar e também fazia muitas delas – pois é, eu costuro desde os 16 anos – em resumo, eu gostava de usar as roupas que eu achava legais, sem que elas necessariamente estivessem na moda.

Ângela Goldstein

Então eu cresci, passei no vestibular e fui estudar Letras na USP. Quem aqui já esteve em faculdade de humanas de universidade pública consegue imaginar o que isso quer dizer, o grau de despreocupação dos colegas com o ‘”look do dia” é tanto que um deles certa vez me disse que eu era integrante do “Núcleo patty da FFLCH”, eu quase caí pra trás na hora que ouvi aquilo.

Forte Orange

A foto foi tirada em Recife – PE, mas esse era um modelito que usava sempre para ir às aulas da faculdade. Nada patricinha, certo?

No último ano da graduação eu fui contratada por uma escola de inglês para dar aulas para os executivos da Berrini, uma daquelas avenidas de São Paulo cheia de gente carregando bolsas Louis Vuitton e usando ternos bem cortados, e então precisei me preocupar mais com a maneira de me vestir. Eu sou uma pessoa extremamente preguiçosa – minha mãe me chama, carinhosamente, de molusca – e simplesmente não tenho disposição de me produzir diariamente. Preciso confessar que eu tenho uma certa inveja de gente que passa maquiagem e usa salto todo dia, mas eu não troco esses minutos a mais na cama pra me me arrumar pro trabalho por nada no mundo. Não que eu alguma vez tenha ido descabelada pro trabalho, mas eu tenho que admitir que às vezes eu sou aquela pessoa que você olha na rua e pensa: “Gente! Essa moça não tem mãe em casa pra falar que essa roupa não está boa?”  Vou te contar um segredo: eu tenho mãe em casa e ela sempre fala, eu é que finjo que não ouço.

Então ontem me peguei um pouco saudosa do Brasil e resolvi olhar algumas fotos do ano passado, foi então que me deparei com isso aqui…

Burberry

Sim, minha gente, o ser humano da foto acima sou eu mesma… Fazendo compras na Burberry, no Iguatemi JK, onde tem uma vendedora que me conhece pelo nome. Fez sentido pra vocês? Pois é, pra mim também não. Mas eu disse que eu tinha uma relação esquisita com as minhas roupas…

“E o que isso tem a ver com um blog de viagens?”, você me pergunta. Eu digo que tudo, meu querido leitor, uma vez que viajar só fez com que os meus looks do dia voltassem a ser o esculacho que eram na minha época de faculdade… A começar pelo método Ângela Goldstein de arrumar a mala: escolha roupas velhas, aquelas que você doaria na próxima oportunidade, leve para o seu destino e deixe-as lá na hora de voltar pra casa. Quer coisa mais eficiente? Elimina aquele monte de roupa suja e a necessidade de lavá-las na hora da chegada, além de liberar espaço precioso pra você colocar os seus souvenirs. Sem contar que você sempre pode usar a desculpa de que se desfez de peças velhas para poder comprar roupas bacanas no lugar que você estiver visitando.

Mas e como isso fez de mim uma mendiga?

Eu tenho uma camiseta, branca estampada com maçãzinhas pretas e vermelhas, que eu simplesmente adoro e que já rodou meio mundo comigo. Hoje em dia ela conta com dois pequenos furos na frente, um maiorzinho e um pequenino nas costas e, para o mais completo horror da minha mãe, eu sigo usando normalmente. Abaixo você pode ver minha fiel companheira em três momentos diferentes: na Ilha de Páscoa, na Chapada dos Veadeiros e no Laos.

Ahu tongarikichapada dos veadeirosLuang Prabang

Acontece que em Phi Phi é normal usar roupa com furinho, um furo só se torna inaceitável por aqui a partir do momento em que você consegue passar mais de dois dedos por ele, qualquer coisa menor que isso está absolutamente dentro dos padrões nada rígidos que temos na ilha. Aqui, ninguém tem máquina de lavar roupa ou tanque em casa, de modo que todo mundo tem que terceirizar esse serviço e eu sei lá em que condições as minhas roupas são lavadas, tenho uma séria suspeita de que elas não sejam separadas por cor e certeza de que absolutamente nada é lavado na mão. Pensando nisso, por que eu traria as minhas melhores roupas pra cá? Em segundo lugar vem a umidade, quem mora na praia sabe a desgraça que isso é, mais cedo ou mais tarde tudo acaba estragando por causa do mofo acumulado. Por último vem o tipo de trabalho que eu faço na escola de mergulho; as caixas nas quais os equipamentos são transportados para o barco têm alças de metal enferrujadas e a mancha que elas deixam quando encostam na roupa não sai nunca mais. Some-se a isso o único tipo de calçado aceitável na ilha; Havaianas, as legítimas.

Então foi assim, a partir de uma combinação de roupa velha com furinho e manchinhas de ferrugem que eu fui me tornando ainda mais relaxada do que eu era antes. Mas às vezes a gente ainda consegue tornar a camiseta velha aceitável colocando-a num cenário bacana e segurando no carão.

Em Angkor Wat, no Cambodia.

Em Angkor Wat, no Cambodia.

Na Gringa

A monarquia tailandesa, o aniversário da rainha e o dia das mães

August 18, 2014

Acho que a grande maioria das pessoas não sabe e nem desconfia que a Tailândia seja uma monarquia constitucional, eu mesma era uma delas até pisar no país pela primeira vez, em dezembro de 2010. Aliás, honestamente falando e pensando rápido, alguém aí conhece outras monarquias além da inglesa? Você sabia que a Bélgica também é uma monarquia? E a Noruega? Pois é, enquanto pesquisava para escrever este post ampliei meus conhecimentos sobre casas reais pelo mundo, antes limitados aos Windsor por motivos óbvios, à rainha sueca, porque é brasileira, e ao rei Juan Carlos da Espanha, por causa deste vídeo genial:

O que eu não sabia da primeira vez em que coloquei meus pés no País dos Sorrisos (quão lindo é o fato da Tailândia se chamar de Land of Smiles?) é o quanto a figura do rei é adorada pelo povo. A imagem dele é encontrada por todos os lados, desde comércios até hospitais, em formato de calendários, fotografias…

rei da Tailândia

Fotos encontradas no píer de Koh Phi Phi.

Interior de uma loja em Phi Phi

Interior de uma loja em Phi Phi

O rei Bhumibol, ou Rama IX, é o monarca com o reinado mais longo da atualidade e o rei  com o reinado mais longo da história do país, nenhum outro ocupou o trono por tanto tempo. E duvido também que tenha sido tão querido pelo seu povo como ele é aqui. Só pra vocês terem uma idéia, alguns dos seus títulos são “Senhor sobre nossas cabeças” – a cabeça é considerada pelos tailandeses como a parte mais sagrada do corpo – e  “Senhor da vida”. Sua bandeira, amarela, está presente em praticamente todos os estabelecimentos do país. Seu rosto também está estampado nas notas de Bahts e pisar em uma delas é crime; não consigo imaginar por que alguém sairia por aí pisado em dinheiro, mas de qualquer maneira fica a dica. Ao sair de uma internação hospitalar, o rei usava um blazer cor-de-rosa claro, cor que virou febre entre os tailandeses e em poucas horas era possível ver um mar de gente vestida de rosa. Por quê? Pois o rei estava saindo do hospital, de modo que associaram a cor à sua boa saúde e como todo mundo quer vê-lo saudável…

bandeira tailandesa

À esquerda a bandeira tailandesa, à direita a bandeira do rei.

Assim como o rei, a rainha Sirikit é uma figura muito querida por esses lados. Apesar de não ser comum encontrar imagens dela sozinha, não são raras as fotos do casal ou da família real completa espalhadas pelo país. Mas a coisa muda de figura no mês de agosto, quando é comemorado seu aniversário. Ao invés da bandeira amarela, vê-se na decoração das ruas muitas bandeiras azuis ao lado da tailandesa pelas ruas e comércios. Ela é considerada a mãe do povo tailandês e na data do seu aniversário, 12 de agosto, também se comemora o dia das mães no país. Pelo que pude perceber, aqui na Tailândia esta não é uma data tão lucrativa para o comércio quanto no Brasil, tem mais a ver com o carinho que eles sentem pela família real. Achei uma associação muito bonita.

bandeira tailandesarainha sirikit

Ela também governou o país pelo período de um ano, durante o qual o rei serviu como monge budista em um templo (como é o costume da maioria dos homens budistas tailandeses) e dizem que ela se saiu bastante bem no cargo.

Na Gringa

Ilha de Páscoa; os moais e trocadilhos infinitos

November 27, 2013

Eu sei que eu acabei com o tio do pavê no texto anterior, não precisa ninguém me lembrar disso. Acontece que eu adoooro um trocadilho, uma piadinha linguística, eu sou formada em Letras afinal de contas! E, gente, eu nunca vi uma palavra que desse tanta margem pra piada besta quanto moai, juro. Foram moaintas delas ao longo dos quase quatro dias que passamos na ilha.

DSC_0347Moaichel Jackson
Moaina Lisa e Moaichel Jackson, respectivamente.

E o que é um moai, oras?

Moais são estas enormes estátuas de pedra que rodeiam toda a costa da Ilha de Páscoa do alto de seus ahu, que são altares ou plataformas. Agora, saber qual a função de um moai, bem… isso continua um mistério até hoje, mesmo depois de muitas teorias a este respeito terem sido elaboradas. A única coisa que eu posso garantir é que eles foram feitos por pessoas e não por alienígenas, como tem gente que gostaria de acreditar.

A versão mais aceita e divulgada é a de que, antigamente, a população Rapa Nui era dividida em clãs ou tribos, cada uma delas comandada por um chefe, e que se alternavam no poder de acordo com o resultado das competições do Homem Pássaro. Todo ano, uma espécie de pássaro chamada Manu tara colocava seus ovos numa micro ilha – Moto nui – e um homem de cada clã deveria nadar até lá e trazer de volta para Rapa Nui o primeiro ovo ali colocado. Quem trouxesse ganharia o título de Homem PássaroTangata Manu – para o chefe do seu clã, este resultado poderia assegurar a manutenção de um dos clãs no poder ou mudá-lo de mãos.

Moto NuiBirdman cave
Moto NuiBirdman Cave

Quando alguém importante do clã morria, uma estátua era encomendada em sua homenagem, um moai, de modo que seu espírito permanecesse protegendo as famílias e emprestando seu mana. Essa é a razão pela qual os moais estão de costas para o oceano e de frente para as vilas, para continuarem olhando seus descendentes. As características de cada um deles – tamanho, feições e detalhes – variava de acordo com o grau de relevância que o antepassado tinha. Ou seja, os moaiores moais eram os moais importantes (eu disse que essa palavra era uma fonte infinita de trocadilhos). A maioria esmagadora das estátuas retrata homens, mas há uma mulher também.

moaimoai

Mas e esse chapéu?

Então, na verdade não é um chapéu… É um pukao, que é a maneira como os homens Rapa Nui costumavam arrumar o cabelo; fazendo um coque no alto da cabeça, passando terra para dar um tom avermelhado e às vezes colocando penas para decorar o penteado.

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Os pukaos dos moais da praia Anakena e o meu pukao, sem terra mas com penas da Polinésia.

E como isso tudo ia parar em cima do ahu?

Senta que lá vem mais teoria. Morto o figurão do clã e encomendado o moai, era hora de começar a produzi-lo em Rano Raraku, um dos lugares mais legais que visitei. Há quatro vulcões (rano) na ilha e era da encosta deste que saíam os moais. Alguns começaram a ser esculpidos, não foram terminados e lá permaneceram; o que dá ao lugar uma cara de horta ou canteiro de moais.

Rano RarakuRano Raraku

Rano RarakuRano Raraku

Quanto ao transporte de Rano Raraku até os ahu, achei duas das teorias convincentes:
– a primeira diz que eles eram transportados como uma geladeira, o moai era posto de pé e ia sendo arrastado por cordas até o seu destino.
– a segunda diz que eles eram colocados deitados sobre troncos de árvores e deslizados em cima delas até seu destino, onde eram erguidos e colocados de pé sobre o ahu.

Já o pukao era produzido em outro lugar (Puna Pau), a partir de uma pedra de cor avermelhada e muito mais porosa. Uma vez pronto, ele era rolado encosta acima e colocado sobre o moai, daí a segunda teoria ter me convencido: me parece ser possível erguer tudo de uma vez ao invés de colocar o pukao sobre um moai que já estivesse de pé.

Puna PauPuna Pau

Para quem se interessou pelo assunto e gostar de uma versão romantizada da coisa, há um filme hollywoodiano chamado Rapa Nui que mostra o processo de produção dos moais. No Youtube tem de graça com legenda em português e tudo: