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Mergulho, Na Gringa, Sobre a vida

Cenas de um casamento embaixo d’água

February 11, 2016

Já contei no post da Restrospectiva que em fevereiro do ano passado meus cunhados se casaram. Eles são instrutores de mergulho e trabalhavam na mesma operadora que o Josh e eu, mas  mas como cuidavam do terceiro escritório da operadora moravam em um hotel afastado do centrinho de Phi Phi. Como a cerimônia e a festa aconteceriam na praia do resort, a Karen queria muito mergulhar para fazer uma sessão de fotos no fundo do mar vestida de noiva. Seria uma espécie de casamento debaixo d’água.

casamento praia

Bebida e mergulho não combinam, então é claro que não deu certo e tivemos que adiar o plano.

casamento praia

Sem chance dessa gente nada sóbria ir pro fundo do mar

Aproveitamos um dia em que o barco da operadora estivesse praticamente vazio e fizemos toda a produção a bordo do Reef Ranger.

Uma penteadeira improvisada.

Uma penteadeira improvisada.

casamento embaixo d'água

Logística

A parte mais complicada da sessão de fotos era a logística de levar o equipamento e manter o glamour de uma sessão de fotos de casamento ao mesmo tempo. É quase impossível conciliar os dois. Observe:

Elegante #sqn

Elegante #sqn

 Tudo isso que eu estou usando é necessário para a minha segurança e bem estar debaixo d’água. Mas como respirar e ficar bonita ao mesmo tempo estando no fundo do mar?

Lastro: Resolvemos a situação colocando o lastro da Karen por baixo do vestido e o do Chris no cinto que ele estava usando.

lastro

Ar: Questão de sobrevivência e prioridade número um. Mas e a feiura que é um regulador na boca? Como evitar? Amarramos um tanque com um regulador a uma corda para que ficasse na altura dos noivos. A idéia era respirar um pouco, largar o regulador, bater a foto e respirar novamente. Mas e como isso funciona quando aplicamos a regra número um do mergulho? “Nunca segure a respiração”. Resolvemos o problema mantendo uma profundidade de uns 4 metros, o que não é um despropósito. Quem faz apinéia chega a esta profundidade e se mantém por alguns segundos debaixo d’água sem riscos. Essa profundidade garantiria a segurança dos pulmões de todo mundo.

Jade, a fotógrafa, e eu estávamos com nossos equipamentos completos. Assim poderíamos estar à disposição do Chris e da Karen caso eles precisassem de ar a qualquer momento.

Máscaras: Junto com o regulador, as máscaras de mergulho são capazes de embarangar até a Gisele Bündchen. Como assistente da fotógrafa fiquei responsável por segurar as máscaras dos cunhados durante os cliques.

Nadadeiras: Essenciais para uma boa movimentação debaixo d’água, mas longe de serem os sapatos ideias para roupas de casamento. Foram cortadas das fotos dependendo do ângulo ou simplesmente passadas para mim e depois devolvidas a eles.

Quando tudo isso estava muito bem combinado com nós quatro tiramos uma última foto antes de pularmos no mar.

Uma última foto antes de todo mundo cair na água

Uma última foto antes de todo mundo cair na água

TCHIBUM!

Dá pra ver como ficou o tanque reserva dos noivos? Amarrado a uma corda e sempre próximo deles.

Dá pra ver como ficou o tanque reserva dos noivos? Amarrado a uma corda e sempre próximo deles.

casamento debaixo d'água

O ponto de mergulho onde as fotos foram feitas, Hin Bida, é famoso pelos tubarões leopardo (Leopard Shark) que nadam por ali. Como tínhamos de contar com a boa vontade da natureza sabíamos que havia a chance de não aparecer ninguém, mas estávamos bem esperançosos. E não é que logo ouvimos o Chris tentando chamar nossa atenção e apontando freneticamente em direção a esse bonitão?

leopard shark

Ele veio nadando todo tranquilo, sem a menor idéia do furor e alegria que estava causando. Veio vindo todo despreocupado e passou BEM NA FRENTE dos noivos!

casamento debaixo d'água

Dá pra acreditar na sorte deles? Em como o mar foi generoso ao dar este presente de casamento?

Dá pra acreditar na sorte deles? Em como o mar foi generoso ao dar este presente de casamento?

Depois disso nos concentramos em fotografar os noivos, já que não era possível garantir um clique melhor do que estes.

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Algumas considerações:

Uma sessão de fotos como esta faz a alegria de qualquer casal de mergulhadores! Não deve ser difícil conseguir uma parecida em qualquer região onde a indústria do mergulho seja forte. Nós nunca tínhamos feito algo parecido na operadora onde trabalhei em Phi Phi, mas é apenas uma questão de conversar e acertar os detalhes. O mais importante é que os noivos sejam mergulhadores certificados E experientes. Não recomendo para quem nunca mergulhou ou tem pouca experiência, aliás imagino que nenhuma operadora séria ofereceria este tipo de serviço para clientes não credenciados.

Não saberia dizer o valor deste tipo de serviço, pois nós fizemos as fotos como um presente para os meus cunhados.

*Todas as fotos, exceto as fotos em que apareço e as sinalizadas, foram tiradas por mim.

Na Gringa, Uncategorized

Watersports experience – o passeio mais legal de Koh Phi Phi

March 27, 2015

Uma das minhas amigas mais queridas aqui em Phi Phi, a Julia, trabalha em uma das muitas agências de viagens da ilha, a Visa Tour, e um dos nossos passa-tempos preferidos é sentar ao balcão onde ela trabalha, tomar uma cerveja e contar os causos dos clientes. As histórias são tantas e tão engraçadas que eu acho que renderiam um livro: tem gente que torce o nariz pro tipo de barco e diz que “de longtail eu não quero ir!”, tem gente que reclama que não viu tubarão quando foi fazer snorkel e quer o dinheiro de volta… Entre um causo e outro, também comentamos as atividades que a maioria dos turistas quer fazer durante os dias que passarão na ilha e como algumas delas nos parecem um gasto inútil de dinheiro ou um programa de índio categoria cinco cocares; são eles o passeio para ver o plâncton que brilha e o Booze Cruise.

Tailândia

As opções de passeio de barco ao redor da ilha são muitas e há para todos os tamanhos de bolso e cocar; vão desde longtail com 25 pessoas por 450 Baht pelo dia inteiro com almoço, criança chorando no barco, até alugar uma lancha privada por 10 000 Baht a diária. Nunca achei a maioria destas opções muito interessante, não sei se por morar aqui e já olhar para as atrações com olhos de local ou por não ver mesmo muita graça em ficar sóbria no meio de um monte de gente bêbada em um barco – que é o aconteceria comigo caso eu fosse no Booze Cruise. Foi então que a Julia me contou sobre o Watersports Experience e eu me animei para ir.

Entre as muitas coisas que me agradaram no passeio, o horário de início foi uma das que eu mais gostei. Todo mundo se encontra às 10h da manhã no Banana Bar para tomar café da manhã, de modo que pude me dar ao luxo de dormir até um pouquinho mais tarde, algo muito raro na minha vida de mergulhadora – o barco da escola para a qual eu trabalho sai do píer às 7h.

watersports experience

Assim que todo mundo termina o café em estilo inglês, torradas com ovo frito e feijão, o Kirby anota o que cada um quer comer no almoço, há umas cinco ou seis opções de comida tailandesa, e nos explica a programação do dia. Umas 11:30 todo mundo vai para o píer e a lancha sai em direção à primeira parada, Monkey Beach para ver a praia e os macacos, sempre tomando cuidado ao se aproximar deles, já que eles podem morder se sentirem ameaçados. Eu, apesar de ponte-pretana desde criancinha, não sou a pessoa que mais curte macacos no mundo, tenho medo de levar mordida e não quero tomar mais uma dose de vacina antirrábica, então fiquei de boas no barco batendo um papo com a Julia.

Monkey Beach

A segunda parada é no meu lugar preferido de toda ilha; Phi Leh Lagoon para nadar, tomar uma cervejinha na água e experimentar a atividade que eu mais queria: Stand-up paddle, ou SUP, para os íntimos. Assim que chegamos na lagoa o Chris, nosso guia, mostrou a todo mundo um jeito engraçadíssimo e muito eficiente de se usar um colete salva-vidas para tomar uma cerveja na água de maneira confortável: vesti-lo como se fosse uma fralda, colocando os pés pelos buracos onde se colocam os braços. Eu preferi cair na água só de biquíni mesmo e aproveitar a liberdade de não ter a roupa de mergulho colada em mim. Foi então que eles trouxeram as pranchas e os remos e a brincadeira começou. Precisei de algumas tentativas até conseguir me equilibrar de joelhos em cima da prancha e remar um pouquinho, sempre cuidando para não bater na cabeça de ninguém. Depois que já estava dominando todo o meu equilíbrio, que é muito pouco, sobre os joelhos resolvi que estava ousada o suficiente para tentar ficar em pé. Caí.

watersports experience

Tentei mais algumas vezes, sempre caindo e voltando para cima da prancha. No fim das contas até consegui arriscar umas remadinhas em pé e não fiz tão feio assim. Pena que só tem um outro lugar em Phi Phi que oferece o tal do SUP e a um preço bastante salgado para o meu gosto, de modo que não sei quando terei outra oportunidade. Pelo menos valeu pra matar a curiosidade, achei tão legal quanto imaginei que seria.

watersports experience

 

Saindo de lá nós fomos até Loh Sama Bay para pularmos das pedras no mar, uma das atividades mais procuradas aqui em Phi Phi. Há uma escada feita de corda pela qual se sobe até as pedras. Eu, pateta que sou, não tive força suficiente para conseguir subir e só fiquei olhando todo mundo e sentindo uma pontinha de inveja… Todo mundo que pulou adorou.

watersports experience

Lá pelas 14:30 fizemos nossa parada para o almoço em Maya Bay A lancha para bem próxima a uma pequena praia do lado oposto da Maya Beach, a famosa faixa de areia do filme A Praia. Lá o Chris distribuiu a marmitinha de cada um e ficamos um tempinho só relaxando e curtindo o lugar.

Depois do almoço fomos até Malong procurar pelas tartarugas. Cada um recebe uma máscara e um snorkel, eu fui espertinha e levei os meus, e segue o Chris. Antes de entrar na água ele explicou onde iríamos nadar e como procurar por elas, fiquei muito feliz com a ênfase que ele colocou em “não pode encostar nas tartarugas!”. Infelizmente não tivemos sorte e não conseguimos encontrar nenhuma, então logo fomos para a penúltima parada, Palong, para procurarmos pelos tubarões. Lá tivemos mais sorte e eu vi bem uns quatro ou cinco Blacktips, além de uma lagostinha e outros peixinhos coloridos.

watersports experience

black tip reef shark

O último lugar a ser visitado é Tonsay Bay, onde acontece a parte dos esportes aquáticos que dá nome ao passeio. Eles nos dão três opções e nós podemos escolher uma entre: subir em uma bóia puxada pela lancha, wakeboard ou esqui aquático. Encarando a dura realidade de que eu não tive força suficiente no braço pra subir em uma escadinha feita de cordas, aceitei de bom grado que a bóia seria a minha melhor opção, pois eu jamais seria capaz de aguentar o tranco de segurar na corda do wakeboard por mais de alguns poucos segundos. Mas eu não tenho do que me queixar, foi mega divertido!

watersports experience

Três pessoas mais o Chris podem ir de cada vez, ele se senta no fundo e vai filmando tudo até o momento em que todo mundo cai na água, que é a parte mais legal. O cenário vai ficando também cada vez mais bonito com o pôr-do-sol que vai colorindo a paisagem com tons de laranja e amarelo. Enquanto isso dá pra tomar uma última cervejinha e curtir a paisagem.

watersports experience

watersports experience

Quando a última pessoa cai do esqui é hora de voltarmos para o píer. Lá pelas 20:30h, depois de um bom banho e descansar um pouquinho em casa, o grupo se reúne para jantar no Banana Bar e então ver a filmagem do passeio.  Foi, de longe, uma das atividades mais legais que eu já fiz aqui na ilha e recomendo pra todo mundo que procura por um tour de dia inteiro por Phi Phi. Você pode marcar o passeio com o Chris e o Kirby no Banana Bar mesmo ou nas agências de turismo espalhadas pela ilha, o preço é de 2500 Baht e inclui o transporte, as refeições e bebida à vontade no barco (cerveja, refri, chá gelado e água).

Os meninos fizeram a gentileza de me ceder os vídeos do dia em que fiz o passeio.

Este post NÃO é um publieditorial, recomendei porque gostei mesmo!

 

Mergulho

Tudo que você queria saber sobre o curso de resgate, mas tinha vergonha de perguntar.

September 1, 2014

O curso de resgate da PADI nunca foi o que mais me chamou a atenção, apesar de sempre ouvir de outros mergulhadores que este havia sido o curso mais divertido e gratificante que eles tinham feito. A idéia de simular cenários de acidentes, afogamentos, mergulhadores inconscientes e salvamentos heróicos era um pouco demais mais mim, que não sou assim a pessoa mais teatral do mundo fora da sala de aula e tinha certeza que ficaria inibida sabendo que todos os olhos do barco estariam avaliando minha performance. Mas era uma exigência para poder começar o curso de Divemaster e esse era um curso que eu queria muito fazer, então deixei a vergonha de lado e encarei os quatro dias até ter a certificação em mãos.

O início

Como todo curso de mergulho da PADI que já fiz, o começo é pela teoria lida em um manual, assistida em vídeo e acompanhada de perto pelo instrutor, de modo que passei dois bons e felizes dias debruçada sobre meu livro na sala com ar-condicionado da escola, dando uma pausa no calor e umidade do verão tailandês. No fim do segundo dia fiz uma prova de múltipla escolha e fui com o Chris-instrutor e um colega, também Chris e que seria a vítima, ensaiar os primeiros cenários na praia. Como nenhuma escola de Koh Phi Phi tem piscina, os mergulhos “confinados” são todos feitos na praia próxima do píer, em uma área rasa e cercada por uma corda para garantir que não seja invadida por nenhum barco.

curso de regaste

Os primeiros exercícios que fizemos foram os mais básicos, como nadar levando um mergulhador cansado de volta para o barco e ajudar alguém que esteja com cãimbra. Depois partimos para as situações mais improváveis e as que eu mais temia, aquelas em que você tem que começar a gritar instruções para um mergulhador cansado ou em pânico, quando você sabe que a vítima em questão está perfeitamente saudável e tem total controle da situação. E foi aí que o Chris-vítima começou a me dar trabalho ao se fingir de mergulhador em pânico, tentando se apoiar em mim e quase me afogando.

curso de resgate

Os últimos exercícios do dia foram os de carregar ambos Chris, instrutor e vítima, para fora da água em direção à praia e foram os mais divertidos. Não foi nada fácil levá-los nas costas e toda vez que eu estava saindo do mar acabava caindo com eles na areia.

curso de resgatecurso de resgate

O meio

Então chegou o dia seguinte e com ele hora de irmos para o barco  colocarmos nossos cenários em ação, pagar mico na frente de geral e garantir boas histórias e fotos para o blog. Como a idéia do curso é preparar você para reagir em uma situação de emergência real, o instrutor não te avisa ou dá dicas do que ou quando vai acontecer. Pode ser que você esteja descansando no deck, tomando um sol numa boa enquanto elimina todo aquele excesso de nitrogênio, quando alguém começa a gritar:

– Ângela, Ângela! Tem um mergulhador inconsciente na água!

E aí você precisa sair correndo, pegar o pé-de-pato (acho um nome bem mais simpático do que nadadeira, podem me julgar, mergulhadores), a máscara e o snorkel e pular na água para ir em busca do pobre mergulhador inconsciente enquanto vai gritando instruções para quem ficou no barco. Nesse meio tempo tem que se preocupar em estar fazendo tudo certo, como deveria ser feito em uma emergência de verdade e tomar o cuidado de não transformar a vítima de mentira em vítima de verdade.

curso de resgate

Nesse dia tive mais sorte, minha vítima foi a Charlotte, que é pequenininha e magrinha, bem mais fácil de carregar do que o Chris- vítima.

curso de resgatecurso de mergulho

curso de resgate

Além dos cenários na superfície também fizemos dois debaixo d’água: buscar um mergulhador desaparecido usando uma bússola e padrões de busca e trazer o mergulhador de volta para a superfície tomando cuidado para não subir rápido de mais. O do mergulhador desaparecido foi engraçado pois eu já estava meio esperta, só esperando a hora em que a Karen viria me dar o alerta de que a dupla (buddy) dela havia sumido para começar a fazer as perguntas de praxe – última vez e onde havia visto, por quanto tempo haviam mergulhado etc. – e cair na água com o Chris-instrutor para dar início à nossa importantíssima missão de resgatar o Chris-vítima. Então eu estava ali pelo deck, meio de bobeira, meio distraída quando ela chegou pra mim e disse:

My buddy is missing!

Ela é inglesa, de Manchester, tem todo aquele sotaque da batata na boca e eu meio distraída acabei entendendo “My bootie is missing!” e já ia perguntar “Sua botinha? Mas o seu pé-de-pato não é de bota, é fechado, não é? Como que você perdeu sua botinha?”. Mas aí os neurônios fizeram as devidas sinapses, eu me liguei que era buddy e não bootie e saí correndo pra água.

curso de resgate

curso de resgatecurso de resgate

Resultado positivo, Chris-vítima foi resgatado com sucesso por mim e pelo Chris-instrutor! Na segunda fotos temos a Karen me ajudando a colocar o buddy/bootie dela de volta no barco.

O fim

Apesar do meu pé atrás inicial com o curso e de não ter achado lá muita graça nas primeiras práticas, preciso dizer que foi uma experiência bem legal. Vou repetir o clichê que ouvi de um monte de gente e achei que nunca repetiria, não apenas pelo prazer de ser do contra, é um curso que te dá, sim, muita auto-confiança e segurança. É bom saber que você está preparada para reagir, seguir os primeiros procedimentos e o que sabe fazer no caso, improvável, de uma emergência acontecer.

curso de resgate

No fim das contas, a mergulhadora cansada era eu e já estava quase pedindo uma mãozinha pra subir a escada do barco.

*E você? Já fez algum curso de mergulho? Tem vontade de fazer o curso de resgate?

Na Gringa, Posta restante

Posta restante: Cayo Largo

July 5, 2014

Cayo Largo

O destino dessa semana é cortesia da amiga Yara, que já foi passar férias em Cuba e mandou esta provocação em forma de fotografia. Nas palavras dela:

Dizem por ai que Ir à Cuba é como desembarcar na década de 50.
Traduz perfeitamente o que sentimos em Havana, mas em Cayo Largo a coisa é bem diferente.
As praias desertas, a areia branca que contrasta com o mar de cor indescritível e o vento que convida para velejar.
Ir a Cayo Largo é como desembarcar no paraíso.
 

*Você também quer ver uma foto sua publicada aqui? É só mandá-la junto com uma descrição do lugar para angelagolds@gmail.com

Mergulho, Na Gringa

Garoto, eu vou para a Tailândia, viver a vida sob as ondas

June 25, 2014

Não vou ser artista de cinema, muito menos meu destino é ser star e nem o vento soprará os meus cabelos, pois é debaixo d’água que eu vou estar. Pois é, em exatamente um mês estarei entrando em um avião com destino a Bangkok, a capital do reino da Tailândia, país pelo qual me apaixonei perdidamente em 2011, quando estive lá pela primeira vez. Aproveitei a desculpa de uma viagem de estudos à Índia e passei praticamente dois meses viajando pelo Sudeste Asiático, sendo minha porta de entrada no continente a Tailândia.

Wat Phra Kew

Palácio Real em Bangkok

Os primeiros dias foram passados em Bangkok e eu logo peguei o rumo de Phuket, uma famosa ilha no sul do país que me deu uma certa gastura pois me lembrou do Guarujá. Sei lá, achei aquilo tudo muito horroroso, cheio de um turismo predatório e nada a ver com as fotografias de agências e catálogos de viagem; aquelas que mostram praias paradisíacas com areia branquinha, água muito azul e um único coqueiro. Não via a hora de sair dali e pegar a balsa com destino a Koh Phi Phi, essa sim uma praia que me garantiram ser tudo isso e mais, afinal é o lugar que serviu de cenário ao filme A Praia, do Leonardo DiCaprio. Mas preciso admitir que me deu um certo frio na barriga antes de embarcar na balsa que me levaria até lá, um baita medo de que fosse a mesma coisa que Phuket e que eu tivesse um Revèillon meia-boca; é, eu ia passar a virada do ano lá.

PatongPatong Beach

Ainda bem que todas as minhas expectativas se concretizaram e eu tive um dos fins de ano mais legais até hoje. Koh Phi Phi é minúscula, a ponto de não haver nem motos na ilha, todo o transporte lá é feito a pé ou de bicicleta e no caminho do cais ao meu hotel eu passei por uma escola de mergulho chamada The Adventure Club, que me chamou a atenção. Resolvi voltar lá depois de fazer o check-in, eu sempre quis aprender a mergulhar e também vi que eles ofereciam passeios de snorkel, o que seria uma boa alternativa caso não desse para fazer o curso por qualquer motivo. Um americano gente boa me atendeu, disse que não daria tempo suficiente para eu fazer o curso por causa do tempo que eu ficaria na ilha – é necessário um dia de intervalo entre o último mergulho e entrar em um avião – mas que eu poderia experimentar um Discover Scuba Dive para ter uma noção de como é mergulhar. Aceitei a sugestão e me inscrevi para uma saída no dia seguinte, 01/01/2011. O moço que conversou comigo perguntou se eu estava sozinha e se tinha planos para a passagem de ano, respondi que sim, estava sozinha e que não, não tinha nenhum plano definido. Foi então que ele me disse que o pessoal da escola ia se reunir na praia e me convidou para a festa deles.

Ano novo em Koh Phi PhiAno novo em Koh Phi Phi

No dia seguinte acordei cedíssimo e fui respirar debaixo d’água pela primeira vez na vida, uma das sensações mais incríveis que já tive. Isso sem contar que o primeiro animal marinho que eu vi foi um pequeno tubarão! Voltei do segundo mergulho certa de que faria o curso quando voltasse ao Brazil e dois dias depois peguei a balsa de volta a Phuket quase chorando, tamanha era minha vontade de nunca mais ir embora de Koh Phi Phi. Mal sabia eu que seria possível voltar para lá muito mais cedo do que eu imaginava. Por causa de um problema com o visto indiano (os tais dois meses entre sair e reentrar no país) eu não pude ir ao Nepal e isso me deu uma janela de 15 dias completamente livres, não tive dúvidas e voltei a Phi Phi, dessa vez para fazer o certificado de Open Water Diver e Advanced Open Water Diver. Achei que dessa vez seria mais fácil ir embora de lá, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário, o coração apertou infinitamente mais forte e na balsa eu resolvi que em breve eu voltaria para ficar mais tempo, quanto tempo eu quisesse ou julgasse necessário.

Placa Koh Phi PhiPhi Ley Lagoon

Voltei para o Brasil e para minha rotina de trabalho. Minha meta era terminar minha tese de mestrado, defender e me mandar de volta para a Tailândia, acontece que a vida nunca anda da maneira como a gente gostaria ou simplesmente planeja e as coisas não se encaminharam exatamente desta maneira. Houve alguns imprevistos no meio da rota que chegaram a me desviar temporariamente e a ida precisou ser um pouco adiada. Finalmente no fim do ano passado eu resolvi que a hora havia chegado e que 2014 seria o ano da minha mudança para a Tailândia, não dava e nem eu queria esperar mais. Em janeiro comprei minha passagem e só avisei para alguns poucos amigos, pois eu já imaginava a reação de muitas pessoas:

– Que doida! Vai largar tudo aqui e se mudar pra lá?
– E vai viver de que?
– E depois?

Felizmente acabei ouvindo muito mais coisas do tipo:

– Que da hora!
– Puxa, que legal! Aproveite!

Pois é, não é fácil contar que a sua passagem é só de ida, que você não faz idéia de quanto tempo pretende ficar por lá, que vai deixar de ser professora de inglês em sala de escritório pra fazer do mar sua sala de aula e, principalmente, que você está muito feliz de poder estar fazendo tudo isso nesse momento da sua vida, que não tem problema não querer casar e ter família doriana. O que vai ser do futuro? O que você vai fazer da sua vida depois? Em primeiro lugar, eu nem sei daqui quanto tempo será depois, podem ser 3 meses, podem ser 2 anos; vai ser o tempo que eu julgar necessário ficar lá. Quanto ao que eu pretendo fazer da minha vida? Bem, isso é a menor das minhas preocupações, pois sei que consigo trabalho como professora de inglês praticamente em qualquer lugar e uma mudança de carreira sempre é possível a qualquer momento da vida onde quer que estejamos. E o futuro, bem, o futuro a D’us pertence e ele tem sido mais do que generoso comigo há 28 anos.

Então é isso, garoto, eu vou para a Tailândia, viver a vida sob as ondas… por tempo indeterminado.

Koh Phi Phi

Com meu instrutor de mergulho, janeiro de 2011

Braseel, Mergulho

Arraial do Cabo; mais um destino nacional no logbook

June 16, 2014

Eu sabia que Arraial do Cabo existia, que fica no Rio de Janeiro ali meio perto de Búzios e… e que mais mesmo? Não, nada mais, essa era toda informação que eu tinha sobre a cidade que, em janeiro, descobri ser o terceiro melhor destino para mergulho no Brasil, perdendo só para Noronha e Abrolhos, em primeiro e segundo lugar respectivamente. Quem me garantiu isso foi um amigo muito querido que conheci no ano passado, quando estive no Jalapão, e que mora ali por perto, em Barra de São João. Depois que voltamos do Tocantins ele passou um ano insistindo para que os amigos fossem visitá-lo; disse que a cidade era pequena e linda, charmosa, histórica, que a casa dele é perto da praia, que dá pra ir a pé (mandou até mapa pra provar), que dava pra fazer churrasco, que a gente não ia precisar gastar com hotel, que ele buscava na rodoviária… falou tudo isso, menos o mais importante pra mim, que dava pra mergulhar. Quando ele deu a cartada final eu disse:

– Mas, Augusto? Por que não falou isso de primeira, poxa vida? Eu tinha ido muito antes, nem precisava de toda a propaganda anterior!

Acontece que o meu amigo é tão, mas tão, legal que ele ainda fez o curso só pra poder ir comigo; além de buscar na rodoviária, me hospedar na casa dele, levar fazer tour histórico pela cidade e caminhar até a praia, que é mesmo pertíssimo da casa dele. Uma outra amiga do Jalapão também se animou e quis aproveitar a oportunidade para fazer um batismo de mergulho. Combinamos que iríamos para Arraial no sábado, já que a Yara pegaria um voo de volta no domingo e são necessárias, pelo menos, umas 12h entre mergulhar e voar. Eu fui de ônibus mesmo, pra garantir, economizar e levar todo o meu equipamento – era a primeira vez que usaria meu regulador e computador de mergulho!

Regulador DSCN2686

Só o caminho de Barra de São João para Arraial já vale o passeio, há muitas salinas na beira da estrada e a paisagem é linda linda linda.

SalinasSalina

Lá chegando fomos primeiro à operadora pagar e ver a numeração do equipamento pra Yara – nessas horas eu sempre sinto um misto de inveja e alívio: inveja por não ter que carregar a tralha toda comigo de um lado para o outro como se fosse uma tartaruga e alívio por saber que a baba do regulador e o xixi da roupa são só meus* – então fomos a pé até o cais, onde é preciso pagar uma taxa de R$ 3,00 para entrar, e chegamos ao barco para começar a nos arrumar e ouvir as instruções do divemaster.

Embarcação PL DiversCais de Arraial do Cabo - RJ

Infelizmente não pude contar com a companhia de nenhum dos amigos durante os dois mergulhos, primeiro na Ponta Leste e depois na Enseada Anequim, pois o Augusto ainda não havia terminado o curso e precisava ir com seu instrutor e a Yara, por ser a primeira vez, teve que ir sozinha com o instrutor que a acompanhou. Eu até insisti com um dos instrutores para que ela fosse no meu grupo, mas não teve jeito… Pelo menos dessa vez tive mais sorte com temperatura e visibilidade do que em Ilha Grande, ambos mergulhos foram muito bem aproveitados e deu até pra tirar uma foto do Augusto!

Ponta Leste Arraial do Cabo - RJPonta Leste Arraial do Cabo - RJCavalo MarinhoAugusto

Depois dos dois mergulhos era hora de voltar para casa – e o momento que me dá mais inveja de quem alugou o equipamento – colocar, tudo na mala, voltar até Barra de São João, tirar tudo da mala, enxaguar bem com água doce e botar pra secar. Terminado todo esse ritual fiz um bolo de canela com chocolate pros amigos e fui tirar um belo cochilo pra terminar de eliminar todo o nitrogênio acumulado.

Não deu para conhecer tudo de uma só vez, foram apenas dois pontos, mas voltei de Arraial com uma ótima impressão e muita vontade de conferir o que mais as águas de lá têm para oferecer. A operadora que nos levou foi a PL Divers.

água vivacoral mole

estrela do marDSCN2715

*Existem dois tipos de mergulhador, os que fazem xixi na roupa e os que mentem.
Braseel, Mergulho, Pogramas

A bordo do Antares I

December 26, 2013

Passei o primeiro fim-de-semana de dezembro fazendo uma coisa que estava postergando desde 2011, mergulhar no Oceano Atlântico. Pois é, uma vergonha, eu sei. Acontece que eu fiz o curso de mergulho na Tailândia, em janeiro de 2011, e desde então tive pouquíssimas oportunidades de usar a carteirinha; culpa minha que não fui atrás de criá-las. Mas a culpa é minha e eu ponho em quem eu quiser; neste caso ponho na vida mesmo, essa danada. Passei 2012 inteiro fora da água e esse ano resolvi que era hora de voltar.

Comecei a procurar por escolas de mergulho em São Paulo e caí no site da Scuba Point, dei uma olhada no calendário de turismo deles e vi que havia uma saída para um liveaboard no começo de dezembro. Já tinha lido a respeito do que acontece em um liveaboard em alguns blogs e achado bem interessante, mas me animei mesmo quando vi a descrição no site do barco: um fim-de-semana inteiro em um barco com tudo incluso. Transporte, acomodação, comida, bebida, cilindros de oxigênio e cerca de 7 pontos de mergulho, já está tudo no preço da viagem. Achei uma idéia tão genial essa de ficar pensando em mergulho 24h por dia durante dois dias que nem me importei muito com o preço da viagem, fui logo mandando um e-mail pra saber se tinha vaga. Não tinha, fuén, fiquei na lista de espera. Mas eu sou uma pessoa sortuda, de modo que alguém desistiu e logo me telefonaram pra saber se eu tinha interesse, é claro que eu tinha. Lá fui eu pagar o ingresso pra minha rave de mergulho, eu só não tinha uma roupa boa o suficiente pra ir nessa balada.

Veja só você que coisa, Brasil e Tailândia são países tropicais e lá eu mergulhava sempre de roupa curta, daquelas bem horrorosas com o logo da escola na frente. Não bastasse o logo ainda tinha um “M” bem grandão pra mostrar o tamanho, olha só que coisinha mais linda:

koh phiphi

Então, quando cheguei de volta com carteirinha do curso avançado na mão e toda aquela empolgação de quem descobre uma grande paixão aos 25 anos, fui à Decathlon e comprei uma roupa curta bonitinha, com detalhes em cor-de-rosa e tudo mais. Só pra depois descobrir que a água aqui é fria de doer, precisaria de uma roupa comprida de, pelo menos, 5mm, a minha curta tem 3. Juntei todo o rico dinheirinho que ainda me sobrava na poupança e investi numa roupa nova lindona, que me deixou embalada a vácuo e com cara de minhoca, mas que não me deixou passar frio. Valeu cada centavo.

roupa neoprene

Na sexta de noite saímos de São Paulo em direção a Paraty e chegamos lá de madrugada, o Antares (nosso barco) nos esperava na marina e foi só questão de colocar as malas pra dentro e cada um encontrar seu quarto pra estarmos todos dormindo rapidinho. Na manhã seguinte começamos a navegar em direção à Ilha Grande, onde aconteceriam todos os mergulhos do sábado, e é claro que eu enjoei e passei mal no deck, apesar da recomendação do amigo médico que tinha me sugerido tomar um remedinho básico. Mas foi um bom jeito de já ir me enturmando, pois enquanto eu me debruçava pro mar uma moça muito simpática foi buscar um copo d’água pra mim. Taí, acho que nunca fiz amigos bebendo leite, mas já fiz amigos bebendo água; doce e salgada!
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Na Gringa, Pogramas

Ilha de Páscoa; o que tem pra ver?

December 12, 2013

Faz mais de uma semana que eu estou me propondo a escrever esse texto e nada dele sair, já tentei começar umas 5 vezes e continuo na estaca zero. Escrevo um parágrafo, dois no máximo, fico insatisfeita, apago, tela em branco, escrevo um novo parágrafo, releio, não gosto, apago… Me dá um medo de que o texto fique com cara de guia de viagem ou e-mail de amiga chata que vai pra algum lugar e quando descobre que você também vai pra lá te manda uma lista cheia de temques. Odeio esses temques de viagem: você temque visitar o museu x, você temque comer a comida y. Eu não quero que este seja um blog de temques, prefiro que seja um diário aberto das minhas experiências de viagem no qual eu fale sobre os lugares que mais gostei e recomendaria, assim despretensiosamente, que alguém visitasse caso viajasse para algum dos destinos que aparecem aqui.

Isso dito, também sentei pra escrever e ver se me acalmo enquanto a Ponte Preta joga a final da Copa Sul Americana contra o Lanús, na Argentinha, e entra no segundo tempo com um resultado desfavorável de 2 gols pro time dos hermanos, sendo um deles marcado depois que a prorrogação do primeiro tempo já tinha passado, e o técnico expulso. Mas voltando à Ilha de Páscoa, onde o coelho não mora, é difícil dissociá-la dos moais e seus ahu. E eles são, sim, a coisa mais legal que tem pra ver por lá.

Ahu Tongariki

O mais famoso cartão postal é o ahu Tongariki, que, com quinze moais, é o maior ahu de todos. Uma visita a ele estava programada para a manhã do primeiro dia, para mim e para todos os outros turistas que estiveram na Ilha de Páscoa durante a primeira semana de novembro. Justamente por ser um dos pontos mais famosos, é também um dos mais visitados e, consequentemente, dos mais cheios, o que faz com que o lugar perca um pouco do encanto. Não sei se é muita ranzinzice de minha parte, mas eu não gosto de lugares cheios de mais, com algumas poucas excessões – a 25 de Março sendo uma delas.

Além do ahu Tongariki, temos também:

ahu vinapu

Ahu Vinapu, que foi nossa primeira parada. Não tem a imponência do Tongariki, mas foi interessante ver os moais caídos no chão por causa de um tsunami que atingiu a ilha muitos anos atrás. A maioria dos moais foi ao chão por conta deste tsunami mas estão novamente em pé por conta de um acordo do governo Rapa Nui com o governo japonês, que foi responsável por reerguer as grandes estátuas.

Ahu Nau Nauahu nau nau

Ahu Nau Nau, que fica na praia de Anakena, se não me engano a única praia do mundo que também é um sítio arqueológico e é considerada patrimônio da humanidade pela UNESCO. Neste ahu vi a maior quantidade de moais com pukaos de toda ilha. Esta praia foi a morada do primeiro rei Rapa Nui, que lá se estabeleceu quando chegou e também onde terminavam as celebrações quando o novo homem pássaro era escolhido.

ahu tahaiahu tahai

ahu tahaiahu tahai

Ahu Tahai, o único que não estava incluso no nosso pacote de passeios e um dos programas que eu mais gostei de fazer durante os dias em que estive na ilha. Ver o pôr-do-sol ali foi maravilhoso, o lugar é lindo, o clima é tranquilo e é 0800, o que torna qualquer passeio bastante agradável.Mas também é lá que mora a criatura mais sombria, assustadora, bizarra e que mais me meteu medo, de toda a ilha: o Moaina Lisa, o único moai que tem olhos. É o que foi mais bem restaurado e agora parece que te segue por onde quer que você vá. Medo, muito medo.

Moaina LisaMoaina LisaMoaina Lisa
Apenas que esse bicho me é muito assustador. Muito.

ahu akivi

Ahu Akivi, o único cujos moais olham para o oceano e não para dentro da ilha e que está localizado no centro dela e não na costa. São sete moais, que representam os sete primeiros polinésios que teriam chegado em Rapa Nui.

Além de todos os ahus e moais tem os ranos, que são os vulcões:

rano raraku

Rano raraku, o lugar onde os moais eram esculpidos e que mais parece uma horta ou jardim de moais. Visita bem bacana para ter uma idéia do trabalho que era produzir uma estátua daquelas.

rano kau

Rano kau, é esta baita cratera de vulcão cheia de água doce e um dos lugares mais bonitos da ilha. É nesse mesmo parque que está localizada Orongo, a vila cerimonial e o centro de culto do Homem Pássaro, o Tangata Manu. Ela foi completamente restaurada por americanos nos anos 1970. Era deste ponto da ilha que os homens competindo pelo título de Homem Pássaro saíam em busca do ovo do Manutara.

orongo
As casinhas de Orongo. As portas são pequenas e os tetos bem baixinhos pois eram usadas apenas como dormitório.

Agora, uma das coisas mais imperdíveis pra mim foi fazer um mergulho nas proximidades de Hanga Roa. Quando fiquei sabendo que havia um moai submerso não consegui sossegar até garantir que faria o passeio. Depois eu fui descobrir que ele não era original, era feito de concreto e tinha sido colocado lá por alguma operadora de mergulho, mas vê-lo não foi menos divertido por causa disso.

underwater moai

Serviço:

– Para entrar no parque é preciso pagar uma taxa de US$ 60,00 (60 obamas), coisa que pode ser feita no aeroporto no momento da chegada, que foi o que fiz. O ingresso só será conferido em dois pontos, Rano Raraku e Rano Kau, em todos os outros o acesso não é controlado e então você pode entrar mais de uma vez que ninguém vai vir conferir.

– No último dia de ilha, voltei ao ahu Tongariki e tive a sorte absurda de estar lá completamente sozinha, sem um único ônibus de turista ou quem quer que fosse, um baita privilégio. Para chegar lá eu peguei um taxi, cuja taxista fez um precinho mais camarada para eu terminar de gastar meus últimos pesos chilenos.

– A operadora de mergulho que me levou ver o moaifogado é a Orca, que eu recomendo sem pestanejar. O equipamento já estava incluso no preço do mergulho, eu levei minhas nadadeiras pois eram novas e eu queria experimentá-las.

ahu tongariki

Na Gringa

O que eu vi com o Taglit – 5

August 29, 2013

Às quatro da manhã todo mundo foi obrigado a pular da cama, sem os famosos “só mais cinco minutinhos” e teve que sair caçando suas coisas no escuro enquanto esbarrava nos companheiros de viagem. Éramos um bando de zumbis sonolentos que entrou no ônibus aos trancos e barrancos sem tomar café-da-manhã – eu, boa gordinha que sou, comprei um lanchinho em Jerusalém e levei na mochila pra comer no caminho. Chegamos em Masada com o sol querendo raiar e tivemos tempo suficiente para vê-lo nascer do alto da montanha, com vista pro Mar Morto, um espetáculo.

Masadamasada

masadamasada

Masada foi um dos palácios do rei Heródes – aquele mesmo que queria matar Jesus – e funcionou também como uma fortaleza por conta de sua localização difícil de ser alcançada, bem em cima de um planalto 400 m acima do Mar Morto. A construção também abrigou os Zelotas, um grupo que se rebelou quando da destruição do segundo templo pelos romanos e correu para lá para se refugiar. Masada foi então cercada pelos romanos e quando os Zelotas se viram sem saída cometeram suicídio para evitarem a captura.

MasadaMassada

A descida por ser feita de duas maneiras: a pé, pelo Caminho da Serpente e é looongo, ou pegando e pagando um bondinho. Nós fomos pelo de graça, é claro, e mais cansativo mas valeu. Dá pra subir pelo bondinho também.

De Masada rumamos para Ein Gedi, para conhecermos um oásis de verdade e descobrirmos que não tem nada a ver com a idéia romanceada de um laguinho, uma palmeira e um camelo. Água tem, aos montes, quente que é um absurdo ainda mais em se tratando de cachoeira. Alguma vegetação também tem, mas nada daquela palmeirinha solitária, é mais rasteirinha. Do camelo nem sombra, mas tinha uma família de ortodoxos completamente vestidos e que deviam estar suando litros debaixo daquelas roupas pretas todas.

Ein GediEin Gedi

Ein GediEin Gedi

E fomos lá pro Mar Morto ver que – pasme! – há mais água no deserto, dessa vez salgada. Esse era o lugar que eu mais queria conhecer, por vários motivos: por ser o lugar mais baixo do mundo, por causa da lama que faz super bem pra pele, por causa da concentração de sal que nos impede de afundar e pela paisagem incrível.

Mar MortoMar Morto

E não podiam faltas as fotos clássicas: lendo o jornal israelense para me atualizar sobre as notícias do Oriente Médio sentada na água e todo mundo enlameado.

É impressionante ver como é alta a concentração do sal na água, dá pra ver os grãozinhos boiando e água chega a ficar até mesmo oleosa. Minha pele ficou deliciosamente macia depois de me enlamear completamente e me limpar nas águas do mar, fiquei o resto do dia passando a mão no meu braço de tão lisinho.