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Sobre a vida, Uncategorized

Mas você vai sozinha?

December 31, 2016

Ô, se vou! Agora mais que nunca, inclusive.

Há exatos seis anos eu pisava em Koh Phi Phi pela primeira vez, completamente sozinha. Também pela primeira vez. O plano original não era esse, mas a vida acontece e assim acabei indo viajar sozinha pela primeira vez. Sem ninguém a me esperar do outro lado do desembarque. E sabe que foi uma sensação muito da boa?

Julgar um livro pelo título não pega tão mal quanto julgar pela capa, néam?

Julgar um livro pelo título não pega tão mal quanto julgar pela capa, néam?

E essa sensação do “ir sozinha” me levou a julgar um livro pelo título, ao invés de pela capa. O que não é tão grave assim. Ainda mais um título como este, que agrada a qualquer mulher viajadeira.

Quando recebi o e-mail da editora Globo comunicando o lançamento do livro e perguntando se eu tinha interesse em receber uma cópia, imediatamente respondi que sim. Queria muito saber o que outras viajantes solitárias pensam a respeito do assunto.

Sozinha no Vietnã

Sozinha no Vietnã

Além dos constantes “por que pra lá?”, a pergunta que ouço com mais frequência é “mas sozinha???”. Como se a falta de companhia implicasse no fracasso certo das minhas andanças.

Ok, a primeira vez sozinha nunca é fácil. Mas que primeira vez é fácil nessa vida, minha gente? Todas elas exigem um passo para fora da nossa zona de conforto. O que não significa que serão ruins, só quer dizer que não serão moleza.

E o livro da Gaia fala muito sobre isso, além de aguçar a vontade de fazer a mala e cair na estrada novamente. Os destinos que ela cita no livro são os mais diversos possível. Desde países vizinhos aqui da América Latina, até a distante Índia.

Sozinha no Taj Mahal

Sozinha no Taj Mahal

Aliás, ver a Índia lá aqueceu meu coração pelos mais diversos motivos mas principalmente por vê-la mencionada duas vezes como um bom destino para mulheres viajando sem companhia. Gaia me fez querer voltar à Índia, sozinha inclusive.

Também gostei muito de ver ali mencionados destinos mais tradicionais e palatáveis para quem pensa em embarcar numa aventura solo pela primeira vez. O encantador na narrativa dela é perceber como situações inesperadas acontecem mesmo em lugares considerados “batidos” por viajantes mais experientes. Basta estar aberto. É clichê, mas não sem razão.

E algo que achei ainda mais bacana e que permeia quase todas, senão todas, as histórias do livro é o fato de que estar sozinha não é sinônimo de isolamento. Muito pelo contrário, o fato de não ter companhia facilita o engatar numa conversa com desconhecidos, ser convidada a se juntar à mesa de uma família descendente de chineses em Nova Iorque. Talvez viajar sozinha não seja exatamente viajar sozinha, mas sim viajar sem companhia definida.

O que se pode tirar de lição do livro da Gaia é que basta querer para que sua viagem solo seja ótima. E tomar algumas precauções básicas, é claro, porque a gente não é besta de se expor a riscos à toa.  Não deixe a falta de companhia definida atrapalhar seus planos de conhecer o mundo, ou a cidade vizinha.

Mas você vai sozinha?” – Gaia Passarelli. Ed. Globo, 2016.

Na Gringa, Uncategorized

Dirigir nos EUA, algumas dicas práticas

April 25, 2016

Apesar de dirigir há muitos anos, eu nunca tinha guiado fora do Brasil. A razão disso não poderia ser mais simples; eu tenho medo. Ele mesmo, aquele sentimento que te impede de correr riscos desnecessários e que você tem que enfrentar em certas situações. Foi com meu medo no banco do passageiro que eu encarei a aventura de dirigir nos EUA.

A viagem foi toda planejada em torno de dois eventos: o WITS 16 que seria em Irvine e o Springbreak da minha prima, quando a família toda viajaria para o Yosemite. Como base usaria Davis, no norte da Califórnia, onde meu tio está morando. E eu comprei a passagem para Los Angeles.

Depois de olhar este mapa pergunto: ficou clara a minha estupidez?
Porque pra mim não tinha ficado muito.

A última parte da viagem seria a visita ao Yosemite, que está no meio do caminho entre Davis e L.A.. Meus tios voltariam para casa no carro que alugamos e restou a questão do meu transporte. Pegar um trem e dormir uma última noite em L.A.? Sairia muito caro. Pegar o trem e ir direto da estação ao aeroporto? Também sairia caro e teria o perrengue de ir arrastando as malas de um lado para o outro de olho no relógio. Foi então que meus super tios tiveram uma idéia que eles acharam ótima e que me tirou o sono: a Ângela aluga um carro e vai dirigindo até o aeroporto!

 Ficou então decidido que desceríamos a Scenic Route de Monterey até San Luis Obispo, dormiríamos a noite lá e no dia seguinte eu iria dirigindo até o LAX.

No fim das contas dirigir nos EUA foi bem tranquilo, especialmente depois que eu vi que o carro seria um Fiat 500x e meu coraçãozinho se derreteu de amor. Verdade seja dita, fiquei tentada a continuar dirigindo o bonitinho até São Paulo.

Dirigir nos EUA

Dicas práticas para o aluguel:

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– Por causa do meu trajeto precisei alugar o carro em uma cidade e devolver em outra. Isso chega a dobrar ou triplicar o preço final, então é bom conferir os valores em duas ou três agências diferentes. Nem sempre a empresa que oferece o melhor preço por dia de aluguel é a que vai ter a taxa de devolução em outra cidade mais em conta.

– A carteira nacional de habilitação (nossa querida CNH) brasileira é válida nos Estados Unidos. Na Califórnia, pelo menos, ela é suficiente para o aluguel de um carro. Basta apresentá-la no balcão da locadora. Como me alertou a comadre Veridiana, que mora no Texas, a carteira é válida para alugar o carro, mas se o guarda te parar ele pode exigir a carteira internacional e se você não tiver o documento pode ter problemas SÉRIOS inclusive deportação.
Em alguns estados a CNH brasileira junto com o passaporte te dá o direito de dirigir por 30 dias dependendo do tipo de visto – L1 por exemplo, pois entende-se que como você será residente, precise desse período para organizar sua documentação. Ou seja, é bom se informar sobre as regras do estado que você pretende visitar.

– Se estiver acompanhado de alguém que também tem habilitação, registre seu companheiro como segundo motorista.

– Veja se o seguro do seu cartão de crédito ou seguro viagem cobre certas despesas com seguro na hora da contratação do serviço, por exemplo seguro contra terceiros. Se cobrir são uns US$30,00 que se economiza na tranquilidade. Você pode optar por não contratar esse seguro contra terceiros, mas se tiver algum acidente vai ter que amargar o prejuízo em dólares.

– Confira se o carro tem GPS no painel e economize uns US$ 10,00! A grande maioria dos carros novos nos EUA já vêm com GPS de fábrica e são bem bons. Algumas empresas deixam travado e vão te cobrar os US$10,00 pelo código que destrava, o mesmo que cobrariam pelo aparelhinho. A Enterprise é bacana e não faz isso, tendo GPS no carro ele está liberado!

– Se você quiser um carro pequeno, portanto mais barato, é bom reservar com alguns dias de antecedência. Se deixar pra fazer na hora corre o risco de acabar tendo que pegar um carro grande e pagar mais por isso.

– Você deverá devolver o carro com o tanque cheio, certo? A Enterprise tem um esquema de deixar a gasolina pré-paga e você pode devolver o carro com o tanque praticamente vazio. Eles fazem uma estimativa de quanto combustível você vai gastar até o seu destino e quanto isso custaria e a isso somam uma taxa de conveniência. Fica mais caro do que se você mesmo fizesse o serviço? Sim, mas é possível negociar. Eu optei por esse serviço e não me arrependi. Não queria ter que me preocupar em achar um posto de gasolina antes de devolver o carro e ainda por cima me preocupar em perder o voo.

– Pergunte se eles oferecem pagamento automático de pedágio (o Sem Parar da Califórnia se chama Fast Trak). A Enterprise oferecia, mas cobrava uma taxa de US$ 5,00 por cada passagem.

Dicas na estrada:

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– Parar completamente o veículo em toda e qualquer placa “STOP”. Não tem negociação. Se você não parar e o guarda te pegar é multa na hora.

– Não se pode levar bebida alcóolica dentro do veículo. Quando perguntei o porquê à minha tia ela disse que é provavelmente por imaginarem que as pessoas teriam muita dificuldade de resistir a uma latinha de cerveja ocupando o banco do passageiro. Ou que, num momento de abstinência muito grande alguém conseguisse manejar um saca-rolhas com as mãos tremendo dentro de um carro em movimento em uma auto-estrada. Não conheço uma única pessoa que goste tanto assim de vinho, mas nunca se sabe.
Assim como no caso das placas de “STOP”, a multa também é pesada e imediata, paga no ato e sem brecha para argumentação. O único argumento que vale aqui é o do guarda, “you are in America now“. Ou seja, não arrisque e deixe o goró no porta-malas.

–  Chegando em um cruzamento com semáforo, se ele estiver fechado e você estiver na faixa mais a direita e não vier carro você pode virar a direita. Sempre respeitando que a preferência não é sua.

– Ao contrário do Brasil, a ultrapassagem pela direita é permitida. Cuidado.

– Quem vem da pista de aceleração tem preferência, então é necessário diminuir a velocidade e dar passagem.

– Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a existência de semáforos nas estradas. Não nas freeways, onde a velocidade média é maior, mas nas vicinais ou estradas menores. Numa comparação com o Brasil, não haveria semáforo na Rodovia dos Bandeirantes, mas no trecho da Santos Dumont que vai até Campinas sim. Achei esquisitíssimo.

– Poucos pedágios. No dia em que dirigi sozinha não peguei nenhum, mas é necessário pagar US$ 5,00 para entrar e sair de San Francisco.

– Se, assim como eu, você for devolver o carro no aeroporto é bom verificar onde fica o pátio da locadora e usar esse endereço como ponto final na hora de programar o GPS. Muitas vezes está um pouquinho afastado, mas sempre há uma van fazendo o trajeto pátio-aeroporto.

– Em Los Angeles, por causa do trânsito pesadíssimo, a faixa mais à esquerda é exclusiva para quem está com mais de uma pessoa sozinha. A idéia é incentivar que as pessoas peguem carona e não piorem o tráfego ainda mais, colocando mais um carro com apenas uma pessoa dentro nas ruas.

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Dica bônus:

– Tenha a sua playlist a postos, a viagem não teria sido a mesma se eu não tivesse ouvido Wesley Safadão enquanto apreciava a paisagem da Pacific One.

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Braseel, Sobre a vida

10 meios de sair do Brasil se o impeachment acontecer

April 11, 2016

Não conheço uma única pessoa que esteja plenamente satisfeita com o atual governo. Na verdade, não conheço quem quer que seja que esteja plenamente satisfeito com o seu governo, não importando o país de origem. E isso me leva a pensar sobre a situação atual do Brasil; que requer um olhar cuidadoso, que vá muito além de simplesmente encontrar a figura do herói salvador da pátria que tanta gente anda buscando.

Um processo de impeachment, com cheirinho de golpe, foi instalado e deve ter sua votação na segunda-feira. O perigo reside na questão sobre a qual ninguém parou pra pensar: o dia depois do impeachment. Tira-se a presidente e então? Os acordos que estão sendo esboçados a lápis são facilmente apagáveis e meu maior medo é que um certo deputado da bancada evangélica venha a assumir o cargo de autoridade máxima da Nação Brasileira. Nossa visão anda tão curtinha e tolhida que só se ouve gente criticando alguns passos em falso dados pelo atual governo e gritando por sua saída. Mas não se pensa e nem se fala sobre o depois.

Pensando nisso me lembrei daquela classe média do texto de ontem, a que adora ir a Miami fazer compras e dizia que se mudaria para lá caso o governo fosse reeleito em 2014. Então a Kate escreveu um texto sobre 15 maneiras de sair do Estados Unidos caso o Trump for eleito e foi impossível não associar a figura do candidato americano à de um certo deputado preconceituoso e gastão da bancada evangélica. Bom, se os americanos têm medo do Trump, eu tenho é muito medo desse senhor.

Portanto, sem mais delongas, apresento aqui…

10 meios de sair do Brasil se o impeachment acontecer:

1 – Mudar para o Uruguay

Montevidéo

Em 2015 a Presidente Dilma Rousseff assinou um acordo com o então Presidente uruguaio, José Mujica, que “visa promover a livre circulação de pessoas, desburocratizar a concessão de vistos permanentes e permitir o reconhecimento de documentos expedidos nos dois países”.

Lado A: O Uruguai é um país lindo, pequeno, vizinho ao Rio Grande do Sul e portanto com hábitos parecidos aos da região. A barreira da língua não é muito grande, os uruguaios são simpáticos, gentis, a vida cultural de Montevidéo é animada e o litoral do país muito bonito.

Lado B: É um país caro, a oferta de imóveis em Montevidéo não é enorme e os preços dos aluguéis são salgados e falar bem espanhol é um pré-requisito para conseguir trabalho.

Este post da Adriana pode te ajudar a pensar melhor sobre o assunto.

2 – Estudar no exterior

No Nymphenbad, em Dresden, onde estudei em 2002.

No Nymphenbad, em Dresden, onde estudei em 2002.

Muitas faculdades americanas oferecem bolsas de mestrado e doutorado que cobrem o valor do curso e ainda dão ajuda financeira para o estudante. Em geral esse apoio financeiro é dado em troca de trabalho, o pós-graduando atua como monitor em alguma disciplina, corrige provas dos alunos de graduação etc..

Não apenas universidades americanas, muitas universidades européias oferecem programas parecidos. É só uma questão de procurar sua área de interesse, se inscrever e torcer para ser aceito.

Lado A: Você garante um diploma a mais para seu CV, ganha experiência no mundo acadêmico e abre mais portas, tanto no mercado de trabalho quanto no acadêmico.

Lado B: A não ser que seu país de escolha seja Portugal, é necessário ter fluência em algum idioma estrangeiro e prová-la através de certificado.  A tradução de toda sua documentação acadêmica tem que ser feita por tradutor juramentado e isso custa caro, assim como os exames de proficiência em língua estrangeira.

Lado B do lado B: Se você for para os Estados Unidos, corre o risco de ter Donald Trump como próximo presidente.

O 360 Meridianos já escreveu sobre estudar em diferentes lugares do mundo.

3 – Fazer “Au-Pair” na Europa

Morar em Paris é seu sonho?

Morar em Paris é seu sonho?

Uma boa idéia para quem gosta de crianças e quer conhecer melhor a cultura de outro país. A maioria das famílias que recebe estrangeiros em casa costuma ser bem aberta e gentil. É claro que também existem as que querem alguém em casa apenas pelo dinheiro que recebem com o aluguel do quarto, mas felizmente são a minoria.

Lado A: Total imersão na cultura de um outro país. Vai conhecer hábitos novos, a maneira como celebram festas, enfim, vai ter a experiência de fazer parte de outra família.

Lado B: Você pode ir parar numa família com a qual não se dê tão bem ou não se adaptar muito bem aos hábitos locais.

Aqui e aqui há o relato de uma brasileira que trabalhou como au-pair nos EUA e aqui na França.

4 – Pedir transferência para a matriz ou outro escritório

Berlitz em Manchester

Berlitz em Manchester

Uma boa pedida para quem trabalha em empresa multinacional é pedir transferência para a sede da empresa ou para escritório em outro país. Já dei muita aula de alemão para funcionários da Bayer e da Volks que estavam sendo expatriados para a Alemanha. A Nestlé e a 3M também costumam expatriar funcionários.

Lado A: Se você for expatriado vai contar com todo benefício da empresa te assessorando nos mínimos detalhes. Ela providenciará os vistos, ajudará a encontrar moradia, arcará com as despesas de mudança… Você só precisa arrumar a sua mala e embarcar.

Lado B: Dependendo do país para onde você for, pode ser que não faça amizade tão facilmente. Algumas culturas são um pouco mais fechadas e demoram mais a integrar o estrangeiro. Se você tiver ido completamente sozinho pode sentir um pouco de solidão no começo, o que nunca é fácil.

5 – Procurar um emprego no exterior

Simples assim e igualmente complicado. Se encontrar um emprego no Brasil já não é a coisa mais fácil do mundo, encontrar um trabalho em outro país pode ser ainda mais difícil. É claro que isso depende da sua área de atuação, dos seus contatos no país para o qual você quer ir, seu domínio do idioma local, se trabalhadores estrangeiros são bem aceitos etc.. Sem contar que, na maioria dos países, a prioridade da vaga costuma ser para candidatos locais.

Neste caso a empresa ajuda com toda documentação necessária para seu processo de imigração, mas os custos todos são seus.

Naty e Lucas e uma linda vista de Brno ao fundo.

Naty e Lucas e uma linda vista de Brno ao fundo.

Minha amiga Natalya e o marido se mudaram com cachorro e tudo para a República Tcheca em 2014 e ela tem escrito o ótimo blog “Vivendo em Brno“, onde conta algumas das experiências da vida lá. A Berlitz, escola onde trabalhei por alguns anos, tem unidades espalhadas pelo mundo todo e muitas delas buscam professores de português.

Lado A: Você já vai chegar na terra nova com um emprego garantido.

Lado B: Ao contrário da situação acima, quando você não está sendo expatriado todas as despesas são suas. É claro que a empresa ajuda na obtenção do visto, afinal de contas é do interesse dela que você possa permanecer no país, mas a coisa não passa muito daí. Todos os gastos com mudança, transporte, acomodação e quetais recaem sobre seus ombros.

6 – Imigrar para o Canadá ou para a Austrália

Antes de morar na República Tcheca, a Naty e o Lucas moraram no Canadá. Olha aqui eles nas cataratas do Niágara.

Antes de morar na República Tcheca, a Naty e o Lucas moraram no Canadá. Olha aqui eles nas cataratas do Niágara.

Não é um processo fácil, pois a concessão de vistos permanentes depende de uma série de pré-requisitos. Idade, estado civil, número de filhos, escolaridade e área de formação são os principais. Ambos países publicam listas dos profissionais que estão em falta e que serão bem-vindos

Lado A: Tanto Canadá quanto a Austrália são um países compostos por imigrantes, portanto não deve ser muito difícil encontrar a sua turma. Como a obtenção do visto depende da sua área de atuação é bem provável que a busca por emprego não seja árdua.

Lado B: O clima canadense.

Quanto à Austrália, há alguns episódios de xenofobia com quais é bom ficar atento e os animais venenosos. Não são poucos os relatos de gente que encontrou a aranha mais venenosa do mundo dormindo confortavelmente dentro do seu sapato preferido.

Este site contém milhares de informações para quem acha que o Canadá é a melhor opção. Se a terra dos cangurus é que faz seu coração bater mais forte, pode encontrar mais informações aqui.

7 – Imigrar para Israel

E pode aproveitar pra ler seu jornal confortavelmente sentada no Mar Morto.

E pode aproveitar pra ler seu jornal confortavelmente sentada no Mar Morto.

Provavelmente a melhor opção para quem faz parte da comunidade judaica. A lei do retorno diz que qualquer judeu tem direito a retornar a Israel. Ou seja, a morar lá na Terra Prometida.

A lei é válida para judeus de nascimento ou que tenham passado por processo de conversão. Os do segundo caso devem esperar um ano para dar entrada na documentação. Em ambos os casos os documentos necessários são providenciados na sinagoga que você frequenta e depois devem ser apresentados na Agência Judaica.

Lado A: Os custos com passagem são cobertos pelo Estado e, se não me engano, os primeiros meses de acomodação também. Se não forem, pelo menos têm um bom subsídio. Israel é um país lindo e cheio de oportunidades.

Lado B: Falar hebraico é imperativo. É possível se virar na rua falando inglês, mas não passa disso. Não é lá o país mais pacífico do mundo.

8 – Conseguir cidadania européia

passaporte

Se você nasceu no estado de São Paulo tem enormes chances de ter pelo menos um italiano na família. Através deste parente, que pode ser de oriundo de qualquer país membro da União Européia, você pode requerer sua cidadania provando vínculo familiar.

Independentemente da nacionalidade do seu parente, este não é um processo muito rápido, exige bastante documentação e é preciso ficar esperto com os prazos. Parece que a repartição que cuida da documentação italiana tem pouco tempo para dar conta do recado. Caso o prazo expire ou você o perca, é necessário voltar ao fim da fila e dar nova entrada no processo. O que eu ouvi dizer é que a coisa anda mais rapidamente em cidades menores. Sei, por exemplo, de um amigo gaúcho que conseguiu tudo com mais agilidade numa cidade do interior do RS.

Lado A: A cidadania é sua, pra sempre, não está vinculada a companheiro ou empresa. Você pode requerer benefício do Estado (mas só se não falava mal do Bolsa Família quando ainda estava no Brasil, hein?) e não terá problema algum para encontrar trabalho.

Lado B: Se o país da sua nacionalidade sair da União Européia você só poderá morar lá e não em qualquer outro país do bloco. Isso quase aconteceu com a Grécia e o Reino Unido vai votar a permanência deles na EU agora em junho.

9 – Arrumar um marido (ou mulher) estrangeiro

Ângela e Josh

Taí uma oportunidade para quem está solteiro e quer sair do país. Casando-se com um estrangeiro você já mata dois coelhos com uma cajadada só. O simples ato do casamento não te dá direito à cidadania do país de origem do parceiro, mas garante um visto de permanência que dá direito a trabalhar.

O processo de obtenção da cidadania é sempre mais complicado e demorado. A Inglaterra, por exemplo, exige um mínimo de cinco anos de casamento para o início do processo e é necessário pagar £1500,00 para fazer uma prova que te dará o passaporte britânico.

Mas lembre-se que o mais difícil não é o desembaraço com a imigração, mas sim a adaptação aos hábitos e costumes do marido estrangeiro e família. Faz um ano e meio que eu e o Josh estamos juntos e até hoje eu me acho que estão me servindo chá quando vejo a cor do café na xícara. O susto e a constatação do meu engano só vêm depois do primeiro gole.

Lado A: Você vai ter uma família gringa, o que ajuda muito a sua integração no país. Eles vão te dar toques quando você cometer alguma gafe, explicar a razão de certas coisas que podem parecer muito estranhas e te acolher.

Lado B: Você pode não dar essa sorte e não ser bem acolhida (ou acolhido) e aí vai ter que lidar com a adaptação em um novo país sem essa ajuda. Beber café crente que está tomando chá.

Lado B do Lado B: Conhecer alguém (estrangeiro ou não) pela internet é cada vez mais fácil e mais comum.  Vários amigos meus conheceram seus parceiros assim e são super felizes, mas é preciso ficar esperto para não entrar em roubada. Especialmente quando o romance envolve estrangeiros é preciso confiar desconfiando até passar do virtual pro real. O 360 Meridianos já escreveu um excelente post sobre golpes que podem acontecer em relacionamentos começados pela internet.

10 – Procurar um programa de visto que combine trabalho e viagem

Meu amigo Mateus na Nova Zelândia, onde trabalhou colhendo frutas numa fazenda.

Meu amigo Mateus na Nova Zelândia, onde trabalhou colhendo frutas numa fazenda.

Austrália e Nova Zelândia oferecem estes tipos de visto. Há um limite de idade para os candidatos, algo como 30 anos, mas pode ser uma oportunidade bem interessante.

Um ex-colega de trabalho da Tailândia conseguiu um emprego como instrutor de mergulho na Austrália assim. Um dos requisitos do visto era que ele trabalhasse como colhedor de frutas em uma fazenda por um certo tempo depois. Algo como quatro meses. Não sei se este é um requisito de todos os vistos de trabalho para a Austrália ou se foi uma característica específica do visto dele.

Lado A: São dois países com paisagens bonitas, montes de estrangeiros, em geral abertos a imigrantes, mesmo trabalhando em empregos que não requeiram maiores qualificações o salário é o suficiente para uma vida confortável.

Lado B: Como já foi falado antes, há alguns grupos xenófobos na Austrália. Há uma idade limite para se candidatar e o visto dura apenas um ano.

Aqui o link para o visto australiano e aqui o neozelandês. Minha xará Angela do Apure Guria já fez o processo para a Nova Zelândia e conta mais sobre isso aqui.

Meu amigo Tom, que foi para Austrália trabalhar como mergulhador.

Meu amigo Tom, que foi para Austrália trabalhar como mergulhador.

Dica bônus

Ângela Goldstein

Se nenhum d0s 10 meios de sair do Brasil anteriores te entusiasmar, você pode desistir de tudo, fazer um curso de mergulho e ir mergulhar na Tailândia, ou em qualquer outro lugar do mundo.

Dinheiro

A taxa de câmbio e o viajante; como ela interfere na sua vida.

April 5, 2016

*Este texto é mais uma cortesia das economistas de plantão do Naonde?, Yara Mansur e Marília Melo – sim, a Marília do Padrão Marília. Mesmo desconfiadas da pertinência de um texto como este num blog de turismo, elas fizeram a gentileza de atender ao meu pedido e hoje explicam para vocês um pouco sobre taxa de câmbio. Apesar de não ser um tema que a maioria das pessoas espera encontrar em um blog de viagens, este é um assunto que está tão ligado a turismo que é praticamente impossível falar de um sem pensar no outro. E como a gente gosta de reclamar da alta do dólar, precisa entender o que está achando ruim para poder falar com propriedade. Garanto que quem chegar ao fim do texto vai conhecer muitos aspectos da taxa de câmbio sobre os quais nunca havia pensado e que nem sempre o dólar baixo é tão bom quanto pode parecer. Portanto, a partir de hoje você vai poder reclamar o quanto quiser, mas sempre sabendo do que está falando.

E ai, torço para o dólar subir ou para o dólar cair?
O ser ou não ser da taxa de câmbio.

Vamos começar o texto ajustando nossas expectativas, OK?
Não sou especialista em câmbio, só uma economista enferrujada, lembrando das aulas da faculdade, na tentativa de colocar um pouco de luz sobre um assunto que muitas vezes acabamos evitando por acharmos “muito complicado”. Bem, na verdade, não é. E esse o segredo de muitos economistas de plantão, deixar o assunto mais complicado do que ele é na verdade.

Então, vamos um passo de cada vez.

A taxa de câmbio é o preço de uma moeda estrangeira medido em unidades ou frações (centavos) da moeda nacional. No mundo, a moeda estrangeira mais negociada é o dólar americano, fazendo com que seja a cotação mais utilizada por todos.

A conta é simples: se a taxa de câmbio é R$ 3,80, significa que para comprar um dólar americano, você precisará de R$ 3,80.

Uma libra esterlina hoje vale cinco reais.

Uma libra esterlina hoje vale cinco reais.

A cotação é sempre publicada do ponto de vista “do outro”, ou seja, do agente autorizado a fazer a transação. Casas de câmbio e bancos são os agentes autorizados pelo Banco Central para atuar no mercado de câmbio e todos eles ganham seu rico dinheirinho, tendo por base a diferença entre o preço de compra e o de venda da moeda.

Como em todo mercado, temos as transações de compra e venda “no atacado” e “no varejo”. No mercado das moedas é o mesmo. Temos cotações diferentes para quando as transações são do mundo corporativo – entre empresas, bancos, para as transferências decorrentes de exportação e importação e assim por diante. A aquela cotação que nos interessa é a que é aplicada para as transações com as pessoas físicas, nós, os pobres mortais, na hora da compra de passagens, reserva do hotel, compras no exterior e assim por diante. Uma é a do dólar comercial e outra é a do dólar turismo.

Bem, vamos sempre falar em dólar por aqui, mas vale lembrar que o raciocínio vale para qualquer outra moeda, Ok?

Como nem tudo é preto no branco, nos tons de cinza temos ainda a cotação “paralela” da moeda. O dólar paralelo é aquele que você negocia com alguém que não está autorizado pelo Banco Central para fazer este tipo de operação. É uma transação que ocorre totalmente por fora do sistema e se você for pego, por exemplo, com moeda estrangeira e não tiver o recibo da transação, você perderá o dinheiro e ainda terá que se explicar para as autoridades. Bem, isto, claro, se você não for político, filho de político ou amigo de político. Neste caso, em alguns países, estará tudo certo e você seguirá sua vida normalmente.

Bom, voltando para o mundo oficial, outra cotação divulgada diariamente é a PTAX, a média das taxas praticadas pelos agentes autorizados no dia. É uma taxa de referência para quem negocia a moeda.

Agora, como é que a cotação do dólar é estabelecida?
Temos que considerar que a política cambial é um dos diversos instrumentos que os governos podem utilizar para interferir ou influenciar na vida econômica do país. O objetivo de qualquer governo, esperamos nós, os governados, é que tenhamos um país em desenvolvimento, com crescimento econômico, crescimento sustentável, desenvolvimento humano em busca da igualdade social e com impactos ambientais devidamente compensados para não acabar com o pais (ou o planeta) em alguns anos.

Pois bem, a política cambial, não ela sozinha, mas de forma articulada com as outras políticas, a fiscal, monetária, de renda, é utilizada para isto, para produzir este tão desejado desenvolvimento.

O alcance da política cambial é limitado se olharmos para ela isoladamente. Mas se articulada corretamente com os demais instrumentos de política econômica pode fazer a diferença. Como nenhum pais é uma ilha isolada do mundo – com exceção da Coréia do Norte que nem é uma ilha, Cuba é, mas já não conta mais como isolada – tudo que é feito num país acaba influenciando o outro e um dos meios de transmissão é justamente a taxa de câmbio.

Por isto a atenção, o monitoramento e os ajustes no câmbio são constantes num governo bem-intencionado e quando os ajustes são feitos no momento e na direção certos, encontramos um governo competente na política externa.

Como então, o governo atua sobre o câmbio? São três regimes de câmbio diferentes que os governos podem adotar:

Câmbio flutuante
Neste regime o preço da moeda estrangeira é determinado pelas leis de oferta e demanda sem interferência do Banco Central. Ou seja, o Banco Central não compra ou vende moeda para influenciar a taxa de câmbio. É o próprio mercado que encontra o equilíbrio e uma taxa de câmbio justa.

Câmbio fixo
Neste regime é o contrário. O Banco Central está sempre comprando e vendendo moeda para que a taxa de câmbio definida pela política cambial fique inalterada. Parece o mais simples, não? É, mas para manter o câmbio fixo é necessário que o país tenha uma grande reserva de moeda estrangeira para estas operações Caso contrário terá que pedir empréstimos internacionais. E a coisa pode se complicar a partir daí. (A Argentina teve regime de câmbio fixo por muitos anos.)

Regime Misto ou Híbrido
É a mistura do câmbio fixo e câmbio flutuante, neste caso, o governo estabelece um valor mínimo e um valor máximo (banda) e deixava a cotação flutuar dentro desta faixa. Qualquer coisa que afete a entrada ou saída da moeda estrangeira do mercado afetará a taxa de câmbio e aí a gente começa a entender por que a taxa de câmbio é tão sensível e pode ser bem imprevisível.

Dez libras e dez reais. Same same, but different.

Dez libras e dez reais. Same same, but different.

A taxa de câmbio também sofre a influência de diversos aspectos da economia interna, assim como é capaz de influenciá-los, mais um motivo para receber monitoramento e cuidados constantes. Um destes aspectos que influenciam a taxa de câmbio é o regime cambial que determina o do Banco Central. Mesmo no regime de câmbio flutuante ele ainda pode atuar, comprando ou vendendo dólar e isto influenciar a taxa de câmbio, o Banco Central pode fazer isto (e deve) quando há indícios de manipulação do mercado.

A capacidade que o Banco Central tem para influenciar o mercado está diretamente ligada às reservas cambiais que possui. Para ficar vendendo e comprando dólar é preciso ter um saldo elevado de reservas. Cacife para bancar as transações.

Outro aspecto que sofre influência e também influencia a taxa de câmbio é a taxa de juros.

Como assim?

A variação da taxa de juros pode atrair ou afastar investidores estrangeiros que enviariam seu rico dinheirinho para o Brasil com o objetivo de aproveitar as taxas praticadas aqui. Afinal pagamos uma das maiores taxas praticadas no mundo.

Não é raro ver investidores pedindo dinheiro emprestado no exterior, pagando juros baixos, e investindo este mesmo dinheiro no Brasil. Com isto eles pagam os juros do empréstimo e ficam com a diferença. Estes movimentos de entrada e saída de dólares dos investidores podem ser imprevisíveis já que eles estão sempre avaliando a relação entres os juros pagos e o risco que correm investindo no Brasil. Esta percepção de risco pode mudar rapidamente dependendo de acontecimentos políticos do pais, das avaliações de riscos das agências oficiais e assim por diante.

Da mesma forma, quando os outros países aumentam suas taxas de juros, isto pode atrair investidores que estão com recursos investidos no Brasil. O efeito contrário também pode ocorrer. A queda dos juros lá fora pode atrair investidores e seus dólares para o Brasil.

Ou seja, o que vale é a taxa de juros “relativa” entre os países, o nível de risco e a aversão ou não ao risco do investidor, para o dinheiro entrar ou sair do país.

Novamente, tudo muito volátil e imprevisível, não acham?

A taxa de câmbio faz com que os produtos (insumos, máquinas, equipamentos, nossas passagens e gastos com viagem) fiquem mais caros ou mais baratos. Portanto pode ajudar na balança comercial, gerando mais ou menos importações, mais ou menos exportações, mais ou menos viagens, que no fundo é o que nos interessa.

Quando nossa moeda se valoriza (ou seja, quando o dólar cai), nos sentimos imediatamente mais ricos como consumidores finais, mas do lado da macroeconomia o resultado é outro.

Os exportadores têm seus preços de venda afetados, irão receber menos reais do que recebiam antes pelo mesmo dólar pago por suas exportações. Perdem lucratividade e podem se sentir desestimulados a produzir, o que pode vir a reduzir o nível de atividade econômica e consequentemente, isto pode gerar desemprego.

Do lado das importações, elas ficam mais facilitadas. Os preços de produtos similares no exterior começam a ficar mais interessantes para o consumidor brasileiro que então pode trocar produtos nacionais por importados. A classe média adora fazer isto. Novamente, os produtores nacionais podem se sentir desestimulados a produzir se não forem capazes de competir com os preços de fora e o mesmo efeito acima ocorrerá. Menor produção, maior desemprego no mercado interno. Garanto que a maioria de nós nunca havia pensado por esse lado.

Claro que tudo isto depende do grau de competitividade de nossos produtos em relação aos produtos no exterior e por quanto tempo a situação de valorização cambial se sustentará.

Então, com o real valorizado, o que parecia apontar para mais viagens pela frente pode significar a perda do emprego, isto se você tiver um. E mesmo que não tenha um, que seja um empreendedor, o consumidor do seu serviço ou produto poderá estar sendo afetado. Então, deu na mesma.

Quando ocorre o inverso, nossa moeda se desvaloriza (ou seja, quando o dólar sobe), temos o movimento contrário. Ficamos mais pobres em relação ao resto do mundo.

Mesmo mais pobres, temos que lembrar que há importações que continuarão a ser feitas, seja com o dólar alto ou baixo, por exemplo, alguns insumos essenciais (trigo, arroz, petróleo) e assim, quanto mais dependente for a economia destes insumos, mais ela sofrerá com as variações cambiais que acabarão gerando. Neste caso, inflação, pois mesmo com os insumos mais caros (dólar alto) não há como deixar de importá-los e portanto, essa variação será repassada para o preço para o consumidor final.

Não só os insumos, mas também produtos finais ou equipamentos ficam mais caros para o consumidor final ou para o empresário que importaria tais equipamentos, a demanda, neste caso, acaba sendo direcionada para os produtos e equipamentos nacionais similares e a indústria nacional nem sempre tem capacidade de produção para atender ao aumento de demanda. Demanda maior do que oferta, novamente, pressão sobre preços.

Podemos ainda somar o efeito de maior interesse pela exportação do que por abastecer o mercado interno. Ele também vai afetar a oferta de produtos no mercado interne e temos novamente, pressão sobre preços para o consumidor interno.

As exportações sobem, saldo da balança comercial e reservas de moeda estrangeira no pais também sobem. São coisas boas, mas que acontecem com uma velocidade muito inferior ao reflexo sobre a inflação e desemprego.

Ou seja, o que temos que buscar (e comemorar quando atingirmos) é uma taxa de câmbio justa, que não promova desequilíbrios macroeconômicos e nem complique a vida de todo mundo, empresário, empregado, consumidor e viajantes como nós.

Dinheiro, Sobre a vida

Como levar dinheiro para viagem, um guia prático

March 15, 2016

*O Naonde adverte: este texto é padrão Marília.

Quem converte não ser diverte, mas será mesmo?

dinheiro

Uma dúvida comum que assola tanto os viajantes iniciantes quanto os experientes é o momento de escolher como levar o dinheiro para a viagem.

Para esta questão que é uma espécie de “ser ou não ser” do viajante não há resposta única. Uma pena, mas não há.

Por isso, abaixo você tem que considerar o que há de bom e de não tão bom assim em cada um dos meios de pagamentos que um viajante tem à sua disposição.

Lembre-se que o importante é considerar o custo total, incluindo todas as taxas aplicáveis, para cada meio de pagamento.

Vamos lá, os indicados na categoria de melhor forma de levar dinheiro em viagem são ….

Dinheiro em moeda, o velho e bom “cash”

dólar

É a alternativa mais barata, pagamos o IOF de 0,38%, porém é a mais insegura. Coisas ruins acontecem em viagens também e um roubo ou perda serão irrecuperáveis. Certifique-se de ter um cofre para documentos e dinheiro no seu destino e durante a viagem, uma forma de transportar os valores junto ao corpo. Faça uma boa pesquisa e escolha a casa de câmbio pela comodidade, aquela que é mais próxima da sua casa, aquela que lhe entrega o dinheiro em casa e assim por diante. O “cash” exige esses cuidados com transporte e guarda da moeda.

Para países de moeda forte: leve a moeda do país. Compre dólar para viajar aos Estados Unidos, euro para Europa, libra para o Reino Unido e assim por diante. Sempre que possível, evite trocas sucessivas, isto é perda na certa. Quanto mais operações de câmbio forem feitas, mais sujeito a perder dinheiro você estará, por que quando compramos a moeda pagamos aquela cotação mais cara e quando vamos vender, eles nos pagam pela mais barata. Ah! Por isto é que existem duas cotações para cada moeda? Sim, e isto significa que você sempre perderá um pouquinho de dinheiro a cada transação de compra e venda.

Para países de moeda fraca: leve dólar ou euro. Ficou em dúvida de qual levar? Faça uma simulação comprando a moeda do pais aqui no Brasil e compare com as duas operações, comprar dólar ou euro aqui no Brasil e depois a troca pela moeda local. Temos muito simuladores na internet, que ajudam com estas operações. Você verá que sair daqui com a moeda fraca não vale a pena.

Quando precisar trocar seu dinheiro, evite as casas de câmbio de aeroportos e próximas a atrações turísticas, as taxas costumam ser piores. E nunca é demais lembrar para não fazer a operação na rua, as taxas podem ser convidativas, mas os riscos são enormes como levar notas falsas ou ainda ser roubado na esquina seguinte. O melhor mesmo é fazer isto em casas oficiais, ligadas aos bancos ou dentro de shoppings.

A segunda opção é o cartão pré-pago, o “travel money”

moeda de um dólar

Nesse caso, você carrega o valor em moeda estrangeira, paga o mesmo IOF do cartão de crédito, 6,38%, porém, garante a taxa de câmbio do momento em que carrega o valor no cartão. É bem aceito em grandes cidades. Em lugares mais isolados, os estabelecimentos podem aceitar estes cartões. É um meio de pagamento seguro, pois em caso de roubo ou perda, você pode bloqueá-lo e ele será substituído rapidamente, geralmente em até 24 horas. Tem um valor máximo de 10 mil unidades da moeda que você utilizará, 10 mil dólares ou 10 mil euros ou 10 mil dinheiros.

Você também pode realizar saques com este cartão, mas é importante considerar que você tem uma taxa a cada operação de saque, por isto, faça o menor número possível de saques. Outra vantagem é que o cartão pode ser recarregado pelo seu internet banking, assim, se for necessário, você pode fazer a operação remotamente.

Em qual moeda carregar o valor pré-pago? Aqui valem as mesmas considerações sobre qual moeda levar em “cash’.

O melhor desempenho do cartão pré-pago é quando a moeda carregada no cartão é a moeda corrente no país que você vai visitar. Para os países de moeda fraca, não há grandes diferentes em utilizar o pré-pago em dólar ou euro.

Mas se você usar seu cartão pré-pago carregado com dólar num país onde a moeda é o euro, você vai perder o correspondente a conversão cambial. Exatamente como se comprasse dólares e fosse trocar por euros numa casa de câmbio.

Em terceiro lugar, vem o tradicional cartão de crédito

cartão de crédito

O IOF é de 6,38% e você ainda terá que arcar com a diferença cambial que vier a ocorrer entre o momento da compra e o momento do fechamento da fatura do cartão de crédito e depois, entre o momento do pagamento e o momento do fechamento da fatura. Neste sentido, é o meio de pagamento mais imprevisível quanto ao valor que você realmente irá pagar por causa da variação cambial.

Sabendo disso, os cartões de crédito colocam à sua disposição, programas de milhagem, seguros de viagem e de saúde, que dependendo do valor (lembre-se, como falamos no início, o que vale é o custo total da sua operação) podem compensar.

Você também precisará do cartão de crédito para compras de ingressos ou para compras em lojas on-line durante sua viagem ou para alugar um carro e assim por diante, ou seja, tenha o cartão internacional devidamente desbloqueado para o uso no exterior sempre à mão. Até mesmo para atender a alguma situação de emergência.

Por fim, em menção não muito honrosa, temos alguns bancos brasileiros e em alguns destinos específicos, permitem operações de saque na moeda local e você terá que consultar o seu caso específico. Esta opção é a última que você deve considerar pois além do inevitável IOF de 6,38%, você terá uma taxa por transação e ainda terá que arcar com a taxa de câmbio praticado pelo banco no momento do saque.

E como não há resposta certa ou errada para a questão “qual meio de pagamento escolher”, ficam as considerações acima e uma dica básica: divida seu dinheiro em alguns meios de pagamento, nada de apostar tudo numa única alternativa.

 

*Este texto é cortesia e o primeiro de um duo que a economista de plantão do Naonde, a já conhecida Yara, escreveu para nós e revisado pela Marília.

Na Gringa, Pogramas

Loja na Plataforma 9 3/4; Inglaterra praticamente de graça!

October 19, 2015

Eu venho advogando a causa da Inglaterra a baixo custo há algum tempo, mas o texto de hoje vai um pouco além e te mostra um programa que é praticamente de graça. Só não chega a 100% porque de graça nessa vida, só amor de mãe. Uma visita à loja da plataforma 9 3/4 é divertidíssima e baratíssima, vem comigo!

Eu me lembro de quando o primeiro livro da série Harry Potter chegou ao Brasil, em 2000, e as livrarias começaram a fazer um certo auê em torno do fenômeno de vendas, colocando os pobre volumes dentro de um caldeirão feito de espuma cinza cheio de celofane vermelho dentro fazendo de fogo e uns cabos de vassoura esperados. Uma coisa de um mal gosto que nem sei, espero que esta tenha sido apenas a vitrine da livraria do Shopping Galleria de Campinas. Do alto dos meus 14 anos olhei praquele cenário que mais parecia decoração de buffet infantil e torci o nariz pro “livro de criança”, acrescente-se a isso o fator “todo mundo está lendo!” e temos aí o meu desprezo completo e absoluto.

platform 9 3/4

Um ano depois saiu o filme e fui ao cinema vê-lo com a minha mãe, muitos dos meus amigos estavam comentando e minha curiosidade foi instigada. Achei a história legal, mas não o suficiente pra me fazer ler os livros. Em 2002 assisti ao segundo filme e segui minha vida sem a menor vontade de saber o que aconteceria com a do Harry.

No fim de 2003  o quinto livro saiu no Brasil e todo mundo começou a falar que este sim seria o melhor livro, o que ia explicar a razão de tudo, esclarecer as razões do tal do Voldemort… e então me deu um comichão de querer saber também! Mas resolvi que eu tinha que ler tudo desde o começo, desde o primeiro, e fui lendo um em seguida do outro entre as duas semanas de provas da segunda fase da FUVEST e da UNICAMP. Foi, inclusive, uma ótima maneira de me distrair e aliviar a tensão do vestibular. Na época fiquei “Pottermaníaca” daquelas de ler fanfics e acalentar uma paixonite pelo Snape. E resolvi que um dia visitaria a estação King’s Cross pra tentar chegar na Plataforma 9 3/4, afinal de contas a gente nunca sabe se vai conseguir se não tentar.

Estação King's Cross

Estação King’s Cross

No ano passado minha mãe esteve em Londres e eu dei a ela a missão de ir procurar a plataforma e me trazer uma foto. Ela voltou com a informação de que havia uma loja na plataforma 9 3/4! Então este ano fiquei feliz da vida ao saber que o trem que me levaria de Newcastle a Londres chegaria na King’s Cross, já estava certa de que tirar minha foto empurrando o carrinho seria a primeira coisa que eu faria quando chegasse na capital! Nós chegamos à uma da manhã, mortos de cansaço, com frio e sem a menor vontade de procurar qualquer coisa que não fosse um táxi. A plataforma ficaria pra outro dia…

Num dos dias em que os meninos não quiseram passear comigo eu aproveitei pra ir até lá de tarde e me deparei com a maior fila! Na minha santa inocência, até imaginei que teria de esperar um pouco pra conseguir minha foto, mas realmente não esperava o que eu encontrei: uma fila super organizada, com cordinhas como as de cinema, indicando o sentido, um moço com quatro opções de cachecóis na mão e um fotógrafo profissional para tirar o seu retrato usando o cachecol da sua casa. A foto é então diretamente enviada para um monitor dentro da loja onde, é claro, você pode comprar uma reprodução. A fila me fez desistir, ela e o fato de que dentro de alguns dias eu necessariamente teria que voltar lá. Fui-me embora.

platform 9 3/4

Nosso trem de volta para Newcastle sairia de Londres às 22:00 e o Josh sugeriu que fôssemos mais cedo para eu tirar minha foto. A gente achou que nesse horário já não teria mais ninguém por ali, afinal já era mais do que hora de criança estar na cama. Ledo engano. Às 21:00 havia bem umas 10 pessoas fazendo fila e a loja ainda estava aberta! Só pra vocês terem uma idéia de como isso é surpreendente, às 18:00 o comércio TODO de Newcastle já está fechado. Londres, que é infinitamente mais cosmopolita e turística, fecha as portas às 20:00. Dá pra imaginar a minha cara de espanto quando eu vi a loja na plataforma 9 3/4 funcionando a todo vapor.

Esperei bonitinha pela minha vez de pedir o cachecol da Corvinal (Josh disse que eu teria sido escolhida pra Corvinal se eu tivesse ido pra Hogwarts). A fotógrafa me pediu duas poses, uma com a perninha levantada no estilo “estou feliz da vida porque estou indo para Hogwarts” e outra pulando como se estivesse mesmo atravessando a parede. A mulher que estava na minha frente se empolgou tanto e empurrou o carrinho com tanta força que eu achei que ela talvez fosse mesmo atravessar a barreira. Depois disso eu fui devidamente encaminhada à lojinha, onde comprei duas fotos.

Platform 9 3/4

Voltando de Bath na última quinta-feira tive que fazer conexão na King’s Cross e aproveitei pra dar mais uma olhadinha e garantir mais uma foto na Plataforma 9 3/4, incrível como estava mais vazia do que da outra vez! Mesmo em um horário mais cedo. Conversei um pouquinho com o moço que entrega os cachecóis e ele me disse que durante as férias de verão (entre os meses de julho e agosto) eles chegam a tirar cerca de 1000 (MIL!!!) fotos por dia, das quais 300 a 400 são vendidas. A partir de setembro o movimento cai um pouco, mas sempre tem gente visitando.

A loja é pequena, mas bem bacana e está sendo expandida. Tem todo tipo de produto relacionado à série Harry Potter: casacos dos times de quadribol das diferentes casas, cachecóis, chaveiros mil, canetas, canecas, camisetas, quadros, passagens para o Hogwarts Express, cartões postais, varinhas de praticamente todos os personagens e até mesmo uma réplica do diadema da Rowena Ravenclaw! Não tem nada barato, os casacos custam cerca de £50,00, as canecas £8,00 e o diadema, se não me engano, algo como £150,00! Mas como este é um post muquirana, você pode simplesmente entrar, olhar tudo e sair de lá sem gastar absolutamente nada.

platform 9 3/4

Serviço:

A loja fica na estação King’s Cross, ao lado do carrinho que tem as malas e uma gaiola com uma pobre Edwiges empalhada. O jeito mais fácil de chegar até lá é descendo na estação de metrô St. Pancras’/King’s Cross e dentro da estação é só perguntar para qualquer pessoa onde está o carrinho, ou procurar por uma fila enorme.

Cada foto avulsa custa £9,00, o preço cai pra £15,50 por duas e £20,00 para três. Você não precisa comprar a foto, pode simplesmente pedir para um amigo, ou transeunte, fazer o registro pra você. De qualquer maneira, só de estar esperando na fila já tem a direção artística e o cachecol, o que eu achei muito bacana.

A loja na plataforma 9 3/4 fica aberta até às 22:00 e o fotógrafo fica por lá até umas 21:30.

O site deles é esse aqui.

Sobre a vida

Manifesto em prol da viagem que você quer fazer!

October 5, 2015

Tenho visto muitos manifestos por essa internet afora, um dos mais comuns é sobre porque mulheres deveriam viajar sozinhas (ainda meterei minha colher neste angú), mas dessa vez vim falar sobre um tema que  poucas vezes vi abordado por meus colegas de blogagem viajeira. De modo que aproveito este momento para lançar aqui o seguinte manifesto:

o Manifesto em prol da viagem que você quer fazer!

Vamos dar as mãos e gritar bem alto mais uma vez? \o/\o/\o/\o/ (adoro esses bonequinhos dando as mãos)

Ahu Tahai, Ilha de Páscoa.

Ahu Tahai, Ilha de Páscoa.

Manifesto em prol da viagem que você quer fazer!

Viva! Ufa! Todos mais aliviados? Espero que sim.

Os grandes musos inspiradores da minha campanha são os amigos Marcelo e Dé, que escrevem o excelente Faniquito – não bastassem a escrita cativante e os roteiros interessantes, as crases estão sempre nos lugares certos e eu acho, aqui do alto da minha beletrice, que isso passa imensa credibilidade para um blog de viagens. Eles acabaram de voltar de um desses resorts com tudo incluso, onde passaram uma semana de férias, e aqui relatam como o preconceito deles com esse tipo de viagem foi-se embora com a água do mar da Bahia.

Daí me lembrei do meu amigo Theo, que esse ano fez uma conexão em Adis Ababa e voltou me falando o seguinte:

– Sabe, Ângela, o lugar que eu mais tenho vontade de conhecer no mundo é a África! Acabei de fazer uma conexão na Etiópia e finalmente me dei conta de que eu quero muito viajar pela África! Durante um tempo eu ficava com um pouco de vergonha de admitir que eu não queria conhecer os lugares da Ásia pra onde você e mais um monte de pessoas gostam de viajar, mas agora eu não vejo mais problema em assumir isso. Eu quero mesmo é conhecer a África.

Achei sensacional ouvir isso de uma pessoa tão querida! Não é libertador você poder admitir, pra você mesmo inclusive!, que não quer viajar pra algum lugar só porque todo-mundo-vai?

muscat roundabout

Lembro de todos os narizes torcidos que eu recebi quando contava para qualquer pessoa que o destino que fazia meu coraçãozinho bater mais forte era a Coréia do Norte. Cheguei inclusive a ouvir a seguinte asneira: “Mas por que não a Coréia do Sul? Dizem que a vida lá é muito bonita.”

Gente, bonita como? Quais são os critérios que definem uma vida bonita? Quem decide isso? E se eu justamente quiser visitar um lugar, se é que isso existe, onde a vida não é bonita?

Me deixe em paz!

Quem não tem cão, caça com gato. Enquanto não vou pra Coréia do Norte vou no restaurante em Phnom Penh...

Quem não tem cão, caça com gato. Enquanto não vou pra Coréia do Norte vou no restaurante em Phnom Penh…

Acontece que, do mesmo jeito que vejo narizes torcidos e ouço desdém na voz de muita gente quando conto que adoraria conhecer Pyongyang, a mesma reação é causada em gente com mais quilômetros rodados. Às vezes tenho a impressão de que quanto mais algumas pessoas viajam, menos aberta fica a cabeça delas. Explico, parece que vão arraigando um preconceito contra destinos 100% turísticos, como se visitar estes lugares fizesse de você uma pessoa que só consegue digerir roteiros já pré-mastigados. A situação em que pude constatar a que nível essa babaquice chega foi na recepção de um albergue do Cairo; estávamos eu e meu ex-namorado planejando nosso passeio pelas pirâmides no dia seguinte quando uma moça da Bósnia chegou e entrou na nossa conversa, então eu perguntei se ela não gostaria de ir a Giza conosco. A resposta?

– Imagina! Eu lá quero ver as pirâmides?

O tom da voz dela era o mesmo que um adolescente que gosta de rock usaria para recusar um convite para ir a um show do Wesley Safadão. Parecia que eu estava convidando a moça pra ir comigo ao DETRAN recorrer uma multa. Hoje em dia parece que visitar a Torre Eiffel em Paris virou uma coisa de gente sem-cultura-que-não-se-aprofunda-na-cultura-local. Gente, menos. Existe uma razão porque muita gente quer ver a Torre Eiffel, o Coliseu, o Big Ben, são lugares bonitos. Não é à toa que se tornaram tão famosos mundo afora. E mesmo que não fossem tão bonitos ou imponentes, não tem nada de errado querer conhecer lugares pra onde todo-mundo-vai. Sabe um lugar que eu tenho a maior curiosidade de conhecer? E riam da minha cara o quanto quiserem. Caldas Novas – GO! Me digam, você já viram alguém que foi pra lá e não gostou? Eu nunca. Não conheço uma única pessoa que tenha ido pra Caldas Novas e tenha achado, assim, uó. Todo mundo volta de lá feliz da vida.

Eu e minha amiga Adriana em Paris, janeiro de 2007.

Eu e minha amiga Adriana em Paris, janeiro de 2007.

Mas preciso voltar a defender “aqueles lugares diferentes pra onde a Ângela gosta de viajar”. É claro que alguns destinos vão causar mais espanto do que outros, afinal de contas parece haver uma lista de destinos exóticos pré-aprovada pela humanidade. Os “destinos exóticos pero no mucho“. Um exemplo? O Egito. O Egito já foi berço de civilização antiga, o Egito tem monumentos históricos, o Egito tem cultura, o Egito já apareceu em filme de Hollywood, o Egito pode, enfim. Mas vá você dizer que irá pra Omã na mesma viagem… Aparece aquele pontinho de interrogação bem acima da cabeça de quem ouviu e que logo vai usar aquele tom de curiosidade que costuma empregar quando faz perguntas a uma criança:

– Mas nossa, pra Omã? Mas por quê? O que você vai fazer lá?

Gente, perguntar não é o problema. O problema é o jeito.

pirâmide

Pergunte por que a pessoa quer ir para lá, claro, mas não do alto de um pedestal, pergunte dando a chance do seu interlocutor de te convencer a seguir o mesmo roteiro, a te fazer pensar sobre o destino, a instigar a sua curiosidade a respeito de um lugar do mundo que talvez você nem imaginasse que está no mapa. Existe tanto lugar legal por aí…

Quer ir pra Croácia? Vá!

Quer ir para o Vietnã? Vá!

Quer ir pra Caldas Novas? Vá! E me chame, quem sabe vamos juntos.

Quer ir pra Namíbia? Vá!

Pro Senegal? Também!

Não vale perguntar com desdém, estamos combinados?

Então, minha gente, é isso, deixemos de ser sommelier de viagens alheias. Que cada um vá pra onde quiser, com quem quiser e quando quiser!

Di cumê, Na Gringa, Pogramas

Restaurante norte-coreano em Phnom Penh: meu mico de viagem mais divertido

October 1, 2015

“Meu, tirando aquela vez em que eu te levei no restaurante norte-coreano em Phnom Penh, quando foi que eu já te meti em roubada?”

Pyongyang restaurant

Eu meto ela em roubada, mas ela se diverte.

Parece frase de comédia americana ruim, né? Mas não, aconteceu comigo e com a minha amiga Yara no ano passado.

Desde 2013 que eu ando com um desejo enorme de visitar a Coréia do Norte. Eu já tinha me interessado pelo país há alguns anos, quando vi uma charge (lembram-se do Charges.com ?) do Kim Jong Il na época em que os Estados Unidos invadiram o Iraque. Depois tive a curiosidade um pouco mais aguçada ao encontrar uma reportagem numa Marie Claire, acho que em 2008, que me levou a algumas buscas não muito bem sucedidas no Google. Sei que depois disso botei a pequena nação asiática no arquivo morto da minha cabeça e fui cuidar de outras coisas. Até que em fevereiro de 2013 meu amigo Zé Eduardo comentou sobre os posts que ele havia lido em um blog de viagens, era um cara que tinha ido pra Coréia do Norte, pra fazer turismo! Entusiasmei-me! Mais ainda quando descobri que o autor era brasileiro, mais ainda quando li todo o relato, vi as fotos e descobri que eu também poderia ir, se quisesse. E só não marquei a viagem pro dia seguinte porque não tinha dinheiro.

Então eu fui pro Jalapão, conheci a Yara, trocamos muitas figurinhas sobre viagens feitas e que queríamos fazer e contei pra ela que estava morrendo de vontade de conhecer a Coréia do Norte.

– Olha, Ângela, pra lá eu não vou não.

Foi isso que eu ouvi.

Algumas viagens depois, Yara e eu fomos parar em Phnom Penh, a capital do Reino do Camboja, em novembro do ano passado. Assim que o ônibus entrou na cidade vi uma placa enorme com os seguintes dizeres:

PYONGYANG RESTAURANT

pyongyang restaurant

– Yara, nós vamos!

Como pra capital da Coréia do Norte ela não queria ir de jeito nenhum, abriu a exceção e concordou em jantar no restaurante. Demos uma busca no Google para encontrar o endereço e descobrimos que esta é uma cadeia de restaurantes, tipo um Outback norte-coreano, e que há alguns deles espalhados pela Ásia. Mas o mais importante é que as garçonetes cantam e dançam, vestindo roupas típicas e tudo!, para entreter os clientes. (Alguém aqui já comemorou aniversário no Outback? Consegue ver a semelhança?)

No dia seguinte pegamos um tuk-tuk até o restaurante, eu mais feliz do que uma criança que vai à Disney pela primeira vez e a Yara tentando conter minha ansiedade. Chegamos e qual é a primeira coisa que eu vejo? Uma placa dizendo que é proibido fotografar!

Quanta decepção, minha gente! Mas tudo bem, eu estava lá pela experiência. Não era um restaurante em Pyongyang, era no Camboja; praticamente a mesma coisa que a Disney de Paris. Não é a Disney de verdade, mas serve.

Entramos.

D-O-U-R-A-D-O

Tinha até uma raquetinha de matar pernilongo!

Tinha até uma raquetinha de matar pernilongo!

Quando eu era criança, minha mãe lia pra mim a história dos óculos do vovô, que caíram num balde de tinta roxa e então ele passava a ver o mundo todo roxo; a grama ficava roxa, a vovó ficava roxa, o céu ficava roxo, o cachorro ficava roxo, o neto ficava roxo… Deu pra entender, né? Então, achei que os meus óculos haviam caído num balde de tinta dourada. As cadeiras eram douradas, as cortinas eram douradas, as toalhas nas mesas eram douradas… Só pra garantir que não havia nada de errado com os meus óculos, e consertar caso houvesse, tirei-os e dei uma limpadinha básica na barra do vestido. Não adiantou, tudo continuava dourado ao nosso redor; era a decoração do restaurante mesmo.

Dourado, muito dourado! E esse babadinho luxo embaixo da cadeira?

Dourado, muito dourado! E esse babadinho luxo embaixo da cadeira?

Logo uma mocinha bem sorridente veio nos receber e nos encaminhou a uma mesa enorme, devidamente coberta por uma toalha dourada, e nos entregou os cardápios. Ao nos sentarmos, nos demos conta que ainda havia alguns pratos sujos – provavelmente dos clientes que lá sentaram antes de nós – mais pra ponta da mesa e eles lá permaneceram até que nós fôssemos embora. Abrimos o cardápio e a primeira opção eram Traditional Pyongyang style cold noodles. Dei mais uma olhada no resto do menu e voltei à primeira opção, a única que se dizia “tradicional”. Chamei a garçonete e fiz a pergunta cuja resposta eu temia ouvir:

-São apimentados?

Para minha tristeza ela disse que sim, eram apimentados. Gente, se um coreano, algum dia, te disser que um prato é apimentado, tenha certeza que será a mesma sensação de colocar um carvão em brasa na sua boca. Eu não saberia dizer se sou alérgica a pimenta ou não, mas minha intolerância beira o ridículo e inclui até pimenta do reino. Sabe quando alguém te fala que a comida está tão ardida que passou do ponto “picante agradável”? Então, pra mim não existe o tal do “picante agradável”, pra mim qualquer picante é muito desagradável. Com isso em mente, escolhi algo que me pareceu inocente o bastante; um tipo de omelete-panqueca com legumes e frutos do mar. Yara me acompanhou na escolha.

Parece inofensivo, não?

Parece inofensivo, não?

Gente, que coisa horrêvel! A massa da parte “panqueca” do omelete estava crua e o nível de pimenta beirava o insuportável, apesar da garçonete ter me garantido que o prato não era picante. Aprendi a nunca mais confiar em coreanos quando se trata de pimenta. O resultado foi que nenhuma das duas conseguiu comer mais do que três ou quatro bocados  da gororoba.

pyongyang restaurantO que salvou a gente de morrer de fome foram as entradinhas, que não eram deliciosas, mas encaráveis:

restaurante norte-coreano

Mas e essas fotos todas? Não era proibido tirar fotografia? Então, em tese era, mas logo nós começamos a ver todos os outros clientes tirando celulares e câmeras e fotografando tudo, inclusive tirando fotos com as garçonetes. Depois dessa cena nós perdemos a vergonha e mandamos ver no registro da experiência, que só não foi completa porque chegamos tarde demais e perdemos a apresentação das garçonetes… Mas tudo bem, assim eu mantenho a carta na manga pra convencer a Yara a ir comigo pra Pyongyang; afinal de contas, eu não vi a dancinha!

Serviço:

Não me lembro quanto saiu a conta, com certeza não ficou em mais de R$ 30,00.

A unidade de Phnom Penh fica no 400 Preah Monivong Blvd e a dica é chegar antes das 19:30, pra não perder a dancinha.

Di cumê, Na Gringa

Onde comer em Koh Phi Phi

September 7, 2015

Debates internos à parte, este pequeno guia devia ter sido publicado há muito mais tempo, lá pra abril, mas ao tentar salvá-lo e perder quase metade de tudo que já tinha escrito fiquei com má vontade de retomá-lo. Assim, ele ficou engavetado para aparecer pra vocês agora!

Fiquei um bom tempo debatendo internamente comigo mesma o quanto eu deveria escrever esse post. Falando assim, parece até que vou abordar um tema super polêmico, mas esse é só um post sobre onde comer em Koh Phi Phi e não sobre a legalização do aborto; sinto desapontar quem acreditou que veria este circo pegar fogo. A razão disso ter gerado um certo conflito comigo mesma ao sentar pra redigir o texto foi o fato de achar esse tipo de “post guia” – com diquinhas de lugares imperdíveis – um negócio meio chato. Especialmente porque o que é imperdível para mim, pode ser perdível para você, mas dar recomendações também é parte das funções de um blog de viagens, não? Então vamos a elas!

Como em Phi Phi ninguém tem cozinha em casa – o suprassumo do luxo é ter uma geladeira no quarto e um ou outro eletrodoméstico tipo grill ou torradeira – todo mundo tem que ir comer fora, o que nos força a conhecer muitos dos restaurantes da ilha. Assim que cheguei na Tailândia me empanturrei de “pad thai” e arroz frito, crente que passaria meses me alimentando apenas de comida tailandesa, que era tudo uma delícia e que eu jamais procuraria comida ocidental durante o tempo que morasse na ilha. A verdade? Não só não aconteceu, como houve dias em que eu daria um rim por um McFish com batatinhas e uma casquinha de baunilha de sobremesa, ou uma tortinha de maçã.

Grand PP Arcade

Grand PP Arcade

Fica bem pertinho da rua que leva à praia das baladas e tem um ambiente super agradável, com as mesinhas em um jardim bonito e o atendimento mais simpático da ilha. A dona, a Nat, é quem também serve às mesas, atende os clientes e sempre tem um sorriso e algo de bom a dizer pra todo mundo. Eles ficam abertos das 08:00 às 15:00 e das 18:00 às 22:00, o que é um horário de funcionamento diferente dos outros estabelecimentos de Phi Phi, que geralmente ficam abertos das 08:00 às 22:00 ou 23:00. As opções de almoço e jantar são bem gostosas, um dos melhores “pad thais” da ilha e a sopinha de cogumelos também é bem gostosa, mas o forte deles mesmo é o café-da-manhã.

Os preços são um pouco salgados em comparação aos dos outros restaurantes, mas a apresentação dos pratos é caprichadíssima e os ingredientes são sempre frescos e de boa qualidade.

Cosmic

mac and cheese cosmic

Pensando na frequência com que eu fazia minhas refeições nesse restaurante, algo como três a quatro vezes por semana, me dei conta de que ele é o meu preferido. Os garçons até já me conheciam e quando me viam entrar já falavam: Take away adventure club? pois já sabiam que eu iria pedir para que eles entregassem a comida no trabalho.

O Cosmic tem o cardápio mais vasto da ilha, desde comida tailandesa até israelense, passando por inglesa, italiana e francesa, de modo que você sempre vai encontrar algo que te apeteça e a preços bem módicos. As pizzas são bem gostosas, o mac and cheese também e as massas supriram muito bem minha carência de macarrão. É claro que não são deliciosas, na verdade fariam um gourmet torcer bem o nariz, mas eu achava bem gostosas.

Há duas unidades em Phi Phi, a maior é um pouco mais barata do que a menor e os cardápios são exatamente iguais.

Pum

 

Fotos gentilmente cedidas pela amiga Yara

Fotos gentilmente cedidas pela amiga Yara

É, o nome é mesmo péssimo – fica pior ainda quando a gente descobre que é o nome da dona e chef do restaurante – mas a comida é uma das mais gostosas da ilha. O cardápio, só de comida tailandesa, é bem restrito mas só tem boas opções e o melhor de tudo é que você pode aprender a fazer todos os pratos. No mesmo lugar funciona a escola de culinária deles, que oferece cursos curtinhos. Durante todo o tempo que eu estive em Phi Phi sempre pensei em fazer o curso e acabei nunca fazendo, agora acho que vou ter que voltar lá…

O preço é um pouco mais caro que o dos outros restaurantes, então eu não comia lá com muita frequência, o que era uma pena.

Anna’s

Clientes israelenses e eu, comemorando o ano novo judaico em grande estilo!

Clientes israelenses e eu, comemorando o ano novo judaico em grande estilo!

O queridinho dos estrangeiros que moram na ilha e querem dar um tempo de comer pad thai, pena que não seja um daqueles restaurantes onde se possa comer todos os dias. O cardápio é composto praticamente apenas por pratos de culinária ocidental, todos muito gostosos, especialmente o hambúrguer. Lá foi onde fiz uma das melhores refeições  durante meu tempo de Tailândia, foi o jantar de aniversário de uma das instrutoras que trabalhava conosco; um frango assado com legumes e yorkshire pudding de lamber os beiços.

 PP Pizza House

Phi Phi pizza house

Se a Torre de Babel tivesse sido terminada e houvesse um restaurante no topo, o restaurante seria esta pizzaria israelense que pertence a uma tailandesa católica. Foi onde eu fiz minha primeira refeição em Phi Phi e acertei na escolha; a pizza pan é muito parecida com a que tem na casa da minha avó às sextas-feiras, bem aquilo que os americanos chamam de comfort food. O falafel também é uma delícia e é super bem servido, o Josh gostava do frango à milanesa (chicken schnitzel) e do sanduíche de queijo e tomate.

Preços bem razoáveis para a ilha, só o atendimento é um pouco lento.

Breaker’s

Foi onde eu descobri o que é o tal “tradicional café-da-manhã inglês” e quase tive todas as minhas artérias entupidas ao ler a descrição. Não me arrisquei a experimentar, porque acho que comer feijão no café-da-manhã é uma heresia, acabei ficando na granola com iogurte mesmo. O sanduíche de atum é bem gostoso e vem com batatinhas fritas.

Os preços são razoáveis.

PP Bakery

O modelo mais lindo do Naonde? posando no mezanino da padaria

O modelo mais lindo do Naonde? posando no mezanino da padaria

A padaria com a localização mais estratégica de Phi Phi, bem no caminho para o píer, é onde eu comprava um croissant ou um donut indo para o barco quase todo dia de manhã. O queijo quente deles é uma delícia, com um pouquinho de alecrim, e os ovos benedict também. O chá verde latte gelado é super gostoso e o iogurte com granola e frutas vermelhas deixou saudades.

Na parte de cima há um mezanino super bacana, com puffs, mesinhas baixas e grama sintética no chão; eu gostava de ir lá para ler e dar uma relaxada.

Phi Phi Kitchen

Sem sombra de dúvidas, foi onde fiz a melhor refeição nos oito meses que passei em Phi Phi! O restaurante pertence aos mesmos donos da escolha de mergulho Phi Phi Diving, um casal de franceses que sempre atende clientes franceses, de modo que o pequeno cardápio é composto apenas por pratos franceses e vem escrito em francês. Logo que eles abriram, passei lá com o Josh e perguntei se eles não teriam um cardápio em inglês. A resposta?

– Infelizmente não temos. Mas, puxa!, que boa idéia! Vamos providenciar. Agora, não tem problema, viu? Se vocês quiserem jantar aqui hoje, nós podemos traduzir o cardápio pra vocês.

Ficamos, é claro, e comemos um belo peito de pato com batatas e bebemos uma taça de vinho tinto cada. Para os padrões de Phi Phi, e nossos salários de divemasters, foi um rombo no nosso orçamento: 550 Baht (cerca de 55 reais) por cabeça. Mas valeu cada Baht!

Calamaro

calamaro resto

Assim como o Cosmic, um dos meus queridinhos da ilha, e com um cardápio bem amplo; eles têm opções de comida tailandesa e ocidental. Comida gostosa e barata, desses onde pode-se comer todos os dias. As bruschettas e a sopa de cogumelos são bem gostosas e o massaman deles é uma delícia!

Papaya

A maior atração do restaurante é o gato que pede pra entrar na geladeira.

A maior atração do restaurante é o gato que pede pra entrar na geladeira.

Outro restaurante de todo dia, o Papaya serve apenas comida tailandesa, sendo o fried garlic o prato mais gostoso deles. O rolinho primavera e a salada de papaya também são bem gostosos, mas o pad thai não é a escolha mais felizes, há mais gostosos na ilha. Preços ok e porções gigantescas, muitos pratos podem ser divididos. É famoso pelo lindo gato cinza, super peludo, que gosta de se refrescar na geladeira. Sim, é o próprio gato quem se senta em frente ao refrigerador e mia pedindo para abrirem a porta para que ele possa entrar!

Amp café

Um pequeno restaurante vizinho da última casa onde morei, o que era super conveniente. Era só descer, pedir a comida e voltar uns dez minutinhos depois para buscar o pedido e comer no quarto, uma beleza! O sanduíche de frango à milanesa era uma delícia e os pratos chineses também.

Os preços eram bons e eu ainda tinha um descontinho por ser vizinha.

Banana Sombrero e Banana Bar

Banana Bar Phi Phi

Na parte de baixo funciona o restaurante mexicano que serve o melhor hambúrguer da ilha, o Banana Sombrero. Das 16h às 18h eles têm o happy hour e todos os nachos saem por apenas 100 Baht (cerca de 10 Reais) e as magaritas por 60 Baht. Não cheguei a provar os outros pratos mexicanos, mas todo mundo que comeu gostou, Josh disse que as fajitas eram bem gostosas.

Na parte de cima funciona o meu bar preferido da ilha, o Banana Bar, que serve os daiquiris mais gostosos! Cada um sai por 140 Baht (cerca de 14 Reais) ou 120, se você tiver o desconto de local. É o bar que a maioria dos mergulhadores frequenta, tem um clima bem descontraído, cheio de mesas de beer pong e uma parte com colchões e puffs. Há também uma parte mais alta, de onde se pode ver o pôr-do-sol e toda noite eles passam um filme às 19h – você pode pedir um filme específico, mas às segundas-feiras eles sempre passam A Praia.

Unni’s

O bagel com salmão defumado no café da manhã também deixou saudades.

O bagel com salmão defumado no café da manhã também deixou saudades.

Um dos restaurantes “chiques” de Phi Phi, talvez “O” restaurante chique de ilha. É um dos poucos com uma decoração mais caprichada, lustres de vidro com pingentes e tudo, e um menu de pratos mais refinados. Infelizmente isso tudo não condizia com a minha realidade de divemaster, de modo que não foram muitas as refeições que fiz lá. A salada de cuscus marroquino e o cheesecake deixaram saudades.

 

Observações

Essa lista não tem a pretensão de ser um guia compreensivo dos restaurantes da ilha, seria muita pretensão minha querer fazer isso e um trabalho hercúleo. É só uma pequena lista dos lugares onde eu costumava comer em Koh Phi Phi, a maioria bastante simples e nada gourmet.

O preço médio das refeições, incluindo uma água ou refrigerante, da maioria dos restaurantes é de 150 Baht (cerca de 15 reais) e é isso que eu tenho em mente quando digo que o “preço é bom”. Uma refeição cara, para os padrões de Phi Phi, é de 300 baht pra cima.

Mergulho

Como fazer um plano de ação de emergência.

September 4, 2014

Meu primeiro contato com o fundo do mar foi durante um Discover Scuba Dive, no dia primeiro de janeiro de 2011 e tudo o que eu precisei fazer para aquele mergulho foi assistir a um vídeo de 20 minutos que explicava os conceitos mais básicos da atividade e do equipamento que eu usaria. Fora isso, ficou tudo sob os cuidados do instrutor que me levou, pela mão porque eu estava com um certo medo. Eu não fazia a menor idéia da função que cada um daqueles visores para os quais ele tanto olhava tinha, ou pra que servia aquele relógio enorme que ia no pulso e mais parecia o relógio que os Power Rangers usavam para se comunicar.

power ranger communicator

Aí eu gostei do fundo do mar, quis ficar e me inscrevi pra fazer o Open Water E o Advanced Open Water assim na sequência mesmo, pra ver se eu virava a pequena sereia logo de uma vez. Eu só não sabia que pra virar sereia a gente tinha que se preocupar tanto assim com questões de segurança. Olhando assim parece tão fácil…

Mas tem pressão, densidade e volume da água e do ar, quantidade de ar no tanque e consumo, é coisa que não acaba mais… Já no curso básico, Open Water Diver, aprendemos que não podemos parar de respirar nem por um minuto, mesmo que o regulador esteja fora da sua boca ou o ar do tanque tenha acabado. Isso porque o ar que está no seu pulmão vai se expandindo à medida em que você sobe de volta à superfície e guardá-lo pode fazer com que seu pulmão se rompa e, bom, ninguém quer que isso aconteça, certo? Aquela subidinha rápida da Ariel quando ela diz que quer ser “part of yooooour wooooorld? Então, pode esquecer, tem que fazer uma parada estratégica de 3 minutos a cinco metros de profundidade pra começar a eliminar o nitrogênio que se acumulou no seu corpinho.

Enfim, neste primeiro curso você aprende a cuidar de você, o que você deve fazer ao se encontrar em uma situação de emergência e como pedir ajuda. É claro que durante os exercícios você também aprende a compartilhar o seu ar com a sua dupla, caso haja necessidade, mas a prioridade neste começo é saber o que e como fazer caso você se encontre em perigo. O que faz todo sentido, diga-se de passagem. É só quando você chega no curso de resgate que vai começar a se preocupar em cuidar de quem mais estiver na água.

curso de resgate

Então, no curso de resgate, além de ensaiar à exaustão possíveis cenários de acidente, há a tarefa de desenvolver um plano de ação de emergência. É verdade que situações como essas são raras, mas não custa nada estar preparado, né? Por isso plano deve conter o maior número possível de informações sobre o barco, o ponto de mergulho e os primeiros procedimentos para as emergências mais comuns. Dei uma pesquisada pela internet quando precisei fazer o meu, misturei os modelos que encontrei até chegar no meu. Coloquei disponível aqui no blog para quem quiser baixar.

Plano de ação de emergência