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Tailândia

Mergulho, Na Gringa, Sobre a vida

Cenas de um casamento embaixo d’água

February 11, 2016

Já contei no post da Restrospectiva que em fevereiro do ano passado meus cunhados se casaram. Eles são instrutores de mergulho e trabalhavam na mesma operadora que o Josh e eu, mas  mas como cuidavam do terceiro escritório da operadora moravam em um hotel afastado do centrinho de Phi Phi. Como a cerimônia e a festa aconteceriam na praia do resort, a Karen queria muito mergulhar para fazer uma sessão de fotos no fundo do mar vestida de noiva. Seria uma espécie de casamento debaixo d’água.

casamento praia

Bebida e mergulho não combinam, então é claro que não deu certo e tivemos que adiar o plano.

casamento praia

Sem chance dessa gente nada sóbria ir pro fundo do mar

Aproveitamos um dia em que o barco da operadora estivesse praticamente vazio e fizemos toda a produção a bordo do Reef Ranger.

Uma penteadeira improvisada.

Uma penteadeira improvisada.

casamento embaixo d'água

Logística

A parte mais complicada da sessão de fotos era a logística de levar o equipamento e manter o glamour de uma sessão de fotos de casamento ao mesmo tempo. É quase impossível conciliar os dois. Observe:

Elegante #sqn

Elegante #sqn

 Tudo isso que eu estou usando é necessário para a minha segurança e bem estar debaixo d’água. Mas como respirar e ficar bonita ao mesmo tempo estando no fundo do mar?

Lastro: Resolvemos a situação colocando o lastro da Karen por baixo do vestido e o do Chris no cinto que ele estava usando.

lastro

Ar: Questão de sobrevivência e prioridade número um. Mas e a feiura que é um regulador na boca? Como evitar? Amarramos um tanque com um regulador a uma corda para que ficasse na altura dos noivos. A idéia era respirar um pouco, largar o regulador, bater a foto e respirar novamente. Mas e como isso funciona quando aplicamos a regra número um do mergulho? “Nunca segure a respiração”. Resolvemos o problema mantendo uma profundidade de uns 4 metros, o que não é um despropósito. Quem faz apinéia chega a esta profundidade e se mantém por alguns segundos debaixo d’água sem riscos. Essa profundidade garantiria a segurança dos pulmões de todo mundo.

Jade, a fotógrafa, e eu estávamos com nossos equipamentos completos. Assim poderíamos estar à disposição do Chris e da Karen caso eles precisassem de ar a qualquer momento.

Máscaras: Junto com o regulador, as máscaras de mergulho são capazes de embarangar até a Gisele Bündchen. Como assistente da fotógrafa fiquei responsável por segurar as máscaras dos cunhados durante os cliques.

Nadadeiras: Essenciais para uma boa movimentação debaixo d’água, mas longe de serem os sapatos ideias para roupas de casamento. Foram cortadas das fotos dependendo do ângulo ou simplesmente passadas para mim e depois devolvidas a eles.

Quando tudo isso estava muito bem combinado com nós quatro tiramos uma última foto antes de pularmos no mar.

Uma última foto antes de todo mundo cair na água

Uma última foto antes de todo mundo cair na água

TCHIBUM!

Dá pra ver como ficou o tanque reserva dos noivos? Amarrado a uma corda e sempre próximo deles.

Dá pra ver como ficou o tanque reserva dos noivos? Amarrado a uma corda e sempre próximo deles.

casamento debaixo d'água

O ponto de mergulho onde as fotos foram feitas, Hin Bida, é famoso pelos tubarões leopardo (Leopard Shark) que nadam por ali. Como tínhamos de contar com a boa vontade da natureza sabíamos que havia a chance de não aparecer ninguém, mas estávamos bem esperançosos. E não é que logo ouvimos o Chris tentando chamar nossa atenção e apontando freneticamente em direção a esse bonitão?

leopard shark

Ele veio nadando todo tranquilo, sem a menor idéia do furor e alegria que estava causando. Veio vindo todo despreocupado e passou BEM NA FRENTE dos noivos!

casamento debaixo d'água

Dá pra acreditar na sorte deles? Em como o mar foi generoso ao dar este presente de casamento?

Dá pra acreditar na sorte deles? Em como o mar foi generoso ao dar este presente de casamento?

Depois disso nos concentramos em fotografar os noivos, já que não era possível garantir um clique melhor do que estes.

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Foto tirada pela Jade

Algumas considerações:

Uma sessão de fotos como esta faz a alegria de qualquer casal de mergulhadores! Não deve ser difícil conseguir uma parecida em qualquer região onde a indústria do mergulho seja forte. Nós nunca tínhamos feito algo parecido na operadora onde trabalhei em Phi Phi, mas é apenas uma questão de conversar e acertar os detalhes. O mais importante é que os noivos sejam mergulhadores certificados E experientes. Não recomendo para quem nunca mergulhou ou tem pouca experiência, aliás imagino que nenhuma operadora séria ofereceria este tipo de serviço para clientes não credenciados.

Não saberia dizer o valor deste tipo de serviço, pois nós fizemos as fotos como um presente para os meus cunhados.

*Todas as fotos, exceto as fotos em que apareço e as sinalizadas, foram tiradas por mim.

Di cumê, Na Gringa

Onde comer em Koh Phi Phi

September 7, 2015

Debates internos à parte, este pequeno guia devia ter sido publicado há muito mais tempo, lá pra abril, mas ao tentar salvá-lo e perder quase metade de tudo que já tinha escrito fiquei com má vontade de retomá-lo. Assim, ele ficou engavetado para aparecer pra vocês agora!

Fiquei um bom tempo debatendo internamente comigo mesma o quanto eu deveria escrever esse post. Falando assim, parece até que vou abordar um tema super polêmico, mas esse é só um post sobre onde comer em Koh Phi Phi e não sobre a legalização do aborto; sinto desapontar quem acreditou que veria este circo pegar fogo. A razão disso ter gerado um certo conflito comigo mesma ao sentar pra redigir o texto foi o fato de achar esse tipo de “post guia” – com diquinhas de lugares imperdíveis – um negócio meio chato. Especialmente porque o que é imperdível para mim, pode ser perdível para você, mas dar recomendações também é parte das funções de um blog de viagens, não? Então vamos a elas!

Como em Phi Phi ninguém tem cozinha em casa – o suprassumo do luxo é ter uma geladeira no quarto e um ou outro eletrodoméstico tipo grill ou torradeira – todo mundo tem que ir comer fora, o que nos força a conhecer muitos dos restaurantes da ilha. Assim que cheguei na Tailândia me empanturrei de “pad thai” e arroz frito, crente que passaria meses me alimentando apenas de comida tailandesa, que era tudo uma delícia e que eu jamais procuraria comida ocidental durante o tempo que morasse na ilha. A verdade? Não só não aconteceu, como houve dias em que eu daria um rim por um McFish com batatinhas e uma casquinha de baunilha de sobremesa, ou uma tortinha de maçã.

Grand PP Arcade

Grand PP Arcade

Fica bem pertinho da rua que leva à praia das baladas e tem um ambiente super agradável, com as mesinhas em um jardim bonito e o atendimento mais simpático da ilha. A dona, a Nat, é quem também serve às mesas, atende os clientes e sempre tem um sorriso e algo de bom a dizer pra todo mundo. Eles ficam abertos das 08:00 às 15:00 e das 18:00 às 22:00, o que é um horário de funcionamento diferente dos outros estabelecimentos de Phi Phi, que geralmente ficam abertos das 08:00 às 22:00 ou 23:00. As opções de almoço e jantar são bem gostosas, um dos melhores “pad thais” da ilha e a sopinha de cogumelos também é bem gostosa, mas o forte deles mesmo é o café-da-manhã.

Os preços são um pouco salgados em comparação aos dos outros restaurantes, mas a apresentação dos pratos é caprichadíssima e os ingredientes são sempre frescos e de boa qualidade.

Cosmic

mac and cheese cosmic

Pensando na frequência com que eu fazia minhas refeições nesse restaurante, algo como três a quatro vezes por semana, me dei conta de que ele é o meu preferido. Os garçons até já me conheciam e quando me viam entrar já falavam: Take away adventure club? pois já sabiam que eu iria pedir para que eles entregassem a comida no trabalho.

O Cosmic tem o cardápio mais vasto da ilha, desde comida tailandesa até israelense, passando por inglesa, italiana e francesa, de modo que você sempre vai encontrar algo que te apeteça e a preços bem módicos. As pizzas são bem gostosas, o mac and cheese também e as massas supriram muito bem minha carência de macarrão. É claro que não são deliciosas, na verdade fariam um gourmet torcer bem o nariz, mas eu achava bem gostosas.

Há duas unidades em Phi Phi, a maior é um pouco mais barata do que a menor e os cardápios são exatamente iguais.

Pum

 

Fotos gentilmente cedidas pela amiga Yara

Fotos gentilmente cedidas pela amiga Yara

É, o nome é mesmo péssimo – fica pior ainda quando a gente descobre que é o nome da dona e chef do restaurante – mas a comida é uma das mais gostosas da ilha. O cardápio, só de comida tailandesa, é bem restrito mas só tem boas opções e o melhor de tudo é que você pode aprender a fazer todos os pratos. No mesmo lugar funciona a escola de culinária deles, que oferece cursos curtinhos. Durante todo o tempo que eu estive em Phi Phi sempre pensei em fazer o curso e acabei nunca fazendo, agora acho que vou ter que voltar lá…

O preço é um pouco mais caro que o dos outros restaurantes, então eu não comia lá com muita frequência, o que era uma pena.

Anna’s

Clientes israelenses e eu, comemorando o ano novo judaico em grande estilo!

Clientes israelenses e eu, comemorando o ano novo judaico em grande estilo!

O queridinho dos estrangeiros que moram na ilha e querem dar um tempo de comer pad thai, pena que não seja um daqueles restaurantes onde se possa comer todos os dias. O cardápio é composto praticamente apenas por pratos de culinária ocidental, todos muito gostosos, especialmente o hambúrguer. Lá foi onde fiz uma das melhores refeições  durante meu tempo de Tailândia, foi o jantar de aniversário de uma das instrutoras que trabalhava conosco; um frango assado com legumes e yorkshire pudding de lamber os beiços.

 PP Pizza House

Phi Phi pizza house

Se a Torre de Babel tivesse sido terminada e houvesse um restaurante no topo, o restaurante seria esta pizzaria israelense que pertence a uma tailandesa católica. Foi onde eu fiz minha primeira refeição em Phi Phi e acertei na escolha; a pizza pan é muito parecida com a que tem na casa da minha avó às sextas-feiras, bem aquilo que os americanos chamam de comfort food. O falafel também é uma delícia e é super bem servido, o Josh gostava do frango à milanesa (chicken schnitzel) e do sanduíche de queijo e tomate.

Preços bem razoáveis para a ilha, só o atendimento é um pouco lento.

Breaker’s

Foi onde eu descobri o que é o tal “tradicional café-da-manhã inglês” e quase tive todas as minhas artérias entupidas ao ler a descrição. Não me arrisquei a experimentar, porque acho que comer feijão no café-da-manhã é uma heresia, acabei ficando na granola com iogurte mesmo. O sanduíche de atum é bem gostoso e vem com batatinhas fritas.

Os preços são razoáveis.

PP Bakery

O modelo mais lindo do Naonde? posando no mezanino da padaria

O modelo mais lindo do Naonde? posando no mezanino da padaria

A padaria com a localização mais estratégica de Phi Phi, bem no caminho para o píer, é onde eu comprava um croissant ou um donut indo para o barco quase todo dia de manhã. O queijo quente deles é uma delícia, com um pouquinho de alecrim, e os ovos benedict também. O chá verde latte gelado é super gostoso e o iogurte com granola e frutas vermelhas deixou saudades.

Na parte de cima há um mezanino super bacana, com puffs, mesinhas baixas e grama sintética no chão; eu gostava de ir lá para ler e dar uma relaxada.

Phi Phi Kitchen

Sem sombra de dúvidas, foi onde fiz a melhor refeição nos oito meses que passei em Phi Phi! O restaurante pertence aos mesmos donos da escolha de mergulho Phi Phi Diving, um casal de franceses que sempre atende clientes franceses, de modo que o pequeno cardápio é composto apenas por pratos franceses e vem escrito em francês. Logo que eles abriram, passei lá com o Josh e perguntei se eles não teriam um cardápio em inglês. A resposta?

– Infelizmente não temos. Mas, puxa!, que boa idéia! Vamos providenciar. Agora, não tem problema, viu? Se vocês quiserem jantar aqui hoje, nós podemos traduzir o cardápio pra vocês.

Ficamos, é claro, e comemos um belo peito de pato com batatas e bebemos uma taça de vinho tinto cada. Para os padrões de Phi Phi, e nossos salários de divemasters, foi um rombo no nosso orçamento: 550 Baht (cerca de 55 reais) por cabeça. Mas valeu cada Baht!

Calamaro

calamaro resto

Assim como o Cosmic, um dos meus queridinhos da ilha, e com um cardápio bem amplo; eles têm opções de comida tailandesa e ocidental. Comida gostosa e barata, desses onde pode-se comer todos os dias. As bruschettas e a sopa de cogumelos são bem gostosas e o massaman deles é uma delícia!

Papaya

A maior atração do restaurante é o gato que pede pra entrar na geladeira.

A maior atração do restaurante é o gato que pede pra entrar na geladeira.

Outro restaurante de todo dia, o Papaya serve apenas comida tailandesa, sendo o fried garlic o prato mais gostoso deles. O rolinho primavera e a salada de papaya também são bem gostosos, mas o pad thai não é a escolha mais felizes, há mais gostosos na ilha. Preços ok e porções gigantescas, muitos pratos podem ser divididos. É famoso pelo lindo gato cinza, super peludo, que gosta de se refrescar na geladeira. Sim, é o próprio gato quem se senta em frente ao refrigerador e mia pedindo para abrirem a porta para que ele possa entrar!

Amp café

Um pequeno restaurante vizinho da última casa onde morei, o que era super conveniente. Era só descer, pedir a comida e voltar uns dez minutinhos depois para buscar o pedido e comer no quarto, uma beleza! O sanduíche de frango à milanesa era uma delícia e os pratos chineses também.

Os preços eram bons e eu ainda tinha um descontinho por ser vizinha.

Banana Sombrero e Banana Bar

Banana Bar Phi Phi

Na parte de baixo funciona o restaurante mexicano que serve o melhor hambúrguer da ilha, o Banana Sombrero. Das 16h às 18h eles têm o happy hour e todos os nachos saem por apenas 100 Baht (cerca de 10 Reais) e as magaritas por 60 Baht. Não cheguei a provar os outros pratos mexicanos, mas todo mundo que comeu gostou, Josh disse que as fajitas eram bem gostosas.

Na parte de cima funciona o meu bar preferido da ilha, o Banana Bar, que serve os daiquiris mais gostosos! Cada um sai por 140 Baht (cerca de 14 Reais) ou 120, se você tiver o desconto de local. É o bar que a maioria dos mergulhadores frequenta, tem um clima bem descontraído, cheio de mesas de beer pong e uma parte com colchões e puffs. Há também uma parte mais alta, de onde se pode ver o pôr-do-sol e toda noite eles passam um filme às 19h – você pode pedir um filme específico, mas às segundas-feiras eles sempre passam A Praia.

Unni’s

O bagel com salmão defumado no café da manhã também deixou saudades.

O bagel com salmão defumado no café da manhã também deixou saudades.

Um dos restaurantes “chiques” de Phi Phi, talvez “O” restaurante chique de ilha. É um dos poucos com uma decoração mais caprichada, lustres de vidro com pingentes e tudo, e um menu de pratos mais refinados. Infelizmente isso tudo não condizia com a minha realidade de divemaster, de modo que não foram muitas as refeições que fiz lá. A salada de cuscus marroquino e o cheesecake deixaram saudades.

 

Observações

Essa lista não tem a pretensão de ser um guia compreensivo dos restaurantes da ilha, seria muita pretensão minha querer fazer isso e um trabalho hercúleo. É só uma pequena lista dos lugares onde eu costumava comer em Koh Phi Phi, a maioria bastante simples e nada gourmet.

O preço médio das refeições, incluindo uma água ou refrigerante, da maioria dos restaurantes é de 150 Baht (cerca de 15 reais) e é isso que eu tenho em mente quando digo que o “preço é bom”. Uma refeição cara, para os padrões de Phi Phi, é de 300 baht pra cima.

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Watersports experience – o passeio mais legal de Koh Phi Phi

March 27, 2015

Uma das minhas amigas mais queridas aqui em Phi Phi, a Julia, trabalha em uma das muitas agências de viagens da ilha, a Visa Tour, e um dos nossos passa-tempos preferidos é sentar ao balcão onde ela trabalha, tomar uma cerveja e contar os causos dos clientes. As histórias são tantas e tão engraçadas que eu acho que renderiam um livro: tem gente que torce o nariz pro tipo de barco e diz que “de longtail eu não quero ir!”, tem gente que reclama que não viu tubarão quando foi fazer snorkel e quer o dinheiro de volta… Entre um causo e outro, também comentamos as atividades que a maioria dos turistas quer fazer durante os dias que passarão na ilha e como algumas delas nos parecem um gasto inútil de dinheiro ou um programa de índio categoria cinco cocares; são eles o passeio para ver o plâncton que brilha e o Booze Cruise.

Tailândia

As opções de passeio de barco ao redor da ilha são muitas e há para todos os tamanhos de bolso e cocar; vão desde longtail com 25 pessoas por 450 Baht pelo dia inteiro com almoço, criança chorando no barco, até alugar uma lancha privada por 10 000 Baht a diária. Nunca achei a maioria destas opções muito interessante, não sei se por morar aqui e já olhar para as atrações com olhos de local ou por não ver mesmo muita graça em ficar sóbria no meio de um monte de gente bêbada em um barco – que é o aconteceria comigo caso eu fosse no Booze Cruise. Foi então que a Julia me contou sobre o Watersports Experience e eu me animei para ir.

Entre as muitas coisas que me agradaram no passeio, o horário de início foi uma das que eu mais gostei. Todo mundo se encontra às 10h da manhã no Banana Bar para tomar café da manhã, de modo que pude me dar ao luxo de dormir até um pouquinho mais tarde, algo muito raro na minha vida de mergulhadora – o barco da escola para a qual eu trabalho sai do píer às 7h.

watersports experience

Assim que todo mundo termina o café em estilo inglês, torradas com ovo frito e feijão, o Kirby anota o que cada um quer comer no almoço, há umas cinco ou seis opções de comida tailandesa, e nos explica a programação do dia. Umas 11:30 todo mundo vai para o píer e a lancha sai em direção à primeira parada, Monkey Beach para ver a praia e os macacos, sempre tomando cuidado ao se aproximar deles, já que eles podem morder se sentirem ameaçados. Eu, apesar de ponte-pretana desde criancinha, não sou a pessoa que mais curte macacos no mundo, tenho medo de levar mordida e não quero tomar mais uma dose de vacina antirrábica, então fiquei de boas no barco batendo um papo com a Julia.

Monkey Beach

A segunda parada é no meu lugar preferido de toda ilha; Phi Leh Lagoon para nadar, tomar uma cervejinha na água e experimentar a atividade que eu mais queria: Stand-up paddle, ou SUP, para os íntimos. Assim que chegamos na lagoa o Chris, nosso guia, mostrou a todo mundo um jeito engraçadíssimo e muito eficiente de se usar um colete salva-vidas para tomar uma cerveja na água de maneira confortável: vesti-lo como se fosse uma fralda, colocando os pés pelos buracos onde se colocam os braços. Eu preferi cair na água só de biquíni mesmo e aproveitar a liberdade de não ter a roupa de mergulho colada em mim. Foi então que eles trouxeram as pranchas e os remos e a brincadeira começou. Precisei de algumas tentativas até conseguir me equilibrar de joelhos em cima da prancha e remar um pouquinho, sempre cuidando para não bater na cabeça de ninguém. Depois que já estava dominando todo o meu equilíbrio, que é muito pouco, sobre os joelhos resolvi que estava ousada o suficiente para tentar ficar em pé. Caí.

watersports experience

Tentei mais algumas vezes, sempre caindo e voltando para cima da prancha. No fim das contas até consegui arriscar umas remadinhas em pé e não fiz tão feio assim. Pena que só tem um outro lugar em Phi Phi que oferece o tal do SUP e a um preço bastante salgado para o meu gosto, de modo que não sei quando terei outra oportunidade. Pelo menos valeu pra matar a curiosidade, achei tão legal quanto imaginei que seria.

watersports experience

 

Saindo de lá nós fomos até Loh Sama Bay para pularmos das pedras no mar, uma das atividades mais procuradas aqui em Phi Phi. Há uma escada feita de corda pela qual se sobe até as pedras. Eu, pateta que sou, não tive força suficiente para conseguir subir e só fiquei olhando todo mundo e sentindo uma pontinha de inveja… Todo mundo que pulou adorou.

watersports experience

Lá pelas 14:30 fizemos nossa parada para o almoço em Maya Bay A lancha para bem próxima a uma pequena praia do lado oposto da Maya Beach, a famosa faixa de areia do filme A Praia. Lá o Chris distribuiu a marmitinha de cada um e ficamos um tempinho só relaxando e curtindo o lugar.

Depois do almoço fomos até Malong procurar pelas tartarugas. Cada um recebe uma máscara e um snorkel, eu fui espertinha e levei os meus, e segue o Chris. Antes de entrar na água ele explicou onde iríamos nadar e como procurar por elas, fiquei muito feliz com a ênfase que ele colocou em “não pode encostar nas tartarugas!”. Infelizmente não tivemos sorte e não conseguimos encontrar nenhuma, então logo fomos para a penúltima parada, Palong, para procurarmos pelos tubarões. Lá tivemos mais sorte e eu vi bem uns quatro ou cinco Blacktips, além de uma lagostinha e outros peixinhos coloridos.

watersports experience

black tip reef shark

O último lugar a ser visitado é Tonsay Bay, onde acontece a parte dos esportes aquáticos que dá nome ao passeio. Eles nos dão três opções e nós podemos escolher uma entre: subir em uma bóia puxada pela lancha, wakeboard ou esqui aquático. Encarando a dura realidade de que eu não tive força suficiente no braço pra subir em uma escadinha feita de cordas, aceitei de bom grado que a bóia seria a minha melhor opção, pois eu jamais seria capaz de aguentar o tranco de segurar na corda do wakeboard por mais de alguns poucos segundos. Mas eu não tenho do que me queixar, foi mega divertido!

watersports experience

Três pessoas mais o Chris podem ir de cada vez, ele se senta no fundo e vai filmando tudo até o momento em que todo mundo cai na água, que é a parte mais legal. O cenário vai ficando também cada vez mais bonito com o pôr-do-sol que vai colorindo a paisagem com tons de laranja e amarelo. Enquanto isso dá pra tomar uma última cervejinha e curtir a paisagem.

watersports experience

watersports experience

Quando a última pessoa cai do esqui é hora de voltarmos para o píer. Lá pelas 20:30h, depois de um bom banho e descansar um pouquinho em casa, o grupo se reúne para jantar no Banana Bar e então ver a filmagem do passeio.  Foi, de longe, uma das atividades mais legais que eu já fiz aqui na ilha e recomendo pra todo mundo que procura por um tour de dia inteiro por Phi Phi. Você pode marcar o passeio com o Chris e o Kirby no Banana Bar mesmo ou nas agências de turismo espalhadas pela ilha, o preço é de 2500 Baht e inclui o transporte, as refeições e bebida à vontade no barco (cerveja, refri, chá gelado e água).

Os meninos fizeram a gentileza de me ceder os vídeos do dia em que fiz o passeio.

Este post NÃO é um publieditorial, recomendei porque gostei mesmo!

 

Na Gringa

Hotsprings in Krabi, ou as termas salgadas de Krabi

March 16, 2015

Nossa comunidade de mergulhadores em Phi Phi, apesar de grande, é bastante próxima. Todo mundo conhece todo mundo, sabe da vida de todo mundo e, o melhor de tudo, costuma ser amigo de todo mundo; por isso estranhei quando não vi meu amigo Zohar andando pelas ruas por alguns dias. Então, assim que encontrei com o irmão dele, também meu amigo, perguntei por onde ele andava.

– O Zohar está no hospital em Phuket, está com muita dor nas costas e ninguém consegue descobrir o que está causando o problema. Faz uns três dias que ele está fazendo um monte de exames e nada.

Fiquei preocupada, mandei mensagem, perguntei se precisava de alguma coisa daqui, mandei uns vídeos engraçados no whatsapp pra ele se divertir e mantive contato até ele voltar pra Phi Phi, uma semana depois. Ele e a Sachi, sua esposa, passaram pela loja num dia em que eu estava de bobeira e me contaram toda a saga deles no hospital de Phuket e que agora estavam procurando um massagista fantástico que eles conheciam de outras temporadas na ilha. Me disseram que o homem era simplesmente fabuloso, que da última vez que o Zohar tinha tido o mesmo problema nas costas já estava trabalhando dois dias depois de uma sessão com ele. Isso atiçou minha curiosidade, já que eu vivo em busca da melhor massagem em Phi Phi – tema que ainda vai render um post aqui no blog. Acontece que eles não estavam conseguindo encontrar o tal do massagista milagroso. Paciência.

Uns dias depois o Zohar e o Raz, irmão dele, apareceram na loja e me contaram que finalmente haviam encontrado o massagista; ele estava trabalhando em um parque de águas termais em Krabi e os meninos logo fariam uma viagem até lá para ver se ele poderia dar um jeito nas costas do Zohar. Me animei e disse que queria ir junto, que era só eles me dizerem o dia e eu arrumava a mala! Pra quem não tem muita idéia de geografia tailandesa, Krabi é o município em terra firme ao qual Phi Phi pertence, cerca de duas horas de balsa.

Uns dias depois confirmaram a data da viagem e lá fomos nós! Segunda-feira passada, às 08:30 da manhã estávamos Zohar, Sachi, Raz e eu no píer de Phi Phi para tomar a balsa rumo a Krabi, onde o massagista estaria nos esperando. Assim que chegamos ele nos levou a um restaurante e depois fomos até à casa dele, onde a sessão de tortura massagem aconteceu.

Krabi

O primeiro da fila, é claro, foi o Zohar e eu preciso dizer que vê-lo fazendo caras e bocas enquanto era amassado, puxado e apertado pelo tailandês não foi nada animador. Mas eu não tinha ido até Krabi pra desistir, me enchi de coragem e resolvi que ia encarar custasse o que custasse. E, olha, rapaz, acho que eu nunca senti tanta dor durante uma sessão de massagem em toda minha vida! O homem apertou músculos que eu nem sabia que eu tinha no meu corpo, em especial um que fica logo abaixo do joelho na parte de trás da perna. Ele nos contou que a maioria dos mergulhadores sente muita dor nesta região por causa do movimento que fazemos com o pé-de-pato e eu quase desisti da carreira neste momento. Mas eu saí de lá como se estivesse andando nas nuvens.

Ângela Goldstein

Quando a sessão de massagem já havia terminado, lá pelas 17h, e o sol já havia abaixado fomos para as termas salgadas de Krabi. Eu já havia visitado parques de águas termais duas vezes na vida, em Poços de Caldas e em Caxambu, e me lembrava mais ou menos do esquema de cada um dos lugares. Em Poços fui à piscina do Palace Hotel, que é coberta, toda feita de mármore, em estilo greco-romano e bem bonita, como todo o hotel. Estive lá com uma amiga nas férias de 1997 e me lembro que fomos de maiô, porque no auge dos nossos onze anos nós tínhamos um pouco de vergonha de usar biquíni, sem contar que era mais confortável pra correr de um lado para o outro. Já em Caxambu o esquema era diferente, o balneário era composto por salinhas individuais, cada uma com a sua própria banheira, nada do piscinão coletivo, e cada tipo de banho tinha um tempo diferente de duração de acordo com sua função (relaxamento, tratamento de pele etc..). Fiquei pensando em qual categoria as termas salgadas de Krabi se encaixariam.

Em nenhuma!

saline hotsprings krabi

Elas são a céu aberto! Nada de construções bonitas, acabamento fino e quetais, elas ficam bem no meio de um parque grande e são rodeadas de árvores. Gostei da idéia do contato direto com a natureza. Eu nunca fui a Caldas Novas, mas imagino que as de Krabi sejam parecidas com as de Goiás pelo que já vi em fotografias.

Mas não é só a estrutura que é completamente diferente dos parques brasileiros, o código de vestimenta é ainda mais. O sul da Tailândia é predominantemente muçulmano (em Phi Phi há duas mesquitas e nenhum templo budista), de modo que praticamente todo mundo que estava nas termas naquela tarde – nós quatro éramos os únicos estrangeiros – era muçulmano e estava vestido recatadamente. Algumas das mulheres estavam, inclusive, de véu na piscina. Dei graças a D’us de ter pensado em levar uma camiseta e um shorts ao invés de ir só de biquíni. E aqui vai outra curiosidade sobre a Tailândia: apesar de o país ter uma imagem de turismo sexual muito forte, a grande maioria dos tailandeses é bem recatada e não vê com bons olhos as roupas curtas e justas que os turistas usam. Assim, se você pretende ir a uma praia frequentada mais por locais do que por turistas, é bom ir com uma roupa mais recatada, nada de biquíni muito pequeno e nem pense em fazer um topless.

Nosso massagista-motorista nos mostrou as piscinas e disse para prestarmos atenção no que ele faria para repetirmos em seguida. O primeiro passo é tomar uma ducha de água fria para limpar o corpo, depois é chegar perto da fonte principal, pegar um baldinho cheio de água BEM quente e jogar no corpo, pode ser da cabeça ou do pescoço pra baixo.

saline hotsprings krabi

Depois disso o uso das piscinas está liberado, com a recomendação de começarmos pela que tem a água menos quente. Entramos os quatro e ao nos assustarmos com o tanto que a água estava quente colocamos os braços na água pra ver quantos graus o computador de mergulho de cada um marcava. A média foi de 40 graus! Logo o massagista veio nos avisar que o tempo máximo de permanência é de 3 minutos em cada piscina, depois disso é necessário fazer um intervalo de 5 minutos e aí pode entrar outra vez. Olha, acho que mesmo que ele não tivesse avisado, viu? Eu não consegui ficar mais do que 2 minutos em cada uma delas.

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Lá pelas 18:30, quando já estávamos parecendo uvas passas de tanto que ficamos na água e o sol já tinha ido embora, nós também fomos. Jantamos com o massagista-motorista em um mercado noturno e depois ele nos levou ao hotel, onde ficamos divididos no “quarto rosa pras meninas” e “quarto azul para os meninos”. Foi tão clichê que só faltou fazermos uma guerra de travesseiros e brincarmos de gato-mia, mas como nós já somos mais grandinhos tomamos umas cervejas mesmo. Todo mundo foi pra cama cedo, pois o dia seguinte começaria às 07:00 da manhã, com mais uma sessão de piscinas para mim, Sachi e Raz e mais uma sessão de massagem pro Zohar.

Repetimos todo o procedimento de água no baldinho da cabeça pra baixo, entrar na piscina menos quente, fazer o intervalo, ir pra piscina mais quente, fazer o intervalo e depois procurar uma piscina de água mais ou menos quente para ficarmos só curtindo numa boa. Conversa vai, conversa vem, alguém soltou a pergunta:

– Você mergulharia nessa água?

Em unanimidade dissemos que não, nem pensar. Eu só conseguia pensar no quanto que o meu cabelo ficaria duro com todo o sal e minerais da água, o Raz e o Zohar não encarariam o calor e a Sachi disse que teria curiosidade.

krabi hotsprings

A conversa estava boa e a água melhor ainda, mas logo a gente teve que começar a levantar acampamento para pegarmos a balsa de volta para Phi Phi. Antes de irmos ao píer deu tempo para uma rápida paradinha no Makro, onde eu aproveitei pra comprar um belo pedaço que queijo suíço, e fazermos as compras pra um churrasco que estávamos planejando para a sexta-feira.

Em resumo, a viagem foi um sucesso! Só é uma pena que o efeito mágico da massagem já tenha ido embora uma semana depois e que eu esteja voltando pro Brasil tão cedo. Pra quem ficou curioso pra saber se a massagem era mesmo forte, deixo um vídeo pra vocês decidirem.

Na Gringa

Um dia de trabalho em Phi Phi

March 11, 2015

Faltando apenas 9 dias para eu pegar o avião de volta para o Brasil, achei que valeria a pena fazer uma pausa nos posts sobre o Vietnã e contar mais um pouquinho sobre minha vida aqui na Tailândia. Achei que seria interessante mostrar como é um dia de trabalho em Phi Phi, principalmente para quem pensa que eu passo o dia inteiro na praia tomando água de coco. Na verdade a minha rotina é bem diferente disso e às vezes eu passo semanas sem ir à praia, mesmo morando em uma ilha! Não faz o menor sentido, né? Mas acontece.

O ritmo de trabalho aqui é bem puxado, especialmente durante a alta temporada, portanto; pegue uma colher, coloque na boca, ponha um ovo em cima e vem andando comigo, sem deixar cair!

Às seis e meia da manhã, invariavelmente, o despertador toca e nós nos levantamos. Começo a escovar o cabelo para fazer uma trança, coloco o biquíni, uma roupa qualquer por cima e por fim arrumo minha mochila. Ho,je, além da máscara, vai também o snorkel, já que o primeiro passeio do dia é um tour de snorkel por Phi Phi Leh. Quando o Josh termina de se arrumar saímos juntos para o trabalho, hoje ele mergulha de manhã e eu de tarde.

Tonsay Bay

Chegando na loja preciso separar o equipamento para os cinco passageiros que vão comigo no barco; as máscaras, as roupas de neoprene e os pés-de-pato (os mergulhadores mais puristas vão me criticar, dizendo que o nome correto é nadadeira. Não me importo, acho pé-de-pato uma denominação muito mais adequada.). Então eu preparo a cesta com as frutas e as garrafas de água para fazermos o lanche, hoje temos bananas, e que o capitão logo vai passar na loja para buscar e levar até o longtail. Estando tudo pronto, eu só preciso esperar que os clientes cheguem.

propeller

Minha turma de hoje é um grupo de cinco amigos franceses que estão fazendo um semestre de intercâmbio em Macau e vieram passar uns dias de férias na Tailândia. Cada um pega seu pé-de-pato e vamos todos até a praia procurar pelo capitão e o barco, já que não são sempre os mesmos. Como a maré está muito baixa temos que esperar até que possamos sair, já que o longtail está empacado na areia. Os meninos começam a se impacientar e resolvem ir até à padaria mais próxima para comprarem o café-da-manhã. Uns dez minutinhos depois eles voltam com um baita saco de papel pardo e dizem:

– Nós compramos croissants, donuts e uns pãezinhos doces. Cada um pode escolher dois, inclusive você, Ângela. (Não preciso nem dizer que eles ganharam meu coração neste exato momento)

IMG_9032

Finalmente a maré sobre e nós podemos sair. Nossa primeira parada é Malong, onde geralmente vemos tartarugas. Logo em seguida, aproveitando que ainda não chegaram os milhares de turistas, vamos para a famosa Maya Beach. A praia, quando ainda está vazia, é mesmo um cenário de tirar o fôlego; não me espanta nem um pouco que tenham escolhido como cenário de um filme.

Quando o lugar começa a encher nós vamos fazer um pouco de snorkel pela baía. Mas antes é preciso tirar a tradicional foto russa em Maya Bay; é uma brincadeira que eu sempre faço com os clientes quando vamos à Maya Beach. Por algum motivo que desconheço, 70% dos turistas que visitam a praia são russos e eles simplesmente A-D-O-R-A-M posar para fotos. Parece está que estão fotografando um editorial de revista, e a mais clássica pose é essa aqui:

IMG_9074

Eu também entrei na brincadeira e tirei a foto russa:

DSCN4401

Depois de Maya visitamos Loh Sama Bay para mais um pouco de snorkel e peixinhos coloridos.

crown of thorns

Giant clam

sargentinho

Como o barco atrasou para sair, nós também vamos chegar um pouco mais tarde do que o horário normal, o que vai me dar muito pouco tempo para comer alguma coisinha antes de ir para o barco de mergulho. Não falei que os dias aqui tinham ritmo de gincana? O ovo ainda está em cima da colher ou já caiu?

Chegando na loja me despeço dos franceses e combinamos de nos encontrarmos na manhã do dia seguinte para que eu possa dar as fotos do passeio para eles. Assim que eles se vão eu corro para pegar meu cinto de lastro, ver se o equipamento do cliente da tarde já está separado e comer um sorvetinho para repor as energias. Vai ser uma tarde tranquila, pois meu único cliente vai fazer um scuba review – um programa que quem não mergulha há mais de ano precisa fazer para reaprender a montar o equipamento e relembrar alguns exercícios básicos na água.

scuba review

Depois que o equipamento está devidamente montado no tanque, é hora de passar as instruções, demonstrar os exercícios que vamos fazer na água e explicar como vai ser o mergulho. Logo em seguida nos equipamos e caímos na água para começarmos a revisão. Primeiro eu demonstro o exercício, ele observa e depois repete.

scuba review

Tudo ok, começamos o mergulho propriamente dito, pois há muitos peixinhos bonitos esperando para serem vistos!

snappers

nemo

IMG_1948

Também dá pra fazer uma graça quando encontro a amiga fotógrafa

Ângela Goldstein

Assim que atingimos 50 bar é hora de fazermos a parada de segurança e voltar para o barco.

Ângela Goldstein

Entre o primeiro e o segundo mergulho temos por volta de uma hora de intervalo de superfície, tempo necessário para eliminar o excesso de nitrogênio que fica acumulado nos tecidos do nosso corpo. A teoria por trás desse tempinho de descanso é essa, mas a gente sempre acaba usando isso como uma desculpa para comer, tomar sol e colocar a conversa em dia. Na maioria das vezes a vista é essa:

Maya Bay

Na mal, não? Mas não dá pra aproveitar por muito mais do que uma hora. Não demora muito e já é hora de nos equiparmos outra vez para cairmos na água de novo.

Mais nemos…

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Alguns flatworms…

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E também alguns Moorish idols.

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Lá pelas 18h tomamos o rumo do píer de Phi Phi Don, eu já completamente exausta. Assim que chegamos termino de preencher o logbook com meu cliente e vou para casa, para meu merecido descanso. Mais tarde tenho de voltar à loja para ver o que vou fazer amanhã e arrumar as caixas com os equipamentos caso tenha mergulhadores. Jantar rapidinho entre pegar a agenda do dia seguinte, voltar para casa e cair no sono, porque amanhã começa tudo outra vez.

Na Gringa, Sobre a vida

Loucademia de puliça ou: sobre como eu fui parar numa delegacia tailandesa

February 12, 2015

Nem bem eu escrevi um post sobre a idéia fraca que é usar drogas na Ásia, fui parar numa delegacia tailandesa. Antes que minha mãe tenha um ataque do coração, já adianto que não teve a ver com qualquer problema relacionado a tóxico (leia-se tóchico) ou algo grave. E agora vamos começar do começo.

Há dez dias meu ar-condicionado quebrou e desde então a dona do quarto me diz que “em dois dias” ele será consertado. Sabe placa de bar (ou de padaria, ou de mercadinho de bairro) que diz: “Fiado só amanhã”? É exatamente esta a situação que estou vivendo. Não que ela esteja negligenciando a situação completamente, já vieram vários técnicos olhar o aparelho, tiraram foto, encomendaram a peça em Krabi, em Bangkok, desmontaram o bicho inteirinho (o que fez o meu lado dona-de-casa feliz, pois me permitiu limpá-lo bem por dentro, inclusive o filtro) e nada de arrumarem. Ela fez, pelo menos, a gentileza de nos arrumar mais um ventilador – e me surgiu a questão de quantos ventiladores seriam necessários, se é que isso é possível, para que fizessem o mesmo efeito de um ar-condicionado?

Chegamos a ter três técnicos tentando consertar o ar ao mesmo tempo e nada...

Chegamos a ter três técnicos tentando consertar o ar ao mesmo tempo e nada…

Enfim, como o plano para o dia era passá-lo inteirinho fora de casa em um iate de balada aqui em Phi Phi, achei que não era o caso de levar meu telefone. Fiquei com medo de caísse água e estragasse e resolvi deixá-lo em casa, bem em cima da cabeceira da cama. Mas na hora de sair me deu um pressentimento meio ruim, sabe intuição feminina? A própria!

A dona do quarto me disse que o técnico viria novamente esta tarde e eu fiquei meio encafifada na hora em que pensei no pobre telefone abandonado. Como ele já tinha vindo aqui outra vez em um momento em que eu não estava e nós não havíamos dado por falta de nada, acreditei que era só muita desconfiança desnecessária da minha parte e não dei ouvidos à minha intuição.

A primeira coisa que eu fiz quando cheguei em casa foi olhar pra cima da cabeceira da cama e adivinhem o que NÃO estava lá? O meu celular! Olhei de baixo da cama, em cima da penteadeira, abri todas as minhas bolsas e mochilas e as do Josh também, nada do telefone ali dentro. Então desci rapidinho para falar com a responsável – nós moramos em cima de uma loja de roupas e a dona do quarto é também a dona da loja, a Nah. Contei, aos trancos e barrancos, o que tinha acontecido e ela ligou para o marido, já que ele tinha ficado responsável pelo conserto do ar. Ele me pediu para procurar novamente e que logo viria para cá. Enquanto isso usamos o telefone da Nah para chamar o meu e nada, só chamava e ninguém atendia. Fizemos uma nova busca quando ele chegou e nada do celular.

delegacia koh phi phi

Por fim nos lembramos da tal da ferramenta “Buscar o meu iPhone” e a primeira tentativa deu errado; o telefone aparecia desligado. Fiquei um pouco mais pelo quarto dando uma última procurada e nisso a Nah aparece dizendo que o marido tinha conseguido encontrar meu telefone no aplicativo. Oba! Saí correndo atrás dele e, juntos, fomos seguindo o GPS até onde o pontinho do meu celular estava aparecendo. No meio do caminho nós fomos passando por diversos bares e ele foi juntando um grupo de amigos tailandeses: “Quando a gente encontrar quem está com o seu telefone vamos dar uma coça nele!” Aproveitaram a muvuca para chamarem a polícia também. Nisso, o pontinho ia ficando cada vez mais perto e ao fundo começou a tocar “Gangnam style” – nós estávamos bem próximos à praia das baladas. Eu já estava fazendo todo o texto da busca do telefone pro blog na minha cabeça e pensar que nós chegaríamos, eu e mais 4 tailandeses, pra enfrentar o ladrão de iPhone e ao som de Psy era a cereja do bolo. Não seria possível escrever um texto mais cool do que esse em toda a blogosfera de viagem. Imagina só eu e mais quatro tailandeses andando em formação de Power Rangers em direção ao ladrão de iPhone e recuperando o bichinho com meia dúzia de golpe de Muay Thai! É claro que não rolou, né?

party beach

Era daqui que vinha o Gangnam Style em alto e bom som!

Quando chegamos no lugar onde os pontinhos se encontraram a polícia também chegou e já nem dava mais pra ouvir “Gangnam style”. Ficamos todos ali “com cara de ué”, como diz a minha avó, em frente às casinhas e pensando em como faríamos a abordagem. A polícia não pode simplesmente bater na porta de alguém e dizer: “Viu, tô vendo aqui que o telefone dela está na sua casa”. O jeito foi irmos para a delegacia, que é praticamente pegada à minha casa, e pensarmos em um novo plano. Ao chegarmos lá, o policial pediu para que eu colocasse os meus dados no site da Apple outra vez e, milagrosamente, o meu celular aparecia nas imediações da delegacia. Estranho, muito estranho. Então o marido da Nat, que estava me ajudando com a busca, disse que iria até o meu quarto dar outra procurada e me disse pra ficar na delegacia. Estranho, muito estranho. Achei que isso não fazia sentido nenhum e fui atrás dele, não queria mais gente mexendo nas minhas coisas hoje. Quando cheguei em casa procurei mais um pouquinho perto da cama e vi que ele estava abaixado perto da gaveta onde guardo minhas camisetas, nisso ele pegou o celular dele e me disse que ia tentar chamar o meu número mais uma vez – nós já havíamos feito isso à exaustão e sempre sem sucesso. Não é que dessa vez ele chama a minha atenção e diz que está ouvindo um telefone tocar? E adivinhem de onde vinha o som? Da minha gaveta de camisetas! Estranho, muito estranho.

É claro que eu fiquei felicíssima de ter recuperado meu telefone, não queria ter que lidar com a dor-de-cabeça que seria tentar recuperar todas as informações e nem teria dinheiro suficiente para comprar um iPhone novo, já que não sei se o seguro cobre roubo internacional. Enfim, o que acontece é que eu estava prontinha pra sair acusando o proprietário do quarto de ter pego meu telefone e “plantado” ele novamente quando percebeu que eu não ia ficar quieta e aceitar tranquilamente que o celular havia desaparecido misteriosamente. Só que eu resolvi ficar quieta e guardar a acusação pra mim mesma e isso foi a melhor coisa que eu fiz.

Naquela noite o Josh tinha ido dormir na casa do irmão dele para continuar as comemorações da despedida de solteiro, que já havia começado no iate da balada, e nós só fomos nos encontrar novamente na noite do dia seguinte. Quando ele chegou em casa, comecei a contar tudo o que tinha acontecido e por fim acabei falando que achava muito estranho o celular ter reaparecido milagrosamente quando o cara estava bem próximo da gaveta sendo que a gente tinha tentado ligar várias vezes e nunca tinha escutado o toque. Então o Josh olha pra mim e fala:

– Mas, Ângela, fui eu que coloquei o telefone na gaveta! Justamente porque o técnico do ar vinha e eu fiquei com medo que ele fosse roubar o seu celular!

– Ah, então a gente tem que ir explicar isso pros proprietários do quarto! Eles devem estar achando que eu sou completamente maluca!!!

E foi assim que terminou a minha anedota da visita à delegacia tailandesa, graças a D’us com final feliz e só a minha fama de maluca espalhada pela vizinhança. Mas quem se importa com isso quando percebe que não apenas é possível confiar na honestidade das pessoas, como também contar com a boa vontade dos tailandeses em ajudar a farang atrapalhada? Essa é apenas uma das razões pelas quais eu gosto tanto da Tailândia.

Na Gringa

Koh Tao por escrito

January 22, 2015

Koh Tao é o segundo lugar no mundo a certificar o maior número de mergulhadores anualmente, só perdendo para a Grande Barreira de Corais na Austrália. Você que me lê tem certeza absoluta de que foi justamente isso que eu fui conferir nesta ilha do Golfo da Tailândia quando passei a primeira semana de outubro por lá, não é mesmo? Não vou dizer que o seu pensamento esteja de todo errado, mas não foi exatamente por este motivo que resolvi encarar as duas balsas, o ônibus e as quase 8 horas de viagem que separam as duas ilhas; eu fui participar de um retiro de escritores!

koh phi phi

Estava dando uma zapeada no Facebook quando vi um post da Alex que me chamou muito a atenção, era sobre o retiro de escritores em Koh Tao, que aconteceria no início de outubro. Como ela é uma das blogueiras de viagem que eu mais gosto, achei que valia a pena conferir do que se tratava esse retiro. A bem da verdade é que eu nunca nem tinha ouvido falar nesse tipo de evento para reles mortais como eu, mas qual não foi a minha surpresa ao ler a descrição do retiro e ver que eu me encaixava perfeitamente no público que eles queriam atingir. Quando soube que a Alex apareceria para uma palestra não tive mais dúvidas sobre ir ou não, eu gostaria muito de ouvir o que ela tem a dizer sobre ter um blog de viagens como profissão. Gosto muito de ler os textos dela, me identifico com o seu ritmo nada frenético de viajar e conhecer os lugares por onde passa, além do estilo mochileiro ostentação, economizando em algumas coisas para poder gastar mais em outras, sem aquela neurose mão-de-vaca da maioria dos viajantes que encontro por aí.

A idealizadora do evento, a Erin, mora em Koh Tao há um ano e meio trabalhando como escritora para alguns sites e fotógrafa subaquática para algumas escolas de mergulho da ilha. Depois de se frustrar com os preços da maioria dos retiros para escritores que há por aí, na casa dos miles de dólares, ela resolveu que havia chegado a hora de organizar um que tivesse valores acessíveis a escritores, e aspirantes, com orçamento mais restrito.

koh tao writers retreat

A programação diária é bem bacana e flexível; há aulas de yoga todos os dias pela manhã e logo depois a Erin sempre chegava com pãezinhos deliciosos que a gente comia tomando um bom café, coisa que eu não encontro muito facilmente em Phi Phi e da qual eu estava com a maior saudade. Eu nunca havia feito yoga antes e simplesmente adorei as aulas da Janine, era muito gostoso me sentir completamente relaxada e alongada antes de começar o dia. E eu não fui a única, Abby, a cachorrinha que mora no albergue onde aconteceu o evento, também adorou, ela não podia ver um tapetinho estendido que logo ia se esticar em cima dele.

koh tao writers retreat

Depois do café-da-manhã a Erin conduzia os exercícios de escrita, cada dia com um tema diferente para que fôssemos soltando a criatividade e pensando em temas sobre os quais gostaríamos de escrever futuramente. Essa foi justamente uma das minhas partes preferidas do retiro, uma vez que nosso grupo era composto por quatro pessoas muito pouco parecidas entre si e com objetivos bem distintos. A Janine, a nossa professora de yoga, é americana da Filadélfia, mora em Koh Tao há cerca de seis meses e tem uma loja de sucos e comidas naturais; ela também tem um blog sobre vida saudável que está um pouco abandonado e queria aproveitar a oportunidade pra dar um gás nele. O Ian é canadense e trabalha como barman em Koh Tao há alguns meses, ele gosta de escrever contos e crônicas e queria aproveitar o retiro para finalmente começar a escrever um romance que ele anda ensaiando há tempos e não sai do papel. A Natalie é turca e hoje em dia mora em Israel, ela gostaria de escrever um livro sobre uma viagem que fez para a Espanha com a família dela e outras pessoas que compartilham o mesmo sobrenome em busca da cidade que deu o nome a eles. Por fim tinha eu, brasileira morando em Koh Phi Phi e que gostaria de escrever um blog de viagem bem legal.

Meu escritório por uma semana.

Meu escritório por uma semana.

O fim da primeira sessão acontecia por volta de meio dia com a leitura do que havíamos escrito e o almoço. A tarde era livre para usarmos como bem entendêssemos, a Erin inclusive tinha esquematizado um guia com os melhores cafés de Koh Tao ou praias mais bonitas para buscarmos inspiração. Eu tinha me proposto a usar as tardes para escrever, produzir alguns textos de gaveta para o blog e outros que logo seriam publicados. Acontece que eu tenho um sono terrível depois do almoço, do tipo que já me fez dormir por duas horas depois de ter feito a refeição acompanhada de uma latinha de Red Bull, e eu acabava sempre tirando um cochilo mais comprido do que deveria. No fim da tarde nos reuníamos novamente, muitas vezes para comentarmos sobre o que havíamos feito durante a tarde ou lermos trechos dos textos e ouvir as críticas dos colegas; era um momento bem bacana do dia. Às vezes, ler o texto em voz alta e ouvir os comentários dos colegas é tudo o que a gente precisa para conseguir desempacar um parágrafo e fazer a escrita fluir novamente.

Era aqui que nos reuníamos de tarde.

Era aqui que nos reuníamos de tarde.

No último dia do retiro, ao invés de termos a reunião da tarde, aconteceu a palestra da Alex. A gente tem sempre uma visão um pouco muito glamourizada da vida de blogueiro de viagem, né? Achando que é apenas composta de viagens patrocinadas, quartos de hotéis fantásticos, refeições maravilhosas, um vôo atrás do outro, que todos os passeios são incrivelmente fenomenais, nada dá errado e todo mundo está feliz o tempo todo. Gostei de ouvir a perspectiva dela sobre o assunto, que não é nada fácil e muitas vezes super cansativo, especialmente o ritmo de gincana em que a maioria das viagens acontece.

Deixei Koh Tao cheia de energia e planos, com a meta de publicar dois textos por semana naqui no blog. Como vocês podem ver, foi um fracasso retumbante; não porque a meta tenha sido muito ambiciosa, mas porque eu simplesmente não consegui ter disciplina suficiente para manter o ritmo. O plano para 2015 continua o mesmo de quando voltei para Phi Phi em outubro do ano passado, mas talvez eu precise voltar a Koh Tao e participar de mais um retiro de escritores…

Hospedagem, Na Gringa, Sobre a vida

A saga da acomodação em Phi Phi

January 19, 2015

Como minha permanência na Tailândia sempre teve caráter provisório, a questão “onde morar” nunca foi uma que tenha me tirado o sono. Sabia que seria fácil encontrar um lugar para ficar quando chegasse aqui no final de julho, pois a oferta durante a baixa temporada é sempre grande e minha intenção era passar cerca de três meses por aqui, o tempo que duraria meu curso de divemaster. Escrevi sobre minha primeira acomodação em Phi Phi neste post aqui.

A entrada da minha "humilde residência".

No fim do primeiro mês que estava naquele quarto eu já havia começado a me encher um pouco da escuridão, a única janela que havia dava para um corredor e a luz do dia quase não entrava, do chuveiro frio, do calor que fazia no quarto e do qual do ventilador nem sempre dava conta, da cama dura como pedra, mas principalmente estava cheia da barulheira que os hóspedes dos outros quartos faziam quando voltavam de madrugada. Havia cinco outros quartos no mesmo corredor e a maioria deles era ocupada por mochileiros que iam para a balada todas as noites e sempre chegavam completamente bêbados, berrando e batendo todas as portas. É tudo o que você quer e precisa quando tem que acordar todo dia às 06:15 pra ir mergulhar. A gota d’água aconteceu às quatro da manhã, quando um cara passou, colocando a cara em cada uma das janelas e gritando “Fulana! Você está aí?”. Não me aguentei e disse pra ele fica quieto, que eu tinha que acordar pra trabalhar em duas horas e que ele parasse de incomodar as outras pessoas também. E foi aí que veio o maior desaforo: ” Não estou nem aí se você precisa dormir ou não! Eu estou procurando por uma pessoa que está muito doente e você deveria ter mais respeito!”.  Eu simplesmente respondi: “Meu filho, são quatro horas da manhã em Koh Phi Phi. A essa hora, quem está ‘doente’, está é bêbado e se ela não está na sua cama é porque está na de outro. Cai fora!” Depois dessa verdade jogada na cara o corno ficou manso e quieto, mas eu havia chegado no meu limite de ser acordada pela barulheira alheia.

Uns dias depois meu amigo Federico disse que ele e a namorada iam se mudar pra um quarto novo, com uma janela imensa, ar-condicionado e chuveiro quente numa área bem silenciosa. A secretária da escola onde trabalhamos é que tinha dado a dica pra ele, pois a dona dos quartos era uma amiga dela e o preço seria o mesmo durante a alta temporada também. Não pensei duas vezes e pedi pra ela entrar em contato com a responsável, não queria deixar a oportunidade passar de jeito nenhum. Foi e não foi a maior burrada que eu fiz desde que cheguei na Tailândia.

Por que não foi

Simplesmente porque o quarto era mesmo ótimo. Como havia acabado de ser construído, tudo estava novinho e impecável, o ar-condicionado ainda estava limpinho, a cama era super grande e confortável e eles limpavam a cada quatro dias. E, bom, a vista da janela era essa aqui.

room phi phi

Por que foi

Porque a secretária, hoje ex-funcionária da escola, começou a dar sinais de que a coisa não ia muito bem um pouco depois que eu paguei o depósito inicial para garantir o quarto. Disse que o marido da amiga dela estava reconsiderando alugar os quartos por mês, pois poderia fazer muito mais dinheiro com as diárias que os turistas pagariam durante a alta temporada, mas que a amiga é que era a dona e ela preferia ter gente de confiança permanentemente do que gente entrando e saindo a cada dois dias. Eu deveria ter confiado na minha intuição e pedido meu dinheiro de volta antes de me mudar, mas a preguiça de procurar outro lugar, negociar preço e a insatisfação com a casinha anterior me venceram, de modo que acabei me mudando no começo de outubro. No fim do mês eu viajaria um pouco pela Ásia com uma amiga, como eu não queria deixar o quarto vazio e o Josh estava procurando acomodação, combinei com ele que ele ficaria lá até que eu voltasse das férias e então nós passaríamos a dividir o quarto. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir, nos primeiros dias de novembro, que a dona dos bangalôs havia decidido nos colocar pra fora. Nós pagávamos 18 mil Baht por mês com todas as despesas incluídas e ela poderia, facilmente, cobrar 1500 Baht dos turistas pela diária; é claro que a fofa nos ofereceu a possibilidade de continuarmos lá durante a alta temporada pela módica quantia de 30 mil Baht – que é, mais ou menos, o que eu pagava de aluguel em um apartamento de 50m2 na Berrini. Chegamos à conclusão de que a mulher estava mais louca que o Batman e que deveríamos sair de lá o mais rápido possível. O detalhe? O Josh estava em Phi Phi e eu no Cambodia, então o coitado teve que fazer tudo sozinho; desde encontrar um outro quarto até a nossa mudança toda, o que não foi uma tarefa nada fácil no início da alta temporada.

room phi phi

Passei a noite praticamente em claro, com a cabeça a mil, pensando em tantas possibilidades quantas me ocorreram. E se ele não conseguir achar um quarto vago? E se o único quarto vago que ele achar for muito caro? Vou virar uma sem-teto? Vou ter integrar algum movimento tailandês dos sem-teto? Existe um movimento tailandês dos sem-teto? Vou ter que voltar pro Brasil? Vou ter dinheiro pra voltar pro Brasil? Vou ter trabalho quando eu voltar pro Brasil? E tudo o que eu deixei em Phi Phi? Foi parar no meio da rua? Tudo bem que não era muita coisa, mas mesmo assim. E o Josh? Onde vai morar? Vai ter que voltar pra Inglaterra? Vai conseguir encontrar um quarto novo sozinho? Será que eu vou ter que voltar pra Phi Phi antes do planejado pra ajudá-lo a procurar uma casa? Em resumo, eu parecia um peixe fora d’água enquanto me debatia de um lado para o outro na cama e não conseguia dormir.

Dois dias depois chegou a foto acima e a ótima notícia de que ele havia encontrado um quarto para nós dois. Ufa! Acabara-se a insônia e consegui aproveitar o resto da viagem com a minha amiga. A localização era melhor que a do anterior, mais perto do trabalho e num lugar ainda mais silencioso, já que estaríamos nos fundos. Mas o melhor de tudo é que o preço seria o mesmo durante toda a alta temporada e que nós poderíamos ter o quarto durante todo o período, sem medo de sermos despejados novamente.

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Os pontos de mergulho de Phi Phi – Parte IV

November 27, 2014

O último post da série sobre os pontos de mergulho de Phi Phi se trata de dois dos meus preferidos: o naufrágio Kled Gaeow e Hin Gareng, ambos em alto mar e um pouco distantes da costa leste de Phi Phi Ley.

kled gaeow

Em março deste ano o antigo navio militar Kled Gaeow foi afundado de propósito, a intenção era criar mais um ponto de mergulho por aqui e criar um novo recife artificial que pudesse atrair mais vida marinha; deu muito certo. Agora em novembro, 8 meses depois, o naufrágio já tem dois moradores muito especiais e que há tempos não apareciam por aqui: dois tubarões bambu (Chiloscyllium griseum).

kled gaeow

Ele está situado a 26 metros de profundidade e para chegar até lá é necessário se guiar por uma corda que está atada à proa do navio, já que no início da descida tudo o que se vê é uma imensidão azul. Lá pelos 15 metros se começa a ver o contorno do barco e os cardumes que estão nadando em volta. É impressionante ver como já existe tanta vida marinha no lugar em tão pouco tempo!

Kled gaeow

O tempo de mergulho acaba sendo um pouco mais limitado em torno do Kled Gaeow do que nos outros pontos de Phi Phi por causa da profundidade a que ele está situado. Seja para este não ser um mergulho descompressivo ou por causa do consumo de ar, muito maior quanto mais fundo se vai, não costumamos ficar mais de meia hora nadando em volta do navio. Mesmo mais curtinho, vale muito a pena!

hin gareng

Hin Gareng, um grande recife em mar aberto, um dos poucos pontos onde vemos tubarões leopardo e um dos lugares mais lindos que já vi debaixo d’água. Não é um dos pontos mais visitados, pois depende do tempo estar bom, mar tranquilo, sem vento e pouca correnteza, para que o mergulho valha a pena.

hin gareng

O recife é composto, na verdade, por dois; um menorzinho no centro e um maior ao redor e o mergulho é feito em torno de ambos. Na maioria das vezes encontramos o tubarão leopardo, em algumas ocasiões até dois!, deitado no topo do recife menor ou nadando por ali. Há também algumas sépias, nemos, peixes-leão escondidos em barris de esponja, alguns cardumes de snappers amarelinhos e muitos outros peixes coloridos… As condições naturais de Hin Gareng ainda estão muito mais preservadas do que na maioria dos outros pontos de mergulho de Phi Phi porque há menos gente passeando por aqui. Sabe como é, né? Por mais cuidadosos que nós tentemos ser, acabamos sempre tendo algum impacto na flora e fauna marinhas…

 hin gareng

Adoro o jeito como as sépias olham, parece sempre que estão prestando a maior atenção em tudo ao seu redor ou até mesmo olhando com um certo arzinho de superioridade.

hin gareng

Bom, agora chegou a hora de subirmos a cinco metros, fazermos nossa paradinha de segurança por três minutos e de eu mandar minha bóia pra superfície, pros outros barcos saberem que estes mergulhadores daqui estão prontos pra subir!

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Os pontos de mergulho de Phi Phi – Parte III

November 24, 2014

Koh Phi Phi Ley

Nos últimos dois posts, que foram escritos na época em que ainda se amarrava cachorro com lingüiça, falei sobre o lado leste de Phi Phi Ley e as duas ilhas que ficam ao sul. Continuando nosso passeio pelos pontos de mergulho de Phi Phi, hoje vamos pelo lado leste, mais pertinho de Maya Bay, em Malong e Palong. A topografia de ambos é bastante parecida; o fundo é basicamente composto por cascalho, pedrinhas e areia e há muitos rochedos cheios de corais, alguns deles formando passagens através das quais nós podemos nadar, maior divertido!

Hawksbill turtle

Malong é onde costumamos encontrar tartarugas, na maioria das vezes parece que elas só estão ali nos esperando descer e dar um tchauzinho com a nadadeira. Elas nos olham com uma cara de quem sabe que é super legal, com aquela certeza de que nos fazem muito felizes somente por vê-las, o que é a mais pura verdade. Afinal, como pode alguém não ficar contente em ver uma tartaruga? Elas são lindas demais!

Agora em novembro temos visto muitos polvos por lá também, outro dia apareceu um muito exibido que ficava o tempo todo mudando de cor e mexendo os tentáculos, a coisa mais linda do mundo!

Polvo

Eu e um takoyaki em seu habitat natural.

Malongcommon porcupinefish

nudibranchMalong

Baiacus e nudibrânquios, como o da foto do canto esquerdo inferior, também são facilmente encontrados em Malong.

Já Palong fica um pouco mais ao norte da ilha, logo depois de Malong, e é conhecido por ser o ponto onde costumamos encontrar tubarões. Esse ano, curiosamente, eles parecem todos terem saído de Palong e se refugiado em Maya Bay; há um cantinho na baía onde temos visto cerca de 20 tubarões todos os dias!

tubarão

Palongnudibrânquio

Como os dois pontos são muito próximos, o que se encontra em cada um deles não é muito diferente. Eu sempre gosto de procurar pelos nudibrânquios em meio aos corais e pedras. Muitas vezes também encontramos peixe escorpião, moréias, nemos…

moréiascorpion fish

*Mais uma vez, agradeço ao colega e amigo Federico Poppe pela gentileza de me ceder as fotos para o post!