Na Gringa, Pogramas

Tour astronômico no Atacama; programa imperdível do deserto

January 11, 2016

Quando eu e a Yara resolvemos incluir o Atacama no nosso roteiro que seria exclusivamente boliviano, o primeiro cenário que me veio à cabeça foi os geisers del Tatio e logo em seguida o Vale da Lua. Estes são, provavelmente, os passeios que estão presentes nos roteiros de 9 entre 10 turistas que se dispõem a conhecer o deserto chileno – digo 9 entre 10 porque sempre há quem não queira conhecer os pontos turísticos mais famosos de algum destino. Eu só não imaginava que estes lugares seriam desbancados por algo que está, literalmente, muito acima deles: o céu do deserto do Atacama, o mais limpo do mundo.

Parece papel-de-parede do Windows, mas é só o céu do Atacama mesmo.

Parece papel-de-parede do Windows, mas é só o céu do Atacama mesmo.

Eu só fui me lembrar deste fato, que estava devidamente armazenado em algum canto obscuro da minha memória, na hora em que cheguei a San Pedro e vi um grande cartaz anunciando “Tour astronômico no Atacama” na frente de uma agência de turismo. Eu e a Yara nos olhamos e falamos quase ao mesmo tempo: “Parece bem legal, hein? Vamos? Dizem que o céu daqui é o mais limpo do mundo, tem até observatório da NASA.” Entramos na agência e pedimos mais informações sobre o passeio; o tour seria conduzido por um professor da Universidade de San Pedro, haveria dois telescópios para a observação, uma pausinha para tomar um pouquinho de vinho e pisco sour acompanhados de queijinhos e as explicações dadas teriam base na visão de mundo dos antigos gregos, mitologia atacamenha e também da astronomia contemporânea. Marcamos o passeio para aquela noite mesmo e às 21:00 pegamos o transporte que iria levar nosso grupo todo para o campo onde nos esperavam o professor e o telescópio.

atacama sky

Nosso grupo tinha gente de todos os cantos do mundo e por causa disso o professor contou com a ajuda de uma tradutora, pois o tour é guiado em espanhol. Ele começou nos explicando a razão do céu do Atacama ser tão limpo: é o deserto mais seco do mundo, não há sequer registro de chuvas em algumas partes dele, portanto há muito poucas nuvens. Em seguida nos disse que há algumas estrelas visíveis apenas no hemisfério norte e outras apenas no hemisfério sul, mas que aquela região era um bom meio termo para ver estrelas de ambos hemisférios. Além disso, contou que as visões são diferentes devido à geografia; o norte olha para fora da galáxia e o sul para dentro, o que faz com que os conceitos de astronomia variassem de um povo para outro antigamente, além de questões culturais, é claro. E também ficamos sabendo que o céu é o mesmo há 5000 anos(!), é o mesmo que os fenícios usavam para navegar e os incas para seus calendários, mas que está prestes a mudar.

atacama

À medida em que ele ia nos contando todas estas coisas, ia posicionando um dos telescópios para determinada estrela ou apontando alguma constelação com um super laser verde. Ficamos sabendo que as estrelas vão mudando de cor à medida que vão envelhecendo: estrelas bebês são brancas, jovens são azuis, maduras são amarelas e velhas são vermelhas – nosso sol, amarelo, é uma estrela madura – e quando morrem viram supernovas e depois nebulosas.

atacama

Fizemos nossa pequena pausa para os bons drink e eu fiz uma tentativa frustrada de fotografar o céu com a minha câmera compacta; sem poder ajustar a abertura e a velocidade, saiu tudo um belo breu. Para esse tipo de foto sair boa é necessária uma câmera DSLR ou uma compacta com mais recursos, além de um tripé ou superfície bastante estável, pois o obturador ficará aberto por bastante tempo. Quando estive em Omã, em 2008, tirei esta foto no deserto de Wahiba:

Foi tirada com 4.0 de abertura (a menor que a lente permitia) e 25 segs de exposição, com ISO 3200 e a lente em 18mm.

Foi tirada com 4.0 de abertura (a menor que a lente permitia) e 25 segs de exposição, com ISO 3200 e a lente em 18mm.

Naquela noite também não pudemos contar com a câmera da Yara, que estava sem bateria, o que gerou uma grande tristeza e frustração em ambas. Fiquei de passar meu e-mail para uma menina bem simpática que também estava no nosso grupo mas acabei não conseguindo, chegamos bem tarde em San Pedro e o grupo se dispersou rapidamente depois de descermos do ônibus. Ficamos a ver navios até que descobrimos uma outra agência que organizava um passeio parecido, a Space, e se dedica exclusivamente a este tipo de turismo. Eles oferecem os tours em espanhol e inglês, em diferentes horários e com durações diferentes. Nós não deixamos a oportunidade de conseguir nossas fotos passar e nos inscrevemos no passeio da Space, mas dessa vez optamos pelo tour mais curto, que não inclui o bate papo com o astrônomo no fim.

atacama

Foi muito legal poder fazer os dois passeios, apesar de ambos terem a mesma proposta a execução é diferente e eu diria que ambos se complementam. O tour do professor é bem mais informal, as explicações têm um tom de conversa, é como se estivéssemos olhando as estrelas com um amigo que entende muito do assunto e tem um telescópio super potente e eu adorei o clima. Já o tour da Space é muito mais organizado, com cara de negócio sério, e você percebe isso ao ver os dez SUPER telescópios que eles têm presos ao chão do pátio onde as explicações são dadas. Nossa guia deu praticamente as mesmas explicações que tivemos no tour do professor, mas com menos detalhes, bem menos detalhes na verdade, e mais rapidamente. Como na Space há um grupo começando logo após o outro, o tempo que temos em cada telescópio é contado. No fim do tour, todos temos direito a uma bebida quente (chocolate ou chá) antes de irmos embora.

atacama

Entre um telescópio e outro, a Yara teve ajuda da Alejandra (nossa guia da Space) para conseguir as fotos pro post. Ela foi super gentil, fez todos os ajustes na câmera, indicou as melhores posições e também mostrou quais seriam os lugares mais estáveis para apoiar a câmera.

Serviço:

Os passeios custam, em média, 20.000,00 pesos chilenos (cerca de R$110,00 em janeiro de 2016) e têm perto de uma hora e meia de duração.

Ambos tours são a céu aberto, de noite, no deserto, a uma altitude elevada e isso significa um SUPER frio. Eu sou friorenta pra caramba e me vesti em muitas camadas: meia calça, calça jeans, camiseta, casaco de lã de alpaca, casaco térmico, poncho de alpaca, luvas e gorro. Não passei frio, mas andei com a graciosidade do monstro de marshmallow dos Caça-Fantasmas.

Podendo, vale a pena fazer os dois. O escritório da Space fica na rua Caracoles, a principal de San Pedro, e a agência através da qual contratamos o tour do professor fica na mesma rua, bem em frente ao escritório da Space. Ela é a primeira loja de uma galeriazinha onde alugam prancha pra sandboard e também funciona uma lavanderia, na fachada há um grande cartaz anunciando o tour astronômico no Atacama.

You Might Also Like

2 Comments

  • Reply Escolho Viajar May 13, 2016 at 11:34 pm

    Que legal esse post! Deve ser muito lindo! Vamos colocar na listinha….

    • Reply angelagolds May 15, 2016 at 12:56 pm

      Foi o passeio que eu mais gostei! É lindo de morrer!

    Digaí!