Na Gringa

Vinte e poucas horas em Cingapura – turismo express

February 28, 2015

A grande vantagem do passaporte brasileiro em terras tailandesas é o fato de não precisarmos de visto para termos três meses de permanência garantidos na Terra dos Sorrisos. Sabendo disso, comprei uma passagem para o Vietnã ainda antes de sair do Brasil pois poderia mostrar aos oficiais da imigração que eu tinha uma data para sair do país caso implicassem com a minha passagem só de ida. Foi uma sábia decisão, se eu não tivesse a cópia do bilhete não teria embarcado nem para a Turquia, onde fiz a conexão que me trouxe até Bangkok.  Como eu estou me especializando em vôos com escalas longas, a passagem para Saigon incluía uma paradinha em Cingapura, nove horas pelo que eu rapidamente vi no e-mail com a confirmação que a Jetstar me mandou. Achei tranquilo, não seria tempo suficiente para sair do aeroporto e ver um pouco da cidade, porque seria madrugada, mas dizem que o Changi foi votado como um dos melhores aeroportos do mundo, cheio de coisas para se fazer enquanto se espera pelo próximo avião. Pensei até que eu poderia aproveitar e procurar um lugar pra cortar o cabelo, que andava meio palha por causa da água salgada e do sol. Mandei a cópia da passagem para a amiga que se encontraria comigo em Saigon e recebi a seguinte mensagem logo depois:

– Minha filha, são DEZENOVE horas de conexão, não nove! Preste mais atenção às coisas!

Encarei minha falta de atenção a detalhes banais como o número de horas entre um vôo e outro como uma sorte, fui em busca de um hotel em conta para passar uma noite em Cingapura, achei um albergue com preço razoável perto da estação Clarke Quay do metrô e fiz a reserva pela internets. A coisa mais fácil do mundo foi chegar lá, o aeroporto oferece vans de transporte para o hotéis por cerca de SGD 10,00 e elas saem com bastante frequência, mesmo no meio da madrugada boladona. Pena que o albergue era bem ruinzinho e cheirava a cigarro, parecia que tinha ido passar a noite no cinzeiro, mas como foi apenas por uma noite não liguei muito.

Orchard Road

O plano para o dia seguinte era simples; queria conhecer a famosa rua de compras Orchard Road e dar uma volta na roda-gigante, a Singapore Flyer. Achei que seria um bom meio-termo entre conhecer um pouco da cultura local, parece que os cingapureanos curtem muito um shopping, e ver um pouco da cidade ao ver tudo lá do alto. Resolvi que começaria o dia pela metade fútil, inclusive porque eu tinha a missão de encontrar um cabeleireiro, fiz o check-out no albergue, deixei a bagagem na recepção e saí em busca da tal da estação de metrô. No caminho encontrei um moço muito bonzinho que não apenas me indicou o caminho como foi andando comigo até lá. Comprei meu bilhete e rumei em direção à Orchard. Preciso dizer que a nossa Oscar Freire não deixa nada a desejar no quesito de lojas caras e marcas mundialmente famosas, a grande diferença é que as lojas de Cingapura ficam dentro de shoppings, enquanto que as brasileiras estão a céu aberto.

ION

Entrei no shopping cujo nome mais me chamou a atenção, ION, e fui andando meio sem rumo pelos corredores. Aproveitei para comprar umas roupas novas (um vestido, uma saia e duas camisetas) e ver se melhorava minha aparência de mendiga. Algumas vitrines depois me deparei com um salão de cabeleireiro bem bonito, desses com jeito de ser meio caro mas que vão te tratar super bem.

Next Singapore

Tinha água em jarrinha estilosa, espelhos mil e poltronas confortáveis.

Next Singapore

Achei que valia a pena perguntar o preço e arriscar um corte caso eles tivesse alguém disponível, havia uma cabeleireira que poderia me atender. Por SGD 55,00 tive meus cabelos lavados com direito a uma massagem expressas nas costas, cortados e depois escovados. Parecia que eu tinha encontrado a fada madrinha da Cinderela, quase não me reconheci no espelho ao me ver de cabelos lisos. Não foi nada barato, mas foi um dinheiro super bem empregado, de vez em quando é bom se fazer esses agrados.

Next Singapore

Saindo do banho e tosa dei continuidade ao plano do turismo express e fui conhecer a Singapore Flyer, a roda-gigante que é um dos maiores cartões-postais da cidade-estado. Achei que seria uma boa maneira de ter uma visão geral do lugar em um espaço de tempo bastante limitado e queria levar o cabelo novo pra passear.

Chegar até lá é bastante simples, basta pegar o metrô e andar mais alguns minutinhos depois de descer na estação, mas também há um estacionamento para quem preferir ir de carro. Lembro que, com medo de que não houvesse mais espaço para comprar o ticket em cima da hora, quase fiz a reserva com hora marcada pela internet. No fim das contas acabei deixando que a sorte decidisse por mim. Se os ingressos estivessem esgotados eu simplesmente teria que usar o fato como uma desculpa para voltar outra vez. Não foi o caso, a sorte estava do meu lado e o lugar bastante vazio. Paguei  os SGD 33,00 e rumei para a minha cabine. Nela estava um casal e seu pau-de-selfie. Imagino que o marido tenha saído da cabine com LER no dedão de tanto que apertou o disparador, tiraram fotos deles mesmos e da paisagem de todos os ângulos e conseguiram a proeza de não olhar com os próprios olhos para fora da janela uma única vez; acho incrível gente que faz isso. Não era mais fácil, E barato, ficar em casa, ver as fotos no Google e se colocar no lugar via Photoshop? Não que eu nunca tenha tirado uma selfie na vida, muito pelo contrário, como costumo viajar sozinha acabo sempre tirando uma ou outra caso queira uma foto minha em frente a um determinado lugar e não haja quem possa me fazer a gentileza de me fotografar.

Singapore Flyer

A subida até o topo da roda-gigante e a vista durante todos os percurso são muito bacanas. Também tirei várias fotos, inclusive uma ou outra selfie – a maldição dos viajantes sozinhos – mas na maior parte do tempo quis aproveitar a paisagem bonita que estava à minha frente. Apesar de ter achado o passeio um pouco caro, foi bem legal poder ter uma visão panorâmica de Cingapura e perceber que ainda há muito a se conhecer por ali; fiquei com muita vontade de voltar e passar mais tempo.

Singapore Flyer

Singapore Flyer

Singapore Flyer

Singapore Flyer

Quando a volta terminou tive tempo apenas para descer, voltar rapidamente ao albergue para pegar minha mochila e correr para o aeroporto. Como eu já tinha feito o check-in em Phuket só precisei localizar o portão de embarque e passar pela imigração, coisa que não demorou mais do que uns quinze minutinhos. Em pouco mais de uma hora de vôo cheguei em Saigon.

A quem interessar possa, o nome do salão é Next e a fada-madrinha que me atendeu é a Leng.

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